Você já se perguntou se é possível encontrar o amor verdadeiro em um casamento por conveniência. Uma jovem de Salvador está prestes a descobrir que o destino tem seus próprios planos, mesmo quando tudo parece calculado e frio. Esta é uma história que vai mexer com cada fibra do seu coração, onde um acordo de negócios se transforma na jornada emocional mais intensa que você já presenciou.
Aliás, me conta aí nos comentários de que cidade você está assistindo essa história incrível. E já aproveita para se inscrever no canal e deixar aquele like para me ajudar a continuar trazendo essas narrativas que vão te emocionar até as lágrimas. Prepare-se para conhecer Emília e Vinícius, dois corações feridos que estão prestes a descobrir que o amor verdadeiro pode nascer nos lugares mais inesperados.
O ventilador do teto girava preguiçosamente no calor sufocante de março em Salvador, espalhando o aroma intenso de dendê e pimenta que subia da rua direita da Piedade. As paredes descascadas do apartamento de dois quartos testemunhavam anos de luta de uma família que sempre teve muito amor, mas pouco dinheiro.
Santos, 24 anos, ajustou o vestido simples de algodão azul claro, o mesmo que usava para as entrevistas de emprego que nunca davam certo, e observou o envelope lacrado sobre a mesa de fórmica amarelada da pequena cozinha. Suas mãos tremiam ligeiramente, não apenas pelo calor opressivo que fazia os suores escorrer por suas têmporas, mas pela magnitude do que aquele pedaço de papel representava.
Do lado de fora, os sons típicos de Salvador ecoavam pela janela aberta, vendedores ambulantes gritando suas ofertas, o barulho dos ônibus velhos subindo à ladeira, crianças brincando na rua de paralelepípedos irregulares. “Minha filha, você não precisa fazer isso”, murmurou dona Carmen Santos, 52 anos, com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.
Suas mãos calejadas pelo trabalho como faxineira em três casas diferentes tremiam enquanto segurava um pano de prato desbotado. Existe uma forma de sairmos dessa situação sem você ter que se sacrificar. Sim, eu preciso, mãe! Respondeu Emília, fitando a janela onde se via a paisagem urbana de Salvador se estendendo até onde a vista alcançava.
Prédios antigos misturados com construções modernas. o contraste social gritante de uma cidade que ela amava, mas que não conseguia oferecer as oportunidades que tanto buscava. Papai perdeu o emprego há 8 meses. Os remédios do vovô custam quase R$ 1.000 por mês e vocês sacrificaram tudo por mim durante esses 24 anos.
Venderam até a aliança de casamento para me manter na faculdade. Agora é minha vez de cuidar desta família. O envelope branco com papel timbrado elegante continha a proposta mais surreal e aterrorizante que já havia recebido. Casamento por conveniência com Vinícius Oliveira, magnata imobiliário de São Paulo, um homem que ela havia visto apenas em revistas de negócios e colunas sociais.
Uma quantia que parecia saída de um sonho ou pesadelo que resolveria todos os problemas financeiros da família Santos em troca de 2 anos representando o papel de esposa perfeita em eventos sociais e negociações empresariais. Emília respirou fundo, sentindo o ar quente e úmido encher seus pulmões, e abriu a carta pela quinta vez naquele dia. As palavras pareciam dançar na sua frente, escritas em uma fonte elegante que provavelmente custava mais que seu salário mensal. Benefícios mútuos para ambas as partes.
Descrição absoluta garantida, compensação financeira generosa no valor de o número que seguia fazia sua cabeça girar. Seu pai, João Santos, 58 anos, entrou na cozinha arrastando os pés, com os ombros curvados pelo peso não apenas da idade, mas das dificuldades que se acumulavam como uma montanha impossível de escalar.
Suas mãos, antes para qualquer serviço de construção civil, agora tremiam ligeiramente, consequência do acidente que sofreu no último trabalho, quando uma viga pesada esmagou seus dedos, deixando-o incapaz de exercer sua profissão. “Emlia, minha querida, deve existir outra forma de resolvermos isso”, disse ele, a voz embargada pela emoção. “Eu vou encontrar trabalho, por mais difícil que seja.
Não posso permitir que minha filha se case com um desconhecido por dinheiro. Papai, seja realista, respondeu Emília, levantando-se e caminhando até ele. Segurou suas mãos calejadas e machucadas, sentindo a pele áspera de décadas de trabalho pesado. Com 58 anos sem diploma, com as mãos machucadas e a crise econômica que está devastando o país, as empresas mal estão contratando jovens formados.
Imagine alguém na sua situação. E não é só um casamento por dinheiro, é um acordo comercial. Dois anos da minha vida para garantir que vocês tenham dignidade, tratamento médico adequado para o vovô, uma casa decente para morarmos. A verdade era que nos últimos meses Emília havia visto sua família se desintegrando lentamente.
O avô Sebastião Santos, 79 anos, definhava em sua cama improvisada na sala, sem os medicamentos necessários para tratar a diabetes e a pressão alta que se agravavam dia após dia. Dona Carmen trabalhava 16 horas diárias, saindo às 5 da manhã e voltando às 10 da noite, com os joelhos inchados e as costas destroçadas. João passava os dias procurando trabalho, voltando para casa cada vez mais cabis baixo e derrotado.
Mas e o amor, filha? E seus sonhos de constituir uma família com alguém que você ame de verdade? perguntou dona Carmen, enxugando uma lágrima que teimava em escorrer. Emília sorriu tristemente, lembrando-se dos planos que havia feito quando era criança. Casar com um homem que a amasse loucamente, ter filhos, construir uma família baseada no amor verdadeiro, como via nos filmes.
Mãe, às vezes precisamos sacrificar nossos sonhos pelos sonhos das pessoas que amamos. Meu sonho agora é ver vocês bem, seguros, sem passar necessidade. A proposta havia chegado através de intermediários discretos, advogados elegantes que pareciam saídos de filmes americanos com ternos caros e brief cases de couro.
Eles explicaram que Vinícius Oliveira, aos 42 anos, era um dos empresários mais ricos do país, dono de uma empresa que construía resortes de luxo por todo o Brasil. Após um divórcio conturbado, ele precisava urgentemente de uma esposa para projetos sociais e negociações com investidores internacionais conservadores que valorizavam a imagem de estabilidade familiar.
“É apenas business, Senrita Santos”, havia explicado o advogado principal, Dr. Henrique Morais. Um homem de 50 anos com cabelos grisalhos perfeitamente penteados. Seu cliente precisa de uma companheira elegante e discreta para eventos sociais. A senhorita precisa de estabilidade financeira para sua família. É uma situação onde todos saem ganhando.
Mas quando Emília fechou os olhos naquela noite abafada de Salvador, deitada na cama estreita que dividia com a prima mais nova, uma pergunta a atormentava como um eco persistente. E se esse acordo mudasse sua vida para sempre? De formas que não podia nem imaginar? E se por trás da fachada fria de um contrato de negócios, o destino estivesse preparando algo muito mais profundo e transformador, o barulho da chuva começando a cair nas telhas de barro do telhado antigo parecia sussurrar segredos sobre um futuro que ela não conseguia vislumbrar, mas que sentia no peito como uma mistura de terror e expectativa. O hotel Vila Bahia,
localizado no coração do Pelourinho, estava especialmente elegante naquela quinta-feira de abril. As pedras históricas do século XVII contrastavam harmoniosamente com os detalhes contemporâneos que faziam do local um dos mais sofisticados de Salvador. Emília ajustou nervosamente o vestido azul marinho emprestado da prima Carolina, a única da família que tinha roupas adequadas para um ambiente tão refinado, e checou o reflexo no espelho espelhado do lobby pela terceira vez em 5 minutos. O vestido, apesar de simples, caía perfeitamente em seu corpo esguio.
Seus cabelos castanhos, naturalmente ondulados, estavam presos em um coque baixo que Carolina havia feito com todo o cuidado, usando grampos dourados emprestados de uma vizinha. A maquiagem, também feita pela prima, que trabalhava ocasionalmente como maquiadora, realçava seus olhos amendoados e os lábios naturalmente rosados.
Você consegue, Emília”, sussurrou para si mesma, tentando controlar o coração que batia tão forte que tinha a certeza de que todos no lobby elegante podiam ouvir. É apenas uma conversa de negócios, como se fosse uma entrevista de emprego muito bem remunerada, mas suas mãos suavam frio enquanto observava os outros hóspedes do hotel.
Mulheres elegantes com bolsas que provavelmente custavam mais que a renda anual de sua família, homens internos sob medida, conversas em inglês e francês ecoando pelo ambiente climatizado que contrastava brutalmente com o calor da rua. Quando Vinícius Oliveira apareceu na entrada do restaurante Amado, Emília imediatamente entendeu porque ele era considerado um dos solteiros mais cobiçados e inacessíveis do país. Media aproximadamente 1,85.
Tinha cabelos escuros com fios prateados perfeitamente distribuídos nas têmporas. Não de velice, mas de elegância natural. Olhos cinza azulados que pareciam capturar e analisar tudo ao redor com precisão cirúrgica. O terno italiano de Corchumbo caía perfeitamente em seu físico atlético, de quem frequentava a academia religiosamente e cuidava da saúde como um investimento.
Havia uma aura ao redor dele que fazia as pessoas se voltarem naturalmente. Não era apenas a riqueza óbvia, mas uma mistura de poder, confiança e algo mais sombrio que Emília não conseguia identificar. Seus movimentos eram calculados, precisos, como de alguém acostumado a comandar salas de reunião e tomar decisões que afetavam milhares de pessoas.
“Senrita Santos”, disse ele, aproximando-se da mesa reservada com vista para a baía de todos os santos, estendendo a mão com um sorriso que era claramente profissional, educado, mas que não chegava aos olhos. Vinícius Oliveira. É um prazer conhecê-la pessoalmente. O aperto de mão foi firme, profissional, mas durou um segundo a mais do que o necessário.
Emília sentiu um arrepio percorrer sua espinha, não de medo, mas de algo muito mais perturbador. Atração física imediata e innegável. O prazer é todo meu, Sr. Oliveira, respondeu ela, tentando soar mais confiante do que realmente se sentia. Sua voz saiu ligeiramente rouca e ela torciu discretamente para disfarçar. Durante o jantar, entrada de camarão grelhado com legumes que custava mais que a feira semanal de sua família, ele explicou os termos do acordo com a frieza meticulosa de quem estava acostumado a discutir contratos de milhões de reais. Minha situação matrimonial anterior causou
complicações desnecessárias em negócios importantes”, disse ele, cortando metodicamente o salmão no prato. Investidores internacionais, principalmente os europeus e árabes, são extremamente conservadores. Eles preferem fazer negócios com homens casados que projetem uma imagem de estabilidade e confiabilidade familiar.
Preciso de uma parceira que possa representar adequadamente o papel de esposa em eventos sociais, viagens de negócios, recepções diplomáticas. E o que exatamente eu ganharia além da compensação financeira?”, perguntou Emília, tentando manter a voz estére, apesar do nervosismo que a consumia. Vinícius a estudou por um longo momento, como se estivesse avaliando um investimento potencial.
Seus olhos percorreram o rosto dela com uma intensidade que a fez corar ligeiramente, acesso a um mundo que provavelmente nunca conheceu, oportunidades educacionais, idiomas, arte, cultura internacional, viagens para destinos que a maioria das pessoas só vê em revistas, conexões sociais que poderiam beneficiá-la profissionalmente após o término do nosso acordo.
Havia algo em sua voz, uma dureza quase imperceptível que Emília não conseguia decifrar completamente, como se ele próprio estivesse tentando se convencer de que aquilo era apenas uma transação comercial, nada mais. “E quanto à intimidade, expectativas conjugais?”, perguntou ela, sentindo o rosto queimar de vergonha, mas sabendo que precisava esclarecer todos os aspectos.
A expressão de Vinícius se endureceu momentaneamente. O casamento seria em todos os aspectos legais e sociais, mas intimidade física não faria parte das obrigações contratuais. Seria opcional, baseada em conveniência mútua e sentimentos, envolvimento emocional real, definitivamente não fazem parte do acordo”, respondeu ele rapidamente, quase cortando-a.
“Iso apenas complicaria uma situação que precisa permanecer business. Sentimentos são imprevisíveis, destrutivos para relacionamentos profissionais. Mas quando os olhos de ambos se encontraram durante a sobremesa, um pudim de leite condensado que Emília mal conseguiu tocar, houve um momento de conexão elétrica que contradisse completamente suas palavras frias e calculadas.
Por uma fração de segundo, Vinícius pareceu menos controlado, mais vulnerável. Posso perguntar porque escolheu especificamente alguém como eu? disse Emília, gesticulando vagamente para si mesma. Certamente deve conhecer mulheres de sua classe social que aceitariam esse tipo de arranjo. Vinícius riu sem humor, um som baixo e ligeiramente amargo.
Mulheres da minha classe social vêm com complicações familiares, expectativas sociais, histórias entrelaçadas que poderiam tornar o divórcio posterior problemático. Preciso de alguém limpo, sem bagagem social que possa interferir nos negócios.
A palavra limpo so quase ofensiva, mas Emília entendeu o que ele queria dizer. Alguém sem conexões poderosas, sem família influente, que pudesse causar escândalos ou chantagens posteriores. “E por que eu aceitaria?”, perguntou ela, erguendo o queixo com uma dignidade que o surpreendeu. “Por quê?”, disse ele, inclinando-se ligeiramente para a frente.
“Você ama sua família mais que seus próprios sonhos? E porque se for esperta, pode transformar esses dois anos em uma oportunidade de construir um futuro muito melhor do que qualquer coisa que Salvador possa oferecer. quando se despediram na entrada do hotel, com a brisa noturna da baía de todos os santos, carregando o aroma salgado do mar e os sons distantes da vida noturna do pelourinho, Emília sentiu que sua vida estava prestes a mudar de forma irreversível, mas foi quando Vinícius segurou delicadamente sua mão para se despedir, um gesto que durou alguns segundos a mais do que o protocolar, que ela sentiu uma corrente elétrica percorrendo todo o seu corpo e
soube instintivamente que sentimentos não poderiam ser controlados por contratos, não importando o quanto ambos tentassem acreditar no contrário. Trs meses se passaram como um furacão transformador que varreu completamente a vida de Emília Santos.
O pequeno apartamento em Salvador havia sido substituído por uma cobertura temporária em Moema, bairro nobre de São Paulo, com vista panorâmica para o parque do Ibirapuera. Duas empregadas cuidavam da limpeza e organização. Um motorista particular estava sempre disponível e uma conta bancária com valor suficiente para comprar uma casa havia sido aberta em seu nome para despesas pessoais e preparação para o casamento.
Segundo os termos do contrato, Emília acordava todos os dias às 6 da manhã, não mais com o barulho dos ônibus e vendedores ambulantes de Salvador, mas com o som suave de uma playlist clássica. que o sistema de som automatizado da cobertura ativava. Café da manhã servido na varanda com vista para a cidade que nunca dormia.
Pães franceses frescos, frutas orgânicas, sucos naturais, café gourmet que custava mais por quilo do que ela ganhava por mês como secretária. Suas manhãs eram ocupadas com aulas de etiqueta social com Madame Dubois, uma francesa de 65 anos que havia sido instrutora de protocolo da embaixada francesa e agora atendia exclusivamente a elite paulistana.
Era uma mulher elegante e severa, com cabelos grisalhos presos em um coque impecável e roupas que gritavam descrição cara: “Postura minha cara! Uma futura senhora Oliveira jamais se curva”, repetia Madame Dubuá com seu sotaque afrancesado carregado, caminhando ao redor de Emília com uma régua na mão, os ombros para trás, o queixo paralelo ao chão, a coluna ereta, como se um fio dourado a puxasse em direção ao céu.
Você não está apenas caminhando, está fazendo uma declaração silenciosa de elegância e poder. As tardes eram dedicadas a aulas de idiomas francês à segundas, quartas e sextas. com professora Margot, uma parisiense aposentada que fazia Emília repetir frases sobre vinhos e arte até sua pronúncia soar minimamente aceitável.
Alemão às terças e quintas com Her Wolfgang, um senhor austríaco de óculos grossos, que a ensinava vocabulário essencial para recepções diplomáticas e negócios internacionais. O utentagamis Emília Oliveira, repetia ela pela centésima vez, sentindo a língua travar nas consoantes duras do alemão. Nin é Emília Oliveira Rolly o R, senhorita.
Os alemães percebem imediatamente quando alguém não domina a pronúncia adequada. As noites aulas de história da arte com o professor Augusto, um crítico aposentado da Pinacoteca, que a levava virtualmente pelos principais museus do mundo, ensinando-a a identificar períodos artísticos, nomes de artistas famosos, como manter conversas inteligentes sobre cultura em eventos sociais.
Quando alguém mencionar impressionismo, você deve imediatamente pensar em Monet Reno Degá”, explicava ele, mostrando reproduções em alta resolução. “Mas nunca demonstre conhecimento demais. Isso pode parecer pretencioso. O ideal é fazer perguntas inteligentes que mostrem interesse genuíno.” Personal stylist duas vezes por semana. Maria Fernanda, uma mulher de 40 anos que vestia socialites famosas e agora tinha a missão de criar um guarda-roupa adequado para a futura esposa de Vinícius Oliveira.
Roupas de grife italiana e francesa enchiam dois closets inteiros: vestidos para jantares formais, trajes para eventos esportivos, looks para viagens internacionais, sapatos numerados e organizados como uma loja de luxo. “Você tem um físico privilegiado”, dizia Maria Fernanda, analisando Emília com olhos críticos de profissional. Altura ideal, cintura marcada, pernas longas.
Com as roupas certas e postura adequada, pode competir com qualquer socialite de São Paulo. Mas eram as sessões semanais com a psicóloga Dra. Helena Vargas, que mais perturbavam Emília. Uma mulher de 50 anos, cabelos curtos e grisalhos, óculos elegantes, que havia sido contratada para ajudá-la a adaptar-se psicologicamente às mudanças sociais drásticas.
Como está se sentindo com todas essas transformações?”, perguntava a doutora Helena durante uma das sessões em seu consultório elegante em Higienópolis. “Como fraude”, respondia Emília honestamente, mexendo nervosamente nas mãos, como se estivesse vestindo fantasias que não me pertencem. Ontem, uma vendedora na Daslu me tratou como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo, só porque cheguei no carro de Vinícius. Há três meses, essa mesma mulher provavelmente não olharia duas vezes para mim. E o que sente em relação
ao senor Oliveira? Essa era a pergunta que Emília temia, porque a verdade era complicada demais para ser admitida, mesmo para uma psicóloga profissional. Vinícius acompanhava seu progresso à distância, sempre cordial, sempre controlado, sempre impecavelmente educado.
Jantares semanais em restaurantes sofisticados para avaliar seu desenvolvimento social. eventos que mais pareciam exames rigorosos, onde ela precisava demonstrar o que havia aprendido. “Como está progredindo com o alemão?”, perguntava ele durante um jantar no fazano, cortando metodicamente seu bife vaguio. “Hir Wolfgang diz que minha pronúncia melhorou consideravelmente”, respondia ela, tentando não demonstrar como sua presença a afetava fisicamente.
“Excellent! A reunião da próxima semana com os investidores de Berlim será um bom teste prático. Mas havia momentos, momentos breves e desconcertantes, quando a máscara profissional dele escorregava ligeiramente, quando ela ria genuinamente de alguma observação que fazia, ele a observava com uma intensidade que nada tinha de business. Quando caminhavam lado a lado, saindo de restaurantes, sua mão às vezes tocava levemente suas costas de forma protetiva, quase possessiva.
“Vinicius”, disse ela uma noite, reunindo coragem após duas taças de vinho. “Posso perguntar sobre sua ex-esposa?” A transformação em seu rosto foi imediata e perturbadora. A expressão se fechou completamente. Os olhos cinzas se tornaram glaciais. Sofia não faz parte desta conversa, nem nunca fará”, respondeu ele, a voz cortante como uma lâmina.
Nosso acordo não inclui discussões sobre meu passado matrimonial, mas Emília havia notado como sua mandíbula se contraíra ao ouvir o nome, como suas mãos se fecharam involuntariamente em punhos. Havia dor ali, profunda e mal curada, como uma ferida infectada que nunca havia sido adequadamente tratada.
Naquela noite deitada na cama King Sais da cobertura, observando as luzes de São Paulo brilharem através das janelas panorâmicas, Emília se perguntou que feridas terríveis aquele homem carregava e por se importava tanto em descobrir quando deveria manter a relação estritamente profissional. A verdade incômoda que não conseguia admitir nem para si mesma era que a cada jantar, a cada olhar prolongado, a cada momento em que ele baixava ligeiramente a guarda, ela se sentia mais atraída, não apenas fisicamente, mas emocionalmente.
Estava se apaixonando por um homem que havia deixado explicitamente claro que sentimentos não faziam parte do acordo, e isso a aterrorizava mais do que qualquer transformação social que estava enfrentando. A Catedral Basílica de Salvador estava sendo transformada em um cenário digno de contos de fadas.
Arranjos florais monumentais de rosas brancas, lírios e orquídeas eram meticulosamente posicionados por uma equipe de 10 decoradores que trabalhavam há três dias consecutivos. Fitas de seda dourada se entrelaçavam pelas colunas históricas. Velas aromáticas de cera de abelha criavam uma atmosfera mística e um tapete de veludo vermelho se estendia desde a entrada até o altar principal.
Emília observava os preparativos finais da janela de sua suí no hotel Vila Bahia, sentindo uma mistura devastadora de ansiedade, irrealidade e algo que não conseguia nomear. Talvez expectativa, talvez terror. Sua família havia chegado dois dias antes de Salvador, hospedada em quartos adjacentes, que Vinícius havia gentilmente providenciado e pago.
“Você está absolutamente deslumbrante, minha filha”, disse dona Carmen, ajustando cuidadosamente o vel de renda francesa que cascateava por 3 m atrás do vestido. Suas mãos, ainda calejadas pelo trabalho pesado, tremiam ligeiramente com a emoção. O vestido de noiva era uma obra de arte criada pelo renomado estilista brasileiro Samuel Sirnansk, seda italiana pura, bordados à mão feitos por artesãs de Veneza, aplicações de pérolas Mikimoto e cristais Swarovski, que criavam um padrão sutil, mas deslumbrante quando a luz incidia.
A cauda se estendia por 4 m, o decote era elegantemente recatado, mais sensual, e o caimento realçava perfeitamente sua silhueta. Custou mais que nossa casa, murmurou Emília tocando delicadamente a seda que parecia líquida sob seus dedos. E você merece cada centavo respondeu sua mãe, os olhos brilhando com lágrimas contidas.
Minha menina que se transformou em uma princesa. Mas Emília não se sentia como uma princesa. Sentia-se como uma atriz extremamente bem vestida, prestes a interpretar o papel mais importante e perigoso de sua vida. Seu avô Sebastião estava sentado em uma poltrona próxima, visivelmente emocionado, mas finalmente com cor no rosto.
Os medicamentos adequados e a alimentação melhorada haviam operado uma pequena transformação milagrosa em sua saúde. “Vovô está orgulhoso de você, menina”, disse ele com a voz embargada. Nunca pensei que viveria o suficiente para ver minha netinha se casar em uma catedral como essa. João Santos, seu pai, usava um smoking alugado que o fazia parecer um homem diferente, mais digno, mais confiante.
O dinheiro do acordo havia permitido que ele procurasse tratamento para as mãos machucadas. E, embora ainda não pudesse trabalhar na construção civil, sua autoestima estava gradualmente se recuperando. “Tem certeza de que é isso que quer, querida?”, perguntou ele, segurando as mãos da filha.
Papai, isso vai dar certo, respondeu Emília, tentando convencer a si mesma tanto quanto a ele. Um envelope elegante foi discretamente entregue por uma das organizadoras do evento. Com mãos trêmulas, Emília o abriu. Emília, sei que este não é o casamento dos seus sonhos de menina. Sei que está fazendo um sacrifício enorme por sua família e tenho profunda admiração por sua coragem.
Prometo fazer o possível para que estes dois anos sejam respeitosos e, quem sabe, até agradáveis. Você merece mais do que um acordo de conveniência, mas é o que posso oferecer no momento. Vê, por que aquelas poucas palavras escritas à mão a fizeram chorar? Porque sentia que havia algo mais profundo por trás da formalidade educada dele. Porque suas mãos tremiam não de medo, mas de uma expectativa inexplicável.
Madame Dubo chegou para os últimos ajustes, verificando cada detalhe com olhos críticos de profissional. “Perfeita”, declarou ela após vários minutos de inspeção. “Você está pronta para enfrentar a sociedade paulistana, minha cara? Lembre-se, coluna ereta, sorriso sereno, passos pequenos e seguros. Você não é apenas uma noiva, é a futura senhora oliveira.
” O cabeleireiro havia criado um penteado clássico, cabelos ondulados presos em um coque baixo elegante, com algumas mechas soltas e moldurando seu rosto suavemente maquiado. O resultado era sofisticação sem ostentação, beleza natural realçada discretamente. Às 6 da tarde, uma hora antes da cerimônia, Vinícius enviou outro bilhete. Os convidados estão impressionados com a decoração.
Você criou o casamento mais elegante que Salvador já viu. Obrigado por tornar este dia especial, mesmo sendo apenas business. Vê, apenas business, porque essas palavras a machucaram mais do que deveriam. Quando o sino da catedral começou a tocar, anunciando o início da cerimônia, Emília respirou fundo e fez uma promessa silenciosa para si mesma.
Independentemente do que acontecesse nos próximos dois anos, ela sairia dessa experiência mais forte, mais sábia, mais completa. Não podia imaginar que estava prestes a começar a jornada emocional mais intensa de sua vida e que o homem que a esperava no altar, por mais que tentasse negar, também estava prestes a descobrir que alguns contratos são abençoados pelo destino para se tornarem muito mais do que papel e assinaturas. A catedral basílica estava completamente lotada. Emília reconheceu poucos rostos
na multidão elegante. Sua família modesta ocupava apenas dois bancos do lado esquerdo, perdidos em meio à elite de Salvador e São Paulo, que havia comparecido para testemunhar o que os jornais sociais chamaram de o casamento do ano. Do lado direito, amigos, sócios e personalidades importantes da vida de Vinícius ocupavam pelo menos 15 fileiras.
empresários famosos, políticos, socialites com chapéus extravagantes, homens em smokings impecáveis, mulheres cobertas de joias que provavelmente custavam mais que apartamentos inteiros. Roberto Silveira, sócio mais antigo de Vinícius, atuava como padrinho, um homem de 50 anos, cabelos completamente brancos, que havia construído um império no agronegócio e era conhecido por sua perspicácia nos negócios.
Ao lado dele, a esposa Margaret, uma mulher elegante que usava um vestido Valentino azul marinho e observava tudo com olhos curiosos e ligeiramente céticos. “Interessante escolha do Vinícius”, murmurava ela para o marido. “Uma garota da Bahia, sem conexões familiares importantes, muito diferente do que esperávamos após o desastre com Sofia.
O órgão centenário começou a tocar a marcha nupsal de Wagner e todas as cabeças se voltaram simultaneamente para as portas principais da catedral. Quando as portas duplas se abriram majestosamente e Emília apareceu no braço de seu pai. Um murmúrio coletivo de admiração ecoou pelas colunas históricas. Ela estava absolutamente deslumbrante.
O vestido Samuel Sirnansk a transformara em uma visão etérea. O vel francês criava uma aura quase angelical e sua postura, resultado de meses de treinamento com Madame Dubois, era de elegância real. Mas Emília só tinha olhos para o homem que a esperava no altar e que, neste momento, a observava com uma expressão que ela nunca havia visto antes.
Vinícius estava impecável no smoking Georgio Armani preto, feito sob medida para seu físico atlético. Suas mãos estavam ligeiramente fechadas, como se estivesse nervoso, o que era impossível, considerando que este era apenas um acordo de negócios. Mas quando seus olhos se encontraram através do véu, houve algo na expressão dele que a fez tropeçar ligeiramente. Não era apenas admiração estética, era algo mais profundo, mais perturbador, como se ele a estivesse vendo pela primeira vez, realmente vendo, não apenas avaliando uma parceira de negócios adequadamente preparada. O caminho até o altar pareceu durar uma eternidade. A cada passo,
Emília sentia centenas de olhos analisando cada detalhe, seu andar, sua postura, sua expressão, tentando decifrar quem era esta mulher desconhecida que havia conquistado o coração, ou pelo menos o interesse, do solteiro mais cobiçado do país. “Ela é realmente linda”, comentou uma convidada.
“Mas de onde saiu? Ninguém a conhece na sociedade paulistana”, respondeu outra. Vinícius sempre foi imprevisível. Depois do escândalo com Sofia, talvez tenha decidido procurar algo completamente diferente. Quando finalmente chegou ao altar e seu pai a entregou formalmente a Vinícius, suas mãos se tocaram e Emília sentiu uma corrente elétrica percorrer todo o seu corpo.
Vinícius também pareceu sentir algo, porque seus dedos se fecharam ao redor dos dela com uma firmeza que nada tinha de protocolar. Você está absolutamente deslumbrante”, sussurrou ele tão baixo que apenas ela pôde ouvir. E pela primeira vez sua voz carregava algo além de cortesia profissional. Havia admiração genuína, talvez até reverência.
Padre Miguel, um homem de 60 anos que havia conhecido Vinícius desde criança e era responsável pela capela particular da família Oliveira, conduziu a cerimônia com solenidade tocante. Queridos irmãos, estamos reunidos hoje para testemunhar a união sagrada entre Vinícius Oliveira e Emília Santos, dois corações que escolheram caminhar juntos pelos desafios e alegrias da vida matrimonial.
As palavras ecoavam pela catedral, mas Emília se perguntava se o padre sabia que aquilo não era exatamente uma união de corações, mas um acordo comercial sofisticadamente disfarçado. “Vinicius, você aceita Emília como sua legítima esposa, prometendo amá-la, respeitá-la e protegê-la na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza? Todos os dias de sua vida?” Houve uma pausa, quase imperceptível antes de Vinícius responder.
Seus olhos estavam fixos nos de Emília e ela viu algo neles que a fez parar de respirar momentaneamente. “Eu aceito”, disse ele, e sua voz soou mais intensa do que deveria para um simples protocolo. Emília, você aceita Vinícius como seu legítimo esposo, prometendo amá-lo, respeitá-lo e apoiá-lo na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza todos os dias de sua vida.
As palavras saíram automaticamente, mas quando disse eu aceito Emília sentiu que estava fazendo uma promessa mais profunda do que o contrato original previa. A troca de alianças foi o momento mais perturbador. Quando Vinícius deslizou a aliança Cartier em seu dedo, platina com diamantes discretos que custava mais que um carro, seus dedos demoraram mais tempo do que necessário, entrelaçados com os dela. “Com esta aliança, eu te despouso”, disse ele.
E havia algo em sua voz que fez várias convidadas suspirarem romanticamente. “Eu os declaro marido e mulher”, anunciou o padre Miguel solenemente. Vinícius, pode beijar a noiva. Este foi o momento que mudou tudo. O beijo deveria ter sido casto, protocolar, adequado para uma catedral cheia de convidados ilustres.
Mas quando os lábios de Vinícius tocaram os dela, houve uma explosão de sensações que nada tinha de fingida ou calculada. O beijo durou apenas alguns segundos, mas foi intenso o suficiente para fazer Emília se agarrar nos ombros dele para não cambalear. Quando se separaram, ambos estavam ligeiramente ofegantes, e a expressão nos olhos de Vinícius era de surpresa genuína, como se ele próprio não esperasse sentir o que havia sentido.
Os aplausos ecoaram pela catedral como uma onda de aprovação, mas tudo que Emília conseguia ouvir era o som de seu próprio coração batendo descompassadamente. Estava oficialmente casada com um homem que mal conhecia por dinheiro. Então, porque se sentia como se algo muito mais profundo e irreversível acabara de acontecer? Porque tinha a sensação de que aquele beijo havia selado um destino que ia muito além do que qualquer contrato poderia prever.
O hotel Vila Bahia havia sido completamente transformado em um palácio de sonhos. O jardim histórico, normalmente elegante, mas discreto, agora brilhava sob milhares de luzes douradas estrategicamente posicionadas entre as árvores centenárias. Pétalas de rosas brancas cobriam os caminhos de pedra. Fontes iluminadas criavam jogos de luz e sombra.
E uma tenda transparente, gigantesca, abrigava 300 convidados em mesas decoradas com arranjos florais, que eram verdadeiras obras de arte. Uma orquestra de câmara de 15 músicos tocava repertório clássico, enquanto os convidados saboreavam um menu criado pelo chefe Alex Atala, especialmente para a ocasião: entrada de camarão da Bahia com molho de dendê refinado, prato principal com opções de salmão do Chile grelhado com crosta de castanha do Pará ou filé minhon com cogumelos Paris flamejados, sobremesa de cocada gourmet com sorvete de caju artesanal.
Emília circulava pelo salão principal no braço de Vinícius, cumprimentando pessoas cujos nomes havia memorizado obsessivamente nas últimas semanas. Sorria para fotografias que apareceriam nas principais revistas sociais do país. Conversava em francês básico com diplomatas europeus. Representava o papel de esposa apaixonada com uma perfeição que surpreendia até ela mesma.
A nova senora Oliveira está causando uma sensação extraordinária”, comentou Roberto Silveira, sócio de Vinícius durante o coquetel de champanhe Dom Perrinhon servido na chegada. Uma beleza realmente excepcional e muito mais sofisticada do que esperávamos. “Obrigado, Roberto”, respondeu Vinícius. E Emília notou como sua mão em sua cintura se tornou ligeiramente mais possessiva, quase protetiva.
“Onde vocês se conheceram? As apostas na sociedade paulistana eram sobre qual herdeira ou empresária você escolheria”, insistiu Margaret Silveira, claramente curiosa. “O amor aparece nos lugares mais inesperados”, respondeu Vinícius diplomaticamente, mas seus dedos apertaram levemente a cintura de Emília, um sinal que ela havia aprendido a interpretar como “Mantenha a versão oficial.
Nos conhecemos através de amigos em comum”, mentiu Emília Smoothley, sorrindo com a elegância que Madame Dubo havia lhe ensinado. Foi amor à primeira vista, pelo menos da minha parte. A mentira saiu tão naturalmente que ela própria quase acreditou. Mas foi durante a valsa nupscial que algo fundamental mudou entre eles. A orquestra começou a tocar Lavian Rose, escolha de Vinícius que havia surpreendido Emília.
E quando ele a conduziu para o centro da pista de dança improvisada, 300 pares de olhos se voltaram para observá-los. Com a mão direita de Vinícius firmemente posicionada em suas costas e a esquerda entrelaçada com a dela, seus corpos se moveram em harmonia perfeita. Meses de aulas de dança social haviam preparado Emília tecnicamente, mas não para a intimidade devastadora de estar tão próxima dele, sentindo seu perfume masculino, o calor de seu corpo através do smoking, a firmeza de seus músculos quando a guiava pelos passos. “Você dança muito bem”, murmurou ele próximo ao seu ouvido, a voz ligeiramente rouca.
Madame Dubo foi uma professora implacável”, respondeu ela, tentando manter a voz steady, apesar do arrepio que percorreu sua espinha com a proximidade dele. “Emlia, houve uma pausa. Eu preciso que saiba que, apesar das circunstâncias não convencionais de nosso casamento, tenho profundo respeito por você, pelo sacrifício que está fazendo por sua família, pela dignidade com que enfrentou toda esta transformação.
” Ela ergueu os olhos para encontrar os dele. Só respeito. A pergunta escapou antes que pudesse se controlar, carregada de uma vulnerabilidade que não pretendia revelar. Vinícius parou de dançar por um momento, estudando seu rosto como se a visse pela primeira vez, realmente, não como uma parceira de negócios adequadamente preparada, mas como uma mulher de carne e osso, com desejos e medos, e uma beleza que ia muito além da externa. Por hora,” disse ele finalmente, e havia uma promessa em sua voz que fez o coração de Emília acelerar
perigosamente. A música continuou, mas algo havia mudado irrevogavelmente entre eles. Os movimentos da dança se tornaram mais íntimos, mais carregados de tensão sexual. Quando Vinícius a fez girar e a trouxe de volta para seus braços, ela ficou alguns centímetros mais próxima do que o protocolo exigia. “Vinicius”, sussurrou ela.
“O que estamos fazendo? Algo que não estava no contrato”, respondeu ele, seus lábios perigosamente próximos do ouvido dela. Quando a música terminou e os aplausos ecoaram pelo jardim, eles permaneceram entrelaçados por alguns segundos a mais do que necessário.
E Emília soube, com certeza absoluta, que a lua de mel em Angra dos Reis seria muito mais complicada do que qualquer um deles havia planejado. Os discursos seguiram o protocolo tradicional. Padre Miguel abençoou a União. Roberto Silveira fez um brinde emotivo, desejando felicidade ao casal. João Santos falou brevemente sobre a alegria de ver sua filha tão bem casada. Mas foi quando Vinícius pegou o microfone para o discurso final que Emília sentiu o chão se mover sob seus pés.
Amigos, família, pessoas queridas que testemunharam nossa união”, começou ele, a voz clara e firme ecoando pelo jardim silencioso. Não sou homem de muitas palavras quando se trata de sentimentos, mas hoje sinto que preciso compartilhar algo. Emília o observava com crescente ansiedade, sem ideia de onde ele queria chegar. Emília me ensinou em poucos meses de convivência que a vida pode ser muito mais rica do que eu imaginava, que beleza e inteligência podem coexistir com bondade e humildade, que o amor, ele fez uma pausa olhando diretamente para ela, que o amor pode aparecer quando menos esperamos e mudar completamente nossa perspectiva sobre o que significa ser
completo. O jardim estava absolutamente silencioso. Emília sentia-se incapaz de respirar. Prometo ser digno da confiança que depositou em mim, Emília, e prometo que estes próximos anos serão os mais felizes de nossas vidas. Quando ele a beijou novamente, desta vez diante de todos os convidados, o beijo foi ainda mais intenso que o da catedral.
E Emília percebeu, com uma mistura de terror e êxtase, que estava perdidamente apaixonada por seu marido, de conveniência. Essa seria uma lua de mel, como nenhuma outra, porque ambos estavam prestes a descobrir que alguns contratos são transformados pelo destino em muito mais do que papel e assinaturas.
A vila privativa em Angra dos Reis era um paraíso escondido que parecia saído de um filme de Hollywood, construída em uma península rochosa que se estendia mar adentro. A propriedade de três hectares era completamente isolada, acessível apenas por lancha ou helicóptero. A casa principal, de arquitetura contemporânea com elementos coloniais brasileiros, se espalhava por dois pavimentos com varandas amplas e janelas panorâmicas que ofereciam vista de 360º para as águas cristalinas da costa verde. Mata atlântica preservada cobria as encostas.
Orquídeas selvagens coloriam as trilhas naturais. Uma praia particular de areia branca se estendia por 200 m e uma piscina Infinity dava a impressão de se fundir com o oceano. Funcionários discretos cuidavam da manutenção e preparação das refeições, mas viviam em uma casa separada, garantindo privacidade absoluta para os hóspedes da casa principal.
“É completamente incrível”, sussurrou Emília na varanda da suí master. Observando o pôr do sol tingir o céu de laranja, rosa e dourado, enquanto pequenos barcos de pescadores retornavam de suas jornadas diárias. Vinícius se aproximou por trás, oferecendo-lhe uma taça de champanhe e cristal gelado. Pensei que você apreciaria. Me lembrou das descrições que fazia do María durante nossos jantares de treinamento.
Como você consegue se lembrar de detalhes tão pequenos? Talvez porque quando você falava sobre sua infância, seus olhos brilhavam de uma forma que me fazia querer ouvir mais”, disse ele, um sorriso quase tímido brincando no canto dos lábios. A primeira noite foi carregada de tensão sexual não resolvida.
Ambos sabiam que não havia expectativas românticas oficiais, mas a atração física era innegável e estava se tornando cada vez mais difícil de ignorar. Dormiram em quartos separados da suí master. Ele no quarto principal, ela no anexo elegante, que funcionava como um quarto próprio, cada um lutando contra pensamentos que não deveriam ter sobre um parceiro de negócios.
Emília permaneceu acordada até tarde, ouvindo o som das ondas se chocando contra as pedras e o barulho distante de Vinícius se movendo no quarto ao lado. Quando finalmente conseguiu adormecer, sonhou com mãos fortes acariciando sua pele e olhos cinza, a observando com intensidade possessiva. Nos dias seguintes, estabeleceram uma rotina que era simultaneamente confortável e perigosa.
Vinícius trabalhava durante as manhãs conference calls com investidores internacionais, revisão de contratos, planejamento de novos empreendimentos instalado no escritório elegante da vila, enquanto Emília explorava a propriedade como uma criança descobrindo um mundo novo. Ela caminhava pelas trilhas da Mata Atlântica, identificando plantas e pássaros que conhecia dos livros de biologia da escola.
nadava na praia particular com a liberdade de quem não precisava se preocupar com multidões ou vendedores ambulantes. Lia na rede da varanda livros em francês que estava aprendendo a decifrar gradualmente. Almoçavam juntos na varanda com vista para o mar, conversando sobre temas que variavam de literatura a política internacional, de arte contemporânea a memórias da infância.
Emília descobriu que Vinícius era muito mais intelectualmente curioso e emocionalmente complexo do que sua imagem pública sugeria. Sempre quis ser professora”, confessou ela durante um almoço de camarão grelhado e salada tropical. Sonhava em ter uma sala de aula cheia de crianças curiosas, ensinar literatura brasileira, talvez escrever livros didáticos mais interessantes que os que existem.
“E o que impediu?”, perguntou ele, parecendo genuinamente interessado. A vida, necessidades familiares urgentes. Você sabe como é quando o dinheiro é escasso, os sonhos viram luxos que não pode se dar. Vinícius parou de comer, observando-a com uma expressão pensativa. Na verdade, eu não sei como é. Tive todos os privilégios imagináveis desde criança.
Universidade particular, mestrado no exterior, empresa herdada, contatos importantes. Nunca precisei escolher entre sonhos e sobrevivência. Então me conte sobre você de verdade, disse ela, inclinando-se ligeiramente para a frente. Não o empresário Vinícius Oliveira dos Jornais Econômicos, não. O solteiro cobiçado das colunas sociais.
você, a pessoa por trás de toda essa construção. Era a primeira vez em anos que alguém fazia essa pergunta com interesse genuíno, não para obter informações privilegiadas ou estabelecer conexões úteis. Vinícius ficou em silêncio por longos momentos, observando as ondas que se aproximavam da praia em movimentos hipnóticos. Meus pais morreram quando eu tinha 22 anos. Disse finalmente a voz mais baixa que o usual.
Acidente de carro na rodovia dos imigrantes. Voltavam de uma reunião de negócios em Santos quando perderam o controle em uma curva perigosa. Emília sentiu o peito apertar com a dor óbvia em sua voz. Herdei uma empresa que mal entendia, responsabilidades que não estava preparado para assumir, decisões que afetavam centenas de funcionários.
Trabalhei como um condenado por 15 anos, construindo um império empresarial, mas perdendo completamente a noção de quem eu era como pessoa. “E quando conheceu Sofia?”, perguntou ela gentilmente. A expressão dele se endureceu momentaneamente, mas não com a raiva glacial de antes. Era dor, dor profunda e mal processada. Sofia apareceu quando eu mais precisava de estabilidade emocional.
Era filha de uma família tradicional paulistana, educada na Europa, refinada, tudo que eu pensava querer em uma esposa. Nos casamos depois de dois anos de namoro que pareceram perfeitos. O que aconteceu? Vinícius riu amargamente, um som sem humor que fez Emília querer abraçá-lo. Durante 8 anos, ela me fez acreditar que me amava perdidamente.
Era carinhosa, atenciosa, a esposa perfeita para eventos sociais. Até eu descobrir que estava vendendo informações confidenciais sobre meus projetos para competidores, as palavras saíram carregadas de uma traição que ainda sangrava. Como descobriu um detetive particular que contratei quando comecei a notar coincidências suspeitas.
Projetos que vazavam antes dos lançamentos, propostas que chegavam aos concorrentes antes das reuniões, detalhes íntimos que só poderiam vir de conversas privadas. Ele parou de falar. os punhos ligeiramente cerrados. Ela usava nossa intimidade, nossos momentos mais privados, nossa cama para extrair informações. Cada eu te amo.
Cada noite que passávamos juntos, cada conversa sobre trabalho, tudo era calculado para me manipular. Emília segurou a mão dele impulsivamente, sentindo-o se enrijecer antes de relaxar gradualmente sob seu toque. Vinícius, sinto muito. Deve ter sido devastador descobrir que alguém que amava estava te traindo de forma tão íntima.
Foi por isso que criei todas essas barreiras emocionais. É infinitamente mais seguro manter relacionamentos em termos estritamente profissionais, sem vulnerabilidades emocionais que possam ser exploradas. Obrigada por me contar”, disse ela, apertando ligeiramente sua mão. “Mas eu não sou ela, Vinícius.” “Não sou Sofia.” Pela primeira vez em 5 anos, Vinícius começou a acreditar que talvez, apenas talvez, pudesse confiar em alguém novamente.
E Emília percebeu que estava se apaixonando, não apenas pela aparência física impressionante ou pela riqueza óbvia, mas pelo homem ferido e complexo que se escondia por trás de toda a armadura emocional. Na quinta noite, em Angra dos Reis, uma tempestade tropical atingiu a costa com fúria devastadora. Ventos de mais de 120 km/h sacudiam a vila como se ela fosse um brinquedo nas mãos de um gigante furioso, enquanto chuva intensa açoitava as janelas panorâmicas com força suficiente para fazer o vidro triplo vibrar ameaçadoramente.
Emília estava em seu quarto às 11 da noite, tentando ler um romance francês para praticar o idioma. quando ouviu a batida firme na porta que conectava os dois quartos da suí master. “Emília, posso entrar?” A voz de Vinícius suava diferente, menos controlada, ligeiramente tensa. Quando ela abriu a porta, encontrou-o parado no batente, vestindo apenas uma camiseta cinza e shorts de algodão, cabelos ligeiramente desalinhados, uma expressão de preocupação que raramente demonstrava.
As janelas do seu quarto ficam mais expostas ao lado oceânico”, explicou ele, passando a mão pelos cabelos num gesto nervoso. “Com ventos dessa intensidade, existe risco de rachadura no vidro. Seria mais seguro se você se eu ficasse no seu quarto”, completou ela, o coração começando a acelerar por motivos que nada tinham a ver com a tempestade, apenas por segurança, disse ele rapidamente.
Mas havia algo em seus olhos que sugeria que segurança não era sua única motivação. Claro, só preciso pegar algumas coisas. Quando se instalaram no quarto principal, Vinícius oferecendo-se para dormir na Cheslong, próxima à janela, Emília insistindo diplomaticamente que a cama Kings era grande o suficiente para dois adultos civilizados manterem distância adequada. A tensão sexual que ambos haviam ignorado cuidadosamente por dias tornou-se quase palpável.
A tempestade lá fora era um espetáculo de poder da natureza. Raios iluminavam o céu em intervalos de poucos segundos, criando sombras dramáticas que dançavam pelas paredes do quarto. O som do vento, uivando através das árvores, se misturava com o barulho das ondas gigantescas, se chocando contra as pedras da península.
Emília deitou-se no lado esquerdo da cama, vestindo um camisão de seda cor- de rosa que chegava até os joelhos, elegante, mas recatado. Vinícius ocupou o lado direito, mantendo uma distância respeitosa, mas consciente de cada movimento dela. Nenhum dos dois conseguia dormir. “Emlia”, a voz dele cortou o silêncio carregado depois de quase uma hora de inquietação mútua.
“Sim, você já teve alguém especial em sua vida? Quero dizer, antes de nosso acordo, a pergunta apegou completamente de surpresa. Era a primeira vez que ele demonstrava curiosidade sobre sua vida romântica passada. Tive alguns namorados na adolescência e início da faculdade, mas nada realmente sério”, respondeu ela honestamente.
“E você, além de Sofia, teve outros relacionamentos importantes? Algumas mulheres após o divórcio, mas nada que significasse alguma coisa emocional. Encontros sociais, conveniências físicas ocasionais, mas sempre com limites muito claros. Outro raio iluminou o quarto intensamente, seguido por um trovão que pareceu abalar toda a estrutura da casa. Emília se sobressaltou involuntariamente e, sem pensar, se aproximou alguns centímetros do centro da cama.
“Não precisa ter medo”, disse Vinícius gentilmente. “A casa foi construída para suportar tempestades muito piores que esta. Não é exatamente medo da tempestade”, murmurou ela e imediatamente se arrependeu da confissão. “Então, do quê?” Emília se virou para olhá-lo e encontrou seus olhos cinza brilhando na penumbra intermitente criada pelos raios.
“De mim mesma, do que estou sentindo?” A honestidade brutal na voz dela o atingiu como um soco no estômago. Emília, sei que isso não estava no contrato. Sei que deveria manter tudo profissional, sem complicações emocionais, mas não consigo, Vinícius. Não consigo fingir que você é apenas meu chefe, bem vestido. Ela se sentou na cama, abraçando os joelhos, cabelos soltos caindo em cascata por seus ombros.
Cada conversa, cada olhar, cada momento que baixa a guarda e me mostra quem você realmente é, estou me perdendo em você de uma forma que me aterroriza. Vinícius também se sentou, observando-a com uma intensidade que fez o arreetricamente carregado. “Você acha que é fácil para mim?”, perguntou ele à voz rouca.
“Você acha que não noto como meu coração acelera quando sorri? Como fico obsecado analisando cada palavra que diz, procurando sinais de que talvez, só talvez, sinta algo real por mim também. Outro raio poderoso iluminou o quarto, mas desta vez nenhum dos dois se sobressaltou. Estavam completamente absortos um no outro. “O que estamos fazendo, Vinícius?”, sussurrou ela.
“Algo que não estava no contrato”, respondeu ele, aproximando-se lentamente. “Algo que me aterroriza mais do que qualquer tempestade.” Quando suas mãos se tocaram, foi como se uma represa emocional se rompesse violentamente. Meses de tensão sexual reprimida, de olhares carregados, de toques casuais que duravam segundos a mais do que necessário.
Tudo explodiu em um beijo desesperado, faminto, que nada tinha de calculado ou controlado. As mãos de Vinícius se entrelaçaram em seus cabelos, puxando-a para mais perto, enquanto ela se agarrava aos seus ombros, como se ele fosse sua única âncora em meio a um furacão emocional. “Tem certeza?”, murmurou ele contra seus lábios, dando-lhe uma última chance de recuar. “Nunca tive tanta certeza de alguma coisa na minha vida”, respondeu ela. E não havia mais volta.
O que aconteceu naquela noite de tempestade mudou irrevogavelmente a natureza de tudo entre eles. Quando Vinícius descobriu, através de carícias cada vez mais íntimas que Emília era virgem, ele parou completamente, como se houvesse levado um choque. “Espere”, disse ele. Respiração entrecortada, erguendo-se ligeiramente para olhar em seus olhos.
“Você nunca com ninguém?” O rosto de Emília corou intensamente, mas ela manteve o olhar firme. Nunca encontrei alguém com quem quisesse compartilhar isso. Até agora, Emília, isso muda tudo. Sua primeira vez não deveria ser parte de um acordo comercial. Deveria ser especial com alguém que que me ame, completou ela, acariciando suavemente o rosto dele.
Vinícius, eu não me importo se você ainda não consegue dizer as palavras. Eu me importo que seja você. que seja agora que seja uma escolha minha, não uma obrigação. Vinícius a observou por longos segundos, vendo nos olhos dela uma certeza absoluta que o desarmou completamente. “Tem certeza absoluta de que quer isso?”, perguntou as mãos, tremendo ligeiramente, enquanto acariciavam seu rosto.
“Um vez que cruzarmos essa linha, não haverá volta. Não conseguirei mais fingir que isso é apenas business.” Tenho certeza”, sussurrou ela, beijando gentilmente a palma da mão dele. “Não quero que nossa primeira vez seja por obrigação ou conveniência. Quero que seja porque escolhemos, porque sentimos, porque não conseguimos mais resistir.
” O que se seguiu foi uma iniciação ao amor físico que surpreendeu ambos pela intensidade emocional. Vinícius, acostumado a relações sexuais mecânicas e sem envolvimento sentimental desde o divórcio, descobriu-se sendo incrivelmente gentil, atencioso, quase reverente na forma como tocava e beijava cada centímetro da pele dela.
í, por sua vez, entregou-se completamente, sem reservas ou medos, confiando nele de uma forma que o emocionou profundamente, seus gemidos baixos, suas mãos explorando timidamente o corpo masculino, a forma como arqueava o corpo em resposta às suas carícias. Tudo nela era genuíno, sem fingimento ou performance. Quando finalmente se uniram com cuidado extremo e ternura infinita, ambos sentiram que algo fundamental havia se rompido e reconfigurado entre eles.
Não era apenas sexo, era uma conexão emocional profunda se manifestando fisicamente. “Está doendo?”, perguntou ele, pausando quando sentiu sua tensão inicial. um pouco, mas não pare, murmurou ela, puxando-o para mais perto. Quero sentir tudo. Fizeram amor com uma paixão crescente, que começou gentil e se tornou gradualmente mais intensa, mais desesperada, como se estivessem tentando se fundir completamente.
A tempestade lá fora fornecia uma trilha sonora dramática para a tempestade emocional, que devastava suas defesas cuidadosamente construídas. Pela manhã, com o sol dourado da costa verde entrando pelas janelas e o mar completamente calmo após a tempestade noturna, eles permaneceram entrelaçados. Nenhum dos dois querendo quebrar o encanto ou enfrentar as implicações do que havia acontecido. “Como você se sente?”, perguntou Vinícius, traçando círculos suaves em suas costas nuas.
Diferente”, respondeu ela honestamente, aninhando-se mais confortavelmente contra seu peito, como se tivesse descoberto uma parte de mim mesma que não sabia que existia. “E, sem arrependimentos?” “Nenhum. “E você?” Vinícius ficou em silêncio por vários minutos, processando sentimentos que havia suprimido por anos.
“Assustado”, admitiu finalmente, “Porque isso significa que não posso mais fingir que você é apenas uma parceira de negócios. Significa que teremos que redefinir tudo. O que fazemos agora? Perguntou Emília, erguendo a cabeça para olhá-lo. Não sei confessou ele, beijando-lhe os cabelos.
Isso definitivamente não estava no plano original. Os melhores momentos da vida nunca estão no plano”, disse ela sorrindo. “Quando ficou tão sábia? Quando me apaixonei por você”, respondeu ela simplesmente sem pensar nas consequências da confissão. As palavras ficaram suspensas no ar matinal, como uma revelação que mudaria o rumo de tudo.
Vinícius afitou nos olhos, vendo ali uma sinceridade absoluta que o atingiu como uma onda gigante. “Emlia, não precisa dizer nada agora”, interrompeu ela gentilmente. “Só precisa saber que não é mais um acordo para mim. Você não é mais apenas um marido de conveniência. é o homem por quem me apaixonei completamente, desesperadamente, sem volta. E pela primeira vez em c anos, desde a traição devastadora de Sofia, Vinícius sentiu seu coração se abrir cautelosamente para a possibilidade aterrorizante e maravilhosa de amar novamente, de verdade, sem reservas, sem contratos que limitassem sentimentos. O resto da lua
de mel foi uma descoberta mútua constante. Conversas íntimas que duravam até o amanhecer, momentos de paixão que se repetiam com intensidade crescente, a construção lenta, mais sólida, de uma intimidade genuína que transcendia completamente o acordo comercial original. Quando chegou a hora de voltar a São Paulo, ambos sabiam que retornavam como pessoas completamente diferentes do que eram quando partiram para a Angra dos Reis.
O retorno a São Paulo trouxe consigo a volta brutal da realidade social e suas complexidades impiedosas. O apartamento na Faria Lima, com vista panorâmica para a cidade que nunca dormia, parecia diferente agora, menos como um local de trabalho e mais como um lar que duas pessoas começavam a compartilhar.
Nos primeiros dias, estabeleceram uma rotina doméstica que misturava intimidade crescente com as obrigações profissionais de Vinícius. Ele trabalhava no home office durante as manhãs, enquanto Emília continuava suas aulas de aperfeiçoamento cultural. francês, alemão, história da arte, etiqueta social, mas agora havia beijos de bom dia, jantares compartilhados, noites dividindo a mesma cama, não por tempestades externas, mas por choice mútua.
A primeira obrigação social seria uma gala beneficente no teatro municipal, evento anual que reunia a nata da sociedade paulistana para arrecadar fundos para uma fundação de assistência infantil. Era o teste definitivo. Como Emília seria recebida pela elite, que agora teoricamente fazia parte, “Está nervosa?”, perguntou Vinícius na véspera do evento, observando-a a experimentar o terceiro vestido da noite.
“Aterrorizada”, admitiu ela, ajustando o modelo bordô de seda italiana, que realçava perfeitamente sua pele dourada pelo sol. “E se eles perceberem que não pertenço à aquele mundo? E se disserem alguma coisa que me faça passar vergonha? Vinícius se aproximou por trás, colocando as mãos em seus ombros e olhando-a através do reflexo no espelho do closet.
Você é mais elegante, inteligente e autêntica que 90% das mulheres que estarão lá, disse ele, beijando gentilmente seu pescoço. E qualquer pessoa que tenha problemas com minha escolha de esposa terá que lidar comigo pessoalmente. Sua escolha de esposa? repetiu ela, virando-se para encará-lo. Não foi exatamente uma escolha, foi um acordo comercial.
Foi, concordou ele, segurando seu rosto entre as mãos. Mas não é mais. No dia da gala, Emília se preparou com o cuidado de alguém se preparando para a batalha. O vestido bordou, caía perfeitamente. O cabelo estava preso em um xinh sofisticado, criado por um cabeleireiro profissional. A maquiagem realçava seus olhos amendoados sem exageros.
O colar de diamantes que Vinícius havia lhe dado como presente de casamento completava o visual com elegância discreta. “Você está absolutamente deslumbrante”, disse ele quando ela apareceu na sala. E havia admiração genuína em sua voz que a fez corar ligeiramente. O teatro municipal estava espetacularmente decorado. O saguão histórico brilhava sob lustres de cristal, arranjos florais monumentais, criavam um ambiente de sofisticação europeia.
e 400 convidados em trajes de gala circulavam com taças de champanhe enquanto uma orquestra de câmara tocava música clássica. Emília reconheceu alguns rostos das revistas sociais: empresários famosos, políticos influentes, herdeiras de famílias tradicionais, artistas renomados. Todos pareciam se conhecer à gerações, conversando em grupos fechados com a intimidade de quem frequentava os mesmos círculos sociais desde a infância.
Vinícius, que alegria vê-lo”, cumprimentou Helena Macedos, esposa de um banqueiro importante, aproximando-se com um sorriso que não chegava aos olhos. “Eta deve ser a famosa nova esposa, Emília, não é? Ouvimos tanto sobre você. Todo o prazer em conhecê-la, senora Macedos,”, respondeu Emília, estendendo a mão com a elegância que Madame Dubuá havia lhe ensinado. “Onde vocês se conheceram mesmo? As versões variam tanto nas rodas sociais”, insistiu Helena com curiosidade mal disfarçada.
“Através de amigos múos”, respondeu Vinícius diplomaticamente, posicionando-se ligeiramente mais próximo de Emília num gesto protetor. Durante o coquetel que antecedeu o jantar formal, Emília se saiu perfeitamente no papel de esposa elegante e culta. Conversou em francês básico com um consul europeu. Demonstrou conhecimentos sobre arte contemporânea com um colecionador famoso.
Manteve discussões inteligentes sobre literatura brasileira com uma crítica renomada. “Impressionante”, murmurou Roberto Silveira para Vinícius durante um momento privativo. Ela se adaptou ao ambiente social de forma notável, muito diferente do que esperávamos. Emília é uma mulher excepcional”, respondeu Vinícius, observando-a conversar animadamente com um grupo de esposas de empresários.
Mas foi quando ela foi ao banheiro feminino durante o intervalo entre o coquetel e o jantar, que ouviu a conversa que mudaria tudo. Três mulheres estavam retocando a maquiagem nos espelhos dourados do powder room luxuoso, sem perceber que Emília ocupava uma das cabines. “Uma interiorana da Baia que conseguiu pescar o Vinícius Oliveira”, dizia Patrícia Silva. esposa de um banqueiro tradicional, aplicando batom vermelho com gestos precisos. Obviamente está atrás do dinheiro.
Você viu as joias que está usando? Custaram mais que um apartamento. Ele ainda não percebeu que ela está fazendo papel de esposa perfeita. Concordou Mariana Costa, herdeira de uma família de caficultores centenária, penteando os cabelos loiros platinados. Por favor, quantas dessas garotas de classe baixa já vimos usando a beleza para subir na vida social? Coitado do Vinícius, suspirou a terceira mulher que Emília não conseguiu identificar.
Depois de tudo que sofreu com aquela víbora da Sofia, que vendia segredos empresariais dele, agora tem que aguentar uma interesseira óbvia que provavelmente vai tentar engravidar para garantir pensão vitalícia. Emília sentiu o sangue gelar em suas veias.
Por mais que soubesse da verdade de seus sentimentos, por mais que tivesse certeza de que o que sentia por Vinícius era genuíno, as palavras atingiram como socos no estômago. A diferença é que Sofia, pelo menos, era da nossa classe social. Esta aí é apenas uma aventureira bem treinada”, continuou Patrícia. “Se dê alguns meses e ela vai mostrar sua verdadeira face interesseira.
Quando voltou ao salão principal, Emília estava visivelmente abalada, tentando manter o sorriso social, mas com os olhos ligeiramente marejados. Vinícius imediatamente percebeu sua mudança de humor. Já conhecia suas expressões bem o suficiente para identificar quando algo a perturbava. O que aconteceu? Perguntou ele discretamente, aproximando-se. “Nada importante”, mentiu ela, forçando um sorriso. Apenas cansaço social.
Mas Vinícius conhecia pessoas demais para não reconhecer quando alguém havia sido ferida. E não demorou muito para descobrir exatamente o que havia acontecido e quem eram as responsáveis. A reação dele seria imediata, letal e completamente inesperada para todos os presentes naquela gala aparentemente civilizada.
Vinícius não demorou nem 15 minutos para descobrir o que havia acontecido no banheiro feminino. Roberto Silveira, que havia presenciado parte da conversa maldosa ao passar próximo ao powder Room, o informou discretamente sobre os comentários que Emília havia ouvido. A transformação no rosto de Vinícius foi imediata e assustadora.
Seus olhos cinzas se tornaram glaciais, a mandíbula se contraiu e uma frieza letal tomou conta de sua postura. Era a expressão que usava em negociações hostis quando estava prestes a destruir competidores ou demitir executivos incompetentes. “Onde elas estão agora?”, perguntou ele, a voz baixa, mas carregada de uma ameaça palpável.
Próximo ao bar, conversando com outras esposas”, respondeu Roberto, reconhecendo imediatamente o perigo na expressão do sócio. Vinícius atravessou o salão com passos decididos, parando diretamente em frente ao grupo de mulheres que incluía Patrícia Silva, Mariana Costa e Helena Macedos. A elegância habitual de seus movimentos havia sido substituída por algo mais predatório, mais perigoso.
“Ladies”, disse ele com uma voz cortante que fez as três mulheres se virarem simultaneamente. “Gostaria de esclarecer alguns pontos sobre minha esposa.” Patrícia e Mariana empalideceram visivelmente ao perceber que haviam sido descobertas. Helena tentou um sorriso nervoso.
Vinícius, querido, estávamos apenas estavam falando sobre Emília de forma desrespeitosa e completamente inadequada, interrompeu ele, cada palavra pronunciada com precisão cirúrgica. Permitam-me esclarecer alguns fatos. O grupo ao redor começou a perceber a tensão e se aproximar discretamente, sentindo que algo importante estava prestes a acontecer. Primeiro continuou Vinícius, elevando ligeiramente a voz.
Minha esposa não é uma interesseira como vocês tão eloquentemente a descreveram. Ela tem mais dignidade, caráter e autenticidade que vocês três juntas. O silêncio ao redor estava se espalhando pelo salão como ondas concêntricas. Segundo, se ouvirem novamente comentários desrespeitosos sobre minha família, terão que lidar comigo pessoalmente.
E vocês sabem perfeitamente que quando eu lido com algo pessoalmente, as consequências são duradouras. fez uma pausa calculada, deixando a ameaça afundar. Patrícia, seu marido tem empréstimos consideráveis com bancos que considero amigos próximos. Mariana, sua família depende de contratos governamentais que possam influenciar com algumas ligações estratégicas.
Helena, a construtora de seu esposo, compete diretamente comigo em vários projetos. As três mulheres estavam visivelmente aterrorizadas agora, compreendendo as implicações de suas palavras imprudentes. Mas Vinícius não havia terminado.
Tomou uma taça de champanhe de um garçom que passava, subiu nos degraus próximos ao palco onde a orquestra havia parado de tocar e pediu atenção. Senhoras e senhores, permitam-me fazer um anúncio importante. O teatro municipal inteiro silenciou. 400 pessoas se voltaram para observar um dos homens mais poderosos do país, prestes a fazer uma declaração pública inesperada.
Alguns de vocês podem estar curiosos ou especulando sobre meu casamento recente com Emília Santos Oliveira”, disse ele, localizando-a na multidão. Ela o observava com olhos arregalados, sem acreditar no que estava presenciando. “Deixem-me esclarecer definitivamente. Emília não é apenas minha esposa legalmente. Ela é a mulher que me ensinou que os finais felizes de contos de fadas existem na vida real, que o amor verdadeiro não é uma fraqueza ou vulnerabilidade, mas a maior força que um homem pode ter.
Um murmúrio coletivo ecoou pelo teatro. Emília sentia-se incapaz de respirar. Ela me devolveu algo que eu pensava ter perdido para sempre após meu primeiro casamento. A capacidade de confiar completamente, de amar sem reservas, de ser genuinamente feliz, transformou-me de um homem amargo e fechado em alguém que acorda todos os dias agradecido por ter encontrado sua alma gêmea.
Ele fez uma pausa, procurando os olhos dela na multidão. Qualquer pessoa neste salão que questione os motivos de Emília, seu caráter ou sua presença em minha vida, terá que explicar suas dúvidas diretamente para mim. Porque ela não é apenas minha esposa, é minha melhor amiga, minha confidente, a mulher que me faz querer ser uma versão melhor de mim mesmo todos os dias. O silêncio no teatro municipal era absoluto.
Então começaram os aplausos. Primeiro Roberto Silveira, depois outros sócios próximos, gradualmente se espalhando pelo salão inteiro até se tornar uma ovação de pé que durou vários minutos. Vinícius desceu os degraus e caminhou diretamente até Emília, que estava com lágrimas escorrendo pelo rosto, completamente emocionada. “Por que fez isso?”, sussurrou ela quando ele a alcançou.
“Porque é verdade”, respondeu ele, segurando seu rosto entre as mãos. E por que ninguém tem o direito de questionar a mulher que amo, a mulher que você amo?” completou ele, beijando-a suavemente diante de 400 pessoas. Loucamente, completamente, eternamente. Demorei para admitir, mas não tenho mais medo de dizer.
Emília percebeu naquele momento que não era mais uma questão de representar um papel ou manter um acordo comercial. Vinícius acabara de declarar seu amor publicamente, assumindo todos os riscos emocionais que tanto havia temido, destruindo completamente qualquer especulação sobre a natureza de seu casamento. O resto da gala transcorreu como um sonho.
Pessoas se aproximavam para cumprimentá-los, para elogiar a declaração romântica, para expressar admiração pelo casal. Patrícia, Mariana e Helena desapareceram discretamente do evento, sabendo que haviam perdido qualquer influência social que pudessem ter tido. Quando voltaram para casa naquela noite, Emília finalmente conseguiu processar tudo que havia acontecido.
“Você arriscou sua reputação profissional por mim”, disse ela, ainda incrédula. “Arisco qualquer coisa por você”, respondeu Vinícius, puxando-a para seus braços. Esse é o ponto do amor verdadeiro, não é? Quando alguém se torna mais importante que sua própria segurança e pela primeira vez desde que se conheceram, não havia mais barreiras, contratos ou acordos entre eles.
Apenas dois corações que haviam encontrado um no outro, não apenas um parceiro, mas um lar emocional para toda a vida. Os meses seguintes após a gala no teatro municipal foram de transformação completa na dinâmica de suas vidas. O que havia começado como um acordo comercial frio, havia se metamorfoseado em um casamento genuíno, baseado em amor verdadeiro, respeito mútuo e uma intimidade emocional que crescia a cada dia. Vinícius mudou radicalmente sua rotina profissional.
Antes obsecado pelo trabalho, passando 16 horas diárias no escritório, agora delegava mais responsabilidades para executivos competentes e priorizava momentos com Emília. Jantares românticos em casa substituíram reuniões noturnas desnecessárias. Fins de semana em Angra dos Reis se tornaram sagrados.
Viagens de negócios eram planejadas para incluí-las sempre que possível. “Você está diferente”, comentou Roberto Silveira durante uma reunião executiva. “Mais relaxado, mais feliz. Faz anos que não vejo você sorrir genuinamente durante apresentações de projetos. Emília me ensinou que trabalho é importante, mas não é tudo na vida”, respondeu Vinícius, revisando contratos com uma serenidade que não demonstrava há anos.
Descobri que ser um marido presente é infinitamente mais satisfatório que ser apenas um empresário bem-sucedido. Emília, por sua vez, encontrou seu papel natural na nova vida. Além de continuar aperfeiçoando idiomas e conhecimentos culturais, começou a se envolver ativamente em projetos sociais da empresa de Vinícius. Sua formação em pedagogia, inicialmente vista apenas como background educacional adequado, tornou-se fundamental para desenvolver programas de educação infantil em comunidades onde a empresa construía novos empreendimentos. Temos recursos financeiros para construir escolas”, explicou ela durante uma
reunião com a diretoria social da empresa. “Mas precisamos garantir que essas escolas tenham professores bem treinados e material didático adequado à realidade local.” Vinícius a observava nessas reuniões com admiração crescente.
Emília havia encontrado uma forma de utilizar seus sonhos abandonados de ser professora em uma escala muito maior do que jamais imaginara possível. Você está transformando vidas”, disse ele uma noite depois que ela voltou de uma visita a uma escola que haviam inaugurado em uma comunidade carente de Salvador. “Estamos transformando vidas”, corrigiu ela, aninhando-se contra ele no sofá da sala. “Eu tenho as ideias. Você tem os recursos? Somos uma equipe.
A mudança mais significativa veio quando Emília sugeriu que trouxessem sua família para morar em São Paulo. A casa modesta em Salvador foi trocada por um apartamento confortável em um bairro de classe média alta, onde seus pais e avô poderiam ter acesso a melhores serviços de saúde e oportunidades.
Não é caridade, insistiu ela quando Vinícius ofereceu pagar todas as despesas. é família cuidando de família e agora eles são sua família também. A integração de João Santos, Carmen Santos e Sebastião Santos na nova realidade foi tocante. O avô, com saúde melhorada graças aos medicamentos adequados, passou a frequentar um centro de convivência para idosos, onde fez novos amigos.
João encontrou trabalho em uma das construtoras parceiras de Vinícius, não por favor, mas por competência realização profissional, Carmen se inscreveu em um curso de culinária e começou a sonhar em abrir um pequeno negócio próprio. Sua família me adotou de uma forma que a minha própria família nunca fez, confessou Vinícius durante um almoço de domingo na casa dos pais de Emília.
Eles me tratam como filho, não como genro rico. Porque você conquistou o coração deles da mesma forma que conquistou o meu”, respondeu ela, observando-o ajudar seu avô a resolver palavras cruzadas enquanto sua mãe preparava o almoço na cozinha. Socialmente, o casal se estabeleceu como uma das duplas mais admiradas e respeitadas da elite paulistana.
A declaração pública de Vinícius no teatro municipal havia dissipado qualquer especulação sobre a autenticidade de seu relacionamento. Convites para eventos importantes chegavam constantemente, mas eles escolhiam cuidadosamente quais aceitar, priorizando causas sociais e eventos que realmente importavam. Prefiro cinco eventos significativos a 20 eventos superficiais”, explicava Emília para Madame de Bois, que continuava orientando-a ocasionalmente sobre etiqueta social complexa.
Tressage Macher concordava a francesa, qualidade sobre quantidade é sempre a escolha dos tru sophisticated. A vida íntima do casal também floresceu de forma extraordinária. A paixão física inicial evoluiu para uma intimidade profunda que combinava desejo ardente com ternura infinita.
Vinícius se revelou um amante atencioso e criativo, sempre preocupado com o prazer dela, enquanto Emília descobriu uma sensualidade natural que o deixava constantemente fascinado. “Você me vicia”, murmurava ele durante uma manhã preguiçosa de sábado, acariciando sua pele nu enquanto observavam o nascer do sol através das janelas do apartamento. Bem que você reclamou quando aceitei seu acordo maluco”, brincava ela, beijando-lhe o pescoço.
“Agora está arrependido? Arrependido de ter demorado tanto para admitir que estava perdidamente apaixonado”, respondia ele, puxando-a para mais perto. Mas foi durante uma viagem de negócios a Paris, ve meses após o casamento, que Emília percebeu algo que mudaria suas vidas mais uma vez. A viagem a Paris deveria ser uma combinação perfeita de negócios e prazer.
Vinícius tinha reuniões importantes com investidores franceses interessados em projetos hoteleiros no Brasil. E Emília estava ansiosa para praticar seu francês em ambiente nativo, visitar museus que havia estudado apenas em livros, conhecer a cidade que sempre representara o ápice da sofisticação cultural.
Hospedaram-se no Hotel Plaza Atenê, suí com vista para a Torre Eifel, e os primeiros dias foram mágicos. Reuniões profissionais bem-sucedidas durante o dia, jantares românticos em restaurantes estrelados. Michelan à noite passei-os pelos Chams Elisé de mãos dadas como dois turistas apaixonados. Mas na terceira manhã, Emília acordou com um malestar estranho, náusea intensa, tonturas, uma sensação de fadiga que não conseguia explicar.
“Deve ser algo que comemos ontem”, disse Vinícius, preocupado, observando-a correr para o banheiro da suí pela segunda vez em uma hora. Talvez, concordou ela fracamente, mas uma suspeita terrível estava crescendo em sua mente. Quando percebeu que sua menstruação estava atrasada há mais de duas semanas, algo que sempre fora extremamente regular, o coração começou a bater descompassadamente.
Não podia ser. Não agora, não. Quando finalmente haviam encontrado um equilíbrio perfeito entre vida pessoal e profissional, mas comprou um teste de gravidez em uma farmácia próxima ao hotel. E quando fez o teste no banheiro luxuoso da suí, as duas linhas rosa confirmaram seus medos e esperanças simultaneamente. Estava grávida.
Sentada na beira da banheira de mármore, olhando para o teste positivo, Emília sentiu uma avalanche de emoções contraditórias. Alegria por estar carregando o filho do homem que amava, terror sobre como Vinícius reagiria. Isso definitivamente não estava em nenhum contrato ou planejamento. Preocupação se ele pensaria que havia feito de propósito para prendê-lo no casamento.
“Emlia, está tudo bem aí?”, perguntou ele do quarto, batendo levemente na porta. “Estou estou chegando”, respondeu ela à voz embargada. quando saiu do banheiro segurando o teste de gravidez. Vinícius estava sentado na poltrona próxima à janela, revisando alguns documentos. Quando a viu, largou imediatamente os papéis.
“O que é isso?”, perguntou, aproximando-se e focalizando o objeto em suas mãos. “Vinicius, estou grávida.” As palavras saíram simples, diretas, carregadas de uma vulnerabilidade que ela não conseguiu disfarçar. Vinícius ficou completamente imóvel por longos segundos, como se estivesse processando informação em um idioma estrangeiro. Grávida! Repetiu ele lentamente, como se testasse o conceito.
Você Nós vamos ter um bebê? Sim, sussurrou ela, tentando decifrar sua expressão. Se você quiser, se isso não complicar nossos planos, nosso casamento, nossa vida. Vinícius a interrompeu com um beijo desesperado. Depois segurou seu rosto entre as mãos, olhando em seus olhos com uma intensidade que a fez parar de respirar.
Emília, você ainda acha que isso é só um acordo comercial? Depois de tudo que passamos juntos, depois de eu ter declarado meu amor publicamente diante de 400 pessoas, lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela, uma mistura de alívio, alegria e hormônios descontrolados da gravidez. recém descoberta. Às vezes tenho medo de que você acorde um dia e perceba que se casou com uma garota simples da Bahia por obrigação, não por amor genuíno”, confessou ela, a voz embargada.
“Meu coração não está mais protegido”, disse ele, beijando gentilmente suas lágrimas. “Você o conquistou completamente há meses e agora? Agora vamos criar uma família de verdade, nossa família.” Ele se ajoelhou diante dela, colocando as mãos cuidadosamente sobre sua barriga ainda lisa.
“Posso falar com o nosso bebê?”, Emília riu através das lágrimas, acenando com a cabeça. “Olá, pequeno”, sussurrou Vinícius contra sua barriga. Sou seu papai e quero que saiba que você foi concebido com muito amor. Sua mamãe é a mulher mais corajosa, linda e extraordinária do mundo, e você terá a sorte de crescer conhecendo-a.
Vinícius, você tem certeza absoluta? Um bebê muda tudo. Não há mais como fingir que nosso casamento é por conveniência. Emília, disse ele, erguendo-se e segurando suas mãos com firmeza. Eu te amo loucamente, completamente, eternamente. Quero construir uma vida real com você, não um acordo de papéis. Quero acordar ao seu lado pelos próximos 50 anos.
Quero envelhecer vendo nossos filhos crescerem e se tornarem pessoas incríveis. Nossos filhos no plural. Vinícius sorriu através das próprias lágrimas que havia começado a derramar. Se Deus quiser, muitos filhos. Uma casa cheia de risadas, amor, bagunça, discussões sobre lição de casa, disputas sobre qual filme assistir no fim de semana.
Pela primeira vez desde que se conheceram, não havia absolutamente nenhuma barreira entre eles, nem contratos, nem acordos comerciais, nem medos de traição passada, nem insegurança sobre diferenças sociais, apenas amor puro, verdadeiro, sem reservas ou condições. “Eu te amo tanto que às vezes sinto que meu peito vai explodir”, sussurrou ela, abraçando-o com força.
E eu prometo passar o resto da minha vida te mostrando o quanto você significa para mim”, respondeu ele. A gravidez de Emília transcorreu como um período mágico de preparação e expectativa. Vinícius se transformou no futuro pai mais atencioso e protetor possível, acompanhando cada consulta médica, lendo obsessivamente livros sobre desenvolvimento infantil, transformando um dos quartos do apartamento em um bersário digno de revista de decoração.
Você está mais nervoso que eu”, rias de ultrassom, observando oo apertar sua mão com força desnecessária. “É nosso primeiro filho”, defendia-se ele. “Tem o direito de estar nervoso.” Quando descobriram que seria um menino, Vinícius chorou de emoção na sala do médico, beijando repetidamente a mão de Emília e murmurando agradecimentos como se fosse uma oração. “Gabriel”, disse ela de repente.
Se você concordar, gostaria de chamá-lo Gabriel. Por que Gabriel? Porque os anjos Gabriel anunciam milagres e este bebê é nosso milagre. A família Santos recebeu a notícia da gravidez com festa digna de carnaval. Dona Carmen chorou de alegria. João Santos ficou orgulhosamente falando sobre ser avô para qualquer pessoa que quisesse ouvir.
E Sebastião, o bisavô, declarou que agora tinha mais um motivo para viver muitos anos. Meu bisneto vai me conhecer e saber que teve um bisavô que viveu quase 80 anos para vê-lo nascer”, dizia ele emocionado. Os meses passaram em uma névoa dourada de felicidade doméstica. Vinícius cuidava de Emília como se ela fosse feita de cristal, chegando em casa com frutas exóticas que ela estava desejando, massageando seus pés inchados, conversando com a barriga crescente todas as noites antes de dormirem.
C anos depois, a vila em Angra dos Reis eava com sons que transformavam completamente a atmosfera elegante do local. Risadas cristalinas de criança, passos apressados de pezinhos descalços, gritos alegres de papai, me pega. Gabriel Oliveira Santos, agora com 4 anos, era uma miniatura perfeita de Vinícius.
Olhos cinza idênticos, cabelos escuros com a mesma tendência a ficar rebelde pela manhã, um sorriso travesso que derretia qualquer resistência, mas havia herdado a bondade natural e a espontaneidade de Emília, criando uma combinação irresistível de charme e autenticidade. Papai, você não consegue me pegar”, gritava o menino correndo pelos jardins tropicais da propriedade com as perninhas rechonchudas da infância, seguido de perto por Vinícius, que fingia estar mais cansado do que realmente estava. Estou ficando velho demais para essas corridas”, fingia Vinícius, parando para respirar
teatralmente. “Você não é velho, papai. Você é o pai mais forte do mundo.” Emília observava da varanda ampla uma mão descansando inconscientemente sobre sua barriga arredondada de se meses. Uma segunda gravidez que, diferentemente da primeira, havia sido planejada e celebrada desde o primeiro dia.
Aos 29 anos, ela havia se transformado em uma mulher confiante, realizada. que encontrara seu lugar perfeito entre os mundos que um dia pareceram irreconciliáveis. O trabalho social que desenvolvera havia crescido além de suas expectativas mais otimistas. A Fundação Emília Oliveira, criada por Vinícius como presente de aniversário de três anos de casamento, já havia construído 15 escolas em comunidades carentes, treinado mais de 200 professores e implementado programas de educação infantil que se tornaram referência nacional. Você transformou
sua frustração de não poder ser professora em algo muito maior”, disse Vinícius, subindo os degraus da varanda com Gabriel nos ombros. está educando gerações inteiras. Nós estamos educando gerações, corrigiu ela, como sempre fazia. Eu tenho as ideias pedagógicas, você tem os recursos e a estrutura empresarial. Gabriel tem os sorrisos que alegram todas as inaugurações.
O menino desceu dos ombros do pai e correu para a mãe, colocando a cabecinha cuidadosamente contra sua barriga. Oi, irmãzinha”, sussurrou ele. “Sou o Gabriel, seu irmão mais velho. Quando você nascer, vou te ensinar a brincar na praia e a fazer castelos de areia.” “Como tem certeza de que é uma menina?”, perguntou Emília, acariciando os cabelos rebeldes do filho.
Porque papai disse que vai ser igual à mamãe e mamãe é a pessoa mais bonita do mundo, respondeu Gabriel com a lógica simples da infância. Vinícius havia se transformado completamente desde a paternidade. O empresário, obsecado pelo trabalho, havia dado lugar a um pai presente, que saía do escritório às 5 da tarde para jantar em família, que passava fins de semana inteiros brincando na praia, que lia histórias na hora de dormir, com vozes diferentes para cada personagem.
“Lembra quando você tinha terror de não saber como ser pai?”, murmurou Emília, apoiando-se contra seu peito enquanto observavam Gabriel perseguir borboletas no jardim. “Lembro de ter ficado absolutamente aterrorizado”, admitiu Vinícius, beijando-lhe os cabelos.
Pensava que ia estragar tudo, que não tinha instinto paternal, que uma criança ia me achar frio demais. E olha você agora”, disse ela, apontando para Gabriel que havia parado de brincar e corria em direção a eles com um sorriso radiante. “Papai! Mamãe, encontrei uma borboleta azul. Ela é mágica. Todas as borboletas são mágicas”, respondeu Vinícius pegando o filho no colo.
“Assim crianças, assim como todas as pessoas que a gente ama, naquele entardecer dourado de Angra dos Reis, com Gabriel adormecido entre eles na rede da varanda e Emília grávida de sua segunda filha, Vinícius refletia sobre a jornada extraordinária que os havia trazido até ali.
“Sabe qual é a parte mais incrível de toda essa história?”, perguntou Emília como se pudesse ler seus pensamentos. Qual? que começou como a coisa mais calculada e artificial do mundo, um contrato comercial, e se tornou a coisa mais real, verdadeira e genuína que já aconteceu comigo. Para mim também, concordou ele, acariciando sua barriga onde a filha se mexia suavemente. Às vezes, acho que foi o destino disfarçado de negócio.
Quando Gabriel perguntou, com a curiosidade infinita dos 4 anos se os papais se amariam para sempre, como nos contos de fadas da Disney, Vinícius deu uma resposta que Emília guardaria no coração para sempre. Os contos de fadas da Disney não chegam nem perto do que sinto por sua mãe, Gabriel.
Quando você encontra a pessoa que foi criada especificamente para ser sua outra metade, o amor não é apenas para sempre, é para todas as vidas que você poderia viver, para todos os universos que poderiam existir. E vocês vão me amar para sempre também. Para sempre e um dia a mais”, responderam os dois simultaneamente, beijando as bochechas rechonchudas do menino.
Naquela noite, depois que Gabriel adormeceu profundamente em sua cama com lençóis de superheróis, Emília e Vinícius caminharam pela praia particular, sob o luar prateado que transformava as ondas em renda líquida. “Obrigado”, sussurrou Vinícius na escuridão perfumada pela brisa marinha. “Por quê? por ter aceitado meu acordo maluco há 5 anos, por ter me dado uma chance quando eu era apenas um homem ferido e fechado, por me ensinar que vale a pena o risco quando se trata de amor verdadeiro, por me mostrar que a felicidade não é um luxo, é um direito de quem tem coragem de acreditar nela. Obrigada, você respondeu ela, parando para encará-lo sob as
estrelas, por me mostrar que os finais felizes não existem só nos livros que li na infância. Por me provar que o amor verdadeiro pode transformar qualquer situação, por mais impossível que pareça, inicialmente. Enquanto as ondas beijavam seus pés descalços na areia fina e as estrelas testemunhavam silenciosamente sua conversa, Emília soube, com certeza absoluta que haviam encontrado algo infinitamente mais precioso que todo o dinheiro do mundo.
haviam encontrado seu lar emocional um no outro. O casamento, que começara como um acordo comercial frio, havia se tornado a história de amor mais verdadeira e transformadora que poderiam imaginar. E aquela não era uma conclusão, era apenas o começo de uma vida inteira de descobertas, crescimento mútuo, desafios enfrentados lado a lado e um amor que se renovava e se aprofundava a cada dia.
Gabriel cresceria conhecendo pais que se amavam genuinamente, que se respeitavam completamente, que haviam construído uma família baseada em amor verdadeiro, não em conveniência ou obrigação. A filha que estava para nascer seria recebida por uma família estruturada no amor, não nas circunstâncias.
Alguns contratos perceberam naquela noite mágica em Angra dos Reis, são verdadeiramente abençoados pelo destino para se transformarem em muito mais do que palavras no papel. Tornam-se promessas de coração que duram para toda a eternidade, seladas não por assinaturas, mas por escolhas diárias de amar, respeitar, proteger e construir juntos.
O amor havia encontrado seu caminho através do labirinto mais improvável, provando que às vezes o destino usa os disfarces mais inesperados para unir duas almas que foram criadas para caminhar juntas. E enquanto voltavam para casa de mãos entrelaçadas, com as luzes douradas da vila brilhando como um farol de felicidade na paisagem noturna, Emília e Vinícius sabiam que haviam encontrado não apenas o amor de suas vidas, mas a prova viva de que milagres acontecem todos os dias para quem tem coragem de acreditar neles. Iso.