Na primeira vez dela, o milionário sussurrou: “Prometo ser gentil!” E ela descobriu o prazer do verdadeiro amor. O envelope de papel creme chegou numa tarde chuvosa de março, contrastando brutalmente com a simplicidade do apartamento de dois quartos no bairro Prado, em Belo Horizonte.
Camila Silva segurou a correspondência com mãos ainda trêmulas do plantão duplo no Hospital das Clínicas, observando o brasão dourado que decorava o lacre. Dentro, uma letra elegante em papel timbrado a convidava para um jantar no Vila Bela, um dos restaurantes mais exclusivos da cidade. O remetente Pedro Henrique Andrade, nome que ela reconheceu imediatamente das páginas sociais dos jornais O Herdeiro Solteiro de Um Império do Agronegócio, avaliado em mais de R milhões deais.
“Mãe, você conhece esse homem?” Camila mostrou a carta para Maria Silva, que secava as mãos no avental floreado. Maria ajustou os óculos e leu atentamente. Pedro Henrique Andrade, filho do velho Henrique Andrade, dono daquelas fazendas enormes no interior. Mas por que ele quer jantar com você, filha? A pergunta ecoou na mente de Camila enquanto observava o pai José Silva dormindo no sofá da sala.
Aos 55 anos, o homem que trabalhara a vida inteira como mecânico lutava contra um câncer que havia transformado suas economias em uma montanha de dívidas médicas. R$ 52.000 em tratamentos que o plano de saúde se recusava a cobrir integralmente.
“Talvez seja engano”, murmurou Camila, mas seus dedos traçaram inconscientemente o papel luxuoso. “Ou talvez” a campainha interrompeu seus pensamentos. Um entregador uniformizado segurava um buquê de orquídeas brancas e um cartão. Espero que aceite meu convite. P. Naquela noite, Camila se olhou no espelho do quarto que dividia com a irmã mais nova, Júlia.
O vestido azul marinho era o mais elegante que possuía, comprado em promoção dois anos antes para a formatura em enfermagem. Seria suficiente para jantar com um milionário? Você está linda! Sussurrou Júlia, de 19 anos. ajudando a pentear os cabelos castanhos da irmã.
Mas por que um homem como ele chamaria você? Era exatamente o que Camila pensava enquanto o táxi a levava pelo centro da cidade. As luzes noturnas de Belo Horizonte criavam reflexos dourados nas janelas dos edifícios, mas ela mal notava a paisagem. Seu coração martelava contra as costelas com uma mistura de curiosidade e apreensão. O Vila Bela ocupava o último andar de um prédio histórico no centro, com vista panorâmica para a Serra do Curral.
Um metre impecável a conduziu até uma mesa reservada junto às janelas, onde a esperava o homem mais impressionante que já havia visto. Pedro Henrique Andrade ergueu-se educadamente quando ela se aproximou. alto, provavelmente 1,85 m, tinha ombros largos que preenchiam perfeitamente o terno cinza escuro.
Os cabelos negros apresentavam fios prateados nas têmporas e os olhos cor de mel a estudaram com uma intensidade que a fez corar. “Senhorita Silva!”, Sua voz era grave e cultivada. Agradeço por ter vindo. Quando ele estendeu a mão para cumprimentá-la, Camila sentiu a pele quente e ligeiramente áspera, marcas de quem não apenas herdara riqueza, mas também trabalhava com ela.
O toque durou apenas segundos, mas deixou uma sensação estranha percorrendo seu braço. Imagino que esteja curiosa sobre o motivo deste convite, Pedro Henrique disse depois que o garçom trouxe o vinho, um bordô que custava mais que o salário mensal de Camila. Confesso que sim”, ela respondeu, tentando manter a voz firme, apesar do nervosismo que a dominava.
Ele inclinou-se ligeiramente sobre a mesa e ela percebeu pequenas rugas ao redor dos olhos que sugeriam sorrisos frequentes. Embora agora sua expressão fosse séria. “Preciso me casar, senrita Silva, e gostaria que fosse comigo.” O vinho quase escorregou da mão de Camila. “Como? Um casamento de conveniência.
” Ele esclareceu rapidamente, suas mãos elegantes gesticulando com precisão. Meu avô, em seu testamento, estipulou que eu devo estar casado até completar 40 anos para manter o controle total da empresa. Tenho 38 anos, então me restam menos de 2 anos. Camila piscou várias vezes, tentando processar a informação.
Mas por que eu? Nós nem nos conhecemos. Exatamente por isso. Pedro Henrique recostou-se na cadeira, observando-a com aqueles olhos dourados que pareciam enxergar além da superfície. Preciso de alguém que não tenha interesse em complicar a situação com sentimentos. Alguém honesto, trabalhador, que precise de ajuda financeira.
A última frase foi dita com delicadeza, mas Camila sentiu as bochechas queimarem. Ele sabia sobre as dívidas de sua família, havia investigado sua vida. “Quanto você sabe sobre mim?”, perguntou, tentando manter a dignidade. Sei que trabalha duplos turnos para sustentar a família, que seu pai está doente e vocês têm dívidas médicas consideráveis.
Sei que é formada há do anos e tem excelentes referências no hospital. Ele fez uma pausa, os olhos fixos nos dela, e sei que é exatamente o tipo de pessoa que eu procuro, íntegra e determinada. O garçom trouxe os pratos principais, mas Camila mal tocou na comida. Sua mente girava tentando compreender a proposta surreal. Seria um contrato de do anos.
Pedro Henrique continuou cortando o salmão com movimentos precisos. Você receberia R 1 milhão deais dividido em três parcelas. A primeira imediatamente após o casamento, para quitar as dívidas de sua família. R 1 milhão deais. O número ecoou na mente de Camila como um sino distante.
Seria suficiente para pagar todos os tratamentos do pai, comprar uma casa melhor, dar estudo para Júlia? Quais seriam as condições? Perguntou surpresa com a firmeza de sua própria voz. Moraríamos juntos na fazenda principal, próxima à Ponte Nova. Aparecimentos públicos, como casal, quando necessário, eventos sociais, jantares de negócios, mas quartos separados. Total descrição sobre o arranjo. E após dois anos divórcio amigável.
Camila observou as mãos dele enquanto falava. Mãos fortes com veias visíveis, dedos longos sem anéis. Havia algo hipnótico na forma como gesticulava, na maneira como segurava a taça de vinho. E se E se surgissem sentimentos? A pergunta escapou antes que pudesse detê-la. Pedro Henrique interrompeu o movimento da taça a meio caminho dos lábios. Por um momento, algo passou por seus olhos, uma sombra, talvez dor.
Isso não pode acontecer, disse com firmeza. Para nenhum de nós. O resto do jantar transcorreu em relativo silêncio, ambos perdidos em pensamentos. Quando chegou a hora de ir embora, Pedro Henrique insistiu em chamar seu motorista. Pode pensar sobre a proposta”, disse ele enquanto esperavam o carro no térrio do restaurante.
A brisa noturna trouxe o aroma de sua colônia, algo amadeirado e masculino que fez Camila inspirar involuntariamente. Tome o tempo que precisar. quando estendeu a mão para impedi-la de pagar a gorgeta do motorista. Seus dedos se tocaram brevemente. Desta vez, a sensação foi ainda mais intensa, como se uma corrente elétrica percorresse seu braço. Ela ergueu os olhos e o encontrou, observando-a com uma expressão indecifrável.
“Boa noite, senrita Silva”, murmurou ele, a voz ligeiramente rouca. No caminho para casa, Camila pressionou a mão contra o local onde ele a tocara, ainda sentindo o calor de sua pele. 1 milhão de reais por dois anos seria suficiente para resolver todos os problemas de sua família, mas seria capaz de viver uma mentira, ainda que por uma boa causa? E por, ao fechar os olhos, só conseguia pensar naqueles olhos dourados que pareciam guardar segredos profundos demais para serem ignorados. Três dias se passaram desde o jantar.
E Camila não conseguia pensar em outra coisa. Durante os plantões no hospital, enquanto administrava medicamentos e consolava pacientes, a proposta de Pedro Henrique ecoava em sua mente como uma música obsessiva. “Você anda distraída”, comentou Fernanda, colega enfermeira, enquanto organizavam os medicamentos na sala de preparo.
“Algum homem novo na jogada?” “Algo assim”, murmurou Camila, evitando o olhar perspicaz da amiga. “Um homem?” “Sim. Mas não qualquer homem, um milionário que oferecia uma quantia que mudaria a vida de sua família inteira. A primeira parcela seria suficiente para quitar todas as dívidas médicas do pai e ainda sobrar para os próximos tratamentos.
Naquela noite, encontrou José acordado na sala, foliando uma revista de automóveis com os olhos cansados. O tratamento de quimioterapia havia deixado sua pele acinzentada, mas ele ainda mantinha o sorriso caloroso que sempre caracterizara a sua personalidade. “Pai, preciso conversar com você”, disse Camila, sentando-se ao seu lado no sofá. José fechou a revista e a observou com atenção.
Mesmo debilitado, seus olhos ainda mantinham a perspicácia de quem havia criado duas filhas sozinho após a morte prematura da esposa. “É sobre aquele jantar misterioso, não é?”, perguntou com um meio sorriso. Sua mãe está curiosa desde que chegaram as flores. Camila respirou fundo.
Durante três dias havia ensaiado aquela conversa, mas agora as palavras pareciam insuficientes para explicar a complexidade da situação. Um homem fez uma proposta. Pedro Henrique Andrade, você deve conhecer o nome, o filho do Henrique Andrade, o dono das fazendas. José assoviou baixinho. E que tipo de proposta um homem como esse faria para minha filha? Casamento.
A palavra ficou suspensa no ar entre eles. José piscou várias vezes antes de perguntar: “Vocês estão namorando? Como não soubemos?” “Não, pai, não nos conhecemos antes do jantar”. Camila explicou cuidadosamente os termos da proposta, observando as expressões que se sucediam no rosto do pai. Surpresa, confusão, preocupação.
1 milhão deais, repetiu José lentamente. Por dois anos de casamento. Ele precisa se casar por questões familiares. E eu, nós precisamos do dinheiro. José ficou em silêncio por longos minutos, os olhos fixos na parede onde pendia uma foto da família tirada anos antes, quando ainda eram felizes e saudáveis.
Camila, você sabe que eu morreria antes de aceitar que você se sacrificasse por minha causa. Não é sacrifício, pai. É uma oportunidade. Uma oportunidade? José virou-se para ela, os olhos brilhando com intensidade. Filha, casamento não é negócio. Mesmo que seja apenas no papel, é sua vida que está em jogo. Nossa vida está em jogo! corrigiu Camila suavemente. As dívidas, os tratamentos.
Com esse dinheiro você poderia fazer todos os exames particulares. Teríamos a melhor equipe médica. E você, o que ganha além de dinheiro? A pergunta pegou Camila desprevenida. O que ela ganharia? Segurança financeira, certamente, a chance de ajudar a família.
Mas havia algo mais, algo que não conseguia explicar nem para si mesma. A lembrança daqueles olhos dourados, da voz grave, do toque breve de suas mãos. Não sei, admitiu, talvez a chance de conhecer um mundo diferente. José estudou o rosto da filha com a atenção de quem conhecia, cada uma de suas expressões desde o nascimento. Há algo sobre esse homem que você não está me contando. Camila sentiu as bochechas corarem.
Ele é interessante. Interessante. Repetiu José, um pequeno sorriso brincando nos lábios. E bonito, pai. Ah, é bonito. Então, José riu pela primeira vez em semanas. Camila, se você vai considerar isso, considere pelos motivos certos, não apenas pelo dinheiro ou por mim. Considere porque talvez seja uma chance de algo bom na sua vida.
Você não se opõe? Eu me oponho a você sacrificar sua felicidade, mas se há uma possibilidade, por menor que seja, de que essa situação traga algo positivo para você, então talvez vha a pena arriscar. Na manhã seguinte, Camila ligou para o número que Pedro Henrique havia deixado no cartão.
A secretária a atendeu com eficiência profissional e agendou um encontro para aquela tarde em seu escritório. O edifício Andrade ocupava 15 andares no centro comercial de Belo Horizonte. Camila subiu até o último andar, onde uma recepcionista elegante a conduziu através de corredores decorados com obras de arte e fotografias das fazendas da família. O escritório de Pedro Henrique tinha janelas do chão ao teto com vista para a cidade.
Ele estava de pé, observando o movimento das ruas lá embaixo quando ela entrou. Vestia um terno azul marinho que realçava a largura dos ombros e uma gravata gravata dourada que combinava com os olhos. Senrita Silva. Ele se virou e novamente ela sentiu aquele impacto de sua presença. “Obrigado por vir. Aceito sua proposta”, disse Camila antes que perdesse a coragem. Pedro Henrique parou no meio do movimento de se aproximar.
“Tem certeza? Não quer discutir os detalhes? Tenho algumas condições.” Ele gesticulou para que se sentasse na poltrona em frente à mesa, mas permaneceu de pé, as mãos nos bolsos. Estou ouvindo. Quero que o primeiro pagamento seja feito antes do casamento para quitar as dívidas da minha família imediatamente e quero o direito de visitar meus pais sempre que desejar.
Concedido. A resposta veio sem hesitação. Mais alguma coisa? Camila respirou fundo. Se em algum momento qualquer um de nós quiser terminar o acordo antes dos dois anos, deve ser permitido sem penalidades. Pedro Henrique ficou em silêncio por um momento, os olhos fixos nela com aquela intensidade perturbadora.
Aceito, desde que haja compensação proporcional, caso a decisão seja sua. Justo. Camila estendeu a mão. Então, temos um acordo. Quando ele aceitou o aperto de mão, a sensação elétrica voltou mais intensa que antes. Os dedos dele envolveram os seus com firmeza e, por um momento, permaneceram assim, conectados não apenas pelo toque, mas por algo indefinível que pairava no ar entre eles. “O casamento será daqui a duas semanas”, disse Pedro Henrique.
Sua voz ligeiramente mais baixa que antes. Se viu apenas com testemunhas. Depois partiremos para Trancoso para a lua de mel. Lua de mel? Camila retirou a mão, sentindo ainda o calor de seus dedos para manter as aparências. Será esperado que um casal recém-casado tire alguns dias juntos.
A palavra juntos fez algo estremecer no estômago de Camila, quartos separados, naturalmente. Mas havia algo em seus olhos que contradizia a firmeza da resposta. Camila se levantou para sair, mas na porta ele a chamou. Senrita Silva? Sim, pode me chamar de Pedro Henrique. Afinal, em duas semanas seremos casados. A forma como ele disse a última palavra, pausando ligeiramente, fez Camila sentir que havia muito mais complexidade naquele acordo do que qualquer um dos dois estava disposto a admitir.
E quando saiu do escritório, levando no bolso o cartão com os dados para receber o primeiro pagamento, uma única pergunta martelava em sua mente: no que exatamente ela havia se metido? O cartório no centro de Belo Horizonte era um ambiente de uma sobriedade quase fúnebre. Camila ajustou pela décima vez o vestido branco simples que havia comprado especialmente para a ocasião.
Não porque sonra com um casamento assim, mas porque algo dentro dela insistia que merecia ao menos parecer uma noiva, mesmo que fosse apenas no papel. Pedro Henrique chegou pontualmente às 3 da tarde, acompanhado por dois homens de terno que Camila presumiu serem os advogados responsáveis pelo contrato matrimonial.
Ele vestia um terno cinza escuro que realçava os olhos dourados e quando a viu esperando na recepção, parou por um momento, o olhar percorrendo-a da cabeça aos pés. “Você está linda”, disse ele. E havia algo em sua voz que fez Camila sentir que o elogio era genuíno, não apenas cortesia. “Obrigada”, murmurou ela, consciente de como sua própria voz saiu trêmula.
As testemunhas eram funcionários do cartório, pessoas que nem conheciam e que os observavam com a indiferença de quem presencia dezenas de casamentos por semana. Camila havia sonhado quando adolescente com um casamento cercada de família e amigos, com flores e música, não com essa cerimônia clínica e impessoal.
Quando o oficial de registro começou a ler os votos tradicionais, Camila sentiu uma melancolia inesperada apertar seu peito. Pedro Henrique Andrade aceita Camila Silva como esposa, prometendo ser-lhe fiel, respeitá-la, sustentá-la e amá-la em todas as circunstâncias da vida. Aceito”, respondeu ele, mas quando Camila ergueu os olhos, encontrou-o, observando-a com uma intensidade que a fez questionar se aquelas palavras eram apenas uma formalidade.
Camila Silva aceita Pedro Henrique Andrade como esposo, prometendo ser-lhe fiel, respeitá-lo, sustentá-lo e amá-lo em todas as circunstâncias da vida? Aceito”, sussurrou ela. E por um momento, as palavras pareceram ecoar com mais peso do que havia planejado. Quando chegou o momento de trocar as alianças, simples alianças de ouro que Pedro Henrique havia providenciado, seus dedos se tocaram novamente.
Desta vez, ele segurou sua mão por alguns segundos a mais que o necessário, o polegar traçando uma linha suave sobre seus nós dos dedos. Pelo poder confere a lei, eu os declaro marido e mulher. Era oficial. Camila Silva agora era Camila Andrade. O sobrenome soava estranho, como uma roupa que não servia perfeitamente. “Pode beijar a noiva”, disse o oficial com um sorriso protocolar.
Camila sentiu o pânico subir pela garganta. Não haviam discutido essa parte. Pedro Henrique aproximou-se, suas mãos tocando levemente sua cintura, e ela pôde sentir o aroma de sua colônia, algo amadeirado e masculino que a fazia querer inspirar mais profundamente. O beijo foi casto, apenas um toque suave de lábios que durou não mais que 3 segundos.
Mas mesmo assim, Camila sentiu suas pernas tremularem. Havia algo na forma como ele assegurou, na maneira como seus lábios eram surpreendentemente macios, que a fez questionar todas as suas percepções sobre aquele acordo. 40 minutos depois, estavam oficialmente casados. Os advogados se despediram após confirmar que todos os documentos estavam em ordem e Camila se encontrou sozinha com Pedro Henrique na escadaria do cartório.
“Como se sente, Senora Andrade?”, perguntou ele com um meio sorriso que não alcançou os olhos. Estranha, admitiu ela. Você como um homem que acaba de resolver um problema muito caro. A resposta foi dada com leveza, mas havia algo amargo em sua expressão. Eles caminharam em silêncio até onde o motorista esperava com uma Mercedes preta.
Durante o trajeto até o apartamento de Camila, onde ela pegaria as malas para a viagem a Trancoso, ela observou seu novo marido pelo reflexo no vidro da janela. Pedro Henrique tinha os dedos entrelaçados no colo e ela notou que ele girava a aliança com o polegar direito, um gesto nervoso que humanizava sua postura sempre controlada.
Havia algo melancólico em sua expressão, como se aquele casamento tivesse despertado memórias que preferia manter enterradas. Pedro Henrique chamou ela suavemente. Sim, você já foi casado antes? Ele virou-se para olhá-la diretamente e, por um momento, sua máscara de controle vacilou. Fui. Minha esposa morreu há três anos.
A simplicidade da resposta carregava uma dor que fez Camila se arrepender imediatamente de ter perguntado. Sinto muito. Não devia ter. Não, está tudo bem. Ele voltou a olhar pela janela. Isabela morreu em um acidente de carro. Estávamos casados há 5 anos. Vocês se amavam? A pergunta escapou antes que Camila pudesse detê-la.
Pedro Henrique a olhou com surpresa, depois com algo que ela não soube identificar. Muito respondeu simplesmente. Ela era era tudo para mim. O silêncio que se seguiu foi denso de significados não ditos. Camila compreendeu então porque ele havia insistido tanto na natureza puramente comercial de seu acordo.
Ele ainda amava a esposa morta e este casamento era apenas uma obrigação legal que precisava cumprir. Quando chegaram ao prédio onde morava, Pedro Henrique insistiu em subir para conhecer sua família. Maria havia preparado um bolo simples para comemorar e José, apesar da fraqueza, fez questão de se levantar para cumprimentar o genro. “Cuide bem da minha filha”, disse José.
apertando a mão de Pedro Henrique com firmeza surpreendente. “Farei o possível”, respondeu Pedro Henrique e havia sinceridade em sua voz que tranquilizou Camila. Júlia observava tudo com os olhos arregalados de quem não conseguia acreditar que a irmã havia se casado com um dos homens mais ricos de Minas Gerais. Quando Camila foi fazer a mala no quarto, Júlia a seguiu.
“Você gosta dele?”, perguntou a irmã mais nova, sentando-se na cama. Camila dobrou cuidadosamente as poucas roupas boas que possuía. “É complicado, ele é lindo”, comentou Júlia com a franqueza da juventude. “E parece que gosta de você. Como assim? O jeito como ele olha para você, como se estivesse tentando decifrar um mistério. Camila parou de arrumar a mala por um momento.
Havia notado aqueles olhares também. A forma como Pedro Henrique às vezes a observava quando pensava que ela não estava prestando atenção. Júlia, isso é apenas um acordo comercial. Não pode ser mais que isso. Por que não? Porque ele ainda ama a primeira esposa. Júlia fez uma careta.
Talvez, mas os mortos não voltam, Camila, e ele precisa continuar vivendo. Quando desceram para se despedir, Pedro Henrique estava conversando seriamente com os pais dela na sala. Camila notou que havia uma transferência bancária na mesa. O primeiro pagamento havia sido feito conforme prometido. “Pronto?”, perguntou ele quando ela apareceu com a mala.
Durante o voo para Porto Seguro, eles conversaram pouco. Pedro Henrique trabalhava em um notebook, respondendo e-mails e fazendo chamadas relacionadas aos negócios, enquanto Camila observava as nuvens pela janela do jato particular. Só quando começaram a descer em direção ao aeroporto, ela se deu conta da realidade da situação.
Iriam passar uma semana sozinhos em Trancoso, fingindo ser um casal apaixonado em lua de mel. Como duas pessoas que mal se conheciam conseguiriam manter uma farça tão íntima. Camila Pedro Henrique tocou seu braço suavemente quando o avião pousou. Sei que isso é estranho para você, para mim também, mas podemos tentar tornar essa semana agradável.
Ela a sentiu tentando ignorar o calor que se espalhou por seu braço no local onde ele a tocou. Agradável. Mas quando o carro de luxo os levou pelas ruas de paralelepípedos de Trancoso em direção ao resorte exclusivo onde ficariam, Camila não conseguia afastar a sensação de que aquela semana seria qualquer coisa menos agradável, seria inesquecível.
O Etnia Casa Hotel era um pequeno paraíso escondido entre coqueiros e vegetação nativa, com apenas 12 suítes que garantiam privacidade absoluta aos hóspedes. Quando chegaram, o sol começava a se pôr, pintando o céu de trancoso em tons de laranja e rosa que Camila jamais havia visto. “Boa noite, senhor e senhor Andrade”, cumprimentou o gerente com um sorriso caloro. “Sua suí está pronta.
Preparamos champanhe e pétalas de rosa, conforme solicitado. Camila sentiu as bochechas corarem. Pétalas de rosa. Como duas pessoas que mal se conheciam, explicariam que não queriam o pacote romântico completo. A suí dendê ocupava a área mais reservada do resort, com vista direta para o mar.
Tinha uma sala ampla decorada com móveis rústicos elegantes, uma varanda privativa com rede e espreguiçadeiras e um quarto, um único quarto com uma cama king size coberta de pétalas vermelhas. “Eu durmo no sofá”, disse Pedro Henrique imediatamente, depositando as malas no chão. “Não”, protestou Camila. “Você é quem está pagando por isso. Eu durmo no sofá. Camila, sou um homem de 1,85 m. Você tem quanto? 1,65.
Seja razoável. 1,68, corrigiu ela automaticamente. Depois se deu conta do quanto a correção soava infantil. Pedro Henrique sorriu. O primeiro sorriso genuíno que ela havia visto desde que se conheceram. A expressão transformou completamente seu rosto, suavizando as linhas sérias e revelando pequenas rugas ao redor dos olhos que falavam de alguém que já havia sido feliz. 68, repetiu ele com divertimento.
Ainda assim, o sofá é meu. O jantar foi servido na varanda privativa com velas e uma vista deslumbrante do Oceano Atlântico. O garçom havia sido instruído a tratá-los como um casal em lua de mel, referindo-se constantemente à celebração do amor e sugerindo passeios românticos para o dia seguinte.
“Que tipo de passeios você gosta?”, perguntou Pedro Henrique depois que ficaram sozinhos, servindo vinho branco em suas taças. “Nunca tive muitas oportunidades de fazer turismo”, admitiu Camila. “Sempre trabalhei muito e nas horas vagas. O que gosta de fazer?” Era uma pergunta simples, mas Camila percebeu que ele estava genuinamente interessado em sua resposta. “Leio muito. Gosto de caminhar.
Às vezes assisto filmes antigos com meu pai. Que tipo de livros?” Romance, principalmente alguns dramas. Jane Austin é minha autora favorita. Pedro Henrique arqueou uma sobrancelha. Orgulho e preconceito. Conhece? Isabela adorava Jane Austin. Leu persuasão pelo menos cinco vezes. O nome da primeira esposa criou um silêncio momentâneo entre eles.
Camila observou como a expressão de Pedro Henrique se fechou ligeiramente, como se tivesse revelado mais do que pretendia. Fale-me sobre ela”, disse Camila suavemente. “Se quiser.” Pedro Henrique girou a taça de vinho entre os dedos, olhando para o líquido dourado, como se contivesse respostas para perguntas não formuladas.
“Isabela era luz pura”, começou ele lentamente. Raia de qualquer coisa. Chorava assistindo comerciais de cachorro, insistia em adotar todos os animais perdidos que encontrava. Ele sorriu com melancolia. Nossa casa parecia um zoológico. Vocês moravam onde? Na fazenda principal. Ela adorava a vida no campo. Dizia que a cidade a sufocava. Pedro Henrique fez uma pausa.
Ironicamente, foi vindo para a cidade que ela que o acidente aconteceu. Camila sentiu o impulso de estender a mão e tocar a dele, mas se conteve. Havia algo na postura de Pedro Henrique que sugeria que ele não estava acostumado a compartilhar memórias tão íntimas. Deve ter sido muito difícil. murmurou ela.
Passei dois anos praticamente sem sair da fazenda. Se não fosse pela pressão dos negócios, e essa questão do testamento, provavelmente continuaria lá. E agora? Ainda se sente preso a essas memórias. Pedro Henrique a olhou diretamente e havia algo em seus olhos que ela não conseguiu decifrar.
Até recentemente, sim, mas ultimamente as coisas estão mudando. A forma como ele disse isso, observando-a com aquela intensidade perturbadora, fez Camila sentir que havia significados ocultos em suas palavras. Após o jantar, caminharam pela praia sob a luz da lua cheia. A areia branca de Trancoso era macia sob descalços, e o som das ondas criava uma trilha sonora, hipnótica, para a conversa que fluía surpreendentemente fácil entre eles.
“Você se arrepende?”, perguntou Pedro Henrique quando pararam para observar a lua refletida na água. “De quê?” “De ter aceitado se casar comigo, de estar aqui fingindo algo que não somos?” Camila considerou a pergunta cuidadosamente. Não respondeu finalmente. E você? Não ele disse. Mas havia surpresa em sua voz, como se a resposta o tivesse surpreendido também.
Quando voltaram para a suí, a tensão que havia se acumulado durante o dia tornou-se quase palpável. Pedro Henrique insistiu em dormir no sofá, apesar dos protestos de Camila, e ela se retirou para o quarto com uma sensação estranha de decepção, mas às 2as da madrugada foi acordada por sons vindos da sala, gemidos baixos, palavras fragmentadas que não conseguia entender. Pedro Henrique estava tendo um pesadelo.
Camila levantou-se e o encontrou contorcendo-se no sofá, o rosto contraído em anguish. Suas mãos agarravam o lençol como se estivesse lutando contra algo invisível. Isabela, eu, não, eu deveria ter ido com você. O nome saído de seus lábios em agonia fez Camila compreender que ele ainda revivia a noite em que perdeu a esposa.
Sem pensar, aproximou-se e tocou levemente seu ombro. Pedro Henrique, sussurrou. Acorde, é só um pesadelo. Ele despertou abruptamente, os olhos arregalados e desorientados. Por um momento, pareceu não reconhecê-la. Depois, a realidade voltou e ele se sentou, passando as mãos pelos cabelos desarrumados. “Resculpe”, murmurou a voz rouca.
“Não queria acordá-la. Não se desculpe.” Camila sentou-se na beirada do sofá, consciente de que vestia apenas uma camisola de algodão. “Quer conversar sobre isso, Pedro Henrique? a observou na penumbra. Ela podia ver o contorno de seu peito nu, a forma como respirava ainda irregularmente. Havia algo vulnerável em sua expressão que contrastava completamente com o homem controlado que conhecera.
Sempre tenho o mesmo pesadelo”, disse ele. “Finalmente revivo a noite do acidente. Fico pensando que se tivesse insistido para ir com ela, talvez, talvez vocês dois tivessem morrido”, completou Camila suavemente. “Não pode viver se culpando pelo que não pôde controlar. Todos me dizem isso, mas você não acredita. É difícil.
Ela era tão viva, difícil aceitar que toda aquela energia, aquela alegria, simplesmente desapareceu. Camila observou o perfil de Pedro Henrique recortado contra a luz da lua que entrava pela varanda. Havia algo naquele momento, na intimidade da madrugada, na vulnerabilidade de ambos, que fez todas as barreiras que haviam construído parecerem artificiais. “Quer que eu faça um chá?”, ofereceu ela.
Sempre ajuda meu pai quando tem insônia. Você não precisa, eu quero. Quando voltou da pequena cozinha da suí com duas xícaras de chá de camomila, encontrou Pedro Henrique vestindo uma camiseta. Eles se sentaram na varanda, observando o oceano sob a luz da lua. “Camila, disse ele depois de um longo silêncio. Obrigado. Por quê? por não fazer perguntas, por não tentar me convencer de que preciso seguir em frente ou qualquer outro clichê bem intencionado. Cada pessoa lida com a perda do seu jeito.
Não cabe a mim julgar. Pedro Henrique a olhou com uma expressão que ela não conseguiu interpretar. Você é diferente do que esperava, diferente como, mais compreensiva, mais real, permaneceram em silêncio até o chá terminar. Quando Camila se levantou para voltar ao quarto, Pedro Henrique segurou seu punho delicadamente. Camila, sim.
Você Você gostaria de dormir aqui na varanda? Quero dizer, há uma rede grande e às vezes ajuda a não estar sozinho. A pergunta foi feita com hesitação, como se ele temesse a resposta. Camila olhou para a rede dupla que balançava suavemente na brisa noturna. Só para dormir”, esclareceu ele rapidamente. “Não, não estou sugerindo. Eu sei”, interrompeu ela. “E sim, gostaria.
” Acomodaram-se na rede, mantendo uma distância respeitosa entre eles, mas conforme a noite avançava e o sono os vencia, encontraram-se naturalmente mais próximos. Quando Camila acordou no dia seguinte, estava aninhada contra o peito de Pedro Henrique, sua cabeça descansando no ombro dele. Por um momento, permaneceu imóvel, consciente do braço dele ao redor de sua cintura, do ritmo regular de sua respiração, do aroma masculino de sua pele.
Era uma intimidade que não haviam planejado, mas que parecia estranhamente natural. Quando ele acordou e percebeu a posição em que estavam, seus olhos se encontraram com uma intensidade que fez o coração de Camila acelerar. Por um momento, pareceu que ele iria dizer algo importante, mas então se afastou delicadamente.
“Bom dia”, disse ele, a voz ligeiramente rouca. “Bom dia”, respondeu ela, tentando ignorar a sensação de perda quando ele se afastou. Mas quando se levantaram para tomar café da manhã, havia algo diferente no arre. uma tensão nova, mais complexa, que sugeria que as linhas cuidadosamente traçadas de seu acordo começavam a se embaixar de formas que nenhum dos dois havia antecipado.
O terceiro dia em trancoso, amanheceu com um céu azul perfeitamente limpo e uma brisa que trazia o aroma de água do mar misturado com flores tropicais. Camila acordou na rede da varanda, mas desta vez sozinha. Pedro Henrique já havia se levantado e estava na cozinha preparando café. Havia algo doméstico na cena que a fez parar na porta por um momento, observando-o.
Vestia apenas uma bermuda de praia e ela pôde ver como os músculos de suas costas se moviam enquanto ele mexia algo no fogão. Havia uma naturalidade em seus movimentos que contrastava com a formalidade que mantinha na maior parte do tempo. “Bom dia”, disse ela entrando na cozinha. Bom dia.
Ele se virou com um sorriso que parecia mais relaxado que nos dias anteriores. Estava fazendo panquecas. Espero que goste. Você cozinha? Isabela me ensinou algumas coisas básicas. Dizia que um homem adulto deveria ser capaz de se alimentar sem depender de empregados.
Era a primeira vez que ele mencionava a primeira esposa sem aquela sombra de dor nos olhos. Havia carinho na lembrança, mas não a angústia que Camila havia observado antes. Ela estava certa, comentou Camila, aceitando a xícara de café que ele lhe ofereceu. Meu pai sempre fez questão que Júlia e eu soubéssemos cozinhar, mesmo ele sendo excelente na cozinha. Você sente falta dele, de sua família? Muito.
Mas há algo libertador em estar longe também. Poder ser apenas eu mesma, sem me preocupar se estou sendo forte o suficiente para todos. Pedro Henrique a observou com curiosidade. Você é a que cuida de todos, não é? Desde que minha mãe morreu, quando eu tinha 16 anos, alguém precisava. E quem cuida de você? A pergunta pegou Camila desprevenida. Ninguém nunca havia perguntado isso antes. Eu cuido de mim mesma.
Isso não é a mesma coisa. Havia algo na forma como ele disse isso, observando-a com aquela intensidade dourada que fez Camila sentir que ele entendia mais sobre carregar responsabilidades do que mostrava. Após o café da manhã, Pedro Henrique sugeriu um passeio de barco para conhecer as piscinas naturais. O barqueiro, um homem local de pele bronzeada e sorriso fácil, os tratou como qualquer casal de lua de mel, fazendo piadas sobre o amor jovem e sugerindo os melhores pontos para momentos românticos. “Primeira vez em
Trancoso?”, perguntou o barqueiro enquanto navegavam pela costa. “Primeira vez na Bahia”, respondeu Camila, maravilhada com a cor azul turquesa da água. Ah, então o senhor escolheu o paraíso para impressionar a esposa. Pedro Henrique sorriu. Estava tentando impressioná-la desde que a conheci.
A resposta foi dada com leveza para manter a farsa. Mas quando Camila o olhou, havia algo em seus olhos que a fez questionar se era realmente apenas atuação. As piscinas naturais eram um espetáculo de água cristalina, onde peixes coloridos nadavam sem medo dos visitantes. Pedro Henrique ajudou Camila a descer do barco, suas mãos firmes na cintura dela enquanto a guiava pela água até os joelhos.
“Consegue nadar?”, perguntou ele. Sim, mas não sou nenhuma especialista, então vou ficar perto. E ficou. Durante toda a experiência de mergulho com Snorkel, Pedro Henrique permaneceu ao lado de Camila, apontando peixes diferentes, ajudando-a a ajustar a máscara quando a água entrava, guiando-a pelos corais com uma mão protetora sempre perto.
Havia algo hipnótico na forma como ele se movia na água, como se fosse seu elemento natural. Quando emerge depois de um mergulho mais fundo, o cabelo escuro colado à cabeça e gotas escorrendo pelos ombros bronzeados, Camila sentiu algo apertar em seu peito. “Viu os peixes, anjo?”, perguntou ele, aproximando-se tanto que ela podia sentir o calor de seu corpo mesmo dentro da água fresca.
Lindos”, murmurou ela, mas não estava olhando para os peixes. Pedro Henrique pareceu perceber a direção de seu olhar, porque sua expressão ficou mais intensa. Por um momento, flutuaram ali na água cristalina, apenas se observando. E Camila teve a sensação estranha de que algo fundamental estava mudando entre eles.
“Camila,”, começou ele, a voz mais baixa. O que foi? Mas ele pareceu se recompor, afastando-se ligeiramente. “Nada, devemos voltar. O barqueiro está esperando. Durante o trajeto de volta, sentaram-se lado a lado na proa do barco. O vento fazia os cabelos de Camila voarem e ela notou como Pedro Henrique observava os fios dourados pelo sol dançando ao redor de seu rosto.
“Posso fazer uma pergunta pessoal?”, disse ele de repente. “Claro. Você já esteve apaixonada?” A pergunta a surpreendeu. Uma vez na faculdade durou se meses. O que aconteceu? Ele queria uma namorada que estivesse sempre disponível. Eu tinha aulas de manhã, trabalho à tarde, cuidava do pai à noite.
Não sobrava muito tempo para romance e, desde então alguns encontros, nada sério. Camila o olhou de lado. Porque está perguntando? Curiosidade, disse ele. Mas havia algo mais em sua expressão. Você merece alguém que entenda suas prioridades. E você, depois de Isabela, houve alguém? Não a resposta foi imediata. Não conseguia imaginar até até Pedro Henrique a olhou diretamente até recentemente.
O resto da viagem transcorreu em silêncio, mas era um silêncio denso de significados não ditos. Quando chegaram ao hotel, o sol começava a se pôr, pintando o céu de trancoso em tons de ouro e rosa. “Quer jantar na praia hoje?”, sugeriu Pedro Henrique. “O hotel tem um serviço especial para casais”. Casais? A palavra não deveria mais soar estranha, mas ainda causava um pequeno flutter no estômago de Camila.
O jantar foi servido em uma mesa para dois, montada diretamente na areia, com tochas CIC, criando uma iluminação íntima e romântica. O cardápio incluía lagosta grelhada, risoto de camarão e uma sobremesa de frutas tropicais que o chefe havia preparado especialmente para a lua de mel. Isso é surreal”, comentou Camila, observando as ondas que quebravam a poucos metros de distância.
No bom sentido, no sentido de que parece um sonho. Há uma semana eu era apenas uma enfermeira endividada e agora estou jantando lagosta na praia de Trancoso com um com você, com seu marido, completou Pedro Henrique suavemente. Tecnicamente, tecnicamente, concordou ele, mas havia algo em seus olhos que sugeria que a distinção estava se tornando menos clara para ambos.
Durante a sobremesa, Pedro Henrique se inclinou sobre a mesa. Camila, posso confessar algo? Claro, esta semana está sendo diferente do que esperava. Diferente como? Melhor, muito melhor. Ele fez uma pausa, como se escolhesse as palavras cuidadosamente. Você me faz rir. Me faz lembrar como é ter conversas que não sejam apenas sobre negócios ou obrigações.
Você também, admitiu ela. Faz tempo que não me sinto tão leve, leve, sem a responsabilidade de cuidar de todos, de ser sempre a forte. Com você, posso ser apenas eu. Pedro Henrique estendeu a mão sobre a mesa e desta vez Camila não hesitou em entrelaçar os dedos com os dele. O toque não era mais apenas cortesia ou necessidade da farça, era algo que ambos desejavam.
“Camila, disse ele, a voz rouca com emoção. Preciso te dizer algo. O quê? Eu eu acho que estou começando a Pedro Henrique uma voz feminina interrompeu o momento. Ambos se viraram para ver uma mulher alta, loira, de aparência sofisticada, aproximando-se da mesa.
Vestia um vestido de praia designer e tinha o tipo de beleza polida que falava de muito dinheiro e manutenção regular em espaç. Viviane”, disse Pedro Henrique e Camila notou como sua expressão se fechou imediatamente. “Que coincidência incrível!” A mulher beijou ambas as bochechas de Pedro Henrique com familiaridade. Estava com umas amigas no hotel do lado e alguém comentou ter visto você. Pensei: “Não pode ser o Pedro Henrique. Ele nunca sai da fazenda”.
Pedro Henrique se levantou educadamente. Viviane, esta é minha esposa. Camila. Camila. Viviane Caldas. uma antiga conhecida esposa. Viviane olhou para Camila com surpresa mal disfarçada, os olhos percorrendo seu vestido simples, com uma avaliação rápida e pouco lisongeira. Quando vocês se casaram, não vi nada nos jornais. Recentemente, respondeu Pedro Henrique com frieza. Foi uma cerimônia íntima.
Que interessante. Viviane sorriu, mas havia algo afiado na expressão. E onde vocês se conheceram? Camila sentiu a tensão emanando de Pedro Henrique e compreendeu instintivamente que aquela mulher representava algum tipo de ameaça ao frágil equilíbrio que haviam construído no hospital, respondeu ela com firmeza. Eu sou enfermeira.
Enfermeira? Repetiu Viviane como se estivesse experimentando o sabor da palavra. Que nobre. O tom condescendente fez Camila sentir como se tivesse encolhido. Pedro Henrique pareceu perceber, porque sua postura ficou ainda mais rígida. Viviane, se me der licença, estávamos tendo uma conversa privada. Claro, claro. Só queria cumprimentar. Isabela sempre dizia que você precisava conhecer pessoas novas.
Viviane sorriu com malícia. Tenho certeza de que ela aprovaria sua escolha. A menção a Isabela foi como um balde de água fria. Pedro Henrique ficou pálido e Camila viu toda uma intimidade que haviam construído durante a semana se dissolver em segundos. Foi um prazer conhecê-la, Camila, disse Viviane com falsa simpatia. Pedro Henrique, não seja estranho. Você sabe onde me encontrar.
Depois que ela se afastou, um silêncio pesado desceu sobre a mesa. Pedro Henrique havia se retraído completamente de volta à máscara de controle que usava no primeiro dia que se conheceram. “Quem é ela?”, perguntou Camila suavemente. “Uma antiga amiga de Isabela. Elas frequentavam os mesmos círculos sociais.
E sua, Pedro Henrique hesitou. Viviane e eu saímos algumas vezes antes de eu conhecer Isabela. Depois que Isabela morreu, ela tentou retomar contato algumas vezes. Camila sentiu algo frio se instalar no estômago. Vocês namoraram brevemente há muito tempo. E ela ainda tem interesse em você? Não era uma pergunta e Pedro Henrique não a tratou como tal.
Viviane tem interesse no que represento. A posição social, o dinheiro, como eu disse Camila Baixinho. Não, a resposta foi imediata e feroz. Não é nada como você, mas o estrago estava feito. A magia da noite havia sido quebrada e ambos estavam subitamente conscientes da artificialidade de sua situação.
Eram estranhos, fingindo ser apaixonados, e, por um momento, haviam esquecido que era apenas uma performance. “Devemos voltar”, disse Camila, levantando-se. “Camila, espere! Está tudo bem, Pedro Henrique? Viviane apenas nos lembrou da realidade, mas quando caminharam de volta para a suí em silêncio, Camila não conseguia esquecer o momento antes da interrupção, quando Pedro Henrique estava prestes a confessar algo importante, e mais perturbador ainda, era admitir para si mesma que queria desesperadamente saber o que ele ia dizer. A última noite em Trancoso,
chegou carregada de uma tensão que nenhum dos dois sabia como resolver. Desde o encontro com Viviane, Pedro Henrique havia se retraído, voltando à formalidade dos primeiros dias, e Camila se sentia perdida, tentando navegar as águas turbulentas dos sentimentos que não deveria estar desenvolvendo.
Jantaram na suí em um silêncio que foi se tornando cada vez mais desconfortável. Pedro Henrique respondia suas tentativas de conversa com o monossílabus e Camila finalmente desistiu, concentrando-se na vista do oceano através da varanda. Vou fazer as malas”, disse ela depois do jantar, levantando-se da mesa. “Camila”, a voz dele a deteve no meio do movimento.
“Podemos conversar?” Ela se virou, observando como ele permanecia sentado, os dedos tamborilar nervosamente na mesa. “Sobre o quê?” “Sobre ontem à noite. Sobre o que eu estava tentando dizer antes de Viviane aparecer. O coração de Camila acelerou, mas ela tentou manter a voz firme. Não precisa explicar nada.
Entendo que ver uma antiga conhecida possa ter trazido memórias. Não são memórias de Viviane que me perturbam. Pedro Henrique se levantou, caminhando até a varanda, onde a brisa noturna fazia as cortinas dançarem. São os sentimentos que estava desenvolvendo por você. A confissão ficou suspensa no arre. Camila sentiu como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés.
Pedro Henrique, sei que não era parte do acordo”, continuou ele de costas para ela, observando o mar. “Sei que é complicado e provavelmente estúpido, mas não posso mais fingir que isto é apenas um arranjo comercial.” Camila aproximou-se lentamente, parando ao lado dele na varanda. “O que você está dizendo?” Ele se virou para encará-la e havia uma vulnerabilidade em seus olhos que a fez compreender que aquele momento definiria tudo entre eles.
Estou dizendo que em apenas uma semana você conseguiu fazer algo que pensei ser impossível. Me fez querer tentar de novo, querer sentir de novo. Ele estendeu a mão, tocando delicadamente seu rosto. Estou dizendo que estou me apaixonando por você. As palavras ecoaram entre eles como um eco de algo fundamental e irreversível. Camila sentiu os olhos se encherem de lágrimas, não de tristeza, mas de uma emoção tão intensa que não sabia como processar. Eu também”, sussurrou ela. “Não sei o que fazer com isso. Nem eu.
” Pedro Henrique sorriu tristemente. Não fazia parte do planejamento de nenhum de nós, mas está acontecendo. Está acontecendo. Permaneceram assim por um momento, apenas se observando sob a luz da lua, conscientes de que haviam cruzado uma linha da qual não haveria volta. “E agora?”, perguntou Camila. “Como fazemos isso funcionar?” Não sei, admitiu Pedro Henrique.
Só sei que quando imagino você indo embora depois de dois anos, quando imagino voltar àela vida vazia que levava antes de te conhecer, ele fez uma pausa. A voz rouca com emoção. Não consigo imaginar. Pedro Henrique, posso beijá-la? A pergunta foi feita com hesitação, como se ele temesse a resposta. De verdade, desta vez não apenas para manter as aparências.
Em resposta, Camila se aproximou mais, erguendo o rosto para ele. O beijo foi diferente de tudo que ela havia experimentado. Começou suave, quase tímido, mas foi se aprofundando conforme ambos perceberam que finalmente podiam parar de fingir. As mãos de Pedro Henrique se enroscaram em seus cabelos e Camila sentiu como se estivesse se dissolvendo no calor de seus braços.
Havia anos de solidão e responsabilidades sendo lavados por aquele momento de pura conexão. Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. “Camila, murmurou Pedro Henrique contra seus lábios. Posso continuar amando você?” A pergunta foi feita com uma simplicidade que contrastava com sua profundidade.
Camila compreendeu que ele estava pedindo permissão não apenas para amá-la, mas para deixar Isabela descansar em paz e seguir em frente. “Sim”, sussurrou ela. “Pode? E pela primeira vez desde que se conheceram, quando ele a beijou novamente, não havia nada de fingido ou performático no gesto. Era apenas um homem e uma mulher, descobrindo que, às vezes, o amor encontra as formas mais inesperadas de florescer.
Mas conforme a noite avançava e eles conversavam na varanda, entrelaçados na rede sob as estrelas, uma pergunta permanecia não respondida. Como transformar um casamento de conveniência em algo real quando o mundo inteiro esperava que fosse apenas uma farsa? Você tem medo? Perguntou Camila quando as primeiras luzes do amanhecer começaram a pintar o horizonte. Muito admitiu Pedro Henrique.
E você, apavorada. Ambos riram e havia algo libertador na honestidade compartilhada. Mas sabe de uma coisa? disse Pedro Henrique, beijando a testa dela suavemente. Pela primeira vez em três anos. Estou ansioso para descobrir o que o futuro reserva. E quando embarcaram no avião de volta para Minas Gerais, algumas horas depois, havia entre eles uma clicidade nova, a consciência de que haviam embarcado em uma jornada muito mais complexa e perigosa do que um simples contrato matrimonial.
haviam se apaixonado e agora precisavam descobrir se era possível construir algo real sobre fundações que haviam começado como uma mentira. A fazenda Santa Helena se estendia por milhares de hectares entre montanhas verdes e pastagens que pareciam não ter fim.
Quando chegaram no final da tarde, o sol dourado de Minas Gerais criava sombras longas que dançavam entre os eucaliptos e o gado Nelore, que pastava tranquilamente. “É maior do que imaginava”, comentou Camila, observando a paisagem pela janela do carro. “São 15.000 haares”, disse Pedro Henrique, dirigindo pela estrada de terra que levava à sede. “Meu bisavô comprou as primeiras terras em 1920. Cada geração foi expandindo.
A casa principal era uma construção imponente que misturava a arquitetura colonial com elementos modernos. Varandas amplas contornavam toda a estrutura e jardins bem cuidados criavam um oasis de cores em meio à vastidão rural. Dona Camila, uma mulher de meia idade, cabelos grisalhos presos em um coque, desceu as escadas da varanda com um sorriso caloroso.
Que alegria finalmente conhecê-la. Camila, esta é dona Nazaré”, apresentou Pedro Henrique. “Ela cuida da casa há 20 anos. É praticamente família. Imagino como deve estar cansada da viagem”, disse dona Nazaré envolvendo Camila em um abraço maternal. Preparei o quarto principal, mas se precisar de alguma coisa, o quarto principal? Camila olhou para Pedro Henrique, que pareceu ligeiramente desconfortável.
“Achei melhor”, disse ele, para manter as aparências com os funcionários. Camila assentiu compreendendo que mesmo na fazenda eles precisariam continuar representando o papel de casal apaixonado. Mas agora, depois das confissões em Trancoso, a linha entre performance e realidade havia se tornado ainda mais tênue. O quarto principal era amplo e arejado, com uma cama kingsize, varanda privativa com vista para as montanhas e móveis rústicos que combinavam perfeitamente com o ambiente rural.
Havia apenas um guarda-roupa, uma poltrona e uma escrivaninha, claramente um espaço pensado para um casal. “Eu posso dormir na poltrona”, ofereceu Pedro Henrique assim que ficaram sozinhos. Pedro Henrique, isso é ridículo. É uma cama enorme. Somos adultos. Você tem certeza? Havia algo na forma como ele perguntou, observando-a com aquela intensidade dourada que fez Camila compreender que ele estava se referindo a muito mais do que apenas arranjos para dormir. Tenho certeza.
Naquela primeira noite na fazenda, jantaram na varanda com dona Nazaré e seu marido, seu Antônio, o capataz da propriedade. A conversa fluiu naturalmente. Eles queriam saber sobre a lua de mel, sobre os planos de Camila para a nova vida, sobre quando poderiam esperar pequenos andrades correndo pela casa.
Camila sentiu as bochechas corarem com a última pergunta e Pedro Henrique rapidamente mudou de assunto, mas ela notou como seus olhos se demoraram nela com uma expressão especulativa. “É uma tradição na família”, explicou dona Nazaré mais tarde enquanto mostrava a Camila os cômodos da casa. Sempre houve muitas crianças por aqui.
A casa parece vazia sem o som de risadas infantis. “Você e Pedro Henrique já conversaram sobre filhos?”, perguntou inocentemente. “Ainda não tivemos tempo”, respondeu Camila diplomaticamente, mas a pergunta a seguiu pelo resto da noite. Quando finalmente se recolheram ao quarto, uma nova tensão havia se instalado entre eles.
Em Trancoso, dividir a rede havia parecido natural, quase inevitável, mas compartilhar uma cama em um quarto, que seria deles pelos próximos dois anos, parecia um passo muito mais definitivo. “Posso tomar banho primeiro?”, perguntou Camila, tentando quebrar o silêncio. Claro, toalhas estão no armário do banheiro. O banheiro da suí era luxuoso, mas acolhedor, com uma banheira de hidromassagem e um chuveiro amplo.
Camila tomou um banho demorado, tentando relaxar os músculos tensos e organizar os pensamentos. Quando saiu, vestindo uma camisola de algodão branco, encontrou Pedro Henrique na varanda observando as estrelas. Ele havia trocado o terno por uma calça de moletom e uma camiseta.
E havia algo na casualidade de sua aparência que a fez ver novamente o homem vulnerável que havia conhecido em Trancoso. “Não consegue dormir?”, perguntou ela, aproximando-se, ainda me ajustando à ideia de que você está aqui. “Na minha casa.” “Nossa casa?”, corrigiu ela suavemente. Pedro Henrique se virou para olhá-la e havia algo em seus olhos que fez o coração de Camila acelerar.
“Nossa! casa, repetiu como se estivesse experimentando o sabor das palavras. Eles se deitaram, mantendo uma distância respeitosa, mas conforme a noite avançava encontraram-se naturalmente mais próximos. Quando Camila acordou na manhã seguinte, estava aninhada contra o peito de Pedro Henrique, e, desta vez nenhum dos dois se afastou imediatamente. “Bom dia”, murmurou ele. A voz rouca de sono.
“Bom dia!”, permaneceram assim por alguns minutos, simplesmente aproveitando a intimidade matinal, até que, batidas na porta, os trouxeram de volta à realidade. “Seu Pedro, dona Camila.” A voz de dona Nazaré soava animada. O café da manhã está pronto. Os dias que se seguiram estabeleceram uma rotina estranhamente doméstica.
Pedro Henrique trabalhava no escritório da fazenda durante as manhãs, lidando com questões da empresa, enquanto Camila explorava a propriedade, conhecia os funcionários e gradualmente se adaptava à vida rural. Havia algo terapêutico na vastidão dos campos, na simplicidade da vida longe da cidade. Camila descobriu que adorava caminhar entre as pastagens ao final da tarde, observando o gado e respirando o ar puro das montanhas.
“Está se adaptando bem”, comentou Pedro Henrique uma noite, encontrando-a na varanda depois do jantar. Melhor do que esperava. é pazoso aqui, diferente da vida na cidade, muito diferente, mas bom diferente. Pedro Henrique se sentou ao lado dela na rede e ela automaticamente se aconchegou contra seu ombro. Havia se tornado um ritual, essas conversas noturnas na varanda observando as estrelas e planejando o dia seguinte.
Camila, disse ele numa dessas noites. Preciso falar sobre algo importante. O que foi a empresa? Há uma reunião do conselho na próxima semana em Belo Horizonte. Será a primeira vez que você aparecerá publicamente como minha esposa. Camila sentiu um frio no estômago. Isso significa significa que haverá questionamentos sobre como nos conhecemos, sobre nossos planos, sobre a natureza de nosso relacionamento. E o que vamos dizer? Pedro Henrique ficou em silêncio por um momento.
A verdade que nos conocemos, nos apaixonamos e decidimos nos casar. É a verdade, ele a olhou diretamente. Para mim, sim. Não começou assim, mas se tornou a verdade. Camila sentiu algo aquecer em seu peito. Para mim também, então é isso que diremos. Mas conforme a data da reunião se aproximava, ambos perceberam que declarar publicamente que seu casamento havia se tornado real seria apenas o primeiro de muitos desafios que teriam de enfrentar.
E quando Pedro Henrique recebeu uma chamada inesperada de Viviane Caldas, perguntando se poderiam tomar um café para conversar sobre negócios, ambos souberam que as complicações estavam apenas começando. A ligação de Viviane chegou numa manhã de terça-feira, quando Camila estava ajudando dona Nazaré na horta da fazenda. Pedro Henrique atendeu no escritório e ela pôde ouvir sua voz tensa através da janela aberta.
Não vejo necessidade de uma reunião, Viviane. Não, minha situação pessoal não é assunto de negócios. Viviane, eu disse não. Quando ele desligou com mais força que o necessário, Camila se aproximou da janela. Pedro Henrique estava passando as mãos pelos cabelos, uma expressão de frustração estampada no rosto.
Problemas? perguntou ela entrando no escritório. Viviane está tentando marcar uma reunião. Diz que tem uma proposta comercial interessante para discutir. E você acredita que é apenas comercial? Pedro Henrique riu amargamente. Viviane nunca fez nada em sua vida que não fosse calculado para seu próprio benefício.
Se está interessada em me encontrar, as segundas intenções. Então não vá. Não é tão simples. A família dela tem negócios com a nossa há décadas. Recusar sem um motivo válido poderia criar problemas comerciais. Camila observou a tensão em seus ombros, a forma como ele tamborilar os dedos na mesa, sinais de estress que havia aprendido a reconhecer.
“Quer que eu vá com você?” Pedro Henrique a olhou com surpresa. “Você faria isso? Somos casados, lembra? É natural que a esposa acompanhe o marido em reuniões sociais.” Um sorriso lento se espalhou pelo rosto de Pedro Henrique. Viviane odiaria isso. Então definitivamente vou. A reunião foi marcada para quinta-feira no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.
Viviane sugeriu o café do teatro, um lugar neutro e civilizado para uma conversa entre pessoas adultas. Camila escolheu cuidadosamente o que vestir. Um conjunto azul marinho elegante, mas não ostensivo, cabelos presos em um coque sofisticado e apenas uma maquiagem discreta. Queria parecer confiante, mas não como se estivesse tentando competir.
“Você está linda”, disse Pedro Henrique quando saíram da fazenda. “E obrigado por fazer isso. Fazemos isso juntos”, respondeu ela, cobrindo a mão dele no câmbio do carro. Essa é a vantagem de ser casada com alguém. Viviane já estava esperando quando chegaram, sentada em uma mesa estrategicamente posicionada com vista para a entrada.
Vestia um vestido branco designer que realçava o bronzeado perfeito e joias que provavelmente custavam mais que o carro de Camila. Pedro Henrique levantou-se com um sorriso radiante, beijando ambas as bochechas dele com familiaridade. E Camila, que surpresa agradável. O Tom sugeria que não havia nada de agradável na surpresa.
Viviane, cumprimentou Pedro Henrique formalmente. Você disse que tinha uma proposta comercial, sempre direto ao ponto rio Viviane, gesticulando para que se sentassem. Admiro isso em você, mas primeiro, como foi a lua de mel? Trancoso é divino, não é? Foi maravilhosa, respondeu Camila antes que Pedro Henrique pudesse falar. Perfeita para conhecermos melhor um ao outro.
Que romântico! E agora estão morando na fazenda? Deve ser uma mudança e tanto para você, Camila, saindo da cidade para o interior. Na verdade, estou amando a tranquilidade, o contato com a natureza. Camila sorriu. Pedro Henrique tem me mostrado todos os cantos especiais da propriedade.
Todos os cantos especiais, repetiu Viviane com um sorriso que não alcançou os olhos. Que íntimo. Pedro Henrique interveio. Viviane, sobre essa proposta. Ah, sim. Bem, como você sabe, papai está expandindo os negócios para o setor de energias renováveis. Temos identificado algumas oportunidades interessantes para parcerias com produtores rurais.
Por 20 minutos, Viviane apresentou uma proposta detalhada de instalação de painéis solares em propriedades rurais com a empresa Andrade, fornecendo as terras e a empresa Caldas a tecnologia e o financiamento. Era, Camila, precisou admitir, uma proposta comercial legítima e potencialmente lucrativa. Interessante, comentou Pedro Henrique quando ela terminou. Pode enviar os detalhes por e-mail. Vou analisar com minha equipe jurídica.
Claro, mas havia esperado que pudéssemos discutir alguns pontos hoje. Viviane se inclinou sobre a mesa, sua decote se tornando mais evidente. Talvez possamos marcar uma reunião mais formal, a sós para podermos entrar nos aspectos técnicos. Não será necessário disse Camila suavemente. Eu tenho experiência em administração hospitalar, então entendo bem de gestão e contratos.
Posso acompanhar Pedro Henrique em qualquer reunião? Ah, Viviane pareceu momentaneamente desconcertada. Que útil! Muito útil!”, concordou Pedro Henrique, cobrindo a mão de Camila com a sua sobre a mesa. Camila tem um olhar muito perspicaz para negócios. O resto da reunião transcorreu em um clima de polidez tensa.
Viviane fez mais algumas tentativas de monopolizar a atenção de Pedro Henrique, mas Camila participou ativamente de cada conversa, demonstrando conhecimento sobre os negócios da família Andrade, que claramente surpreendeu a outra mulher. “Bem”, disse Viviane, finalmente consultando um relógio caro. “Preciso ir. Foi um prazer vê-los novamente.
Quando se levantou para se despedir, beijou Pedro Henrique um pouco mais próximo dos lábios que seria apropriado, e Camila sentiu algo queimar em seu peito que reconheceu como ciúme. Camila Viviane se virou para ela com um sorriso perfeitamente educado. Cuidado para não se perder nesse mundo novo. Às vezes as diferenças sociais podem se tornar complicadas.
A observação foi feita com um tom aparentemente inocente, mas o veneno estava lá. Camila sorriu de volta com igual educação. Obrigada pela preocupação, Viviane, mas tenho descoberto que quando duas pessoas se amam de verdade, as diferenças externas se tornam irrelevantes. Que romântico! Disse Viviane. Mas havia algo afiado em seus olhos.
Depois que ela saiu, Pedro Henrique e Camila permaneceram sentados em silêncio por alguns momentos. “Você foi incrível”, disse ele finalmente. “Foi a forma como lidou com ela, como participou da conversa. Viviane não esperava encontrar resistência. Ela ainda está interessada em você. Eu sei, mas não me interessa.
Mesmo que ela seja mais adequada ao seu mundo, Pedro Henrique se virou para encará-la completamente. Camila, você está questionando se me interesso por você por causa do que Viviane disse, não é? Camila baixou a voz. Pedro Henrique, sejamos honestos. Eu sou uma enfermeira de Belo Horizonte que aceitou se casar por dinheiro.
Ela é uma herdeira que cresceu no mesmo mundo que você. E exatamente por isso que ela não me interessa. Pedro Henrique pegou as mãos de Camila entre as suas. Viviane representa tudo que é artificial em minha vida. Estatus, aparências, conveniência social. Você representa tudo que é real. Real? Honestidade, coragem, a disposição de trabalhar por seus objetivos em vez de apenas herdá-los.
A capacidade de amar sem segundas intenções. Camila sentiu os olhos se encherem de lágrimas. Como pode ter tanta certeza? Porque nas últimas semanas você me fez sentir mais vivo do que me senti em três anos. Porque quando olho para você, vejo um futuro que quero construir, não apenas uma obrigação que preciso cumprir.
Ele se inclinou sobre a mesa e a beijou suavemente ali no meio do café, sem se importar com quem pudesse estar observando. Agora disse ele quando se separaram, vamos para casa, nossa casa. Mas enquanto dirigiam de volta para a fazenda, Camila não conseguia esquecer o olhar que Viviane lhe havia dirigido antes de sair. Um olhar que prometia que aquela não seria a última vez que suas vidas se cruzariam, e algo lhe dizia que a próxima vez seria muito mais complicada.
A sede da agropecuária Andrade em Belo Horizonte ocupava três andares de um edifício moderno no centro empresarial da cidade. Na manhã da reunião do conselho, Camila observou os executivos chegando através das janelas do escritório de Pedro Henrique, homens de meia idade, internos caros, acompanhados por assistentes eficientes e pastas de couro.
“Nervosa?”, perguntou Pedro Henrique, ajustando a gravata diante do espelho. “Um pouco, admitiu Camila. Nunca estive em uma reunião empresarial desse nível. Você ficará bem, apenas seja você mesma. E se eles não me aprovarem? Pedro Henrique parou de ajustar a gravata e se virou para ela. Camila, você não precisa da aprovação de ninguém. Você é minha esposa. Isso é tudo que importa.
Mas quando entraram na sala de reuniões 20 minutos depois, Camila sentiu o peso de múltiplos olhares a avaliando. A mesa oval acomodava 12 pessoas, conselheiros, diretores e investidores que haviam conhecido Pedro Henrique desde criança. “Senhores”, disse Pedro Henrique puxando uma cadeira para Camila. Gostaria de apresentar formalmente minha esposa, Camila Andrade.
Senora Andrade, cumprimentou Carlos Mendes, o presidente do conselho, um homem de cabelos brancos e olhos perspicazes. É um prazer finalmente conhecê-la. Pedro Henrique foi muito discreto sobre sua vida pessoal. O prazer é meu, senor Mendes respondeu Camila, apertando sua mão com firmeza. Os outros membros se apresentaram um por um e Camila notou como alguns pareciam genuinamente interessados em conhecê-la.
enquanto outros mantinham uma cordialidade formal que não disfarçava sua curiosidade. A reunião começou com questões rotineiras, relatórios financeiros, projeções de safra, investimentos em tecnologia. Camila escutou atentamente, ocasionalmente fazendo anotações, tentando compreender a complexidade dos negócios da família.
Agora, disse Carlos Mendes quando chegaram ao final da agenda formal, acredito que todos estejam curiosos sobre as mudanças na vida pessoal de nosso CEO. Pedro Henrique se endireitou na cadeira. Camila e eu nos casamos no mês passado. Tivemos uma cerimônia íntima e passamos nossa lua de mel em Trancoso. Muito romântico comentou Helena Costa, a única mulher no conselho, além de Camila. E onde vocês se conheceram? no hospital onde Camila trabalha”, respondeu Pedro Henrique.
“Eu estava visitando um funcionário que havia se acidentado. Era uma versão da verdade cuidadosamente construída durante as semanas anteriores. Não era mentira. Eles realmente poderiam ter se conhecido assim. E você deixou a enfermagem para se dedicar à vida de casada?”, perguntou outro conselheiro. “Por enquanto”, respondeu Camila, “stou me adaptando à vida na fazenda e aprendendo sobre os negócios da família.
Futuramente gostaria de talvez aplicar minha experiência em saúde em projetos sociais relacionados à empresa. Projetos sociais? Carlos Mendes pareceu interessado. Camila tem ideias interessantes sobre cuidados médicos preventivos para funcionários rurais, interviu Pedro Henrique.
Estamos discutindo a viabilidade de implementar alguns programas. Era uma improvisação no momento, mas Camila viu como os olhos de alguns conselheiros se iluminaram com interesse genuíno. Que tipo de programas? Perguntou Helena. Camila respirou fundo, decidindo confiar em sua experiência profissional. Exames periódicos básicos, campanhas de vacinação, educação sobre segurança no trabalho.
A prevenção é sempre mais eficiente que o tratamento, tanto em termos humanos quanto econômicos. Interessante”, murmurou Carlos, “e custoso, muito menos que processos trabalhistas ou licenças médicas prolongadas”, respondeu Camila, com confiança crescente. A reunião continuou por mais uma hora, mas a dinâmica havia mudado.
Os conselheiros começaram a incluir Camila naturalmente nas discussões, especialmente quando perceberam que ela tinha insites práticos sobre gestão e cuidados com pessoas. Bem”, disse Carlos quando finalmente se levantaram para sair. “Foi um prazer conhecê-la, Senora Andrade. Espero que mantenha Pedro Henrique nos trilhos. Farei o possível”, respondeu Camila com um sorriso.
Quando ficaram sozinhos no escritório, Pedro Henrique fechou a porta e se encostou nela, observando Camila com admiração. “Você foi brilhante.” Foi? A forma como lidou com as perguntas, como improvisou sobre os projetos sociais. Alguns daqueles homens estão há décadas no conselho e ficaram impressionados. Não estava mentindo sobre os projetos, disse Camila.
Se você topasse, realmente poderíamos implementar programas de saúde preventiva. Você gostaria disso? Adoraria. Seria uma forma de usar minha formação para algo maior. Pedro Henrique se aproximou, colocando as mãos na cintura dela. Viu? Já está pensando como uma andrade. É estranho, admitiu Camila. Por um momento lá dentro esqueci que estava representando um papel. Parecia natural.
Porque não é um papel? Você é minha esposa, independente de como começou. Eles estavam prestes a se beijar quando a secretária bateu na porta. Senr. Andrade, há uma ligação urgente da fazenda. Pedro Henrique atendeu imediatamente e Camila viu sua expressão mudar de relaxada para preocupada. Entendo. Sim, saímos agora. Não, não chame o veterinário ainda. Quero ver primeiro. Ele desligou e se virou para Camila.
Precisamos voltar para a fazenda. Há um problema com o gado. Durante o trajeto de volta, Pedro Henrique explicou que uma parte do rebanho havia apresentado sintomas de uma possível doença que poderia se espalhar rapidamente se não fosse contida. “É sério?”, perguntou Camila. “Pode ser. Se for o que eu suspeito, podemos perder centenas de cabeças de gado.
Quando chegaram à fazenda, encontraram seu Antônio esperando com uma expressão sombria. Dr. Pedro, a situação piorou. Mais 20 animais apresentaram os sintomas. Pedro Henrique correu para os currais e Camila o seguiu. Observando os animais doentes, ela notou algo nos sintomas que lhe pareceu familiar. Pedro Henrique, chamou ela. Posso ver mais de perto? Camila, pode ser contagioso. Eu sei identificar sinais de infecção. Deixe-me olhar.
Depois de examinar cuidadosamente vários animais, Camila se virou para Pedro Henrique com uma expressão pensativa. Não é uma doença, é intoxicação. Como assim? Os sintomas são consistentes com intoxicação alimentar, algo que eles comeram. Camila apontou para uma área específica do pasto.
Verificou se há plantas tóxicas naquela sessão ou algum tipo de contaminação na água. Pedro Henrique e seu Antônio trocaram olhares surpresos. Não pensamos nisso, admitiu o capataz. Mas há uns três dias aplicamos adubo naquela área. Que tipo de adubo? Depois de duas horas investigando, descobriram que um lote de adubo havia sido contaminado durante o transporte e os animais que passaram na área tratada haviam ingerido a substância tóxica.
“Como você soube?”, perguntou Pedro Henrique quando finalmente conseguiram isolar os animais afetados e começar o tratamento adequado. Experiência hospitalar. Já vi muitos casos de intoxicação e os sintomas são similares, independente da espécie. Pedro Henrique a olhou com uma mistura de admiração e algo mais profundo. Você acabou de salvar potencialmente centenas de milhares de reais em prejuízos.
Trabalhamos em equipe disse Camila. É isso que casais fazem. Naquela noite, while eles jantavam na varanda comemorando a resolução da crise, Pedro Henrique ficou em silêncio por longos minutos, observando Camila com uma expressão pensativa. “Em que está pensando?”, perguntou ela. Em como em poucas semanas você se tornou indispensável para a empresa, para a fazenda, para mim. Pedro Henrique.
Estou falando sério, Camila. Hoje, observando você na reunião do conselho, vendo como lidou com a situação do gado, percebi algo. O quê? Que você não é apenas a mulher por quem me apaixonei. Você é a parceira que eu não sabia que precisava. E quando ele a beijou sob as estrelas mineiras, Camila soube que algo fundamental havia mudado entre eles.
Não eram mais duas pessoas fingindo ser casadas. Eram realmente um casal, um time, uma família. Mas conforme os dias passavam, uma nova pressão começou a surgir de amigos, familiares e da sociedade local, todos querendo saber quando poderiam esperar pequenos Andrades correndo pela fazenda.
E essa era uma conversa que nenhum dos dois ainda estava pronto para ter. A pergunta chegou durante um jantar na casa dos pais de Pedro Henrique numa noite de sábado, quando a família se reuniu para comemorar o aniversário de 70 anos de Henrique Andrade Senhor, o patriarca da família. E então disse dona Margarete, mãe de Pedro Henrique, uma senhora elegante de cabelos prateados e olhos astutos.
Quando posso esperar netos? Camila quase engasgou com o vinho. Pedro Henrique parou de cortar a carne, o garfo suspenso no ar. “Mãe”, disse ele com um tom de advertência. “É uma pergunta natural, filho. Vocês estão casados há dois meses. São jovens e saudáveis.” Dona Margarete sorriu para Camila. “Imagino que estejam tentando.” “Mamãe, deixe os meninos em paz”, interveio Henrique, senhor, mas havia um brilho interessado em seus olhos.
“Eles têm tempo.” “To?” Dona Margarete arquejou a sobrancelha. Pedro Henrique tem 38 anos, não está ficando mais jovem. Obrigado pela lembrança! murmurou Pedro Henrique. E Camila é uma jovem saudável, continuou dona Margarete, ignorando a ironia do filho. Seria maravilhoso ter bebês brincando nesta casa novamente.
Camila sentiu o calor subir pelas bochechas. Como explicar que seu casamento havia começado como um contrato comercial e que, apesar dos sentimentos que haviam desenvolvido, ainda não haviam discutido questões tão fundamentais como filhos? Estamos nos conhecendo ainda”, disse ela diplomaticamente. “Há tempo para essas decisões conhecendo?” Dona Margarete pareceu confusa.
“Mas vocês estão casados. O que sua mãe quer dizer?”, explicou Pedro Henrique, pegando a mão de Camila sobre a mesa. “É que ainda estamos na fase de nos adaptarmos à vida de casados.” “Ah, dona Margarete assentiu com compreensão. Claro, Isabela também demorou para se sentir pronta. O nome da primeira esposa de Pedro Henrique criou um silêncio momentâneo na mesa.
Camila sentiu Pedro Henrique ficar tenso ao seu lado. Margarete, disse Henrique Senhor suavemente. Talvez seja melhor não fazer comparações. Não estou fazendo comparações protestou dona Margarete. Estou apenas dizendo que cada casal tem seu tempo. Isabela e Pedro Henrique estavam casados há 3 anos quando ela engravidou. Mãe! Interrompeu Pedro Henrique, a voz controlada mais tensa. Isabela perdeu o bebê.
Você sabe disso. Camila sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Isabela havia engravidado. Pedro Henrique nunca havia mencionado isso. “Desculpe”, murmurou dona Margarete, parecendo perceber seu erro. Não era minha intenção. Está tudo bem, disse Pedro Henrique. Mas Camila podia sentir a tensão emanando dele.
Apenas vamos mudar de assunto. O resto do jantar transcorreu em um clima desconfortável, com conversas forçadas sobre negócios e clima. Camila participou educadamente, mas sua mente girava ao redor da revelação. Pedro Henrique e Isabela haviam perdido um bebê, quanto mais havia em seu passado que ela não conhecia.
Durante o trajeto de volta para a fazenda, permaneceram em silêncio. Só quando chegaram em casa, Pedro Henrique finalmente falou: “Sobre o que minha mãe disse. Você não me contou que Isabela havia engravidado”, disse Camila suavemente. Pedro Henrique parou o carro na entrada da fazenda, mas não desceu imediatamente.
Suas mãos permaneceram no volante, os nós dos dedos brancos de tanta tensão. “Isabela perdeu o bebê no quarto mês de gravidez”, disse ele. Finalmente. A voz rouca com emoção mal contida. Foi, foi devastador para ela, para nós dois. Camila sentiu o coração apertar. Sinto muito, não imaginava. Aconteceu seis meses antes do acidente. Isabela nunca se recuperou completamente da perda.
Acho que acho que ela morreu ainda carregando aquela dor. Por isso você nunca falou sobre ter filhos. Pedro Henrique finalmente se virou para olhá-la. Camila, quando aceitei sua proposta de casamento, filhos nem passaram pela minha cabeça. Era apenas um contrato, lembra? E agora? A pergunta ficou suspensa no ar entre eles.
Pedro Henrique desligou o motor e o silêncio da noite rural os envolveu. Agora tudo mudou, admitiu ele, mas não sei se estou pronto para pensar em em possibilidades que podem não dar certo. Camila compreendeu. A perda do filho com Isabela havia deixado cicatrizes profundas que ele ainda não havia processado completamente.
Não precisamos decidir nada agora, disse ela, tocando suavemente seu braço. Só precisamos ser honestos um com o outro sobre o que sentimos e o que você sente? Camila respirou fundo. Sinto que pela primeira vez na vida, estou descobrindo quem posso ser quando não estou apenas sobrevivendo. E sinto que que gostaria de explorar todas as possibilidades que isso inclui. Pedro Henrique segurou sua mão. Inclusive filhos, inclusive filhos.
Mas apenas se for algo que nós dois queiramos quando estivermos prontos, minha família vai pressionar, então aprenderemos a lidar com a pressão juntos. Naquela noite, deitados na cama que haviam começado a dividir naturalmente, Pedro Henrique contou mais sobre a gravidez perdida, sobre como Isabela havia se culpado, sobre como eles tentaram ter outro filho, mas ela nunca conseguiu engravidar novamente.
Ela dizia que estava quebrada, murmurou ele na escuridão, que não conseguia me dar o que eu mais queria. “E o que você mais queria?”, perguntou Camila suavemente. Na época um filho, mas agora, agora eu quero apenas você, feliz, saudável, aqui comigo. Camila se virou para encará-lo, mesmo na escuridão.
E se eu quiser filhos no futuro, então tentaremos, mas sem pressão, sem cronogramas, sem expectativas de ninguém além de nós dois. Prometido. Prometido. Mas as pressões familiares eram apenas o começo dos desafios que enfrentariam. Na semana seguinte, Camila recebeu uma ligação inesperada de sua antiga chefe no hospital. “Camila, preciso falar com você urgentemente”, disse Dra.
Sandra, diretora de enfermagem. “Pode vir aqui hoje? Aconteceu alguma coisa?” “É sobre seu pai.” O sangue de Camila gelou. “O que houve com meu pai?” Ele desmaiou durante uma consulta hoje de manhã. Está internado, mas estável. Sua família pediu para eu te ligar. Camila desligou o telefone com mãos trêmulas.
Pedro Henrique, que havia ouvido parte da conversa, já estava pegando as chaves do carro. “Vamos”, disse ele simplesmente. No hospital encontraram José Silva conectado a monitores, mas consciente e com cor no rosto. Maria e Júlia estavam ao lado da cama, rostos marcados pela preocupação.
“Filha!” José sorriu fracamente quando Camila entrou no quarto. “Que susto desnecessário.” “Como você está se sentindo?”, perguntou ela, verificando automaticamente os monitores. Melhor, os médicos dizem que foi apenas fraqueza. O tratamento está funcionando, mas às vezes o corpo reclama.
Pedro Henrique conversou discretamente com o médico no corredor enquanto Camila permaneceu com a família. Quando ele voltou, sua expressão era seria. “Posso falar com você?”, pediu ele indicando o corredor. O estado geral dele está melhorando”, explicou o Dr. Carvalho, oncologista responsável pelo caso. Mas ele precisa de acompanhamento mais próximo.
Idealmente, consultas semanais e exames mensais. “Isso é viável?”, perguntou Camila. “Com o plano de saúde que ele tem agora, sim, mas requer presença constante da família.” Camila compreendeu imediatamente. Alguém precisaria estar em Belo Horizonte regularmente para acompanhar José nos tratamentos. “Eu posso vir toda semana”, disse ela. Camila. Pedro Henrique tocou seu ombro. Há uma solução melhor.
Qual? Trago seus pais para a fazenda. A sugestão pegou Camila completamente desprevenida. Como? A fazenda tem uma casa de hóspedes que não usamos há anos. Podemos reformá-la, adaptá-la para as necessidades de seu pai e contratar um enfermeiro particular para acompanhamento diário. Pedro Henrique, isso seria muito caro. Camila, somos família agora.
Seus pais são minha responsabilidade também, mas eles nunca aceitariam caridade. Não seria caridade. Pedro Henrique sorriu. Seu pai trabalharia conosco. Sempre precisamos de alguém com experiência mecânica para a manutenção dos equipamentos da fazenda. A ideia era tão generosa, tão perfeita, que Camila sentiu os olhos se encherem de lágrimas. Você faria isso? Faria qualquer coisa para ver você feliz.
Quando apresentaram a proposta para José e Maria, a reação inicial foi de resistência. “Não queremos ser um fardo”, protestou José. Não seria um fardo”, insistiu Pedro Henrique. “Seria uma solução. Precisamos de alguém confiável para cuidar da manutenção e Camila precisa da família por perto.” “Eu?” Perguntou Júlia. “Estou no segundo ano da faculdade.
Há uma universidade excelente em Viçosa, há 40 minutos da fazenda”, respondeu Pedro Henrique. “Posso providenciar transferência se quiser continuar os estudos”. Levou duas semanas de persuasão, mas finalmente José e Maria concordaram com a mudança. A casa de hóspedes foi reformada com adaptações especiais para as necessidades médicas de José.
E Pedro Henrique contratou um enfermeiro particular acompanhamento diário. “Não consigo acreditar nisso”, disse Camila na noite em que a família chegou à fazenda. “Há três meses eu estava desesperada tentando pagar dívidas médicas e agora? Agora sua família está segura e você pode se concentrar em ser feliz”, completou Pedro Henrique.
“Como posso retribuir tudo isso? Você já retribuiu. Me deu uma razão para acordar todo dia animado para ver o que vamos construir juntos. Mas a felicidade de ter a família reunida e segura foi interrompida por uma ligação inesperada. Carlos Mendes, presidente do conselho, ligou numa tarde de quinta-feira com notícias preocupantes.
Pedro Henrique, preciso falar com você urgentemente. Há rumores circulando sobre seu casamento. Que tipo de rumores? Alguém está espalhando a história de que foi um casamento arranjado por dinheiro. Camila, que estava ao lado de Pedro Henrique no escritório, sentiu o sangue gelar. Quem? Não sabemos ao certo, mas as informações são muito específicas. datas, valores, detalhes que apenas alguém muito próximo poderia conhecer.
Pedro, Henrique e Camila se entreolharam. Apenas três pessoas conheciam os detalhes verdadeiros do acordo original. Eles dois e o advogado que havia elaborado o contrato. Isso pode afetar minha posição na empresa? Se for provado que você manipulou seu estado civil apenas para cumprir as exigências do testamento, sim, o conselho poderia questionar sua liderança.
Depois que desligaram, Pedro Henrique passou as mãos pelos cabelos, uma expressão sombria no rosto. “Alguém está tentando nos destruir”, disse ele. Viviane é a candidata mais provável. Ela tem recursos, motivação e acesso a informações sobre nossa vida. O que fazemos? Pedro Henrique a olhou com determinação. Provamos que nosso casamento é real, que independente de como começou, agora é verdadeiro.
Como renovamos nossos votos publicamente na presença de toda a sociedade mineira? E desta vez será porque escolhemos estar juntos. A ideia era arriscada, mas Camila compreendeu a lógica. Uma renovação de votos elaborada, com a presença de centenas de convidados, seria uma declaração pública de que seu relacionamento havia evoluído além de qualquer acordo comercial, quando no mês que vem, tempo suficiente para organizar algo impressionante, mas rápido o suficiente para abafar os rumores. E se não der certo? E se as pessoas não
acreditarem? Pedro Henrique se aproximou, colocando as mãos no rosto dela. Então, enfrentaremos as consequências juntos. Porque uma coisa mudou, Camila. Agora eu prefiro perder tudo e ter você do que ter tudo e perdê-la. E quando ele a beijou ali no escritório onde tudo havia começado, Camila soube que estava pronta para lutar por esse amor que havia nascido de forma tão improvável.
Mas a batalha que os esperava seria mais complexa do que imaginavam. A organização da renovação de votos se tornou um projeto que consumiu todas as horas livres de Camila nas três semanas seguintes. Pedro Henrique havia contratado a melhor wedding planner de Minas Gerais, mas fazia questão de que cada detalhe refletisse a personalidade deles como casal.
“Quantos convidados até agora?”, perguntou Camila, revisando as listas na mesa do escritório. “340”, respondeu Mariana, a organizadora, “Entre família, amigos, parceiros comerciais e figuras importantes da sociedade mineira. É muita gente”, murmurou Camila, sentindo um friozinho no estômago. “É necessário”, disse Pedro Henrique, massageando seus ombros tensos.
Quanto mais pública for a cerimônia, mais difícil será para qualquer um questionar a legitimidade de nosso relacionamento. A festa seria realizada na própria fazenda Santa Helena, com a cerimônia ao ar livre, sob um pergolado de flores brancas e a recepção em uma tenda elegante montada nos jardins.
Camila havia escolhido um vestido de noiva clássico, desta vez com a ajuda de Júlia e Maria, que se divertiam imenso com os preparativos. Você está radiante”, comentou Maria, observando a filha a experimentar o vestido. Diferente de como estava antes do primeiro casamento, diferente como, feliz, de verdade feliz. E era verdade. Apesar das pressões e preocupações, Camila sentia uma alegria genuína ao planejar a renovação.
Desta vez, cada detalhe era escolhido porque significava algo para ela e Pedro Henrique. Mas três dias antes da cerimônia, tudo quase desmoronou. Camila estava na cidade fazendo os últimos ajustes no vestido quando recebeu uma ligação de Pedro Henrique. Sua voz estava tensa, controlada, mas ela percebeu o pânico mal disfarçado.
Camila, precisa voltar para a fazenda agora. O que aconteceu? Recebemos uma visita inesperada. Quando chegou à fazenda, encontrou Pedro Henrique no escritório com um homem que não reconheceu, um sujeito magro, de aparência desleixada, segurando uma pasta de documentos. Camila”, disse Pedro Henrique quando ela entrou. “Este é Roberto Silveira. Ele diz que tem informações sobre nosso casamento.
” “Que tipo de informações?”, perguntou ela, sentindo o perigo na atmosfera. Roberto sorriu de forma desagradável. Cópias do contrato original, registros bancários das transferências, gravações de conversas, tudo que prova que este casamento foi comprado. Camila sentiu como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés.
Como você conseguiu isso? Digamos que tenho acesso a informações privilegiadas. Roberto abriu a pasta revelando documentos que eram inequivocamente reais. A pergunta é: quanto vale para vocês que essas informações não se tornem públicas? Você está nos chantageando disse Pedro Henrique, a voz perigosamente baixa. Estou oferecendo um serviço. Por R$ 2 milhões deais, esses documentos desaparecem para sempre.
E se não pagarmos, então amanhã de manhã toda a imprensa de Minas Gerais terá cópias disso. Imagino como ficará a renovação de votos de vocês com essas revelações nos jornais. Depois que Roberto saiu, dando-lhes 24 horas para decidir, Camila e Pedro Henrique ficaram em silêncio por longos minutos. De onde ele pode ter conseguido essas informações? Perguntou ela finalmente. Do escritório de advocacia.
Provavelmente alguém com acesso aos arquivos. Viviane, possivelmente ela tem conexões suficientes para contratar alguém assim. Camila se sentou pesadamente em uma cadeira. Então é isso? Pagamos a chantagem ou nossa vida vira um circo? Há uma terceira opção. Qual? Pedro Henrique se ajoelhou diante da cadeira dela, segurando suas mãos.
Nos antecipamos a ele. Contamos nossa história primeiro do nosso jeito. Como? Cancelamos a renovação de votos e convocamos uma coletiva de imprensa. Contamos a verdade, que nosso casamento começou como um acordo comercial, mas se transformou em amor verdadeiro. A ideia era ao mesmo tempo, terrificante e libertadora.
As pessoas vão entender? Algumas vão, outras não. Mas pelo menos será nossa versão, não a versão distorcida de um chantagista. Camila pensou nos 300 convidados que chegariam em dois dias, nas flores já entregues, no vestido pendurado em seu closet. Pensou na decepção da família, no escândalo social, nas possíveis consequências para os negócios de Pedro Henrique. “Você perderia tudo”, disse ela.
“O controle da empresa, a posição social, talvez até a fazenda”. Posso reconstruir tudo isso, mas não posso reconstruir minha integridade se começarmos nossa vida real sobre mentiras e chantagens. E se eu disser que vale a pena correr o risco? Pedro Henrique sorriu e havia uma coragem em seus olhos que a fez lembrar por havia se apaixonado por ele. Então corremos o risco juntos.
Passaram a noite acordados, planejando cada palavra da declaração que fariam. Seria arriscado, mas era a única forma de recuperar o controle de suas próprias narrativas. Na manhã seguinte, antes que Roberto pudesse agir, Pedro Henrique convocou uma coletiva de imprensa. Os principais jornais e emissoras de Minas Gerais se reuniram na sede da empresa, atraídos pela promessa de revelações importantes sobre a vida pessoal do CEO da agropecuária Andrade.
Damas e cavalheiros começou Pedro Henrique com Camila ao seu lado. Convoquei esta coletiva para esclarecer questões sobre meu casamento, que tem sido objeto de especulação e rumores. Camila observou os rostos dos jornalistas, viu máquinas fotográficas sendo ajustadas, microfones sendo posicionados. Não havia volta. “É verdade que meu casamento com Camila começou como um acordo comercial”, continuou Pedro Henrique.
“Eu precisava cumprir uma exigência testamentária e ela precisava de ajuda financeira para cuidar da família.” Um murmúrio percorreu a sala. Camila viu alguns jornalistas trocando olhares significativos, mas o que começou como conveniência se transformou em algo que nenhum de nós esperava. Amor verdadeiro. Pedro Henrique se virou para Camila e ela viu nos olhos dele toda a sinceridade que havia aprendido a reconhecer.
Hoje estamos aqui não para nos defender, mas para celebrar o fato de que às vezes o amor encontra caminhos inesperados. Nosso casamento pode ter começado no papel, mas nossos sentimentos são reais. Senhor Andrade, chamou uma jornalista. O senhor está admitindo que fraudou as exigências testamentárias? Estou admitindo que cumpri as exigências da única forma que me parecia possível na época, mas descobri que o universo tem senso de humor. Me forçou a encontrar o amor quando menos esperava. E a senora Andrade? perguntou outro jornalista.
Como se sente sendo parte deste arranjo? Camila respirou fundo. Era sua vez de falar. Sinto-me grata disse ela, surpreendendo a todos, incluindo Pedro Henrique. Grata por ter tido coragem de aceitar uma situação inusitada que me trouxe não apenas estabilidade financeira para minha família, mas também o amor da minha vida. Vocês pretendem continuar casados? Pretendemos, respondeu Pedro Henrique.
E para provar isso, gostaríamos de convidar todos vocês para a nossa renovação de votos, que acontecerá amanhã na fazenda Santa Helena. Será nossa forma de mostrar que o que temos agora é escolha, não obrigação. Quando saíram da coletiva, Camila estava tremendo. “Como acha que foi?”, perguntou ela. Melhor do que esperava.
“Fomos honestos, vulneráveis, mas dignos. E se as pessoas não entenderem?” Pedro Henrique parou e a enfrentou completamente. Então, descobriremos quem realmente importa em nossas vidas. Naquela noite, os telefones não pararam de tocar. Alguns convidados cancelaram presença, escandalizados com as revelações. Outros ligaram para confirmar que estariam lá, expressando admiração pela coragem do casal.
“Quantos confirmaram até agora?”, perguntou Camila, à organizadora. “215”, respondeu Mariana. Perdemos alguns, mas ganhamos outros que não estavam na lista original e a imprensa. Todos os principais veículos confirmaram cobertura. Isto se tornou a história social do ano. Na véspera da renovação, Camila estava arrumando os últimos detalhes quando encontrou Pedro Henrique na varanda, observando os preparativos finais. “Nervoso?”, perguntou ela. Ansioso, corrigiu ele.
“Amanhã será nossa verdadeira lua de mel. A primeira vez que estaremos diante do altar porque escolhemos estar lá. Não se arrepende de nada? Pedro Henrique a puxou para seus braços. Do que poderia me arrepender? Você me devolveu a capacidade de amar, de sonhar, de construir um futuro. E você me mostrou que merecia algo além de apenas sobreviver.
Quando se beijaram sob as estrelas mineiras, com o cheiro das flores do casamento perfumando o ar, ambos souberam que tinham tomado a decisão certa. Amanhã seria deles, verdadeiramente deles. O dia da renovação de votos amanheceu com um céu azul perfeito e uma brisa suave que fazia as flores do pergolado dançarem como se estivessem celebrando junto com eles.
Camila acordou na casa de hóspedes, onde havia passado a noite com Júlia e Maria, uma tradição que Pedro Henrique insistira em manter para dar autenticidade ao ritual. Você está linda”, sussurrou Maria, ajudando a filha a vestir o traje. O vestido era de seda pura, corte clássico, mas com detalhes de renda que Camila havia escolhido pessoalmente. Desta vez, cada fita, cada pérola tinha significado.
“Estou nervosa”, admitiu Camila, observando seu reflexo no espelho. “É normal”, disse Júlia, arrumando o véu. “Mas é uma nervoso boa, não é? Diferente da primeira vez, era verdade. Três meses antes, Camila havia se casado carregando incertezas e medos. Hoje, seu coração batia acelerado de pura expectativa. Do lado de fora, podiam ouvir os convidados chegando.
Carros luxuosos subiam à estrada da fazenda. Jornalistas posicionavam equipamentos. Funcionários corriam fazendo ajustes de última hora. Camila, dona Nazaré, apareceu na porta, os olhos brilhando de emoção. Seu pai está aqui para acompanhá-la. José Silva entrou no quarto vestindo um terno novo, comprado especialmente para a ocasião.
O tratamento havia melhorado muito sua aparência e ele sorria com o orgulho de um pai no dia mais importante da filha. Pronta, filha, pronta, pai. A cerimônia seria realizada no jardim principal da fazenda, onde Pedro Henrique havia mandado construir um pergolado coberto de rosas brancas e hortênsias azuis.
215 convidados se levantaram quando a música começou, mas Camila só tinha olhos para o homem que a esperava no altar. Pedro Henrique vestia um smoking clássico, mas havia algo diferente em sua postura. Não era mais o homem controlado e distante que ela havia conhecido no Vila Bela. Era alguém que irradiava felicidade genuína, que sorria como se não conseguisse conter a alegria.
Quando José colocou a mão de Camila na de Pedro Henrique, sussurrou: “Cuide meu tesouro com minha vida”, respondeu Pedro Henrique. E havia uma solenidade em sua promessa que fez os olhos de Camila se encherem de lágrimas. O celebrante era o mesmo padre que havia batizado Pedro Henrique, um homem idoso que conhecia a família há décadas.
Ele sorriu para o casal antes de começar. “Estamos aqui hoje para testemunhar algo extraordinário”, disse ele, a voz carregando por todo o jardim. Não apenas a renovação de votos matrimoniais, mas a celebração do milagre do amor que floresce onde menos esperamos. Camila sentiu Pedro Henrique apertar sua mão e ela soube que ele estava pensando na mesma coisa, em como haviam chegado até ali contra todas as probabilidades.
Pedro Henrique, disse o padre, você gostaria de fazer seus votos? Pedro Henrique se virou para Camila e quando falou, sua voz carregava uma emoção que tocou cada pessoa presente. Camila, três meses atrás eu fiz uma proposta comercial para uma mulher que precisava de ajuda. Hoje estou fazendo uma promessa de amor para a mulher que me ensinou a viver novamente. Ele fez uma pausa, os olhos brilhando.
Você me mostrou que é possível recomeçar, que o coração tem capacidade infinita para amar quando encontra a pessoa certa. Camila sentiu lágrimas escorrendo pelas bochechas. Prometo que deste dia em diante nossa vida será construída sobre escolhas, não sobre obrigações, sobre amor, não sobre conveniência.
Prometo ser seu parceiro em todos os sonhos, seu apoio em todos os desafios e seu amor para toda a vida. Camila, disse o padre suavemente. Seus votos. Camila respirou fundo, olhando para o homem que havia transformado sua vida de forma tão inesperada. Pedro Henrique, quando aceitei sua proposta, pensei que estava fazendo um sacrifício pelo bem da minha família.
Descobri que estava ganhando um presente que não sabia que merecia. Sua voz ficou mais firme conforme continuava. Você me ensinou que posso ser forte e vulnerável ao mesmo tempo, que posso cuidar dos outros sem me esquecer de cuidar de mim mesma. Ela segurou as mãos dele com mais firmeza.
Prometo que vou escolher você todos os dias, não porque preciso, mas porque quero. Prometo construir nossa família com amor e honestidade, e nunca esquecer que o melhor de nós surgiu quando paramos de fingir e começamos a sentir de verdade. Quando trocaram as alianças, novas alianças que haviam escolhido juntos, gravadas com a data de hoje, não do casamento original, havia uma autenticidade no gesto que todos os presentes puderam sentir.
Pelo poder confere Deus e testemunhado por todos aqui presentes”, disse o padre com um sorriso, “eu os declaro marido e mulher novamente, e desta vez para sempre. O beijo foi diferente de todos os outros que haviam compartilhado. Era uma promessa, uma celebração, uma declaração para o mundo inteiro de que haviam escolhido estar ali.
Os aplausos ecoaram por toda a fazenda, mas Camila mal os ouviu. Estava perdida nos olhos dourados de Pedro Henrique, vendo neles um futuro que finalmente se sentia completamente deles. A recepção foi mágica. Jantaram sobes douradas. Dançaram ao som de uma orquestra que Pedro Henrique havia contratado e receberam cumprimentos de pessoas que genuinamente celebravam sua felicidade.
“Vocês conseguiram”, disse Carlos Mendes quando se aproximou para cumprimentá-los. “Transformaram um escândalo em uma história de amor. Não transformamos nada”, respondeu Pedro Henrique com Camila em seus braços. Apenas paramos de esconder o que realmente somos. Mas o momento mais emocionante da noite veio quando Pedro Henrique pegou o microfone para fazer um brinde. Amigos, família, disse ele, e sua voz ecoou por todo o salão.
Hoje não estamos apenas celebrando o nosso amor. Estamos celebrando a coragem de ser honestos, de sermos vulneráveis, de admitirmos que nem sempre sabemos o que é melhor para nós. Ele olhou para Camila, que estava ao seu lado. Há 4 meses. Era um homem que havia desistido de amar. Camila não apenas me trouxe de volta à vida, ela me mostrou que a vida vale a pena ser vivida quando temos alguém para compartilhá-la.
Pedro Henrique estendeu a mão para Camila, que se aproximou. E agora disse ele, gostaríamos de compartilhar uma notícia que torna esta noite ainda mais especial. Camila sentiu o coração acelerar. Eles haviam decidido contar apenas naquela manhã, quando ela havia confirmado suas suspeitas com um teste. “Em sete meses”, disse Pedro Henrique, sua voz carregada de emoção.
“Nossa família crescerá. Camila está grávida”. O salão explodiu em aplausos e gritos de alegria. Dona Margarete chorou abertamente. José e Maria se abraçaram com lágrimas nos olhos e Júlia gritou tão alto que todos riram. “Meu neto!”, exclamou Henrique Senhor, levantando-se para abraçar o casal. Finalmente, meu neto.
Quando a festa terminou e os últimos convidados partiram, Camila e Pedro Henrique se encontraram sozinhos na varanda da casa principal, observando a lua cheia que iluminava os campos da fazenda. “Como se sente, Senora Andrade?”, perguntou ele, abraçando-a por trás. Como se finalmente estivesse em casa”, respondeu ela, cobrindo as mãos dele que descansavam em seu ventre ainda liso.
“E sobre o bebê? Está feliz?” Camila se virou para encará-lo, apavorada e estasiada ao mesmo tempo. “E você?” A mesma coisa. Mas desta vez sei que não estou enfrentando isso sozinho. Nunca mais estará sozinho. Promete? Prometo. E quando se beijaram sob as estrelas de Minas Gerais, ambos souberam que haviam encontrado algo que nem o dinheiro poderia comprar, um amor que havia nascido improvável, crescido contra todas as expectativas e agora floresceria para sempre.
Seis meses depois da renovação de votos, a vida na fazenda Santa Helena havia se estabelecido em uma rotina feliz e produtiva. A barriga de Camila começava a se pronunciar e ela irradiava a luminosidade especial das mulheres grávidas felizes. Pedro Henrique havia se tornado ainda mais protetor e carinhoso, se isso fosse possível, mas foi numa manhã de terça-feira, quando Camila estava no jardim encolhendo flores para arranjos da casa, que tudo quase desmoronou novamente.
Dona Nazaré veio correndo pelos jardins, o rosto pálido de preocupação. Dona Camila, seu Pedro está pedindo para a senhora ir ao escritório urgentemente. Chegou uma pessoa, uma pessoa que diz conhecer a senhora de antes. Camila sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Quem do seu passado poderia aparecer assim sem aviso? Quando entrou no escritório, encontrou Pedro Henrique de pé atrás da mesa, com uma expressão tensa que não via há meses. Sentada na poltrona em frente, estava uma mulher que Camila reconheceu imediatamente, apesar dos anos que haviam se passado.
“Olá, Camila”, disse a mulher se levantando com um sorriso que não alcançou os olhos. Sou eu, Patrícia, sua irmã. O mundo de Camila parou. Patrícia, sua meia irmã mais velha, filha do primeiro casamento de seu pai, que havia desaparecido da família quando Camila tinha apenas 12 anos. Patrícia. Camila mal conseguiu pronunciar o nome. O que, como você me encontrou? Não foi difícil. Seu casamento virou notícia nacional.
Patrícia sorriu novamente e havia algo predatório na expressão. Imagine minha surpresa quando vi que minha irmãzinha havia se tornado uma Andrade. Pedro Henrique se aproximou de Camila, colocando uma mão protetora em sua cintura. Sua irmã chegou a poucos minutos com uma história interessante. Que história? Perguntou Camila, embora algo em seu estômago já soubesse que não queria ouvir a resposta.
Patrícia abriu uma bolsa cara e retirou uma pasta de documentos. Uma história sobre heranças, Camila, sobre dinheiro que rightfully pertence a mim. Eu não entendo. Nosso pai, José Silva, não é realmente nosso pai, não biologicamente. Patrícia depositou os documentos na mesa com dramaticidade calculada. Nossa mãe teve um caso antes de se casar com José.
Eu sou filha desse caso. E você? Bem, você também. Camila sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Isso é mentira. Tenho exames de DNA para provar. Patrícia apontou para os documentos. Nossa mãe era Laura Silva antes de se casar com José. E nosso pai verdadeiro era Henrique Andrade. Senhor, o silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
Pedro Henrique ficou pálido como papel. Você está dizendo começou ele, a voz rouca. Estou dizendo que Camila é sua meia irmã”, completou Patrícia com satisfação evidente e que seu casamento é tecnicamente incestuoso. Camila sentiu as pernas falharem e se segurou na mesa para não cair. Isso não pode ser verdade.
Os exames não mentem, querida. Patrícia se aproximou, fingindo preocupação. Claro, eu poderia manter essa informação em família, mas bem, isso seria caro para mim. Quanto? perguntou Pedro Henrique, a voz controlada, mas perigosa. 5 milhões e metade da herança que Camila receberá quando Henrique, senhor morrer. Saia daqui disse Pedro Henrique com uma calma mortal.
Agora não acho que vocês entenderam a gravidade da situação, rio Patrícia. Se essa informação se tornar pública, não apenas seu casamento será anulado, mas haverá um escândalo que destruirá a família Andrade para sempre. Depois que Patrícia saiu, prometendo voltar em três dias para a resposta, Camila e Pedro Henrique ficaram em silêncio no escritório por longos minutos. “Você acredita nela?”, perguntou Camila finalmente.
“Não sei, mas os documentos pareciam reais”. Camila se sentou pesadamente em uma cadeira, as mãos automaticamente indo para o ventre. Se for verdade, nosso bebê não”, disse Pedro Henrique firmemente, se ajoelhando diante dela. “Não importa o que esses papéis digam, você é minha esposa, este é nosso filho e ninguém vai destruir nossa família. Mas se formos realmente irmãos, então enfrentaremos isso.
” Mas primeiro vamos descobrir a verdade. Pedro Henrique contratou a melhor equipe de investigadores particulares de Minas Gerais. Em 48 horas haviam descoberto informações que mudaram tudo. Os documentos são falsos informou o investigador chefe Marcos Ribeiro. Bem feitos, mas falsos. Patrícia Silva tem um histórico de golpes similares.
Se aproxima de famílias ricas, alegando parentesco para estorquir dinheiro. Camila sentiu como se pudesse respirar novamente. Então, não somos irmãos? Definitivamente não. Além disso, descobrimos algo interessante sobre ela. Marcos consultou suas anotações. Patrícia não é realmente sua irmã.
Ela é uma golpista profissional que estudou sua família por meses antes de aparecer aqui. Como ela sabia tanto sobre nossa história, provavelmente através do chantagista anterior, Roberto. Eles trabalhavam juntos. Pedro Henrique passou as mãos pelos cabelos. Quanto mais nossa vida vai ser alvo desses parasitas até pararmos de reagir a eles, respondeu Marcos. Tenho uma sugestão. Quando Patrícia voltou na sexta-feira para receber a resposta, foi recebida não apenas por Camila e Pedro Henrique, mas por Marcos, dois advogados e dois policiais. “O que é isso?”, perguntou ela, a confiança vacilando. É uma prisão
disse Pedro Henrique calmamente por tentativa de extorsão, falsificação de documentos e fraude. Vocês não podem provar nada. Na verdade podemos. Marcos mostrou uma gravação no tablet. Sua confissão está toda aqui gravada durante nossa conversa de terça-feira. Além disso, acrescentou um dos advogados, temos evidências de pelo menos seis outros golpes similares que você aplicou nos últimos anos.
Quando levaram Patrícia embora, Camila se apoiou contra Pedro Henrique, exausta. Acabou? Perguntou ela. Acabou? Como você soube que era mentira? Pedro Henrique sorriu tristemente. Porque conheço meu pai. Henrique Andrade pode ter muitos defeitos, mas ele nunca teria abandonado um filho. E além disso, ele tocou suavemente o rosto dela.
Eu sabia que você não poderia ser minha irmã. Como? Porque irmãos não se apaixonam da forma como nós nos apaixonamos. O que sentimos um pelo outro? Isso só acontece entre duas pessoas que foram feitas para estar juntas. Naquela noite, deitados na cama que agora era verdadeiramente deles, Camila sentiu o bebê se mexer pela primeira vez.
Pedro Henrique colocou a mão sobre seu ventre e sorriu quando sentiu o movimento. “Acho que nosso filho está comemorando”, disse ele. “Comemorando o quê?” “O fato de que seus pais finalmente podem viver em paz. Você acha que acabaram as complicações?” Pedro Henrique beijou sua testa suavemente. Não sei, mas sei que não importa o que venha, enfrentaremos juntos. Para sempre, para sempre.
E quando adormeceram naquela noite, com o filho crescendo seguro entre eles e a fazenda silenciosa ao redor, ambos souberam que haviam finalmente encontrado algo que nenhum golpista, nenhum chantagista, nenhuma revelação falsa poderia destruir. Haviam encontrado um amor verdadeiro.
Dois anos depois da renovação de votos, Camila estava na varanda da casa principal, observando Pedro Henrique brincar com Miguel, seu filho de 15 meses nos jardins da fazenda. O menino havia herdado os olhos dourados do pai e os cabelos castanhos da mãe, mas a personalidade era inteiramente sua, uma mistura perfeita de determinação e doçura. Miguel, venha para a mamãe.
Chamou Camila, sorrindo quando o menino deu seus passos bamboliantes em sua direção, com Pedro Henrique o seguindo de perto, pronto para ampará-lo se tropeçasse. “Mama!”, gritou Miguel alegremente, se atirando nos braços da mãe, com o abandono total da infância. “Como foi o passeio pelos currais?”, perguntou Camila, acomodando o filho no colo.
“Ele quer ser vaqueiro”, riu Pedro Henrique, sentando-se ao lado delas na rede da varanda. ficou fascinado com os cavalos, como o pai, como o avô José também. Parece que vai ser uma tradição familiar. José Silva havia se adaptado completamente à vida na fazenda. Sua saúde havia melhorado dramaticamente com o ar puro, o cuidado médico constante e a alegria de ter o neto por perto.
Ele trabalhava meio período supervisionando a manutenção dos equipamentos e passava as tardes ensinando Miguel sobre os animais e plantas da propriedade. “Falando em tradições familiares”, disse Pedro Henrique com um sorriso misterioso, “tenho uma surpresa para você”. Que tipo de surpresa? Feche os olhos. Camila obedeceu, ouvindo Pedro Henrique se mover e depois voltar. Pode abrir. Quando abriu os olhos, encontrou-o segurando uma pequena caixa de veludo azul.
Pedro Henrique não é meu aniversário, não é um presente de aniversário, é um presente de gratidão. Camila abriu a caixa e encontrou um colar delicado com um pingente em formato de coração, cravejado de pequenos diamantes que formavam as iniciais M e P. Miguel e Pedro Henrique. É lindo! Sussurou ela. Mas por que gratidão? Porque hoje faz exatamente três anos desde aquele jantar no Vila Bela”, disse Pedro Henrique, ajudando-a a colocar o colar. “Tr anos desde que você aceitou uma proposta impossível de um homem desesperado e mudou minha vida
completamente. Mudou nossas vidas”, corrigiu ele. “Camila, você sabe o que este tempo me ensinou? O quê? Que alguns dos melhores presentes da vida vem disfarçados de problemas. Se meu avô não tivesse colocado aquela cláusula no testamento, eu nunca teria conhecido você. Camila ajeitou Miguel no colo, observando como o filho brincava com os botões da camisa do pai.
E eu nunca teria descoberto que merecia mais do que apenas sobreviver. “Merece tudo”, disse Pedro Henrique, beijando suavemente seus lábios. e vou passar o resto da vida, garantindo que tenha tudo. “Já tenho tudo”, respondeu ela, olhando ao redor da varanda onde a família se reunia todas as noites.
“Silo, tenho você, tenho Miguel, tenho meus pais saudáveis e seguros, tenho Júlia terminando medicina na universidade. E não esqueça dos projetos de saúde preventiva que estão mudando a vida de centenas de famílias rurais. Era verdade. O programa de cuidados médicos que Camila havia proposto durante a primeira reunião do conselho havia se tornado um modelo nacional.
Ela agora dirigia uma fundação que levava cuidados médicos básicos para comunidades rurais em todo o estado, e o trabalho lhe dava uma satisfação profunda que nunca havia experimentado. “Às vezes sinto que estou sonhando”, murmurou ela. “Se for um sonho, espero nunca acordar”. Naquele momento, dona Nazaré apareceu na varanda com um sorriso radiante. Desculpem interromper, mas chegou uma ligação da maternidade. Júlia entrou em trabalho de parto. Camila se levantou rapidamente.
Júlia havia se casado com Daniel, um colega da faculdade de medicina seis meses antes, e estavam esperando o primeiro filho. “Vamos para o hospital”, disse Pedro Henrique já pegando as chaves do carro. Três horas depois, na maternidade de Belo Horizonte, Camila segurava no colo sua primeira sobrinha, uma menina pequena e perfeita chamada Laura, em homenagem à avó que nunca conheceu.
“Ela é linda”, sussurrou Camila, observando o rostinho delicado da bebê. “Como a tia”, disse Júlia, exausta, mas radiante. Camila, obrigada. Por quê? Por ter tido coragem de aceitar aquela proposta maluca três anos atrás. Se você não tivesse feito isso, papai não teria conseguido o tratamento. Eu não teria conhecido Daniel na faculdade e Laura não estaria aqui.
Camila sentiu os olhos se encherem de lágrimas. Júlia, estou falando sério. Sua coragem salvou nossa família inteira e agora temos tudo isso. Júlia gesticulou para Miguel brincando no colo de Pedro Henrique para José e Maria conversando animadamente com Daniel para toda a felicidade que os rodeava. A coragem não foi só minha”, disse Camila, olhando para Pedro Henrique. “Foi nossa”.
Quando voltaram para a fazenda naquela noite, com Miguel dormindo no banco de trás do carro, Pedro Henrique estacionou na entrada da propriedade e ficou observando a casa iluminada ao longe. “Em que está pensando?”, perguntou Camila. “Em três anos atrás, quando trouxe você para cá pela primeira vez. Você parecia tão perdida, tão fora de lugar. Estava.
E agora quando olho para esta casa, não consigo imaginar como era antes de você chegar. Diferente, vazia, sem vida, sem futuro. Pedro Henrique se virou para ela. Camila, posso confessar algo? Sempre. Às vezes ainda tenho medo de acordar e descobrir que nada disso é real, que você e Miguel são apenas um sonho que inventei para me proteger da solidão.
Camila de sua camisa e colocou a mão dele sobre seu coração, onde ele podia sentir a pulsação firme e real. Isso é real, disse ela. Miguel dormindo ali atrás. É real. O fato de que em alguns meses teremos outro bebê é real. Pedro Henrique arregalou os olhos. Outro bebê? Camila sorriu, o rosto iluminado pela luz da lua.
Descobri hoje de manhã ter dois motivos para comemorar nosso aniversário de três anos. Camila, Pedro Henrique a beijou com uma paixão que ainda a surpreendia, mesmo depois de todo esse tempo juntos. Te amo tanto que às vezes dói. Dói, dói de gratidão, de saber que quase perdi tudo isso por medo, por orgulho, por estar preso ao passado.
Mas não perdeu, não perdi e nunca vou perder. Quando finalmente chegaram à casa e colocaram Miguel no berço, eles se encontraram novamente na varanda, onde tantas conversas importantes haviam acontecido. Mas agora não era apenas um espaço para resolver problemas ou fazer planos.
Era um lugar de paz, de família, de amor construído dia após dia. “Pedro Henrique”, disse Camila, aninhada em seus braços na rede onde tudo havia começado. “O que você acha que seus avós pensariam de tudo isso?” “Acho que ficariam surpresos,”, riu ele. Eles colocaram aquela cláusula no testamento, esperando que eu escolhesse alguém apropriada para a família.
E você escolheu uma enfermeira que aceitou se casar por dinheiro. Escolhi uma mulher corajosa o suficiente para arriscar tudo por amor, tanto pelo amor à família quanto eventualmente por amor a mim. Acha que eles aprovariam? Pedro Henrique olhou ao redor da fazenda, para os campos bem cuidados, para as casas onde três gerações da família agora viviam felizes, para os jardins onde Miguel daria seus primeiros passos e onde outro filho logo brincaria também. Acho que aprovariam o resultado”, disse ele. “Uma família próspera, unida, feliz. Não era isso que
eles queriam? E o que você quer?” Agora, olhando para tudo que construímos, Pedro Henrique a abraçou mais apertado. Quero que tudo isso continue para sempre. Quero ver nossos filhos crescerem nesses campos. Quero envelhecer com você nesta varanda. Quero que nossa história seja contada para nossos netos como prova de que o amor encontra formas de florescer.
Mesmo nas circunstâncias mais improváveis. “Vai ser”, prometeu Camila, “Porque o que temos agora não foi comprado com dinheiro ou construído sobre contratos. Foi conquistado com escolhas diárias de estar juntos, de se amar, de construir algo real. E quando adormeceram naquela noite, embalados pelo som dos grilos e pelo aroma das flores que Camila havia plantado no primeiro ano de casamento, ambos souberam que haviam encontrado algo mais valioso que todas as riquezas da família Andrade. Haviam encontrado um amor que começou como ficção e se tornou a verdade mais importante de suas vidas.
M.
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