7 horas da manhã de segunda-feira. Carmen Santos desce do ônibus na Avenida Paulista, segurando firmemente a mão de sua filha Júlia, de 5 anos. Aos 28 anos, Carmen tem cabelos castanhos, sempre presos num coque simples, roupas limpas, mas remendadas, e uma bolsa de tecido onde carrega seus poucos pertences.
É seu primeiro dia como babá na mansão dos Almeida, uma das famílias mais ricas de São Paulo. “Mamãe, essa casa é muito grande”, sussurra Júlia, olhando impressionada para o portão de ferro forjado da mansão de três andares. “É sim, meu amor, e você vai ficar bem quietinha enquanto mamãe trabalha, está bem?” Júlia balança a cabeça, segurando seu ursinho de pelúcia surrado. Elas não têm para onde ir.
O ex-marido de Carmen as expulsou de casa há duas semanas e este emprego é sua única chance de recomeçar. Dona Eulia, a governanta da casa há 20 anos, recebe as duas na porta dos fundos. Você é a nova babá? Sou sim, senhora. Carmen Santos. E esta é minha filha, Júlia. Dona Eulália franze o senho. Ninguém disse que você tinha filha.
No anúncio dizia que aceitava um babá com criança. A patroa confirmou por telefone. Bem, a dona Patrícia não está. O Senr. Ricardo está no escritório. Vocês terão que dormir no quartinho dos fundos. O quartinho é minúsculo, com apenas uma cama de solteiro e um guarda-roupa pequeno.
Mas para Carmen, que passou duas semanas num albergue, é um palácio. “Mãe, onde eu vou dormir?”, Pergunta Júlia baixinho. Vamos dividir a caminha, meu amor, como fazíamos antes. Dona Eulalha as leva até o terceiro andar, onde fica o quarto de Pedro Almeida, de 4 anos. Esta é a criança que você vai cuidar. Carmen para na porta e seu coração se aperta.
No meio de um quarto gigantesco, cheio de brinquedos caros que parecem nunca ter sido usados. Está um menininho magro demais, pálido demais, sentado numa cama hospitalar adaptada. Pedro tem cabelos loiros, ralos, olhos azuis enormes num rostinho frágil e está conectado a um aparelho de oxigênio. Ao lado da cama, uma mesa cheia de remédios. Oi, Pedro.
Eu sou a Carmen, sua nova babá. O menino a olha com desconfiança. Onde está a tia Fernanda? Ela teve que ir embora. Mas eu vim cuidar de você. Você também vai embora, diz Pedro com uma tristeza que não combina com seus quatro anos. Carmen se ajoelha na altura dele. Não vou embora. Não pode confiar. Todas falam isso. Júlia, que estava escondida atrás da mãe, se aproxima curiosa.
Oi, eu sou a Júlia. Pedro olha para ela com surpresa. Você mora aqui? Moro sim. Minha mãe vai cuidar de você. Você quer brincar comigo? Júlia olha para Carmen, que faz sinal de sim, quero sim. Pela primeira vez, Pedro sorri um pouquinho. Dona Eulália interrompe o momento. Carmen, o Senr. Ricardo quer falar com você.
Carmen deixa as crianças brincando e desce até o escritório. Ricardo Almeida é um homem de 35 anos, cabelos grisalhos, precoce, externo caríssimo, mas com uma expressão de cansaço que o dinheiro não consegue disfarçar. Carmen, certo? Sim, senhor. Sente-se. Carmen se senta na ponta da cadeira, nervosa. Preciso ser direto sobre a situação do Pedro.
Aí sim, senhor. Ricardo respira fundo. Meu filho está doente, muito doente. Carmen sente o coração apertar. Que tipo de doença? Leucemia, estágio avançado. O mundo gira ao redor de Carmen. Uma criança de 4 anos com câncer. Os médicos, os médicos deram mais 30 dias para ele. Carmen sente lágrimas nos olhos.
Senhor Ricardo, já passaram por aqui 10 babás nos últimos três meses. Nenhuma aguentou. Cuidar de uma criança terminal não é fácil. Eu aguento. Tem certeza? Vai ser doloroso ver ele definhar. Tenho certeza. Ricardo a observa. Por que você aceitou trazer sua filha? Porque não tenho com quem deixar ela, Senhor. Somos só nós duas.
E onde está o pai dela? Carmen hesita. Nos abandonou quando eu engravidei. Ricardo vê sinceridade nos olhos de Carmen. Sua filha não pode atrapalhar o cuidado com Pedro. Não vai atrapalhar. Ela é uma menina boa. Está bem, mas qualquer problema, vocês saem. Entendo, senhor. Quando Carmen volta para o quarto, encontra uma cena que a emociona.
Júlia está sentada na cama ao lado de Pedro, mostrando seu ursinho para ele. Este é o Pedrinho. Ele me protege quando tenho pesadelos. Ele é igual a mim. Pedro sussurra. É, por isso dei esse nome. Você quer abraçar ele? Pedro pega o ursinho com cuidado, como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Ele é quentinho. É porque tem amor dentro.
Carmen observa a filha de apenas 5 anos, consolando uma criança doente com uma sabedoria que não deveria ter. Nos primeiros dias, Carmen estabelece uma rotina cuidadosa com Pedro. Ela dá os remédios nos horários certos, ajuda com a fisioterapia respiratória, faz comidas gostosas que ele consegue comer.
Mas o que mais impressiona é como Júlia se comporta com Pedro. Ela parece entender instintivamente que ele é frágil, que precisa de cuidado especial. Pedro, quer que eu conte uma história? Júlia pergunta numa tarde em que ele está muito cansado. Quero. Júlia inventa uma história sobre dois amiguinhos que viajam para um castelo nas nuvens, onde não existe dor nem tristeza.
Pedro escuta fascinado. Existe mesmo esse lugar? Claro que existe. É para onde vão as pessoas quando ficam muito cansadas. Carmen observa da porta impressionada. Como uma criança de 5 anos consegue falar sobre morte de forma tão natural e reconfortante? À noite, depois que Pedro dorme, Carmen arruma Júlia na caminha dos fundos.
Júlia, você entende que o Pedro está muito doente? Entendo, mãe. E você sabe que ele pode pode ir embora logo para o castelo nas nuvens? É, então temos que cuidar bem dele enquanto está aqui. Carmen abraça a filha impressionada com sua maturidade.
No fim da primeira semana, Ricardo chega em casa e encontra uma cena inusitada. Pedro está na sala, fora do quarto, pela primeira vez em meses, sentado no chão, brincando de massinha com Júlia. Pedro, como você desceu? A tia Carmen me ajudou. E olha, pai, estou fazendo um cachorrinho para a Júlia. Ricardo olha para Carmen. O médico liberou ele sair do quarto. Liberou sim. Disse que é importante ele se movimentar um pouco.
Pai, a Júlia disse que quando eu ficar mais forte posso brincar no jardim. Ricardo sente um aperto no peito. Pedro não vai ficar mais forte, mas não tem coragem de destruir a esperança do filho. Que bom, filho. Naquela noite, Ricardo chama Carmen para conversar. Carmen, o Pedro está diferente. Como assim? Mais animado. Faz semanas que não o via sorrir. É o efeito da Júlia.
Ela tem um dom especial com crianças. Onde ela aprendeu a lidar assim com doença? Carmen hesita. Como contar que Júlia passou dois anos cuidando do avô que morreu de câncer. Meu pai estava doente antes de morrer. Júlia ajudou a cuidar dele. Entendi. Senr. Ricardo, posso fazer uma pergunta? Pode. Onde está a mãe do Pedro? Ricardo fica tenso.
Nos deixou quando Pedro foi diagnosticado. Carmen fica chocada. Como assim? Patrícia não aguentou a pressão. Disse que não podia ver o filho morrer. E abandonou vocês. Disse que ia viajar para se recuperar do trauma. Isso foi há 4 meses. Carmen sente raiva. Como uma mãe abandona o filho doente. Pedro pergunta por ela. No início perguntava.
Agora não pergunta mais. Ele deve sentir muita falta. Sente. Por isso é importante ter vocês aqui. Na segunda semana, Pedro piora. Ele tem dificuldade para respirar e precisa ficar mais tempo no oxigênio. Tia Carmen, por que estou tão cansado? Carmen ajeita o travesseiro dele. Seu corpo está lutando, campeão.
Por isso fica cansado. Lutando contra o quê? Como explicar câncer para uma criança de 4 anos? contra uns bichinhos chatos que entraram no seu sangue. E os bichinhos vão embora. Carmen sente os olhos marejarem. Os médicos estão tentando mandar eles embora. Júlia, que estava colorindo do lado, se aproxima.
Pedro, meu avô também estava lutando contra bichinhos chatos. E ele ganhou. Ele lutou muito. Era o vovô mais corajoso do mundo. E depois? Depois ele foi morar no castelo nas nuvens, onde não tem bichinhos chatos. Pedro pensa por um momento. Júlia, você acha que eu sou corajoso? Acho que você é o menino mais corajoso que eu já conheci.
Pedro sorri fraco, mas orgulhoso. Naquela tarde, enquanto Pedro cochila, Júlia procura Carmen na lavanderia. Mãe, posso falar contigo? Claro, meu amor. O Pedro vai morrer, né? Carmen para de dobrar roupa. Por que você está perguntando isso? Porque ele tá igual ao vovô ficou no final. Carmen se ajoelha na altura da filha.
Júlia, os médicos estão fazendo tudo para ajudar o Pedro. Mas se ele morrer, vai para o castelo nas nuvens? Vai sim, então não é tão ruim. Carmen abraça a filha impressionada com sua força. Mãe, posso dar o Pedrinho para o Pedro? Seu ursinho? Mas você ama ele? Amo. Mas o Pedro precisa mais que eu. Ele não tem nenhum amiguinho especial. Carmen sente lágrimas escorrerem. Tem certeza? Tenho.
O Pedrinho vai cuidar dele. À noite, Júlia oferece o ursinho para Pedro. Pedro, quero te dar um presente. Que presente? O Pedrinho, para ser amigo especial. Pedro fica emocionado. Mas é seu ursinho. Era, agora é seu. Ele vai te proteger dos pesadelos. Pedro abraça o ursinho contra o peito. Obrigado, Júlia.
É o melhor presente da minha vida. Carmen observa da porta com o coração apertado. Sua filha de 5 anos acabou de fazer o maior sacrifício por amor, mas nem tudo é aceitação silenciosa na mansão. Patrícia Almeida, que estava viajando pela Europa se recuperando, fica sabendo através de uma amiga que há uma babá nova cuidando do filho. Como assim, nova babá? Ela grita no telefone de Paris.
Patrícia, onde você está? pergunta Letícia, sua melhor amiga. Seu filho está muito mal. Por isso mesmo eu não posso voltar. É forte demais. Mas Patrícia, a Babá Nova tem uma filha que está fazendo o Pedro muito feliz. Que história é essa de filha? Uma menina de 5 anos. O Pedro está brincando, sorrindo.
Patrícia sente uma pontada de ciúme. Sorrindo. Ele nunca sorria comigo. Porque você vivia chorando perto dele, Letícia, isso não é correto. Uma empregada não pode trazer filhos para trabalhar numa casa de família. Mas está funcionando bem. Não está nada bem. Vou ligar para o Ricardo agora mesmo. Patrícia liga para Ricardo às 2as da madrugada.
Ricardo, que história é essa de babá com filha? Patrícia, onde você está? Isso não importa. Quero saber porque tem uma criança estranha brincando com o nosso filho. Porque essa criança estranha está fazendo o Pedro feliz. Feliz? Como você sabe que ele está feliz? Porque eu vejo todos os dias, coisa que você não vê há 4 meses.
Ricardo, não aceito essa situação. Demite essa babá agora. Não vou demitir. Como não vai? Eu sou a mãe. Mãe que abandonou o filho doente. Patrícia desliga furiosa. No dia seguinte, ela liga para sua mãe, Glória Mendes, uma mulher da alta sociedade paulistana. Mãe, preciso que você vá na casa do Ricardo resolver uma situação.
Que situação? Tem uma babá inadequada lá com uma filha. E qual o problema? Criança pobre brincando com meu filho. Isso não pode. Glória, que nunca gostou muito de Pedro por ser neto problemático, concorda em ajudar. Deixa comigo. Vou resolver isso. Na terça-feira da terceira semana, Glória Mendes chega à mansão sem avisar. É uma mulher de 60 anos, elegante, com roupas caríssimas e uma postura imperial.
Dona Eulália, onde está meu neto? No quarto, dona Glória com a babá e a menina. Glória sobe e encontra Pedro sentado na cama, ouvindo Júlia ler um livrinho infantil. Vovó, Glória. Pedro tenta parecer animado, mas está visivelmente fraco. Oi, meu netinho. Quem é essa menina? É a Júlia, minha amiga especial.
Glória para Júlia com desprezo mal disfarçado. Amiga especial. Pedro, você sabe que lugar de criança pobre não é aqui? Júlia para de ler e olha para Carmen confusa. Dona Glória, Carmen intervém. Eu sou a babá do Pedro. Esta é minha filha Júlia. Exato. E filha de empregada não brinca com criança de família. Pedro fica assustado.
Vovó, por que está falando assim da Júlia? Porque você precisa entender sua posição social, Pedro. Que posição? Você é rico, ela é pobre. Vocês não podem ser amigos. Júlia, com seus cinco anos, não entende totalmente as palavras, mas sente a crueldade no tom. Tia Carmen, por que a senhora não gosta de mim? Carmen sente raiva, mas se controla.
Meu amor, vai lá embaixo brincar um pouquinho. Depois que Júlia sai, Carmen enfrenta a Glória. Dona Glória, com todo respeito, Júlia está fazendo bem para o Pedro. Bem, criança pobre não faz bem para ninguém. Como a senhora pode falar assim? Porque conheço a vida. Gente, como vocês sempre têm segundas intenções. Segundas intenções.
Minha filha ama o Pedro sinceramente. Amor interesseiro. Vocês sabem que ele vai herdar uma fortuna. Carmen fica chocada. Pedro vai morrer em dias. Que herança. Exato. Por isso vocês estão se aproximando do Ricardo agora. Pedro, que escutou tudo da cama, começa a chorar. Vovó, por que está sendo má com a Júlia? Não estou sendo má, estou te protegendo, mas a Júlia me faz feliz. Felicidade não é o que importa.
Carmen não aguenta mais. Dona Glória, por favor, se retire. O Pedro precisa descansar. Não vou me retirar da casa do meu neto. Você que vai sair. Eu não vou a lugar nenhum. Nesse momento, Ricardo chega em casa e ouve a discussão. Que está acontecendo aqui, Ricardo? Glória se vira. Chegou na hora. Estou demitindo essa babá inadequada. A senhora não pode demitir ninguém.
Quem manda aqui sou eu, Ricardo. Essa mulher trouxe a filha dela para se aproveitar da situação. Aproveitar como você não vê. Elas estão tentando se infiltrar na família através do Pedro. Ricardo olha para Pedro, que está chorando na cama. Pai, não deixa a vovó mandar a Júlia embora.
Por que ela mandaria? Porque disse que criança pobre não pode ser minha amiga. Ricardo sente raiva. Dona Glória, a senhora disse isso para uma criança de 4 anos doente? disse a verdade. A verdade é que Júlia está trazendo alegria para meu filho nos últimos momentos dele. Ricardo, você está sendo manipulado. Manipulado por uma criança de 5 anos. Pela mãe dela, Ricardo olha para Carmen.
Carmen está cuidando do meu filho com mais amor que a própria mãe dele. Glória fica vermelha de raiva. Como você ousa comparar uma empregada com minha filha? Sua filha abandonou o próprio filho. Esta empregada está aqui todos os dias. Patrícia está se recuperando de um trauma. Patrícia está fugindo da responsabilidade.
Glória vê que não vai conseguir convencer Ricardo. Está bem, mas vou falar com a Patrícia. Ela vai voltar e resolver isso. Ótimo. Fala para ela voltar. Pedro precisa da mãe dele. Glória sai furiosa. Ricardo se aproxima da cama de Pedro. Filho, a Júlia não vai embora, tá? Promete, pai? Prometo.
Mas Ricardo não sabe que Glória está tramando algo mais elaborado. No dia seguinte, Glória contrata uma investigadora particular descobrir podres sobre Carmen e Júlia. Quero saber tudo sobre essa mulher. onde morava porque estava desempregada, se tem dívidas, vícios, qualquer coisa que possa usar contra ela. A investigadora Marta Andrade é especialista em destruir reputações.
Pode deixar comigo, dona Glória. Se ela tiver algum esqueleto no armário, vou descobrir. Enquanto isso, na mansão, Pedro está ficando cada dia mais fraco. Dr. Henrique Santos, o pediatra oncologista, faz visitas diárias agora. Como ele está, doutor? Ricardo pergunta no corredor. Muito debilitado. O câncer está se espalhando rapidamente.
Quanto tempo? Uma semana, talvez 10 dias. Ele está sofrendo fisicamente estamos controlando a dor. Emocionalmente, o que posso fazer? Continue fazendo o que está fazendo. Deixe ele ser feliz. Ricardo volta para o quarto e encontra Júlia cantando uma canção de Ninar para Pedro. que dorme abraçado com o ursinho. Ele dorme melhor quando você canta. Ricardo comenta baixinho para Júlia.
É porque a música espanta os pesadelos. Como você sabe disso? Minha mãe cantava para mim quando eu era pequena e tinha medo. E agora você canta para o Pedro. É, ele é meu irmãozinho do coração. Ricardo sente os olhos marejarem. Uma menina de 5 anos conseguiu criar o vínculo fraternal que Pedro nunca teve.
Na quinta-feira, Marta volta com informações sobre Carmen. Dona Glória, encontrei algumas coisas interessantes. Que coisas? Carmen Santos foi demitida do emprego anterior por incompatibilidade de comportamento. Que tipo de comportamento? A família não quis dar detalhes, mas foi algo relacionado à aproximação inadequada com a família empregadora.
Glória sorri satisfeita. Sabia que tinha alguma coisa. E tem mais. Ela foi casada com um homem que tinha antecedentes criminais. Criminais como furto, estelionato, nada grave, mas suficiente para questionar o caráter dela. Perfeito. E a menina? A menina é filha de pai desconhecido no registro. Glória fica ainda mais satisfeita. Então ela é mãe solteira que não sabe nem quem é o pai da filha. Exato. Ótimo.
Agora tenho munição para destruir a reputação dela. No sábado, Glória marca um almoço na casa de Ricardo. Ela convida algumas amigas da alta sociedade, Beatriz Mendonça, Silvia Carvalho e Carmen Ribeiro. Ironia do destino ter o mesmo nome da babá. Meninas, preciso da ajuda de vocês numa situação delicada. Glória explica no almoço.
Que situação? Pergunta Beatriz, uma mulher de 55 anos, magra e sempre de mau humor. Ricardo está sendo manipulado por uma babá interesseira. Como assim? Pergunta Silvia, ruiva elegante, de 60 anos. Ela trouxe a filha dela para morar na casa e está se aproveitando da doença do Pedro. Que horror, comenta Carmen Ribeiro, uma morena baixinha e fofoqueira.
Como uma empregada tem coragem. Pois é. E vocês podem me ajudar a expor ela. Como? Pergunta Beatriz interessada. Vocês vão fazer visitas frequentes aqui, observar o comportamento dela, gravar conversas, se possível. Você acha que ela está tentando seduzir o Ricardo? Pergunta Silvia. Tenho certeza. Mulher pobre sempre tem esse objetivo. E a menina? Pergunta Carmen Ribeiro. É o Anzol.
está usando a filha para manipular o Pedro e conquistar o Ricardo. As quatro tramam como vão expor Carmen e Júlia. Vamos criar situações que mostrem o verdadeiro caráter dela, planeja Glória. Na segunda-feira seguinte, as quatro chegam à mansão para uma visita de cortesia. Ricardo querido, viemos ver como está o Pedro, anuncia Beatriz.
Que bom, ele está no quarto com a babá. As quatro sobem e encontram uma cena que as irrita profundamente. Pedro está no colo de Carmen, que está lendo um livro para ele e Júlia. Que cena tocante, comenta Silvia com sarcasmo mal disfarçado. Carmen se levanta rapidamente. Boa tarde, senhoras. Boa tarde. Glória responde friamente. Como está meu neto? Bem melhor hoje.
Conseguiu comer uma sopinha inteira. Que bom, diz Beatriz. mas observando cada movimento de Carmen. Pedro no colo de Carmen parece um bebê grande demais. A doença o deixou muito magro e frágil. Vovó Glória, a tia Carmen fez uma sopa especial para mim. Especial como? Com cenoura e batata do jeito que eu gosto. Carmen Ribeiro interfere.
Interessante uma babá cozinhar. Isso não é função de babá. Eu faço o que for preciso para o Pedro ficar bem. Carmen responde: “Que dedicação”, ironiza Silvia. Quase parece mãe verdadeira. Júlia, que estava quietinha no canto, se aproxima de Pedro. Pedro, quer que eu conteiro corajoso? Quero sim.
Júlia começa a contar uma história inventada sobre um cavaleiro que luta contra dragões para salvar pessoas doentes. As quatro mulheres observam com desconforto como Pedro fica completamente envolvido na história. Interessante, murmura Beatriz para Glória. A menina sabe como prender a atenção dele. Suspeito demais, concorda Glória. Depois de meia hora observando, as quatro se despedem. No carro, elas fazem o primeiro relatório.
“Vocês viram como a babá age como dona da casa?”, comenta Beatriz. “E a filha dela é muito articulada para uma criança de 5 anos”, acrescenta Silvia. “Articulada demais. Suspeito que foi treinada”, diz Carmen Ribeiro. “Exato”, concorda Glória. “Aquela menina foi preparada para conquistar o Pedro e funcionou.” Lamenta Silvia.
O menino está claramente apegado a ela. Por isso é perigoso, conclui Glória. Vamos intensificar a observação. Na terça-feira, Pedro tem uma crise respiratória. Carmen fica desesperada e chama Dr. Henrique urgentemente. Doutor, ele não consegue respirar direito. Dr. Henrique examina Pedro e aumenta a dosagem de oxigênio. É esperado nesta fase.
Os pulmões estão sendo afetados. Ele está sofrendo. Está desconfortável, mas não está sofrendo. Júlia se aproxima da cama. Pedro, eu estou aqui. Respira devagarzinho comigo. Ela faz movimentos lentos de respiração e Pedro tenta acompanhar. Isso mesmo, devagar. Imagina que estamos cheirando flores no jardim.
Surpreendentemente, Pedro se acalma e consegue respirar melhor. Dr. Henrique fica impressionado. Como ela fez isso? Júlia tem um dom especial, Carmen explica. Realmente, técnica de respiração consciente funciona muito bem com crianças. Ricardo, que chegou correndo do escritório, observa a cena. Como ele está, doutor? Melhor agora. A menina conseguiu acalmá-lo.
Júlia tem esse efeito nele. É impressionante. Crianças às vezes conseguem ajudar outras crianças de formas que nós adultos não conseguimos. Naquela noite, Júlia pergunta para Carmen: “Mãe, por que o Pedro fica sem ar? Porque ele está muito doentinho. Ele vai ficar bom?” Carmen hesita. Júlia já sabe a resposta, mas ainda faz a pergunta.
Meu amor, o Pedro pode ir para o castelo nas nuvens em breve. Eu sei, por isso quero cuidar bem dele até ele ir. Você é muito corajosa, Júlia. Aprendi com você, mãe. Na quarta-feira, Glória volta com as amigas para mais uma visita de observação. Elas encontram Pedro muito fraco na cama, mas rindo de alguma coisa que Júlia está fazendo.
Júlia está no chão fazendo mímica de animais e Pedro tenta adivinhar. É um elefante? Não. Júlia ri e continua a mímica. Um hipopótamo? Não, é um cachorro. Pedro ri fraquinho. Não parecia cachorro. É porque sou péssima em mímica. As duas crianças riem juntas e Carmen sorri observando. Glória fica irritada vendo Pedro feliz.
Pedro, meu netinho, como você está? O sorriso de Pedro diminui quando vê a avó. Bem, vovó. Que bom. E o que vocês estão fazendo? A Júlia estava imitando animais para mim. Que interessante. Beatriz se aproxima. Pedro, você não acha que deveria estar estudando em vez de brincando? Estudando, mas eu tenho 4 anos.
Criança da sua posição social, deveria aprender idiomas, música, matemática. Júlia fica confusa. Tia, ele está doente. Precisa descansar. Não falei com você, menina. Carmen intervém. Dona Beatriz, o médico recomendou atividades lúdicas para manter o Pedro animado. Médico não entende de educação, mas entende de saúde. E a saúde do Pedro inclui bem-estar emocional. Silvia resmunga.
Nos meus tempos, Babá não questionava a opinião de pessoas qualificadas. Eu não estou questionando. Estou defendendo o que é melhor para a criança. Carmen Ribeiro interfere. Interessante você saber o que é melhor para o filho dos outros. Eu conheço o Pedro há três semanas. Sei do que ele precisa. Três semanas? Ironiza a Glória.
Eu conheço ele há 4 anos, mas não esteve presente. Mas não esteve presente nos últimos quatro meses quando ele mais precisava. Carmen responde com firmeza. O silêncio na sala é constrangedor. Glória fica vermelha de raiva. Como você ousa? Estou apenas constatando um fato. Pedro, mesmo fraco, percebe atenção. Por que vocês estão brigando? Carmen se ajoelha ao lado da cama. Ninguém está brigando, campeão.
As senhoras só estão preocupadas com você. Mas não gosto quando falam alto. Me dá medo. Júlia pega a mão de Pedro. Não precisa ter medo. Eu estou aqui. Glória observa a interação e fica ainda mais irritada. Pedro, você não acha que deveria dar mais atenção para sua família de verdade? A Júlia é minha família também, não é? Não.
Ela é filha da empregada, mas eu gosto dela. Gostar não significa que é família. Júlia, com seus 5 anos, não entende completamente, mas sente a hostilidade. Tia Carmen, por que as senhoras não gostam de mim? Carmen abraça a filha. Elas não te conhecem direito, meu amor. Conhecemos o suficiente, murmura Beatriz.
Nesse momento, Ricardo chega em casa e ouve vozes alteradas no quarto de Pedro. Que está acontecendo aqui, Ricardo? Glória se apressa. Estávamos conversando sobre a educação do Pedro. Educação? Sim. Achamos que ele deveria ter atividades mais adequadas. Ricardo olha para Pedro, que está visivelmente incomodado. Filho, você está bem? Estou, pai. Só quero que parem de brigar. Ninguém está brigando. Ricardo diz, olhando para as quatro mulheres.
As senhoras estavam saindo, não é mesmo? Mas Ricardo, Glória, tenta protestar. Obrigado pela visita. Pedro precisa descansar agora. Depois que as quatro saem, Ricardo fica com Carmen, Júlia e Pedro. Pai, Pedro sussurra. A vovó Glória não gosta da Júlia. Por que você diz isso? Porque ela falou que a Júlia não é minha família. Ricardo olha para Júlia, que está quietinha, segurando o ursinho. Pedro, família não é só sangue.
Família é quem se importa com você, quem cuida de você. Então, a Júlia é minha família. Se você quiser que seja. Pedro sorri. Quero. Ela é minha irmãzinha. Júlia sorri também. E você é meu irmãozinho. Carmen observa emocionada. Ricardo se aproxima dela. Carmen, obrigado por defender meu filho. Não precisa agradecer. Eu faria qualquer coisa pelo Pedro.
Eu sei e por isso sou grato. Há um momento de tensão entre eles. Os olhos se encontram e há algo mais que gratidão ali. Ricardo, sei que é complicado. Você é funcionária. Eu sou patrão. E eu tenho uma filha para criar que é bem-vinda aqui. Por quanto tempo? Ricardo não sabe responder.
Quando Pedro morrer, qual será o futuro delas? Naquela noite, enquanto as crianças dormem, Carmen e Ricardo conversam na sala. Carmen, posso te fazer uma pergunta pessoal? Pode. Como você aprendeu a lidar tão bem com crianças doentes? Carmen hesita. Meu pai morreu de câncer quando Júlia tinha 3 anos. Ela ajudou a cuidar dele. Entendi.
Foi difícil? muito, mas ensinou para a Júlia que amor é mais forte que doença. E o pai da Júlia, Carmen fica tensa. Ele Ele não quis assumir a responsabilidade. Me abandonou grávida, dizendo que não queria filho com mulher pobre. Ricardo sente raiva. Que tipo de homem faz isso? O tipo que só pensa em si mesmo. E você criou ela sozinha? com a ajuda do meu pai antes dele morrer.
Depois ficamos só nós duas. Ricardo admira a força de Carmen. Você é uma mulher muito corajosa. Só faço o que qualquer mãe faria. Nem toda mãe. A mãe do Pedro não conseguiu. Cada pessoa tem seus limites. Você nunca teve vontade de fugir quando a situação ficou difícil. Carmen olha na direção do quarto de Pedro. Nunca. Quando você ama alguém de verdade, não abandona.
Ricardo entende a indireta sobre Patrícia. Carmen, o acontecer com vocês quando quando Pedro não sei. Vamos embora procurar outro emprego. E se eu não quiser que vocês vão embora? Carmen o olha surpresa. Como assim? E se eu quiser que vocês fiquem permanentemente? Ricardo, você está falando por gratidão. Não, estou falando por outros sentimentos. Carmen sente o coração acelerar.
Que sentimentos, Carmen. Eu, Ricardo, hesita. Não é o momento certo para essa conversa. Quando seria o momento certo? Não sei se existe momento certo. Por que não? Porque somos de mundos diferentes. E daí as pessoas vão falar, vão dizer que você se aproveitou da situação e você se importa com o que as pessoas vão falar.
Ricardo pensa: “Antes me importava, agora? Agora, agora só me importo com a felicidade do meu filho e a minha”. Carmen sente lágrimas nos olhos. Ricardo, Carmen, você sabe que eu não termina essa frase não agora. Por quê? Porque nosso foco tem que ser o Pedro. Ricardo entende e concorda, mas os sentimentos estão lá, crescendo a cada dia.
Na quinta-feira, Pedro tem outro episódio de dificuldade respiratória. Desta vez, mais grave. Dr. Henrique chega rapidamente e faz uma avaliação preocupante. Ricardo, precisamos conversar. Eles vão para o corredor. É o fim. Muito próximo, dias, talvez horas. Ricardo sente as pernas bambas. Ele está sofrendo? Não, mas está muito fraco. O que eu posso fazer? Fique perto dele.
Deixe ele se despedir. E a mãe? Seria importante ela estar aqui. Ricardo liga para Patrícia imediatamente. Patrícia, você precisa voltar agora. Ricardo, já te disse, Pedro vai morrer hoje ou amanhã. Silêncio do outro lado. Você precisa se despedir dele. Eu não consigo, Patrícia. Ele é seu filho. Por isso mesmo não consigo ver ele morrer.
Então ele vai morrer sem a mãe? Ricardo, me perdoa. Eu não sou forte como você. Ricardo desliga furioso e volta para o quarto. Carmen está cantando baixinho para Pedro, que respira com dificuldade. Júlia segura a mãozinha dele. Como ele está? Ricardo pergunta baixinho, muito fraquinho, mais consciente. Pedro abre os olhos quando ouve a voz do pai.
Pai, estou aqui, filho. Tô muito cansado. Eu sei, campeão. Posso dormir? Ricardo sente lágrimas escorrerem. Pode dormir, filho. Papai fica aqui. E a Júlia? Também fico. Júlia sussurra. Pedro sorri fraco. Então tá bom. Ele fecha os olhos, mas continua respirando. Durante a noite, Carmen, Ricardo e Júlia fazem vigília ao lado de Pedro. Tia Carmen, Júlia sussurra.
O Pedro está indo para o castelo nas nuvens. está se preparando para ir, meu amor. Ele não está com medo não, porque sabe que a gente ama ele e no castelo ele vai ficar bem, vai ficar perfeito, sem dor, sem cansaço. Ricardo escuta a conversa e se emociona. Júlia está ajudando ele mesmo a aceitar a partida do filho. Às 3 da madrugada de sexta-feira, Pedro acorda.
Pai, Carmen, Júlia, todos se aproximam da cama. Estamos aqui, meu amor. Carmen sussurra. Quero falar uma coisa. Fala, filho. Obrigado por cuidarem de mim. Nós que agradecemos por nos deixar cuidar. Ricardo responde. Pedro olha para Júlia. Irmãzinha. Oi, irmãozinho. Cuida do Pedrinho para mim? Júlia pega o ursinho. Vou cuidar para sempre.
E quando você crescer, fala, Pedro, conta para outras crianças que amor é mais forte que doença. Júlia beija a testa de Pedro. Vou contar, prometo. Pedro olha para Carmen. Tia Carmen, fala, meu príncipe. Obrigado por ser minha mãe do coração. Carmen não consegue mais segurar as lágrimas. Obrigado por me deixar ser. E pai, estou aqui, filho. Você é o melhor pai do mundo. Ricardo Soluça, você é o melhor filho do mundo.
Pedro sorri uma última vez. Agora posso dormir? Pode dormir, meu amor. Carmen sussurra. Sonhe com o castelo nas nuvens. Pedro fecha os olhos e às 3:47 da madrugada para de respirar. O quarto fica em silêncio absoluto. Carmen chora baixinho. Ricardo soluça e Júlia continua segurando a mão de Pedro.
Boa viagem, irmãozinho! Ela sussurra. Agora você está no castelo. Duas horas depois, quando a funerária retira o corpo de Pedro, Júlia pergunta para Carmen: “Mãe, o Pedro está feliz agora?” “Está sim, meu amor, mais feliz do que nunca. Então não preciso ficar triste. Pode ficar um pouquinho triste. Saudade faz parte do amor.
Mas não muito triste, né? Não muito, porque ele não gostaria de nos ver muito tristes. Ricardo observa a conversa impressionado com a maturidade de Júlia. O funeral de Pedro é simples como Ricardo queria, apenas família próxima e alguns amigos. Patrícia não veio. Mandou uma coroa de flores cara e uma carta que ninguém quis ler.
Glória comparece, mas passa o tempo todo reclamando. Ricardo, você devia ter esperado mais um dia. Eu poderia ter organizado algo mais adequado. Não queria pompa, mãe. Pedro era uma criança simples. Criança simples? Ele era herdeiro de uma fortuna. Era uma criança que gostava de brincar e ouvir histórias.
Durante a cerimônia, Júlia coloca o ursinho Pedrinho sobre o caixão para você não ficar sozinho no castelo. Ela sussurra. Todos os presentes se emocionam. Até Glória limpa os olhos. Depois do funeral na volta para casa, Ricardo está dirigindo em silêncio. Carmen e Júlia no banco de trás. Pai Ricardo, Júlia fala pela primeira vez. Sim. O Pedro me pediu para te dar um recado. Ricardo para o carro.
Que recado! Ele disse que você é o melhor pai do mundo e que agora pode ser feliz. Como você sabe que ele disse isso? Sonhei com ele hoje de manhã. Ele estava no castelo correndo e brincando. Carmen abraça a filha emocionada. A ele disse mais uma coisa. Júlia continua. O quê? Que a gente tem que continuar sendo família, porque família é quem se ama.
Ricardo estaciona o carro e se vira para elas. Júlia, você gostaria que a gente continuasse sendo família? Gostaria muito. E você, Carmen? Carmen hesita. Ricardo, você está emocionado. Quando a dor passar, pode se arrepender. Não vou me arrepender. Vocês duas me ensinaram o que é amor verdadeiro. Mas somos de mundos diferentes. Não somos, não.
Somos do mesmo mundo agora, o mundo de quem escolheu amar. Carmen sente lágrimas escorrerem. Ricardo Carmen, eu te amo e amo a Júlia como se fosse minha filha, mas as pessoas vão falar que falem. A opinião das pessoas não aqueceu meu filho nas noites frias, não fez ele sorrir nos últimos dias. E sua mãe? Minha mãe vai ter que aceitar ou ficar longe. Júlia bate palmas.
Então vamos ser família para sempre? Para sempre. Ricardo confirma. Carmen finalmente sorri. Está bem. Vamos tentar. Vamos mais que tentar. Vamos conseguir. Três meses depois do funeral, Ricardo, Carmen e Júlia estão no cartório. Querem oficializar a adoção? Pergunta o juiz. Queremos. Ricardo responde segurando as mãos das duas.
Júlia Santos Almeida, você aceita Ricardo como seu pai? Aceito. Ele já cuida de mim igual o Pedro cuidava do ursinho. Todos riem da comparação inocente. Carmen Santos, você aceita ser esposa de Ricardo? Aceito. Então os declaro família oficialmente. Saindo do cartório, eles vão visitar o túmulo de Pedro. Júlia coloca uma flor na lápide. Oi, irmãozinho.
A gente virou família de verdade. Agora tenho um pai que me ama e uma casa onde posso brincar no jardim. Carmen se ajoelha ao lado da filha. Pedro, obrigada por nos ensinar que o tempo que temos com quem amamos é mais importante que quanto tempo vamos ter. Ricardo também se ajoelha.
Filho, prometo cuidar da Carmen e da Júlia como você gostaria que eu cuidasse. De volta à mansão, que agora é verdadeiramente lar, eles encontram dona Eulália preparando um almoço especial. Parabéns para a nova família”, ela diz emocionada. “Obrigado, dona Eulália. Você também faz parte desta família. Dona Eulália?” Júlia pergunta: “Posso continuar brincando no quarto do Pedro?” “Claro, minha querida. Agora é seu quarto também.
” “Não, ele continua sendo do Pedro. Eu só vou brincar lá para fazer companhia para ele.” Ricardo abraça Júlia. “Você sempre vai lembrar dele, não vai?” “Sempre. E quando eu crescer e tiver filhos, vou contar a história dele. Que história? A história do menino corajoso que ensinou para todo mundo que 30 dias de amor verdadeiro vale mais que 30 anos de fingimento. Carmen e Ricardo se entreolham emocionados.
E sabe o que mais? Júlia continua. O quê? O Pedro me ensinou que família não é quem nasceu junto, é quem escolheu ficar junto. Seis meses depois, Carmen está grávida. É uma menina que eles decidem chamar esperança. Por que esperança? Pergunta Júlia tocando a barriga da mãe.
Porque o Pedro nos ensinou que sempre há esperança, mesmo nas situações mais difíceis. Ricardo explica. E ela vai ser minha irmãzinha de verdade? vai ser irmã de coração como você e o Pedro eram. Que bom. Vou ensinar para ela todas as histórias que eu contava para o Pedro. No dia em que Esperança nasce, Júlia insiste em levar uma foto de Pedro para o hospital para ela conhecer o irmãozinho que está no castelo.
Explica Carmen Júlia agora com 6 anos, segurando a irmã recém-nascida e contando baixinho sobre Pedro. Esta é a esperança, irmão Pedro. Ela é pequeninha agora, mas quando crescer vai saber toda a sua história. Ricardo está na porta do quarto observando. Carmen: “Sim, obrigado por me dar uma família. Obrigado por nos aceitar na sua.” Não aceitei. Escolhi.
Assim como o Pedro escolheu amar vocês nos últimos dias dele. Naquela noite em casa, Júlia coloca esperança no berço que foi montado no antigo quarto de Pedro. Boa noite, irmãzinha. O Pedro vai cuidar de você lá do castelo. Ela se vira para a foto de Pedro na mesinha. Irmão Pedro, hoje nossa família ficou completa.
Agora somos quatro aqui embaixo e você lá em cima cuidando de todos nós. Carmen, que observa da porta sente que Pedro realmente está ali abençoando a família que se formou através do amor dele. Dois anos depois, numa tarde de domingo, a família está no jardim. Esperança engatinha pela grama enquanto Júlia brinca de boneca. Ricardo lê jornal e Carmen cuida das plantas.
Mãe, Júlia pergunta, você acha que o Pedro está feliz vendo a gente? Tenho certeza que sim. Como você sabe? Porque sempre que a gente está feliz, bate um ventinho gostoso, como se fosse um abraço dele. Nesse momento, uma brisa suave balança as folhas da árvore, onde instalaram um balanço em memória de Pedro. Olha, Júlia aponta, o Pedro está mandando abraço.
Ricardo e Carmen sorriem. Verdade ou não? A sensação é de que Pedro está ali aprovando a família que se formou. Pai, Júlia continua. Posso fazer uma pergunta? Pode. Quando eu crescer e tiver meus próprios filhos, você ainda vai ser meu pai? Para sempre, não importa quantos anos passem. E a gente sempre vai lembrar do Pedro. Sempre.
Ele vai estar presente em cada história que contarmos, em cada abraço que dermos, em cada momento de amor que vivermos. Que bom. Júlia pega a esperança no colo e aponta para o céu. Olha a irmãzinha. Aquela nuvem ali parece um castelo. É onde mora nosso irmão Pedro. Esperança, com seus dois anos, balbucia alguma coisa e estende os bracinhos para o céu.
Carmen e Ricardo se olham e sabem que fizeram a escolha certa. Uma família nasceu da dor, mas se mantém pelo amor. Pedro teve apenas 4 anos de vida, mas deixou um legado que durará gerações, que o amor verdadeiro não se mede em tempo, mas em intensidade. E numa mansão que um dia ecoou apenas silêncio e tristeza, agora ressoa o som de crianças brincando, de famílias se formando, de vidas se renovando através do poder transformador do amor incondicional.
Obrigado, Pedro”, sussurra Ricardo, olhando para o céu, por nos ensinar que 30 dias de amor verdadeiro podem mudar uma vida inteira. Uma brisa suave responde como se Pedro estivesse sussurrando de volta: “De nada, papai. Cuidem-se. Nos vemos no castelo. Gostou dessa história? Você acha que Júlia foi um anjo na vida de Pedro? Como uma criança de 5 anos conseguiu ensinar tanto sobre amor para os adultos? Me conta nos comentários seu nome e de onde me acompanha. Fique bem e até a próxima.