7 horas da manhã de terça-feira, Luana Oliveira desce do ônibus na Avenida Paulista com o coração aos pulos. Aos 26 anos, cabelos negros presos em um coque simples e vestindo sua melhor roupa, uma calça social preta e blusa branca bem passada, ela caminha nervosa pelas ruas do bairro mais nobre de São Paulo.
É seu primeiro dia como babá de Miguel Santana, de 4 anos, filho do empresário Ricardo Santana. A mansão do Santana é imponente. Três andares, jardins perfeitamente cuidados, portões dourados e uma fonte no centro da entrada. Luana respira fundo antes de tocar a campainha, sabendo que esse emprego é sua última chance de conseguir dinheiro para o tratamento da irmã mais nova.
Você deve ser a nova babá, diz uma mulher elegante de 50 anos, cabelos loiros impecavelmente arrumados e olhar avaliativo. Eu sou Mônica Santos. Governanta da casa há 10 anos. Sim, senhora. Luana Oliveira, muito prazer. Espero que tenha lido o dossiê que mandamos sobre a criança. Luana confirma com a cabeça, lembrando das páginas que recebeu por e-mail.
Miguel era descrito como uma criança especial que tinha dificuldades de interação social episódios de agressividade. O que o dossier não mencionava claramente era que o menino mordia qualquer pessoa que tentasse tocá-lo. A primeira coisa que precisa saber é não tente abraçar, beijar ou fazer carinho no Miguel. Ele não gosta de contato físico. Entendi.
E se ele tentar me machucar? Mônica faz uma careta. Se proteja como puder. Já perdemos cinco babás em seis meses. Luana sente um arrepio. Cinco. A última saiu com uma mordida no braço que precisou de pontos. Elas sobem pela escadaria de mármore até o segundo andar. A casa é luxuosa, mas há um silêncio pesado que incomoda.
Não se ouve risada de criança, música ou qualquer som de vida familiar. O Sr. Ricardo já saiu para o escritório. Ele trabalha das 6 da manhã às 10 da noite. O Miguel fica sob seus cuidados das 8 às 18 horas. Mônica para em frente a uma porta decorada com adesivos de superheróis, mas que tem uma fechadura do lado de fora.
Por que a fechadura? Luana pergunta intrigada. Às vezes precisamos trancar o Miguel no quarto quando ele tem crises. É para a segurança de todos. Luana fica chocada, mas não comenta. Precisa desse emprego. Mônica abre a porta e revela um quarto gigantesco cheio de brinquedos caros, uma TV de tela grande e uma mini academia com escorregador e gangorra.
No meio de toda essa opulência, um menino pequeno está sentado no canto mais distante do quarto, abraçado a um urso de pelúcia velho e poído. Miguel Santana tem cabelos castanhos cacheados, olhos verdes brilhantes e um rostinho angelical que contrasta com a expressão fechada e desconfiada. Ele olha para Luana como se ela fosse uma ameaça. Miguel, essa é sua nova babá, Luana.
O menino não responde, apenas aperta mais forte o ursinho contra o peito. Oi, Miguel, que urso bonito você tem. Miguel se encolhe ainda mais, como se esperasse que Luana tentasse tirar o brinquedo dele. “Vou deixar vocês se conhecerem”, Mônica diz, saindo rapidamente e fechando a porta.
Luana fica sozinha com Miguel, que a observa com uma mistura de medo e raiva. Ela se senta no chão a uma distância segura e simplesmente fica ali sem pressioná-lo. “Você não precisa falar comigo se não quiser”, ela diz suavemente. “Vou ficar aqui quietinha”. Miguel a estuda com os olhos claramente surpreso. Todas as outras babás tentaram se aproximar dele imediatamente.
Depois de 15 minutos em silêncio, Miguel finalmente fala: “Você não vai tentar me pegar? Só se você quiser. Eu não quero.” Tudo bem. Miguel parece confuso. Você não vai me obrigar a brincar. Você brinca se quiser. Eu posso só ficar aqui. É por quê? Porque às vezes a gente só quer ficar quieto, né? Miguel balança a cabeça, surpreso que alguém entenda isso.
“Como se chama seu ursinho?”, Luana pergunta. Teodoro. Nome bonito. Ele é seu melhor amigo. É o único que não me machuca. A frase corta o coração de Luana. Quem te machuca, Miguel? O menino baixa a cabeça. Todo mundo. Eles fingem que são bonzinhos, mas depois me machucam. Eu não vou te machucar.
Todas falam isso, depois me agarram e me obrigam a fazer coisas. Luana entende que Miguel desenvolveu uma defesa contra adultos abusivos. Morder é a forma dele de se proteger. Sabe uma coisa, Miguel? Eu também tenho um ursinho. Os olhos do menino se iluminam com curiosidade. Luana tira da bolsa um pequeno ursinho de tecido. Bem simples, mas claramente amado. Esse é o Bento.
Minha mãe fez para mim quando eu era pequena. Sua mãe fez? Fez sim. Ela não tinha dinheiro para comprar, então ela mesma costurou. Miguel olha para o ursinho simples, com interesse. Ele protege você também? Protege, principalmente quando estou triste ou com medo. Você fica com medo? Fico sim. Todo mundo fica com medo às vezes.
Miguel parece aliviado ao saber que adultos também sentem medo. Durante o resto da manhã, eles ficam sentados no chão, cada um com seu ursinho, conversando sobre coisas aleatórias. Miguel descobre que Luana gosta dos mesmos desenhos que ele, que ela também não gosta de comida muito temperada e que ela entende quando ele precisa de silêncio. Na hora do almoço, Mônica aparece com uma bandeja.
Comida do Miguel, ele é muito difícil para comer. Luana olha para o prato. Frango grelhado sem tempero, arroz branco, cenoura cozida, comida sem graça. Miguel não pode comer mais nada. Pode, mas ele só aceita comida sem sabor, qualquer tempero. E ele cuspiu tudo.
Depois que Mônica sai, Luana se aproxima devagar de Miguel. Posso sentar perto de você? Miguel hesita, mas acena que sim. Você gosta dessa comida? Não, mas é a única que não machuca. Machuca como? A comida temperada arde na boca. Dói muito. Luana franze a testa. Miguel, você já foi ao médico por causa disso? Vovó Estela disse que é frescura minha.
Luana suspeita que Miguel pode ter alguma sensibilidade alimentar ou até autismo, mas ninguém investigou. Quer que eu cante uma música enquanto você come? Miguel sorri pela primeira vez no dia. Pode. Luana começa a cantarolar uma canção de ninar suave. Miguel come devagar, mas come tudo, algo que não acontecia há meses. À tarde, Ricardo Santana chega em casa mais cedo para conhecer a nova babá.
É um homem de 40 anos, alto, cabelos grisalhos, terno caríssimo, mas com uma expressão cansada e distante. “Como foi o primeiro dia?”, ele pergunta para Mônica no hall, surpreendentemente calmo. O Miguel não mordeu a nova babá. “Sério, Ricardo? parece genuinamente surpreso. Eles passaram o dia conversando. Foi estranho.
Ricardo sobe para o quarto do filho e encontra uma cena que o deixa emocionado. Luana está sentada no chão lendo um livro em voz alta enquanto Miguel está deitado ao lado dela, escutando atentamente. Papa. Miguel corre para o pai, mas para a meio metro de distância. Oi, filho. Como foi seu dia? A tia Luana não me obrigou a brincar e ela tem um ursinho igual ao meu. Ricardo olha para Luana intrigado. Obrigado por cuidar dele.
Foi um prazer, senhor. Pode me chamar de Ricardo? Papá. Miguel puxa a calça do pai. A tia Luana vai voltar amanhã? Se ela quiser. Miguel olha para Luana com os olhos esperançosos. Você volta? Volto sim, Miguel. Pela primeira vez em meses, Miguel sorri para o pai. Naquela noite, Ricardo não consegue parar de pensar na cena que viu.
Seu filho, que não deixava ninguém chegar perto, estava completamente à vontade com Luana. Na primeira semana, Luana estabelece uma rotina carinhosa com Miguel. Ela descobriu que ele é super inteligente, criativo e carinhoso quando se sente seguro. Tia Luana, posso te contar um segredo? Claro, Miguel. Eu finjo que sou bravo para ninguém me machucar. E funciona, funciona, mas eu não quero mais fingir com você.
Não precisa fingir nada comigo. Miguel se aproxima um pouco mais. Posso, posso encostar a mão na sua? Luana estende a mão devagar. Pode sim. Miguel toca a mão dela com cuidado, como se ela fosse feita de cristal. É o primeiro contato físico voluntário que ele tem com um adulto em do anos. Sua mão é quentinha”, ele sussurra.
“A sua também.” Aos poucos, Miguel vai se abrindo. Ele conta para Luana sobre os pesadelos que tem, sobre como se sente quando as pessoas o forçam a fazer coisas, sobre a saudade que sente da mãe que morreu quando ele tinha do anos. Você acha que minha mãe tá feliz no céu? Tenho certeza que sim. E ela deve estar orgulhosa do menino corajoso que você é.
Mas eu não sou corajoso. Tenho medo de tudo. Coragem não é não ter medo. Coragem é fazer as coisas mesmo com medo. Miguel pensa sobre isso. Então eu sou corajoso porque tenho medo, mas converso com você mesmo assim? Exato. Mas nem tudo são flores na mansão do Santana.
Estela Santana, avó de Miguel e mãe de Ricardo, é uma mulher de 65 anos, tradicional, rígida e com ideias muito firmes sobre educação infantil. Ela visita o neto duas vezes por semana e não gosta nada do que vê. Ricardo, aquela babá está mimando demais o Miguel. Como assim, mãe? Ela deixa ele fazer o que quer. Ontem eu vi os dois sentados no chão como se fossem iguais.
E qual o problema? O problema é que criança precisa de disciplina, não de amizade. Mãe, o Miguel está mais feliz do que nunca. Feliz demais. Criança muito feliz fica inconsequente. Estela sobe para o quarto de Miguel e encontra Luana ajudando o menino a construir um forte com almofadas. O que é isso? Estela interrompe a brincadeira. Luana se levanta rapidamente. Boa tarde, dona Estela. Estávamos brincando.
Brincando? Miguel deveria estar estudando. Ele tem 4 anos, dona Estela. E daí? Eu aprendi a ler aos três. Miguel precisa se preparar para ser um Santana de verdade. Miguel se esconde atrás de Luana, claramente com medo da avó. Dona Estela, brincar também é importante para o desenvolvimento.
Você tem quantos filhos? Estela pergunta com desdém. Não tenho filhos. Então não sabe como educar. Miguel, venha aqui agora. Miguel não se mexe. Miguel. Estela grita mais alto. O menino começa a tremer atrás de Luana. Dona Estela, ele está com medo. Criança não pode ter medo de avó.
Miguel, se não vier aqui agora, vou contar pro seu pai que você desobedeceu. Miguel ainda não se mexe. Estela avança para pegar o menino à força. Não. Miguel grita e se joga nos braços de Luana. É a primeira vez que ele abraça alguém voluntariamente desde a morte da mãe. Estela fica em choque. Isso é inadmissível. Miguel nunca desobedeceu assim. Ele não está desobedecendo, está se protegendo. Se protegendo de quê? Eu sou a avó dele.
Com todo respeito, dona Estela, mas você o assusta. Eu assuste? Eu que cuido dele desde bebê. Cuidar e amar são coisas diferentes. Estela fica vermelha de raiva. Quem você pensa que é para me dar lições de educação? Sou alguém que se importa com o Miguel. Você se importa com o salário dele, isso sim. Miguel ainda está abraçado em Luana, ouvindo toda a discussão.
Dona Estela, não vou discutir na frente da criança. Você vai sair desta casa. Vou falar com o Ricardo. Estela sai furiosa, deixando Miguel chorando nos braços de Luana. Ela vai me obrigar a fazer coisas ruins de novo. Ele soluça. Não vou deixar ninguém te obrigar a nada, Miguel. Promete? Prometo.
Mas Luana sabe que vai enfrentar uma guerra para cumprir essa promessa. À noite, quando Ricardo chega em casa, Estela já o espera no escritório. Ricardo, preciso falar sobre aquela babá. O que tem a Luana? Ela está destruindo a educação do Miguel. Como assim? O menino se recusou a me obedecer hoje. Nunca fez isso antes. E o que você queria que ele fizesse? Viesse me cumprimentar direito.
Mas ele se escondeu atrás da babá como se eu fosse um monstro. Ricardo franze a testa. Mãe, você já parou para pensar que talvez seja mesmo um pouco assustadora para ele? Assustadora? Eu sou a avó dele. Ser avó não dá direito de gritar com criança. Eu não grito, eu educo. Educação não precisa de medo, mãe. Estela muda de estratégia. Ricardo, aquela mulher não tem qualificação para cuidar do Miguel.
Ela está se saindo melhor que qualquer babá que já contratamos. Se saindo como Miguel está ficando mimado, desobediente. Miguel está ficando feliz, mãe, pela primeira vez desde que Laura morreu. A menção da esposa morta faz Ricardo parar. Ele ainda sente culpa pela morte de Laura no parto. Ricardo, você sabe que eu só quero o melhor para vocês.
Eu sei, mãe, mas o Miguel precisa de carinho, não só de disciplina. Carinho demais estraga a criança e disciplina demais traumatiza. Estela percebe que Ricardo está defendendo Luana e decide mudar de abordagem. Filho, você confia mesmo nessa mulher? Confio.
Por quê? Você verificou as referências dela direito? Ricardo hesita. A empresa de RH fez a verificação, mas ele não conferiu pessoalmente. A empresa verificou tudo. Empresas podem ser enganadas. Você deveria investigar pessoalmente. A semente da dúvida é plantada na mente de Ricardo. No dia seguinte, Estela coloca seu plano em ação. Ela contrata uma investigadora particular descobrir tudo sobre Luana.
Quero saber cada detalhe da vida dessa mulher. Se ela tem vícios, dívidas, problemas com a justiça, qualquer coisa que possa comprometer a segurança do meu neto. A investigadora Sandra Mendes é especialista em descobrir segredos de empregadas domésticas. Pode deixar comigo, dona Estela. Se ela tem algum podre, eu vou descobrir.
Enquanto isso, na mansão, Miguel está florescendo com os cuidados de Luana. Ele começou a comer melhor, a dormir sem pesadelos e até a interagir um pouco com outras pessoas. Tia Luana, posso te pedir uma coisa? Claro, Miguel, o que você quer? Quero aprender a abraçar direito. Luana fica emocionada. Como assim? Eu nunca abracei ninguém depois que minha mãe morreu.
Esqueci como faz. Abraço é fácil. É só colocar o coração perto do coração da pessoa que você gosta. Pode me ensinar? Posso sim. Luana abre os braços devagar. Miguel se aproxima com cuidado e a abraça. É um abraço hesitante no começo, mas que vai ficando mais confiante. Assim está bom? Ele pergunta. Está perfeito. Miguel sorri radiante. Agora eu sei abraçar de novo.
Ricardo, que estava observando da porta, sente os olhos marejarem. Há dois anos que não via o filho demonstrar afeto físico. Vocês estão bem aí? Ele pergunta. Papa, eu aprendi a abraçar. Sério? Quer ver? Miguel corre para o pai e o abraça pela primeira vez desde pequeno. Ricardo fica emocionado e retribui o abraço com força.
Te amo, filho. Também te amo, papa. Luana observa a cena com o coração aquecido. Essa é a família que ela sempre sonhou ter. Mas a paz dura pouco. Uma semana depois, Sandra entrega seu relatório para Estela. Encontrei algumas informações interessantes sobre Luana Oliveira.
Que tipo de informações? Primeiro, ela foi criada numa família muito pobre, mãe lavadeira, pai alcólatra. Isso eu já imaginava. Segundo, ela tem uma irmã menor internada num hospital público com leucemia. E daí? O tratamento custa muito caro. Ela pode estar desesperada por dinheiro. Estela sorri maldosamente. Continue.
Terceiro, ela não tem formação em pedagogia ou psicologia infantil, como disse no currículo. Ela mentiu? Não exatamente. Ela fez alguns cursos livres, mas não tem diploma superior. Isso é falsificação de currículo. E por último, ela foi demitida do emprego anterior. Por quê? A família disse que houve um mal entendido, mas não quiseram dar detalhes.
Estela está radiante, finalmente tem munição contra Luana. Naquela tarde, ela vai falar com Ricardo. Filho, preciso te mostrar uma coisa. Estela entrega o relatório da investigação para Ricardo. Que é isso? Investigação sobre sua babá. Você investigou a Luana? Ricardo fica irritado para proteger meu neto. Ricardo lê o relatório e fica incomodado.
Ela mentiu sobre a formação. Mentiu e foi demitida do emprego anterior por motivos que não quiseram revelar. Isso não significa que ela seja uma má pessoa, significa que ela é desonesta. Como você pode confiar o Miguel com alguém assim? Ricardo fica dividido. De um lado, vê como o filho melhorou com Luana.
do outro não gosta de ser enganado. Vou conversar com ela. Ricardo, seja cuidadoso. Mulher desesperada por dinheiro é capaz de qualquer coisa. À noite, Ricardo chama Luana para conversar no escritório. Luana, preciso esclarecer algumas coisas sobre seu currículo. Luana sente o estômago gelado. O que houve? Você disse que tem formação em pedagogia infantil.
Tenho certificados de cursos, mas não tem diploma superior. Luana baixa a cabeça. Não tenho. Porque não foi clara sobre isso? Porque sabia que não seria contratada sem diploma. E sobre seu emprego anterior? Porque foi demitida? Luana respira fundo. A esposa do patrão me acusou de tentar seduzir o marido. E era verdade. Claro que não.
Eu nunca faria isso. Então por que ela pensou isso? porque ele conversava comigo sobre os problemas dele. A esposa viu e interpretou errado. Ricardo observa Luana. Ela parece sincera, mas a dúvida está plantada. Luana, você precisa da sua irmã? Luana fica surpresa. Como você sabe sobre minha irmã? Isso importa? Importa, porque significa que vocês me investigaram. Responde a pergunta.
Sim, minha irmã tem leucemia, precisa de tratamento caro. E você está desesperada por dinheiro? Luana entende aonde Ricardo quer chegar. Você acha que estou aqui só pelo dinheiro? Estou perguntando, Ricardo. Eu amo o Miguel como se fosse meu filho. Amor interesseiro é comum. A frase machuca Luana profundamente.
Se é isso que você pensa de mim, é melhor eu ir embora. Não disse que quero que você vá. disse que não confia em mim. Só quero honestidade. Fui honesta sobre tudo que importa. Sim, preciso do dinheiro para minha irmã. Mas não é só por isso que estou aqui. Como posso ter certeza? Luana se levanta. Não pode. Ou confia ou não confia. Ricardo fica em silêncio, dividido entre o coração e a razão.
Preciso pensar. Enquanto pensa, eu cuido do Miguel. Ele não tem culpa das dúvidas dos adultos. Luana sai do escritório com os olhos marejados. Sua felicidade está sendo destruída pela desconfiança. Nos dias seguintes, Ricardo fica distante. Ele observa Luana com Miguel, vê como ela é carinhosa e dedicada, mas as palavras da mãe ecoam na mente dele.
Estela, percebendo que plantou a dúvida, intensifica os ataques. Ricardo, aquela mulher está manipulando você através do Miguel. Como assim? Ela faz o Miguel gostar dela para garantir o emprego. O Miguel realmente gosta dela. Gosta porque ela permite tudo o que ele quer. Ela ensina limites também.
Ensina? Ontem eu vi ela brincando no chão com ele como se fosse criança. E qual o problema? O problema é que Babá tem que manter a autoridade, não pode ser amiga. Ricardo considera as palavras da mãe, mas lembra da felicidade de Miguel. Uma semana depois, Estela contrata duas amigas da alta sociedade para ajudá-la, Beatriz Almeida e Silvia Correa.
Ambas são mães de crianças pequenas e têm opiniões firmes sobre como tratar empregadas. “E Estela, querida, soubemos que você está com problemas com a babá Miguel”, diz Beatriz, uma mulher de 50 anos com ar superior. “Problemas graves. Ela está virando a cabeça do Ricardo.” “Como assim?”, pergunta Silvia, uma ruiva magra que sempre fala como se fosse especialista em tudo.
Meu filho está defendendo a babá contra a família. Isso não pode continuar. E qual é o plano? Beatriz quer saber. Vamos mostrar para o Ricardo quem ela realmente é. Como? Estela sorri maldosamente, criando situações que exponham o verdadeiro caráter dela. As três planejam uma série de armadilhas contra Luana.
Na segunda-feira seguinte, elas chegam à mansão quando Ricardo está no trabalho. Estela querida. Beatriz cumprimenta alto. Viemos conhecer a famosa babá. Luana está no jardim com Miguel, que está brincando numa casinha de boneca que ela improvisou com lençóis. Miguel, Estela chama sec, venha cumprimentar as visitas. Miguel olha para Luana com medo. Não quero. Não é opção. Venha aqui agora, vovó.
Estou brincando. Brincadeira acabou. Miguel se esconde atrás de Luana. Não quero ir. Beatriz balança a cabeça. Viu Estela? Criança mal educada. Miguel não é mal educado. Luana defende. Ele só é tímido com estranhos. Estranhos? Silvia se ofende. Somos amigas da família há anos. Mas para ele vocês são estranhas.
Babá não deveria defender criança contra a família. Beatriz repreende. Estou protegendo ele, não defendendo contra ninguém. Sai protegendo de quê? Estela pergunta irritada. De ser forçado a fazer coisas que não quer. Criança tem que fazer o que adulto manda. Criança tem direitos também. Silvia ri sarcástica.
Agora babá vai dar lição sobre direitos infantis. Vou defender qualquer criança do meu cuidado. Sua função é obedecer ordens, não dar opiniões. Beatriz diz friamente. Luana sente raiva, mas se controla por causa de Miguel. Miguel quer entrar para tomar água? Quero. Eles vão para dentro, deixando as três mulheres irritadas. Viu como ela é? Estela comenta. Se acha no direito de desobedecer.
Empregada assim tem que ser colocada no lugar dela. Beatriz concorda. E é exatamente isso que vamos fazer. Estela sorri maldosamente. Na terça-feira, elas colocam o primeiro plano em ação. Estela esquece uma pulseira cara na sala e depois some com ela. Luana, você viu minha pulseira de ouro? Qual pulseira, dona Estela? A que eu deixei na mesinha da sala.
Não vi não. Que estranho. Tenho certeza que deixei lá. Quer que eu ajude a procurar? Já procurei em todo lugar. Sumiu. Estela finge estar preocupada, plantando a ideia de que alguém roubou. Na quarta-feira é a vez de Beatriz agir. Ela deixa uma quantia em dinheiro esquecida na cozinha e depois reclama que sumiu. Estranho, Luana comenta.
Ontem sumiu uma pulseira, hoje dinheiro. Realmente muito estranho. Beatriz concorda, olhando diretamente para Luana. Talvez tenha ladrão na vizinhança ou na própria casa. Estela ensinua. Na quinta-feira, Silvia completa o trio. Ela derruba acidentalmente um vaso caro e depois culpa Luana.
Meu Deus, meu vaso de cristal. O que aconteceu? Luana corre para ver. Você esbarrou no vaso quando passou correndo. Eu não esbarrei em nada. Claro que esbarrou. Eu vi. Dona Silvia. Eu estava no jardim com Miguel. Não estava, não estava aqui andando sem cuidado. Luana percebe que está sendo armada, mas não sabe como se defender.
À noite, quando Ricardo chega, as três já o esperam com suas queixas. Ricardo, tivemos alguns incidentes hoje. Estela anuncia. Que tipo de incidentes? Coisas que sumiram, vaso quebrado. E o que isso tem a ver com a Luana? Ela estava presente em todas as ocorrências. Beatriz ensinua.
Vocês estão acusando ela de roubar? Não estamos acusando, Silvia diz cuidadosamente, só relatando fatos. Ricardo fica incomodado. Vou falar com ela. Ele chama Luana para conversar no escritório. Luana, minha mãe me contou sobre algumas coisas que aconteceram hoje. Que coisas? Uma pulseira que sumiu, dinheiro que desapareceu, um vaso quebrado. Ricardo, eu não peguei pulseira nem dinheiro e não quebrei vaso nenhum.
Como você explica essas coincidências? Não sei explicar. Só sei que não fui eu. Ricardo observa Luana. Ela parece sincera, mas as evidências estão se acumulando. Luana, você está passando por dificuldades financeiras. Estou, mas isso não me torna ladrã, mas pode te deixar desesperada. Ricardo, você realmente acha que eu roubaria da casa onde cuido do Miguel? Não sei mais o que pensar.
Luana sente o mundo desabar. Se você não confia em mim, é melhor eu ir embora. Talvez seja melhor mesmo. As palavras de Ricardo cortam como uma faca. Está bem. Vou arrumar minhas coisas. E o Miguel? O Miguel vai entender que às vezes as pessoas vão embora. Luana sai do escritório com o coração partido. Ela sobe para se despedir de Miguel, que está dormindo.
“Boa noite, meu amor.” Ela sussurra, beijando a testa dele. “Tia Luana sempre vai te amar”. Na manhã seguinte, Miguel acorda e procura por Luana. “Cadê a tia Luana?”, ele pergunta para Mônica. “Ela? E ela teve que viajar.” “Viajar para onde?” “Longe.” Miguel começa a chorar. Ela prometeu que nunca ia embora.
Às vezes os adultos precisam ir embora, Miguel, mas ela me ama. Eu sei, pequenininho. Miguel chora o dia inteiro. Ricardo encontra o filho inconsolável no quarto. Filho, que foi? Quero minha tia Luana. Ela precisou ir embora. Por quê? Porque foi melhor assim. Para quem foi melhor? Para mim não foi. A resposta do filho.
Deixa Ricardo sem palavras. Nos dias seguintes, Miguel entra numa depressão profunda. Ele volta a não comer, não brincar, não conversar. Pior ainda, ele volta a morder qualquer pessoa que tente tocá-lo. Senr. Ricardo Mônica relata preocupada. O Miguel está muito mal. Não quer comer nada há três dias.
Chama o médico. Dr. Henrique Carvalho, pediatra de Miguel, examina o menino. Fisicamente ele está bem, mas emocionalmente está em sofrimento profundo. O que pode ser? Alguma perda recente, mudança na rotina? Ricardo hesita. A babá dele foi embora. Eles eram próximos? Muito. Então é isso. Ele está passando por um luto.
Luto para uma criança de 4 anos perder alguém que ama é como uma morte. Ele precisa processar essa dor. Ricardo sente culpa. O que posso fazer? Idealmente seria bom ele se despedir da pessoa, ter um fechamento. Isso não é possível. Então vai ser um processo longo de recuperação e ele precisa de muito carinho. Mas Miguel rejeita qualquer carinho de Ricardo.
Quando o pai tenta abraçá-lo, ele morde. Quando tenta conversar, Miguel se esconde. Eu quero minha tia Luana. Ele grita toda vez que alguém se aproxima. Uma semana depois, Ricardo contrata uma nova babá, Fernanda Costa. Ela é formada em pedagogia, tem excelentes referências e 15 anos de experiência. “Senor Ricardo, nunca vi uma criança tão agressiva”, ela relata no segundo dia.
“Ele está passando por uma fase difícil. Ele me mordeu três vezes ontem. Preciso usar luvas para me proteger. Tenha paciência, ele vai se acostumar. Mas Miguel não se acostuma. Ele trata Fernanda como inimiga, morde, chuta, grita. A babá experiente não aguenta uma semana. Sinto muito, Sr. Ricardo, mas não posso continuar.
Aquela criança precisa de ajuda psicológica. A segunda babá, Carla Souza, dura apenas três dias. A terceira Amanda Lima sai no primeiro dia depois de uma mordida que perfurou a pele. Senr. Ricardo, Dr. Henrique é chamado novamente. O Miguel está regredindo. Ele voltou ao estado de quando perdeu a mãe. O que isso significa? Significa que ele está se fechando para o mundo.
Se não for tratado, pode desenvolver traumas permanentes. O que preciso fazer? Idealmente reatar o vínculo que foi rompido com a babá anterior, se possível, sim. A criança criou um apego seguro com essa pessoa. Perdê-la foi traumático. Ricardo fica pensativo. E se não for possível, então vai ser necessário terapia intensiva e mesmo assim pode levar anos para ele voltar ao normal. Naquela noite, Ricardo conversa com a mãe.
Mãe, o Miguel está muito mal desde que a Luana foi embora. Vai passar, criança. Esquece rápido. Não está esquecendo, está piorando. É drama infantil. Não é drama. Ele para de comer, não dorme, morde todo mundo. Contrata outra babá. Já tentei. Nenhuma aguenta ele. Então contrata uma mais experiente. Mãe, o problema não é experiência.
O problema é que ele perdeu alguém que amava. Estela fica incomodada. Ricardo não pode ceder a chantagem emocional de criança. Não é chantagem, é sofrimento real. Se você trouxer aquela mulher de volta, vai parecer que ela ganhou. Ganhou o quê? O direito de cuidar do meu filho. Ricardo pensa na sua reputação.
Prefiro minha reputação ou a saúde do meu filho? Estela percebe que está perdendo Ricardo e decide intensificar os ataques contra Luana. Ela liga para Sandra, a investigadora. Preciso que você encontre alguma coisa realmente comprometedora sobre Luana Oliveira. Já investiguei tudo, dona Estela. Então inventa alguma coisa.
Como assim? Cria evidências de que ela é perigosa. Isso é crime, dona Estela. É proteção da família. Sandra hesita, mas aceita por causa do dinheiro. Uma semana depois, Sandra aparece com novas informações. Descobri que Luana tem um passado criminal. Que tipo de crime? Agressão a uma criança no emprego anterior. Sério? A família abafou o caso, mas tenho os documentos.
Sandra mostra relatórios falsificados sobre um suposto incidente onde Luana teria machucado uma criança. Estela fica radiante. Perfeito. Agora tenho como acabar com ela definitivamente. Ela chama Ricardo para uma conversa urgente. Filho, descobriu uma coisa terrível sobre sua ex-babá. O que agora, mãe? Estela mostra os documentos falsos.
Ela agrediu uma criança no emprego anterior. Ricardo lê os papéis e fica chocado. Isso é verdade? Está tudo documentado. Por que a família não denunciou? Eles abafaram para evitar escândalo, mas a verdade sempre aparece. Ricardo fica abalado. Se isso for verdade, eu coloquei o Miguel em perigo. Colocou.
Por isso, é importante investigar bem as pessoas. Graças a Deus, ela foi embora antes de machucar o Miguel. Você fez a coisa certa, filho. Mas Ricardo ainda tem dúvidas. Os documentos parecem muito convenientes. Mãe, posso ver os originais desses documentos? Por quê? Só para ter certeza. Estela fica nervosa.
Não confias em mim? Confio, mas é melhor verificar. Ricardo, às vezes você é ingênuo demais, aceita que aquela mulher não presta. Naquela noite, Ricardo não consegue dormir. Algo sobre os documentos o incomoda. Eles são claros demais, organizados demais. No dia seguinte, ele liga para a empresa de investigação que sempre usa para verificar funcionários.
Carlos, preciso que você investigue uma pessoa para mim. Claro, Dr. Ricardo. Quem é? Luana Oliveira. Quero saber tudo sobre ela. Alguma suspeita específica? Quero confirmar algumas informações que recebi. Carlos faz uma investigação profunda e liga dois dias depois. Dr. Ricardo, terminei a investigação da Luana Oliveira.
E aí? Encontrou alguma coisa grave? Pelo contrário, ela tem um histórico impecável. Como assim? Nunca foi processada, nunca agrediu ninguém, nunca teve problemas com a justiça? Tem certeza? absoluta. Ela é reconhecida no bairro onde mora como uma pessoa honesta e trabalhadora.
E sobre o emprego anterior, ela foi demitida porque a patroa teve ciúmes. A própria criança que ela cuidava chorou quando ela foi embora. Ricardo sente raiva crescer no peito. Os documentos que a mãe mostrou são falsos. Carlos, mais uma pergunta. É possível falsificar documentos como relatórios de agressão? É possível sim. E é crime. Ricardo desliga furioso.
Sua mãe armou contra uma pessoa inocente. Ele confronta Estela naquela tarde. Mãe, os documentos que você me mostrou são falsos. Como falsos? Inventados. Luana nunca agrediu criança nenhuma. Estela fica pálida. Quem te disse isso? Investiguei com profissionais de verdade. Ricardo, você não entende. Entendo perfeitamente. Você inventou mentiras para destruir uma pessoa inocente.
Eu estava protegendo vocês. Estava alimentando seu preconceito. Preconceito contra uma mulher pobre que ameaçava seus planos para mim. Estela não nega. Ela não é do nosso nível, Ricardo. Não é do seu nível, mãe. É superior. Como pode dizer isso? Porque ela ama meu filho sem interesse, coisa que você nunca fez. Eu amo o Miguel. Você ama controlar o Miguel? É diferente.
Ricardo sai de casa furioso e vai direto procurar Luana. Ele encontra o endereço dela numa pensão simples no centro da cidade. O lugar é humilde, mas limpo e organizado. Luana, ele bate na porta. Ricardo ela abre surpresa. O que faz aqui? Preciso falar contigo. Se veio me acusar de mais alguma coisa, vim pedir desculpas.
Luana fica surpresa. Desculpas. Descobri que minha mãe armou contra você. Os documentos eram falsos. Luana senta na cama abalada. Ela inventou tudo, tudo. As coisas que sumiram, os relatórios, as acusações. Por quê? Porque ela não queria você perto da nossa família. Luana sente raiva e tristeza ao mesmo tempo.
E você acreditou nela? Acreditei e me arrependo. Não adianta se arrepender, Ricardo. O estrago está feito. Luana, o Miguel está muito mal sem você. Como assim? Ele não come, não dorme, volta a morder todo mundo. Já tentei três babás e nenhuma consegue lidar com ele. Luana sente o coração apertar. Ele está sofrendo muito. O médico disse que ele está passando por um luto. Coitadinho.
Luana, eu sei que não mereço, mas você voltaria, Ricardo? Como posso voltar depois de tudo isso? Porque o Miguel precisa de você. E você? Você confia em mim agora? Ricardo olha nos olhos dela. Confio e mais que isso, eu eu sinto sua falta também.
Como assim? Nesses dias sem você, percebi que nossa casa não era só a casa do Miguel que ficou vazia. Foi a minha também. Luana sente o coração acelerar. Ricardo. Luana, eu acho que acho que estou apaixonado por você. Não fala isso. Por que não? Porque somos de mundos diferentes. E daí? O mundo do Miguel é o único que importa.
Luana fica em silêncio, dividida entre o amor que sente e o medo de ser machucada de novo. Preciso pensar quanto tempo? Não sei. Só sei que não posso tomar essa decisão com o coração apertado. Entendo. Mas pelo Miguel, por favor, pensa com carinho. Ricardo sai da pensão, deixando Luana confusa e emocionada.
Naquela noite, ela vai ao hospital visitar a irmã Sofia, de 16 anos, que está internada com leucemia. “Lu, você está com cara de quem chorou?” Sofia comenta. “Estou bem, maninha.” “Não está, não. Conta o que aconteceu, Luana?” conta toda a história para a irmã. Lu, você ama esse homem? Amo e ele te ama? Disse que sim. E o menino? Amo como se fosse meu filho.
Então, qual é a dúvida? Sofie, eles são ricos. Eu sou pobre. A família dele nunca vai me aceitar. E daí? Amor não tem classe social. Tem sim. O mundo julga. Sofia pega a mão da irmã. Lu, quando eu estava morrendo e você apareceu com dinheiro para meu tratamento, eu não perguntei de onde veio. Só agradeci por ter uma irmã que me ama.
Sofie, aquele menino não liga se você é rica ou pobre. Ele só sabe que você o ama. E se der errado? E se der certo? Luana fica pensativa. Você acha que devo voltar? Acho que deve seguir seu coração. No dia seguinte, Luana toma uma decisão. Ela liga para Ricardo. Ricardo, é a Luana. Luana decidiu? Decidi. Vou voltar.
Sério? Ricardo não consegue esconder a alegria, mas com condições. Quais? Primeira, sua mãe não pode interferir na minha relação com Miguel. Concordo. Segunda, se ela inventar mais mentiras sobre mim, eu vou embora e não volto mais. Não vai inventar. Vou deixar isso claro para ela. Terceira, quero um contrato formal de trabalho com direitos trabalhistas.
Claro. E última, não quero que misture trabalho com sentimentos. Como assim? Vou voltar para cuidar do Miguel. O que rolar entre nós dois, se rolar, tem que ser natural. Entendi. Quando posso começar agora? Miguel precisa de você. Luana chega à mansão no final da tarde. Mônica a recebe com alívio.
Graças a Deus você voltou. O Miguel está impossível. Como ele está trancado no quarto? Mordeu todo mundo que tentou se aproximar. Luana sobe para o quarto de Miguel. Ela bate na porta devagar. Miguel é a tia Luana. Silêncio. Posso entrar, tia Luana? A voz do menino é um sussurro cheio de esperança. Sou eu, meu amor. A porta se abre devagar e Miguel aparece.
Ele está magro, pálido, com olheiras, mas quando vê Luana, seu rosto se ilumina. Tia Luana, você voltou? Ele se joga nos braços dela, chorando. Pensei que você tinha me esquecido. Nunca vou te esquecer, Miguel. Nunca. Promete que não vai embora de novo? Prometo. Mesmo se alguém falar mentira sobre você. Mesmo assim.
Miguel abraça Luana com força, como se tivesse medo de perdê-la de novo. Estava com muita saudade. Ele soluça. Eu também, meu amor. Eu também. Ricardo observa da porta emocionado. Em 5 minutos, Luana conseguiu o que ele não conseguiu em duas semanas. Nos dias seguintes, Miguel vai voltando ao normal. Ele come melhor, dorme sem pesadelos, brinca de novo e, principalmente, para de morder as pessoas.
Tia Luana, por que você foi embora? Porque houve um mal entendido. O que é mal entendido? É quando as pessoas pensam uma coisa que não é verdade e agora elas sabem a verdade. Sabem? Então você não vai embora mais? Não vou, meu amor. Miguel sorri aliviado. Estela, quando descobre que Luana voltou, fica furiosa.
Ricardo, como você pode trazer aquela mulher de volta? Porque meu filho precisa dela. Depois de tudo que descobrimos sobre ela. Mãe, você inventou tudo. Eu sei da verdade. Que verdade? Que você contratou gente para falsificar documentos. Estela fica sem argumentos. Ricardo, você está cometendo um erro. O erro foi ter acreditado nas suas mentiras. Você vai se arrepender. Já me arrependi de ter duvidado dela.
Estela percebe que perdeu a guerra, mas não desiste. Se não pode afastar Luana de Miguel, vai tentar separá-la de Ricardo. Ela organiza um jantar elegante e convida várias famílias com filhas solteiras. Ricardo, quero te apresentar Mariana Fonseca. Ela diz durante o evento.
Mariana é uma advogada de 30 anos, loira, elegante e claramente interessada em Ricardo. Prazer, Ricardo. Sua mãe fala muito de você. Imagino. Ela disse que você tem um filho pequeno. Deve ser difícil criar sozinho. Tenho ajuda. Babá boa é difícil de achar. Minha família sempre teve problemas com funcionários. Ricardo se irrita com a palavra funcionários.
Durante o jantar, Luana fica no quarto com Miguel, que está inquieto. Tia Luana, por que tem tanta gente lá embaixo? Seu pai está recebendo visitas. Vovó Estela disse que uma das moças quer ser minha madrasta. Luana sente uma apontada no coração. Disse isso mesmo? Disse e falou que se papa casar, eu não vou mais precisar de babá.
Miguel, você sempre vai precisar de alguém que cuide de você com carinho, mas pode ser que não seja você. Luana abraça o menino. Vai ser eu, meu amor, sempre. Promete? Prometo. Mas por dentro, Luana está insegura. E se Ricardo realmente se interessar por Mariana? Depois do jantar, Mariana se despede de Ricardo com um beijinho no rosto. Foi um prazer. Espero nos vermos em breve. Claro.
Estela fica radiante. Que menina educada, perfeita para você. Mãe, não estou interessado. Deveria estar. Miguel precisa de uma mãe de verdade. Ele tem a Luana. Luana é funcionária, não família. Para mim e para o Miguel, ela é família. Estela percebe que precisa mudar a estratégia. No dia seguinte, ela vai falar com Luana diretamente.
Luana, preciso conversar contigo. Pois não, dona Estela. É sobre sua posição nesta casa que tem minha posição. Você está se confundindo sobre qual é seu lugar. Meu lugar é cuidar do Miguel. Exato. Cuidar, não substituir a família. Eu não substituo ninguém. Substitui sim. Meu filho está se apaixonando por você.
Luana fica vermelha. Isso não é problema meu. É sim, porque você está dando esperanças para ele. Como assim? Aceitando os sentimentos dele quando sabe que nunca vai dar certo. Por que não daria certo? Porque vocês são de mundos diferentes. Ele é rico, você é pobre. Isso não importa quando há amor, importa para a sociedade, importa para os negócios dele.
Dona Estela, com todo respeito, quem decide isso é o Ricardo. Ricardo está confuso, está misturando gratidão com amor e se não estiver, está e quando perceber, vai te dispensar. Estela se aproxima de Luana. Faça um favor para você mesma. Saia antes de ser humilhada. Não vou sair.
Por quê? por dinheiro, pelo Miguel e porque amo o Ricardo. Estela fica furiosa. Você realmente acha que pode casar com meu filho? Se ele quiser, sim. Isso nunca vai acontecer. Vamos ver. Estela sai da conversa irritada. Se Luana não vai embora por bem, vai ter que ser por mal. Aquela noite, Estela liga para Sandra, a investigadora. Preciso que você faça mais uma coisa.
O que agora, dona Estela? Espalhe boatos sobre Luana na sociedade. Que tipo de boatos? Que ela está tentando dar golpe no Ricardo, que está usando o Miguel para conseguir dinheiro. Isso pode destruir a reputação dela. É exatamente o que eu quero. Em poucos dias, os boatos se espalham pelos círculos sociais da alta sociedade.
Todo mundo está comentando sobre a babá interesseira que está manipulando Ricardo Santana. Ricardo começa a receber ligações de amigos preocupados. Ricardo, cuidado com essa babá. Ouvi dizer que ela tem segundas intenções. Quem está dizendo isso? Todo mundo está comentando. Depois da quinta ligação do tipo, Ricardo fica irritado. Ele confronta a mãe.
Mãe, você está espalhando mentiras sobre a Luana de novo? Não são mentiras. São preocupações legítimas. Baseadas em quê? No comportamento dela, ela está se aproveitando da situação. Como? Conquistando você através do Miguel. E se ela realmente me ama? Amor interesseiro não é amor verdadeiro.
Como você sabe que é interesseiro? Porque mulher pobre sempre tem segundas intenções com homem rico? Ricardo sente nojo do preconceito da mãe. Mãe, pare de espalhar mentiras ou você vai ter que escolher entre eu e seus preconceitos. Como assim? Se não parar de atacar a Luana, você não será mais bem-vinda nesta casa. Estela fica chocada.
Você me expulsaria por causa de uma empregada? Expulsaria por causa da mulher que amo. Ricardo, você está cego. Estou vendo claramente pela primeira vez. Estela sai da casa furiosa. Se Ricardo quer guerra, vai ter guerra. No fim de semana, ela organiza um evento social e convida a imprensa. Seu plano é expor publicamente a situação irregular na casa do filho.
Queridos amigos, ela discursa para os convidados. Estou preocupada com meu filho, Ricardo. O que houve, Estela? Pergunta uma amiga. Ele está sendo manipulado por uma funcionária. Como assim? A babá do Miguel está seduzindo o Ricardo para se dar bem na vida. O burburinho toma conta do evento. Jornalistas da sociedade anotam tudo. Isso é muito sério, dona Estela.
É por isso que estou expondo. Alguém precisa proteger minha família. No dia seguinte, os jornais da sociedade publicam a história. Aó denuncia babá golpista que manipula empresário através da criança orfan. A matéria destrói a reputação de Luana. Ela vira o assunto do momento na alta sociedade.
Quando Ricardo vê a notícia, fica furioso. Mãe, como você pode fazer isso? Fiz para proteger você. Destruiu a vida de uma pessoa inocente. Inocente. Ela está se aproveitando de vocês. A única pessoa que está se aproveitando de alguma coisa é você. Como assim? Você está usando o Miguel para tentar controlar minha vida? Eu amo o Miguel. Você ama possuir o Miguel? É diferente.
Ricardo pega o telefone e liga para um advogado. Dr. Meirelles, preciso processar um jornal por calúnia. Estela fica pálida. Ricardo, o que você vai fazer? Vou limpar o nome da Luana e deixar claro que minha mãe está mentindo. Ricardo, pense na família. Estou pensando. Por isso estou protegendo a Luana. No dia seguinte, Ricardo dá uma entrevista coletiva.
Senhores jornalistas, quero esclarecer as mentiras que foram publicadas sobre Luana Oliveira. A imprensa fica atenta. Luana é uma profissional excepcional que salvou meu filho de uma depressão profunda. E sobre as acusações de interesse financeiro são mentiras criadas por pessoas que não aceitam que uma mulher humilde possa ser mais digna que muitas ricas.
O senhor pretende se casar com ela? Pretendo me casar com a mulher que amo e amo Luana Oliveira. A declaração vira manchete. Ricardo assumiu publicamente seu relacionamento com Luana. Na mansão, Luana assiste a entrevista com o coração disparado. Ele disse que me ama. Ela sussurra emocionada. Miguel, que está ao lado dela, pergunta: “Isso é bom?” É muito bom, meu amor.
Então você vai ser minha mãe de verdade? Se seu pai quiser. Sim. Miguel pula de alegria. Eu quero. Eu quero muito. À noite, Ricardo chega em casa e procura Luana. Você viu a entrevista? Vi. E aí? O que achou? Achei corajoso. Corajoso por quê? Por assumir seus sentimentos publicamente. Luana, eu falei sério. Quero me casar com você.
Ricardo. Quero formar uma família com você. E o Miguel. E sua mãe? Minha mãe vai ter que aceitar ou ficar longe. Luana olha nos olhos dele. Tem certeza? Absoluta. Então sim. Sim. O quê? Sim. Aceito casar com você. Ricardo a pega nos braços e a beija pela primeira vez.
Miguel, que estava escondido atrás da porta, sai gritando: “Yupi, agora vou ter uma mãe!” Três meses depois, numa cerimônia simples, mas emocionante no Jardim da Mansão, Ricardo e Luana se casam. Miguel é o Pagém, todo orgulhoso carregando as alianças. Agora você é minha mãe oficial, ele grita depois da cerimônia. Sou sim, meu filho. Meu filho, ela repete emocionada. Nunca vou me cansar de falar isso.
Estela não comparece ao casamento, mas algumas pessoas da alta sociedade vão curiosas para conhecer a mulher que conquistou Ricardo Santana. É mais bonita do que imaginei, comenta uma convidada. E o Miguel a adora, observa outra. Talvez o amor realmente não tenha classe social. Um ano depois, Luana está grávida do segundo filho do casal.
Miguel está radiante com a ideia de ser irmão mais velho. Tia Luana, agora posso te chamar de mãe? Pode me chamar do que quiser, meu amor. Então, mãe. Sim, meu filho. Miguel abraça Luana com toda a força. Obrigado por me ensinar que abraço é bom. Obrigado você por me deixar te amar. Ricardo observa a cena emocionado. Sua família está completa. Na sala há uma foto emoldurada.
Ricardo, Luana e Miguel abraçados todos sorrindo. Embaixo uma frase: “O amor não conhece diferença de classe, só diferença de coração. E eles viveram felizes, provando que quando o amor é verdadeiro, nada pode separá-lo. Nem preconceito, nem mentiras, nem diferenças sociais.
Porque no final das contas, família não é quem nasce junto, mas quem escolhe ficar junto, amando sem condições e sem medo. Gostou dessa história? Achou que Luana mereceu ser aceita pela família? Me conta nos comentários com seu nome e de onde me ouve. Um forte abraço. Nos vemos em breve. M.