Você já imaginou como seria acordar no dia do seu casamento, sabendo que vai se casar com um completo estranho? Uma jovem de 19 anos estava prestes a descobrir que nem sempre o que parece um pesadelo pode se tornar o maior milagre da sua vida.
Essa história vai mostrar como o amor verdadeiro pode surgir dos lugares mais inesperados. Antes de começarmos, me conta aí nos comentários de que cidade você está assistindo esse vídeo. E não esquece de se inscrever no canal e deixar aquele like para mais histórias incríveis como essa. O espelho refletia o rosto pálido de Ana Silva. Suas mãos tremiam enquanto segurava o convite de casamento que selaria seu destino.
Aos 19 anos, ela nunca imaginou que sua vida tomaria esse rumo tão cruel e inesperado. “Ana, você vai descer ou vou ter que subir aí?” A voz áspera do tio José ecoou pelo corredor da pequena casa na Vila Mariana. Ela fechou os olhos, sentindo o peso dos 4 anos que havia passado sob o teto desses parentes distantes que a acolheram após a morte dos pais.
Na sala, José Silva balançava as mãos nervosamente enquanto sua esposa Lúcia arrumava as almofadas do sofá pela décima vez. O casal estava visivelmente agitado e Ana sabia exatamente o porquê. Sente-se, Ana. A voz de José soou mais séria do que nunca.
Os olhos castanhos da jovem buscaram algum sinal de compreensão no rosto dos tios, mas encontrou apenas determinação fria. “Nós arranjamos um casamento para você”, disse Lúcia, evitando o olhar da sobrinha. Eduardo Santos, um empresário muito bem-sucedido. Ana sentiu o mundo girar. Suas pernas bambas a fizeram se apoiar no encosto da poltrona. “Como assim arranjaram? Ele é bilionário, Ana.
Aos 49 anos, nunca se casou, mas está interessado em você. José se aproximou, o tom de voz misturando a autoridade com uma estranha súplica. Isso vai resolver nossos problemas financeiros e te dar uma vida que nunca sonhou ter. A jovem engoliu em seco, sentindo lágrimas queimar em seus olhos. E se eu disser não? O silêncio que se seguiu foi mais ensurdecedor que qualquer grito.
Lúcia desviou o olhar e José suspirou pesadamente. Ana, você não tem escolha. As palavras perfuraram seu peito como facas afiadas. Ela pensou nos pais, em como eles a protegeriam se estivessem vivos. Agora estava completamente sozinha, a mercê de pessoas que viam nela apenas uma solução para seus problemas. O casamento é daqui a duas semanas. anunciou Lúcia, finalmente encarando a sobrinha.
Eu já escolhi o vestido. Ana correu para o quarto, trancou a porta e despencou na cama. Soluços silencios sacudiram seu corpo enquanto abraçava o travesseiro. Pela janela, o sol se punha sobre São Paulo, mas para ela, a escuridão já havia tomado conta de tudo. Duas semanas, 14 dias para se preparar para casar com um completo estranho.
Mas será que Eduardo Santos era realmente o monstro que ela imaginava? O restaurante no topo do edifício Copacabana, no coração de São Paulo, tinha uma vista panorâmica da cidade que normalmente tiraria o fôlego de qualquer pessoa. Ana, porém, mal conseguia saborear o copo d’água que tremulava em suas mãos. “Relaxe, Ana, ele é um homem muito educado”, sussurrou Lúcia, ajeitando o vestido azul marinho que havia escolhido para a sobrinha. “E lembre-se, seja simpática.
” José verificou o relógio pela quinta vez em dois minutos. Ele deve chegar a qualquer momento. Ana observava a porta de entrada como se fosse uma guilhotina prestes a cair sobre seu pescoço. Cada homem que entrava fazia seu coração disparar até que finalmente ela o viu. Eduardo Santos caminhava com passos firmes e seguros, alto com cerca de 1,85 m, cabelos negros com alguns fios prateados nas têmporas e um terno que certamente custava mais que um carro popular. Seus olhos escuros percorreram o ambiente até pousar nela.
Por um instante, Ana sentiu como se o tempo tivesse parado. Ele era diferente do que imaginava. Não havia crueldade em seu rosto, apenas uma seriedade que parecia esconder algo mais profundo. “Senhor Santos.” José se levantou rapidamente, estendendo a mão com entusiasmo exagerado. É uma honra. Eduardo cumprimentou o casal com educação, mas seus olhos não se desviaram de Ana por muito tempo.
Quando finalmente se aproximou dela, ofereceu sua mão de forma gentil. Ana, não é? Sua voz era grave, mas surpreendentemente suave. É um prazer conhecê-la. Ela apertou a mão dele, sentindo o calor e a firmeza de seus dedos. Igualmente, murmurou, mal conseguindo sustentar seu olhar.
Durante o jantar, Eduardo fez perguntas simples e respeitosas. Quis saber sobre seus hobbies, seus sonhos, suas lembranças dos pais. Ana respondeu de forma tímida, mas percebeu que ele realmente escutava cada palavra. “Você gosta de ler?”, perguntou ele, cortando delicadamente o salmão em seu prato.
Sim, muito, especialmente os clássicos brasileiros. Machado de Assis é meu favorito. Um pequeno sorriso apareceu no canto da boca de Eduardo. Dom Casmurro? Na verdade, prefiro Helena. Acho a história mais tocante. Ele a sentiu com aprovação e Ana sentiu uma estranha sensação de validação.
José e Lúcia trocaram olhares satisfeitos, claramente impressionados com a desenvoltura do empresário. Ana Eduardo se virou completamente para ela, ignorando os tios. Posso falar com você em particular por alguns minutos? O coração dela disparou, mas ela assentiu. Eles se levantaram e caminharam até a varanda do restaurante, onde a brisa noturna de São Paulo acariciava seus rostos.
Eduardo apoiou as mãos no parapeito e ficou alguns segundos em silêncio, observando as luzes da cidade. Ana o observava de soslaio, tentando decifrar o que se passava em sua mente. Ana, ele finalmente falou sem olhar para ela. Eu sei que esta situação não é convencional e imagino como você deve estar se sentindo.
Ela engoliu em seco, não sabendo se deveria ser honesta ou diplomática. Quero que saiba. Ele continuou virando-se para encará-la, que se você não quiser seguir em frente com isso, eu entenderei. Não vou forçá-la a nada. Ana sentiu os olhos se encherem de lágrimas. Ninguém havia lhe dado uma escolha desde que os pais morreram. “E se eu disser não?”, perguntou a voz embargada.
Eduardo estudou seu rosto por um longo momento. “Então você diz não”. E ponto final. Mesmo que meus tios tenham problemas por causa disso. Ele suspirou profundamente. Ana, eu não sou um monstro. Se você não quiser se casar comigo, não há nada no mundo que me fará prosseguir com isso. Pela primeira vez em duas semanas, Ana sentiu que podia respirar.
Ela olhou para o homem à sua frente e viu algo que não esperava. Bondade, eu preciso de tempo para pensar, murmurou. Você tem todo o tempo do mundo. Quando retornaram à mesa, José os olhou ansioso. E então, tudo acertado? Eduardo se limitou a sorrir educadamente. Ana precisa de alguns dias para decidir. Eu respeito completamente a escolha dela. Ana sentiu uma onda de gratidão que quase a fez chorar ali mesmo.
Mas será que ela teria coragem de desafiar o destino que lhe foi imposto? Os três dias seguintes se passaram como uma montanha russa emocional para Ana. Ela caminhava pelos corredores da pequena casa, observando a tensão crescente no rosto dos tios, conforme o prazo se esgotava. “Ana, você precisa ser racional.” Lúcia a abordou na cozinha enquanto ela preparava um chá de camomila.
“Um homem como Eduardo Santos não vai esperar para sempre. Ele disse que respeitaria minha decisão.” “E nisso?” José entrou na conversa, o tom áspero. Homens poderosos sempre conseguem o que querem, querida. A diferença é que ele está sendo educado sobre isso. Ana mexeu o chá lentamente, observando as folhas se dissolverem na água quente.
A imagem de Eduardo na varanda do restaurante continuava voltando à sua mente. A sinceridade em seus olhos, a gentileza inesperada em sua voz. Eu vou aceitar”, ela disse finalmente, surpreendendo até a si mesma. José e Lúcia se entreolharam claramente aliviados, mas Ana levantou a mão antes que pudessem comemorar.
“Mas quero falar com ele pessoalmente, sozinha?” “Ana, isso não é minha condição.” Ela interrompeu Lúcia, uma firmeza nova em sua voz. “Se vou me casar com ele, preciso de algumas garantias”. No dia seguinte, Ana estava sentada no elegante café do hotel Fazano aguardando Eduardo chegar. Ela havia escolhido um vestido simples, mas elegante, e prendera os cabelos em um coque baixo. Suas mãos suavam, mas sua determinação estava inabalável.
Eduardo chegou pontualmente, como ela já havia previsto. Ele a cumprimentou com o mesmo respeito do primeiro encontro e se sentou à sua frente. Você tomou sua decisão, Ana? sentiu, respirando fundo. “Aceito me casar com você, mas tenho algumas condições.” Um misto de surpresa e curiosidade passou pelo rosto dele. “Estou ouvindo.
Primeiro quero que você saiba que estou fazendo isso pelos meus tios. Eles me acolheram quando não tinham obrigação e eu não posso deixá-los na ruína por minha causa. Eduardo assentiu lentamente. Segundo, não espero que me ame, nem prometo que vou amá-lo, mas espero o respeito mútuo. Isso me parece justo. Ana hesitou antes da terceira condição, sentindo as bochechas corarem.
E quero que você saiba que eu nunca nunca estive com um homem antes. Eduardo ficou completamente imóvel por alguns segundos, processando a informação. Quando falou, sua voz estava ainda mais suave que o usual. Ana, quero que você entenda uma coisa muito importante. Ele se inclinou ligeiramente para a frente. Casamento não é uma transação comercial para mim. Se vamos fazer isso, quero que seja com base no respeito e na paciência mútua.
Você terá todo o tempo que precisar para se sentir confortável. Ana sentiu lágrimas picar em seus olhos novamente. Por que você está sendo tão gentil comigo? Eduardo ficou em silêncio por um longo momento, seus olhos perdidos em alguma memória distante.
Porque sei como é se sentir sozinho no mundo, Ana, e sei como é ter sua vida decidida por outras pessoas. Naquele momento, Ana vislumbrou uma dor familiar nos olhos de Eduardo. Talvez eles não fossem tão diferentes assim. Então está decidido”, ela disse, estendendo a mão para ele. Eduardo apertou sua mão delicadamente, segurando-a por alguns segundos a mais que o necessário. “Prometo que farei tudo ao meu poder para que você seja feliz, Ana.
” Quando saiu do hotel, Ana sentia uma mistura estranha de medo e esperança. Havia algo em Eduardo Santos que desafiava todas as suas expectativas. Talvez apenas, talvez esse casamento não fosse a prisão que ela imaginava. Mas será que ela estava preparada para descobrir os segredos que Eduardo escondia? A boutique no shopping Iguatemi era um universo de seda, rendas e sonhos que Ana nunca imaginou poder tocar.
Lúcia caminhava entre os cabides como uma criança em uma loja de doces, enquanto Ana se sentia cada vez mais deslocada. Que tal este? Lúcia ergueu um vestido com calda imensa e bordados dourados, muito principesco, não acha? Ana observou o vestido e sentiu um nó no estômago. Era lindo, mas representava tudo o que ela não queria que seu casamento fosse.
Um espetáculo, uma encenação. É muito chamativo! Murmurou a vendedora, uma mulher elegante na casa dos 50, se aproximou com descrição. Posso sugerir algo? Ela guiou Ana até outra sessão da loja, onde havia vestidos mais simples, porém igualmente sofisticados. Um, em particular, chamou a atenção da jovem.
Seda branca com detalhes delicados em pedraria, corte clássico e elegante, sem exageros. Este Ana sussurrou, tocando a seda suavemente. Experimente, incentivou a vendedora com um sorriso maternal. No provador, Ana se olhou no espelho e, pela primeira vez em semanas sentiu que estava vendo a si mesma, não uma versão inventada pelos outros. O vestido realçava sua beleza natural sem transformá-la em outra pessoa.
Quando saiu para mostrar as outras, Lúcia fez uma careta. Muito simples, Ana. Eduardo é bilionário. As pessoas vão esperar algo mais. É perfeito. Uma voz familiar interrompeu a tia. Todas se viraram para ver Eduardo parado na entrada da boutique, um buquê de flores brancas nas mãos. Ana sentiu o rosto corar violentamente. Eduardo, você não pode ver a noiva de vestido antes do casamento Lúcia exclamou escandalizada.
Ele sorriu sem tirar os olhos de Ana. Então vou fechar os olhos e contar até 10. Ana pode se trocar nesse tempo? Ana correu para o provador, o coração batendo acelerado. Havia algo no modo como ele a olhou, que fez seu estômago dar voltas estranhas. Quando voltou, Eduardo estava conversando baixinho com a vendedora, entregando-lhe um cartão de crédito.
“O que está fazendo?”, Ana, perguntou. “Comprando seu vestido de noiva.” Ele respondeu como se fosse a coisa mais natural do mundo. Achei que era a responsabilidade do noivo. Ana ficou sem palavras. Lúcia também parecia surpresa com a atitude. As flores são para você, Eduardo estendeu o buquê. Lírios brancos, espero que goste.
Ana pegou as flores, sentindo o perfume suave invadi-la. Ninguém nunca havia lhe dado flores antes. São lindas, murmurou genuinamente tocada. Posso falar com você em particular? Eduardo perguntou, olhando significativamente para Lúcia. Eles saíram da boutique e caminharam até um café próximo.
Eduardo parecia mais nervoso que o usual, mexendo nas mãos constantemente. Ana, eu queria falar sobre nossa lua de mel. O coração dela disparou. Ela havia evitado pensar nesse assunto, mas sabia que eventualmente teria que enfrentá-lo. Eu reservei a cobertura de um hotel no Rio de Janeiro, vista para Copacabana, muito privativo. Ele pausou, estudando a reação dela, mas quero que saiba que você terá seu próprio quarto. Não há pressa para nada.
Ana o encarou, surpresa mais uma vez pela sensibilidade dele. Você não acha isso estranho? Eduardo Riu Baixinho. Um som que ela descobriu gostar muito. Ana, eu tenho 49 anos. Se algo que aprendi é que as melhores coisas da vida não devem ser forçadas.
Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, bebericando seus cafés e observando o movimento do shopping. Ana se pegou, estudando o perfil de Eduardo, notando pequenos detalhes. As rugas ao redor dos olhos que indicavam que ele sorria mais do que ela imaginava. a cicatriz pequena no queixo, a maneira como ele tamborilava os dedos na mesa quando estava pensativo.
“Posso perguntar uma coisa?”, ela disse finalmente. “Qualquer coisa. Porque nunca se casou antes? Um homem como você deve ter tido muitas oportunidades.” Eduardo ficou sério, olhando para suas mãos. Meu pai era um homem muito rígido. Ele queria que eu me casasse jovem, tivesse filhos, expandisse os negócios da família, mas eu sempre resisti. Por quê? Porque ele nunca perguntou o que eu queria.
E eu jurei que nunca faria com outra pessoa o que ele fez comigo. Eduardo a olhou diretamente nos olhos. Até conhecer você. Ana sentiu um arrepio subir pela espinha. O que me faz diferente? Você é a primeira pessoa que encontro. que entende o que é ter sua vida controlada por outros.
E talvez juntos possamos descobrir o que significa fazer nossas próprias escolhas. Quando voltaram à boutique, Ana estava vendo Eduardo com olhos completamente diferentes. Talvez ele não fosse apenas um empresário rico e solitário. Talvez fosse alguém que, como ela, estava tentando encontrar seu lugar no mundo.
Mas será que ela estava preparada para descobrir que havia se apaixonando pelo homem que deveria temer? A mansão de Eduardo nos jardins era ainda mais imponente à noite. Ana observava pela janela do carro enquanto atravessavam o portão eletrônico, sentindo o peso do vestido de noiva e da aliança dourada que agora hornava seu dedo.
A cerimônia havia sido pequena e elegante, exatamente como Eduardo prometera, apenas familiares próximos e alguns amigos íntimos. Ana lembrou-se de como ele segurou sua mão durante os votos, com firmeza suficiente para transmitir segurança, mas sem forçar. “Chegamos”, Eduardo disse suavemente, descendo do carro e oferecendo a mão para ajudá-la.
A casa era um espetáculo de arquitetura moderna brasileira, com jardins perfeitamente cuidados e uma piscina que refletia as luzes internas. Empregados discretos cumprimentaram o casal na entrada, mas rapidamente se retiraram. deixando-os sozinhos. Ana ficou parada no hall de entrada, observando as obras de arte nas paredes, os móveis de designer, o lustre de cristal que pendia do teto alto.
Tudo era lindo, mas impessoal como um hotel de luxo. “Quer que eu mostre a casa?”, Eduardo perguntou, notando sua hesitação. Eles caminharam pelos cômodos, a biblioteca imensa com primeiras edições de grandes autores brasileiros, a sala de jantar com mesa para 12 pessoas, o home theater, a adega climatizada.
Ana admirava tudo, mas sentia-se como uma visitante em um museu. “Este é o quarto principal”, Eduardo disse, abrindo uma porta dupla de madeira maciça. Ana entrou e ficou sem fôlego. O quarto era imenso, com uma cama king size no centro, vista panorâmica da cidade através de janelas do chão ao teto e um banheiro que parecia ter saído de uma revista de decoração. “É lindo”, ela murmurou, mas sua voz saiu trêmula.
Eduardo percebeu imediatamente sua ansiedade. Ele se aproximou devagar, como se estivesse se aproximando de um animal ferido. “Ana, olhe para mim.” Ela ergueu os olhos, sentindo lágrimas não derramadas queimarem suas pálpebras. “Você está com medo?”, não era uma pergunta. Ana assentiu, não confiando na própria voz. Eduardo suspirou profundamente e caminhou até uma poltrona próxima à janela, sentando-se e afrouxando a gravata. Sabe o que vamos fazer hoje à noite?”, perguntou sua voz gentil.
“Vamos conversar, apenas conversar. Mas é nossa noite de núpcias”, Ana sussurrou confusa. “E será perfeita exatamente do jeito que você se sentir confortável para que seja”. Eduardo se levantou e caminhou até um armário, retirando um roupão de seda. Vista isso, deve ser mais confortável que o vestido. Ana pegou o roupão, ainda processando as palavras dele.
Onde você vai dormir? No sofá da sala ou no quarto de hóspedes? Onde você preferir que eu fique? Por quê? Eduardo parou na porta e se virou para ela. Porque casamento é uma maratona, Ana. Não uma corrida de 100 m. Temos a vida inteira para nos conhecermos. Quando Ana saiu do banheiro, já vestindo o roupão e com o cabelo solto, encontrou Eduardo na varanda do quarto, ainda de terno, mas sem a gravata e com os primeiros botões da camisa abertos.
Ele havia preparado um chá e alguns biscoitos em uma mesinha pequena. “Como soube que gosto de chá?”, ela perguntou, sentando-se na cadeira oposta à dele. “Percebi no nosso primeiro encontro. Você pediu chá em vez de café?” Ana ficou surpresa que ele houvesse reparado em detalhes tão pequenos. “Conte-me sobre seus pais”, Eduardo disse, oferecendo-lhe uma xícara.
Ana hesitou por um momento, mas algo na postura relaxada dele, na vista da cidade, cintilando lá embaixo, na privacidade daquele momento, fez com que se sentisse segura para compartilhar. Eles se amavam muito. Começou a voz distante. Papai sempre dizia que mamãe era sua melhor amiga, além de esposa. Eles riam juntos o tempo todo.
“Você quer isso para você?”, a pergunta pegou Ana de surpresa. “Como assim? Um casamento como o dos seus pais, amor, amizade, companheirismo. Ana olhou para as próprias mãos. Eu nem sei se acredito que isso seja possível para mim. Por que não? Porque ela lutou para encontrar as palavras certas.
Porque tudo na minha vida aconteceu por causa de outras pessoas. Nunca tive a chance de escolher realmente. Eduardo assentiu lentamente. Eu entendo mais do que você imagina. Eles conversaram até tarde da madrugada. Eduardo contou sobre sua infância solitária, sobre um pai autoritário que via o filho apenas como sucessor dos negócios, sobre anos de trabalho árduo que preenchiam o vazio emocional de sua vida.
Ana falou sobre os pais, sobre como se sentia perdida sem eles, sobre os anos difíceis com os tios, sobre seus sonhos de estudar literatura que foram abandonados. Quando Ana começou a bocejar, Eduardo se levantou discretamente. Você deve estar cansada. Vou deixá-la descansar. Eduardo. Ela o chamou quando ele chegou à porta. Sim. Obrigada por por hoje, por tudo. Ele sorriu e pela primeira vez Ana viu uma alegria genuína em seus olhos.
Boa noite, Ana. Turma bem. Sozinha no quarto imenso, Ana se deitou na cama Kings e olhou para o teto. Por mais estranho que parecesse, sentia-se mais tranquila do que em semanas. Talvez Eduardo Santos fosse exatamente o que parecia ser, um homem bom que entendia sua dor.
Mas será que Ana estava preparada para abrir seu coração para alguém que poderia ser muito mais do que apenas seu marido? Ana acordou com o sol entrando pelas cortinas de seda, demorando alguns segundos para lembrar onde estava. A cama gigantesca a fez se sentir pequena, mas estranhamente acolhida. O roupão de seda estava macio contra sua pele e, pela primeira vez em muito tempo, ela havia dormido sem pesadelos.
O aroma de café fresco chegava até o quarto, junto com o som distante de música clássica. Ana se levantou, penteou os cabelos e desceu as escadas, seguindo os sons e aromas. Eduardo estava na cozinha, ainda de pijamas, uma visão que a fez corar ligeiramente. Ele estava preparando ovos mexidos e torradas, movendo-se pela cozinha com surpreendente desenvoltura para um homem que claramente tinha empregados.
Bom dia”, ele disse, sem se virar, como se tivesse sentido sua presença. “Espero que tenha dormido bem.” “Muito bem, obrigada.” Ana hesitou na porta da cozinha. “Você cozinha?”, Eduardo riu. Um som que ela estava começando a adorar. Uma das poucas habilidades úteis que desenvolvi nos meus anos de solteiro. “Café, por favor?” Eles tomaram café da manhã na varanda com vista para o jardim onde Colibris visitavam as flores.
Ana observava Eduardo discretamente, notando como ele parecia diferente, longe do ambiente formal dos negócios. Mais jovem, mais relaxado. O que costuma fazer nos fins de semana? Ela perguntou, mordiscando uma torrada com geleia de maracujá. trabalhar principalmente, ele admitiu, parecendo ligeiramente constrangido.
Não sou muito interessante, receio. Não acredito nisso. Todo mundo tem algum hobby. Eduardo pensou por um momento. Gosto de ler. E bem, isto pode soar estranho, mas gosto de cuidar do jardim. Ana olhou para as flores perfeitamente cultivadas ao redor da piscina. Você mesmo cuida de tudo isso? A maior parte é relaxante, me ajuda a pensar.
Havia algo vulnerável na maneira como ele admitiu isso, como se esperasse que ela fosse julgar um bilionário que gostava de mexer na terra. Meus pais tinham uma pequena horta nos fundos de casa. Ana compartilhou. Eu os ajudava a plantar tomates e ervas. Sinto falta do cheiro da terra úmida. Os olhos de Eduardo se iluminaram.
Quer ver algo? Ele aguiou até uma parte dos fundos da casa que ela não havia visto no tour da noite anterior. Lá estava uma pequena estufa repleta de mudas de vegetais e ervas aromáticas. “Achei que você poderia gostar de ter seu próprio cantinho”, ele disse quase timidamente. “Se quiser, claro.” Ana ficou emocionada. Ninguém havia pensado em suas pequenas preferências há muito tempo.
Ela se ajoelhou ao lado de uma muda de manjericão, inalando o aroma familiar. Como soube? Você mencionou no nosso segundo encontro que sentia falta do jardim da sua mãe. Pensei que talvez Ana se levantou e, num impulso ficou na ponta dos pés e beijou suavemente a bochecha de Eduardo. Ele ficou completamente imóvel, surpreso pela demonstração espontânea de afeto.
“Desculpa”, ela murmurou, recuando. Eu não deveria ter não. Ele disse rapidamente, tocando gentilmente a bochecha onde ela havia beijado. Não peça desculpas. Isso foi muito bom. Eles passaram a manhã organizando a pequena horta com Eduardo ensinando Ana sobre os diferentes tipos de solo e Ana compartilhando as técnicas que aprendera com os pais.
Havia algo profundamente íntimo em trabalhar juntos com as mãos na terra, criando algo belo juntos. Eduardo, Ana disse enquanto regava as mudas de alface. Posso perguntar algo pessoal? Claro. Você se arrepende de ter se casado comigo, quero dizer. Mesmo sabendo que foi arranjado, Eduardo parou de mexer na terra e a olhou diretamente.
Ana, desde que meus pais morreram há 15 anos, esta é a primeira vez que acordo ansioso para começar o dia. Não por causa do trabalho ou dos negócios, mas porque há alguém especial na minha casa. As palavras dele fizeram o coração de Ana acelerar de uma maneira completamente nova. E você? Ele perguntou. Se arrepende? Ana pensou cuidadosamente antes de responder.
Não sei ainda, mas não estou mais com medo. Isso já é um começo. Quando entraram para almoçar, ambos estavam com as mãos sujas de terra e sorrindo de uma maneira que não faziam há muito tempo. Hann percebeu que talvez este casamento estranho pudesse se tornar algo que ela jamais imaginou possível.
Mas será que ela estava preparada para descobrir que Eduardo escondia sentimentos que nem ele mesmo compreendia? Três semanas após o casamento, Ana havia se estabelecido em uma rotina confortável na mansão. Suas manhãs eram dedicadas à horta, à tardes à leitura na biblioteca de Eduardo e as noites às longas conversas no terraço.
Eles ainda dormiam em quartos separados, mas Ana notou que a distância física estava diminuindo naturalmente. pequenos toques acidentais, olhares que duravam um pouco mais, sorrisos que apareciam sem motivo aparente. Eduardo havia insistido que ela se matriculasse num curso de literatura na USP, realizando um sonho que ela havia abandonado anos atrás.
Ana acordou naquela manhã de quinta-feira, animada para sua terceira aula quando José ligou. Ana, precisamos conversar. É urgente. A voz do tio estava estranha, uma mistura de raiva e desespero que fez o estômago dela se contrair. O que aconteceu? Não posso falar por telefone. Você pode vir aqui hoje? Ana olhou para Eduardo, que tomava café enquanto lia jornal.
Eles haviam criado o hábito de compartilhar as manhãs antes que ele saísse para o trabalho. Tudo bem? Eduardo? Perguntou, notando sua expressão preocupada. Meu tio quer me ver. diz que é urgente. Uma sombra passou pelo rosto de Eduardo, mas ele se limitou a assentir. Quer que eu vá com você? Não. Acho melhor ir sozinha. O trajeto até a Vila Mariana pareceu mais longo que o usual.
Ana observava a cidade pela janela do carro que Eduardo havia insistido que ela usasse, notando como tudo parecia menor e mais apertado comparado ao bairro dos jardins. A casa dos tios estava exatamente como ela lembrava. pequena, abarrotada, com o mesmo cheiro de humidade que sempre a deprimia. José e Lúcia a esperavam na sala, mas algo estava diferente em seus rostos.
Ana, José começou sem rodeios. Descobrimos algo terrível sobre seu marido. O coração dela parou. O quê? Lúcia estendeu alguns papéis impressos da internet. Eduardo Santos não é quem ele diz ser. Ana pegou os papéis com mãos trêmulas. eram artigos de jornais econômicos, alguns em português, outros traduzidos do inglês. Ele construiu seu império destruindo empresas familiares.
José continuou, a voz carregada de indignação. Compra empresas em dificuldade financeira, demite funcionários em massa, vende os ativos e lucra milhões com o sofrimento alheio. Ana lia os artigos sentindo náusea crescer em seu estômago. As manchetes eram brutais.
O rei das aquisições hostis, Eduardo Santos, o empresário sem coração, mais uma empresa familiar destruída pelo grupo Santos. Olha este Lúcia apontou para um artigo específico. Ele comprou uma fábrica de móveis em Minas Gerais no ano passado. Mais de 300 famílias perderam o emprego. A empresa tinha 50 anos de história. “Por que vocês estão me mostrando isso agora?”, Ana perguntou, a voz saindo mais áspera que pretendia.
Porque queremos proteger você”, José exclamou. Ana, você se casou com um monstro, um homem que destrói vidas pelo lucro. Ana sentiu como se o chão estivesse se abrindo sob seus pés. As últimas três semanas, a gentileza de Eduardo, as conversas íntimas, os pequenos gestos de carinho, tudo parecia uma mentira.
Agora tem mais, Lúcia disse relutantemente. Descobrimos que ele pagou nossas dívidas não por generosidade, foi uma estratégia de negócios. Como assim? Ele estava interessado no terreno do seu pai, aquele pequeno lote na zona norte que seus pais deixaram para você. Vale muito mais agora por causa do plano diretor da cidade. Ao se casar com você, ele automaticamente tem acesso aos bens.
Ana sentiu o mundo girar. O pequeno terreno, que era tudo o que restava dos pais, a única coisa verdadeiramente sua, não passava de uma transação comercial para Eduardo. “Sa, não pode ser verdade”, ela sussurrou, mas sua voz soava fraca até para si mesma. José se aproximou e colocou as mãos nos ombros da sobrinha.
Ana, sabemos que é difícil aceitar, mas você precisa se proteger. Pode pedir anulação do casamento, alegando que foi enganada sobre o caráter dele. Ana se levantou abruptamente, os papéis caindo no chão. Preciso ir, Ana. Espere. Mas ela já estava saindo, correndo para o carro, com lágrimas queimando seus olhos.
Durante todo o trajeto de volta aos jardins, as manchetes dos jornais ecoavam em sua mente como acusações. Quando chegou à mansão, Eduardo ainda não havia retornado do trabalho. Ana foi direto para o quarto dele e começou a procurar, sem saber exatamente o quê. Havia um escritório anexo que ela nunca havia explorado completamente.
Na mesa encontrou contratos, planilhas, relatórios financeiros e lá no meio dos papéis estava um documento que fez seu sangue gelar. Análise de viabilidade, terreno Silva, zona norte. Suas pernas falharam e ela se sentou pesadamente na cadeira do escritório, segurando o documento com mãos trêmulas.
O relatório detalhava exatamente como José havia descrito. O terreno dos pais valia uma fortuna devido aos novos planos de desenvolvimento urbano. Ana, ela se virou para encontrar Eduardo na porta, ainda de terno com uma expressão confusa que rapidamente se transformou em preocupação ao ver seu estado.
O que você está fazendo no meu escritório? Ana ergueu o documento sem conseguir articular palavras. Eduardo olhou para o papel em suas mãos e seu rosto empalideceu. Ana, eu posso explicar? Pode? A voz dela saiu como um grito estrangulado. Pode explicar como me usou? Como fingiu ser uma pessoa decente enquanto planejava roubar tudo o que me restou dos meus pais? Eduardo deu um passo em sua direção, mas ela recuou.
Não chegue perto de mim, Ana. Por favor, me escute. Não. Ela se levantou. jogando o documento na mesa. Não quero ouvir mais mentiras. Sei quem você realmente é, Eduardo Santos. Sei sobre as empresas que você destrói, sobre as famílias que você arruína. Eduardo fechou os olhos, respirando fundo. Quando os abriu, havia uma tristeza profunda neles que quase fez Ana hesitar.
Você está certa”, ele disse finalmente, “Sobretudo.” As palavras dele foram como um soco no estômago. Parte de Ana ainda esperava que ele negasse, que explicasse, que tornasse tudo um mal entendido. Então, era tudo mentira estes dias, as conversas, a gentileza? Eduardo a olhou por um longo momento antes de responder: “Não, Ana, isso era real.
Talvez a única coisa real na minha vida. Mas será que essa confissão seria suficiente para salvar um casamento construído sobre mentiras? Eduardo fechou a porta do escritório atrás de si e se encostou nela, como se quisesse bloquear qualquer fuga. Ana ficou do outro lado da mesa, usando-a como barreira física entre eles.
“Você tem direito de saber a verdade toda”, ele disse, a voz baixa, mas firme. “Não vou mentir mais.” Ana cruzou os braços, tentando proteger-se da vulnerabilidade que ameaçava dominá-la. Então, fale, conte-me quem você realmente é. Eduardo caminhou até a janela, olhando para o jardim que eles haviam cuidado juntos naquela manhã, que agora parecia ter acontecido em outra vida.
Meu pai construiu esta empresa do zero, começou. Era um homem brilhante, mas impiedoso. Ele me ensinou que nos negócios não há espaço para sentimentos. que a única coisa que importa é o resultado final. E você aceitou essa filosofia por muito tempo. Sim. Eduardo se virou para encará-la. Quando ele morreu, eu tinha 34 anos e uma empresa gigante para administrar.
Pensei que a única maneira de honrar sua memória era sendo ainda mais eficiente que ele. Ana observou o rosto dele, procurando sinais de mentira, mas encontrou apenas uma honestidade dolorosa. Você realmente destruiu todas aquelas empresas, arruinou todas aquelas famílias? Eduardo fechou os olhos. Sim.
A simplicidade da resposta foi mais devastadora que qualquer justificativa. E o meu terreno? Foi por isso que se interessou por mim? Inicialmente sim. A voz dele mal passava de um sussurro. Meus advogados descobriram sobre o terreno e sugeriram que eu me aproximasse de você. Quando seus tios procuraram nossa empresa pedindo um empréstimo, pareceu conveniente.
Ana sentiu como se tivesse levado um tapa. Conveniente, Ana, por favor, deixe-me terminar. Não há nada mais a dizer. Ah, sim. Eduardo deu um passo em direção à mesa, porque tudo mudou no momento em que a vi naquele restaurante. Ana riu amargamente. Mudou? Como assim mudou? Eu não esperava. Não esperava por você. Não entendo.
Eduardo passou as mãos pelos cabelos, claramente lutando para encontrar as palavras certas. Ana, eu passei 15 anos da minha vida focado apenas em lucro e poder. Nunca me importei com as pessoas que machucava, porque nunca me permiti vê-las como pessoas reais. Eram apenas números em planilhas, obstáculos para o sucesso. Ana permaneceu em silêncio, os braços ainda cruzados defensivamente, mas quando a conheci, ele continuou.
Quando vi como você se preocupava com seus tios, mesmo eles a tratando mal, como falava dos pais com tanto amor, como tinha medo, mas ainda assim mostrava coragem. Ana, você me mostrou o que eu havia me tornado e o que você havia se tornado. Um homem vazio, rico, poderoso, mas completamente vazio. Eduardo se aproximou mais um passo. Pela primeira vez em 15 anos, comecei a questionar se valia a pena construir um império sobre o sofrimento dos outros.
Ana sentiu lágrimas queimar em seus olhos, mas lutou contra elas. Belas palavras, Eduardo, mas o documento sobre o terreno está datado da semana passada. Você ainda estava planejando tomar o que é meu. Eduardo baixou a cabeça derrotado. Você está certa. Pedi esse relatório porque porque não conseguia acreditar que meus sentimentos por você fossem reais. Pensei que talvez ainda fosse sobre o negócio.
E, e quando li o relatório, senti nojo de mim mesmo. Joguei o documento numa gaveta e pensei em rasgá-lo mil vezes. Ana estudou o rosto dele, procurando sinais de manipulação. Por que não rasgou, então? Porque sou covarde. Ele admitiu. Porque tenho medo de que sem os negócios, sem o poder, eu não seja nada.
E tenho mais medo ainda de que você descubra isso e me deixe. A honestidade brutal da resposta pegou Ana de surpresa. Ela havia esperado negativas, justificativas, talvez até raiva, mas não essa vulnerabilidade crua. Eduardo! Ela disse lentamente. Você realmente acredita que pode simplesmente me dizer isso e eu vou esquecer tudo? Não, não espero que você esqueça, nem que me perdoe.
Ele caminhou até a mesa e pegou o documento sobre o terreno, rasgando-o metodicamente em pequenos pedaços. Mas espero que me dê uma chance de mostrar que posso mudar. Ana observou os pedaços de papel caindo como confete triste sobre a mesa. Como eu posso confiar em você quando tudo em que acreditei nesses dias foi construído sobre uma mentira? Não foi tudo mentira, Ana.
Meus sentimentos por você, o quanto gosto da sua companhia, como você faz meu mundo fazer sentido pela primeira vez. Nada disso é mentira. Como eu posso saber a diferença? Eduardo ficou em silêncio por um longo momento, então abriu uma gaveta da mesa e retirou alguns documentos. O que é isso? Contratos que eu recusei assinar na última semana. três empresas familiares que eu poderia ter comprado e desmontado.
Lucro estimado de R$ 50 milhões de reais. Ana pegou os documentos vendo as anotações escritas à mão. Recusado e s. Por que recusou? Porque toda vez que imaginava assinar, via o rosto das pessoas que perderiam o emprego. E pela primeira vez na minha vida, isso importou mais que o lucro. Ana sentiu suas defesas começando a ruir, mas lutou para mantê-las erguidas.
Eduardo, eu não sei se posso, Ana, eu não estou pedindo perdão imediato. Estou pedindo uma chance de provar que o homem que você conheceu nestas três semanas é quem eu quero ser com você. Eles ficaram em silêncio, separados pela mesa, mas conectados por uma tensão emocional quase palpável. Preciso de tempo. Ana finalmente sussurrou.
Preciso pensar quanto tempo você precisar. Ana saiu do escritório com passos lentos, sentindo o peso de cada revelação em seus ombros. No corredor, parou e se virou para Eduardo, que ainda estava parado próximo à mesa. “Uma pergunta? Se eu decidir partir, você vai tentar me impedir?” Eduardo a olhou com uma expressão que misturava amor e desespero.
Ana, se você partir, eu vou morrer por dentro. Mas não, eu nunca tentaria impedi-la. Você já teve gente demais controlando sua vida. Mas será que Ana seria capaz de distinguir entre o homem que Eduardo havia sido e aquele que ele prometia se tornar? Ana passou três dias evitando Eduardo.
Ela saía de casa cedinho para as aulas na USP e voltava tarde, trancando-se na biblioteca ou caminhando sozinha pelo jardim quando sabia que ele estava no escritório. Eles se cruzavam apenas durante as refeições, trocando cumprimentos educados mais distantes. Eduardo respeitava seu espaço, mas Ana podia sentir seu olhar em cada ambiente que entravam.
Havia uma tristeza nele que estava ficando mais visível a cada dia, os ombros mais curvados, as olheiras mais profundas, um ar de derrota que contrastava com o homem confiante que ela havia conhecido. Na manhã de sábado, Ana acordou com o som de vozes altas vindo do jardim. Ela se aproximou da janela e viu Eduardo conversando com três homens de terno, todos com expressões sérias.
Um deles gesticulava vigorosamente, claramente contrariado. Curiosa, apesar de si mesma, Ana se vestiu e desceu, aproximando-se discretamente da conversa. Isso é inaceitável, Eduardo. Um dos homens estava dizendo. Você recusou quatro aquisições lucrativas nas últimas duas semanas. Os acionistas estão começando a questionar suas decisões.
Roberto, as empresas que vocês queriam comprar eram familiares. Estão com dificuldades temporárias, mas não precisam ser desmontadas. Desde quando isso nos importa? O segundo homem interveio. Oportunidade é oportunidade. Se não aproveitarmos, outros vão aproveitar. Eduardo suspirou, passando as mãos pelo rosto. Talvez seja a hora de mudarmos nossa estratégia. Os três homens se entreolharam claramente alarmados.
Eduardo, o terceiro homem falou o tom mais conciliador. Sei que você se casou recentemente. Talvez sua esposa esteja influenciando suas decisões. Ana sentiu o sangue esquentar. Ela estava prestes a se revelar quando Eduardo respondeu. Sua voz ganhando uma dureza que ela não ouvia há semanas. Deixem minha esposa fora desta conversa.
As mudanças nas minhas decisões são puramente minhas. Mas, Eduardo, a conversa acabou, cavalheiros. Obrigado pela visita. Os três homens saíram visivelmente irritados, murmurando entre si. Eduardo ficou parado no jardim, olhando para as flores que eles haviam plantado juntos, os ombros tensos. Hana se aproximou devagar e ele se virou ao ouvir seus passos. Ouvi a conversa.
Ela disse, “Desculpe, não era minha intenção espionar. Tudo bem, não eram segredos”. Eduardo pareceu hesitar, então continuou. Ana, eles estão certos sobre uma coisa. Você mudou minhas decisões. O coração dela acelerou. Como assim? Antes de te conhecer, eu via apenas números. Agora, quando analiso uma empresa, vejo rostos, famílias, pessoas como você que podem perder tudo por causa das minhas decisões. Ana estudou a expressão dele.
E isso te incomoda? Perder dinheiro? Eduardo riu sem humor. Sabe o que é engraçado? Eu achava que sim, mas descobri que prefiro dormir tranquilo do que ter mais alguns milhões no banco. Eles ficaram em silêncio por alguns momentos, observando os colibris que visitavam as flores. Eduardo, Ana disse finalmente: “Preciso te contar uma coisa.” Ele a olhou expectante.
“Eu não me importo com o terreno. Como assim?” Ana se sentou no banco próximo às rosas. O terreno dos meus pais, ele nunca foi importante para mim pelo valor financeiro. Era importante porque era deles. Mas percebo agora que as melhores lembranças que tenho deles não estão presas naquele lote de terra. Eduardo se sentou ao lado dela, mantendo uma distância respeitosa.
Onde estão, então? Ana sorriu tristemente. Estão aqui. Ela tocou o próprio peito. No amor que eles me ensinaram, na gentileza que me mostraram. na maneira como cuidavam um do outro. “Ana, deixe-me terminar.” Ela se virou para encará-lo completamente.
Estes últimos dias, fiquei tentando decidir se posso confiar em você, mas percebo que a pergunta real é: “Posso confiar em mim mesma?” Eduardo franziu a testa confuso. “Eu me apaixonei por você, Eduardo.” As palavras saíram mais altas do que ela pretendia, ecoando pelo jardim. Eduardo ficou completamente imóvel, como se não pudesse acreditar no que havia ouvido.
Me apaixonei pelo homem que me trouxe flores no primeiro encontro, que respeitou meus medos na noite de Núcias, que me ensinou sobre plantas, que ouve minhas histórias sobre meus pais. As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Ana. Me apaixonei pelo homem que rasgou aqueles documentos sem eu pedir. Ana, a voz de Eduardo estava rouca de emoção, mas também me apaixonei por um homem que construiu uma fortuna sobre o sofrimento alheio e não sei como lidar com essas duas verdades ao mesmo tempo.
Eduardo se aproximou devagar, como havia feito naquela primeira noite de casamento. “Posso pegar sua mão?” Ana assentiu, sentindo os dedos dele entrelaçarem com os seus. Ana, eu não posso mudar meu passado, não posso desfazer o mal que causei, mas posso prometer que a partir de hoje cada decisão que eu tomar será pensando no homem que você me faz querer ser.
Como posso ter certeza? Por quê? Eduardo se ajoelhou no chão à frente dela, ainda segurando suas mãos. Você é a primeira pessoa na minha vida que me ama pelo que posso ser, não pelo que possuo. E isso mudou tudo para mim. Ana olhou para o homem ajoelhado à sua frente, poderoso, rico, temido no mundo dos negócios, mas completamente vulnerável diante dela.
Eduardo, se vamos tentar fazer isso dar certo, preciso que você saiba de uma coisa, qualquer coisa. Não quero viver nesta mansão. Não quero jantares em restaurantes caros ou joias de presente. Quero uma vida simples, real. Quero um lar, não um museu. Eduardo sorriu e foi o primeiro sorriso genuíno que ela viu nele em dias.
Ana Silva Santos, posso construir uma nova vida com você? Pela primeira vez, desde a revelação sobre o terreno, Ana sentiu a esperança crescer em seu peito. Vamos descobrir juntos. Mas será que o amor seria suficiente para transformar um homem acostumado a destruir em alguém capaz de construir? Dois meses depois da grande revelação, Ana acordou com Eduardo, segurando uma xícara de café e um jornal imobiliário.
“Bom dia”, ele disse, depositando um beijo suave em sua testa. Eles haviam progredido para pequenas demonstrações de afeto físico, embora ainda dormissem em quartos separados. “O que está lendo com tanto interesse?” Ana se acomodou na cama, puxando o roupão. Casas.
Você disse que queria sair da mansão, então estou procurando opções. Ana pegou o jornal de suas mãos, foliando as páginas de imóveis de luxo. Mansões ainda maiores que a atual, apartamentos de cobertura, casas de praia que custavam fortunas. Eduardo! Ela disse gentilmente: “Quando eu disse que queria uma casa simples, eu realmente quis dizer simples.” Ele a olhou confuso.
“Estas são simples. Veja, esta aqui tem apenas cinco quartos.” Ana não pôde evitar rir. Meu amor, nós dois somos duas pessoas. Para que precisamos de cinco quartos? A palavra amor havia escapado naturalmente de seus lábios e ambos ficaram surpresos com a intimidade dela. Eduardo sorriu, uma expressão calorosa espalhando-se por seu rosto.
Você me chamou de amor, Ana corou. Eu bem, gostei. Ele se inclinou e beijou suavemente seus lábios. Um beijo terno e cuidadoso que fez o coração dela acelerar. Agora me explique o que você considera uma casa simples. Ana se levantou e caminhou até a janela, olhando para o jardim perfeitamente paisagístico.
Uma casa onde possamos cozinhar juntos sem precisar caminhar 5 minutos para chegar de um lado da cozinha ao outro. Um lugar onde possamos ouvir música sem que ela ecoe. Como numa catedral, uma casa com história com alma. Eduardo se aproximou por trás, envolvendo-a delicadamente com os braços. E onde fica essa casa dos seus sonhos? Ana se permitiu relaxar contra o peito dele, em um bairro com árvores nas calçadas, com vizinhos que se conhecem pelo nome, perto de uma padaria, onde podemos comprar pão quentinho pela manhã. Parece perfeito. Você realmente estaria
disposto a deixar tudo isso? Ana gesticulou para a opulência ao redor. Ana Eduardo a virou para encará-lo. Esta casa nunca foi um lar. Era apenas um lugar para dormir entre um dia de trabalho e outro. Com você descobri a diferença. No fim de semana seguinte, eles saíram para procurar casas.
Eduardo havia dispensado o corretor e agente imobiliário, preferindo caminhar pelos bairros que Ana sugeria. Visitaram Pinheiros, Vila Madalena, Perdizes, procurando por algo que falasse aos dois. Foi em uma rua arborizada de Higienópolis que Ana parou, apontando para uma casa que mal podia ser vista atrás de uma cerca viva exuberante. Aquela era uma casa colonial portuguesa dos anos 1940, pintada de amarelo claro, com detalhes em branco.
Tinha um jardim frontal selvagem, mas charmoso, uma varanda coberta com colunas de pedra e janelas de madeira que falavam de décadas de histórias. Parece abandonada. Eduardo observou. Parece esquecida. Ana corrigiu. Há uma diferença. Eles descobriram que a casa estava à venda há dois anos. A proprietária anterior, uma senhora idosa, havia falecido e os herdeiros não tinham interesse em manter o imóvel.
Precisava de reformas, mas a estrutura estava sólida. Quando entraram, Ana sentiu imediatamente que estava em casa. Os cômodos tinham proporções humanas, nem muito grandes, nem muito pequenos. As janelas permitiam que luz natural banhe cada ambiente. Havia uma lareira na sala, pisos originais de madeira que precisavam apenas de cuidado e uma cozinha espaçosa que convidava a convivência.
“O que acha?”, Ana, perguntou, observando Eduardo examinar as instalações elétricas com atenção. “Acho que nunca vi você tão animada.” Era verdade. Ana caminhava pela casa como se estivesse dançando, tocando as paredes, imaginando móveis, visualizando suas manhãs ali. Eduardo, olhe isto. Ela o chamou da varanda dos fundos.
Havia um quintal generoso com árvores frutíferas centenárias, uma mangueira, um pé de jabuticaba, rosezeiras antigas que precisavam apenas de poda. Ana podia imaginar uma horta em um canto, uma mesa para refeições ao ar livre no outro. É perfeita. Ela sussurrou. Eduardo a observava com uma expressão que ela estava aprendendo a reconhecer.
Uma mistura de admiração e algo mais profundo. Então é nossa ele disse simplesmente. Eduardo, você nem perguntou o preço. Ele riu, puxando-a para seus braços. Ana, posso comprar 100 casas como esta sem pestanejar, mas se esta é a que faz você feliz, então não há preço. Naquela noite, na mansão dos jardins, eles se sentaram no escritório de Eduardo para planejar a mudança.
Ana havia espalhado revistas de decoração pela mesa, fazendo anotações sobre cores e móveis. “Quer pintar o quarto do casal de azul acinzentado?”, Ela murmurava, mais para si mesma que para ele. Eduardo parou de ler um documento e a olhou. Do casal. Ana congelou percebendo o que havia dito.
Eles haviam falado sobre a mudança, sobre começar uma nova vida, mas nunca haviam discutido explicitamente o próximo passo em seu relacionamento físico. Eu presumi. Pensei que talvez ela gaguejou. Eduardo deixou os papéis de lado e se aproximou da cadeira dela. Ana, você gostaria que dormíssemos no mesmo quarto? A pergunta era direta, mas gentil.
Hana olhou para as próprias mãos, sentindo o rosto esquentar. Eu gostaria de tentar, admitiu baixinho. Se você quiser também. Eu quero Eduardo disse sem hesitação. Mas apenas quando você se sentir pronta. Ana ergueu os olhos para encontrar os dele. “Como vamos saber quando eu estiver pronta? Você vai saber e vai me contar.” A simplicidade e paciência da resposta fez o coração de Ana se derreter um pouco mais.
Mas será que Ana estaria preparada para descobrir que o amor físico pode ser tão transformador quanto o emocional? A reforma da casa em Higienópolis tomou três meses. Ana acompanhava o progresso diariamente, enquanto Eduardo dividia seu tempo entre o trabalho e surpreendê-la com pequenos detalhes que tornavam a casa ainda mais especial.
Uma estante de livros embutida na sala, um jardim de inverno na área de serviço, um escritório pequeno, mas aconchegante para ela estudar. Na véspera da mudança, Ana estava na mansão empacotando seus poucos pertences quando encontrou uma foto dos pais no fundo de uma gaveta. Era uma foto simples, tirada no quintal da casa onde crescera.
Seu pai com o braço ao redor da mãe, ambos sorindo naturalmente para a câmera. Era assim que eles se olhavam? Ana se virou para encontrar Eduardo na porta do quarto, observando a foto por cima de seu ombro. sempre, mesmo depois de 15 anos de casados, eles ainda se olhavam como se fossem namorados. Eduardo pegou delicadamente a foto de suas mãos. Seu pai parece um homem gentil. Era.
Ele dizia que a medida de um homem não era o dinheiro que ganhava, mas como tratava as pessoas que amava. Eduardo ficou em silêncio por um longo momento, estudando a imagem. Acha que ele aprovaria isso? Nós? A pergunta pegou Ana de surpresa. Por que você se importaria com a opinião de um homem que nunca conheceu? Porque ele criou você e porque Eduardo hesitou? Porque gostaria de ser o tipo de homem que ele respeitaria. Ana sentiu lágrimas picar em seus olhos.
Eduardo, meu pai sempre dizia que as pessoas podem mudar, mas apenas se realmente quiserem. Acho que ele ficaria orgulhoso de ver o homem que você está se tornando. Eduardo devolveu a foto a ela, mas não antes de depositar um beijo suave em sua testa. Vou deixar você terminar de arrumar. Naquela noite, Ana mal conseguiu dormir.
Não era ansiedade sobre a mudança, mas uma antecipação diferente, mais profunda. Ela havia passado os últimos meses observando Eduardo mudar, vendo-o recusar negócios questionáveis, tratando os funcionários com mais respeito, até mesmo doando anonimamente para famílias que haviam sido prejudicadas por suas aquisições anteriores.
mais importante, ela havia observado a si mesma mudando. A jovem tímida e amedrontada, que se casara há seis meses, estava se transformando em uma mulher confiante, que conhecia o próprio valor. Eduardo nunca a pressionava, mas também nunca a tratava como se fosse frágil demais para suas próprias decisões.
A mudança no dia seguinte foi surpreendentemente simples. Ana havia insistido em levar apenas o essencial da mansão, alguns livros, roupas, a foto dos pais. O resto eles comprariam juntos, criando algo novo. Quando entraram na casa reformada, Ana ficou sem fôlego. Eduardo havia respeitado cada um de seus pedidos. As paredes pintadas em tons suaves, os móveis simples, mas elegantes, muita luz natural e plantas em cada cômodo. Eduardo está perfeita.
Eles caminharam pela casa como turistas em território conhecido. A cozinha tinha um balcão onde poderiam tomar café juntos pela manhã. A sala de estar convidava a leitura e conversas. O quarto, o quarto era exatamente como Ana havia sonhado. As paredes azul acinzentadas criavam um ambiente sereno.
A cama de casal, uma única cama, estava posicionada de forma que acordariam com o sol, entrando pelas janelas que davam para o jardim. Havia uma poltrona de leitura no canto e uma cômoda antiga que Eduardo havia encontrado no antiquário. “Gostou?”, Eduardo? Perguntou, notando que ela havia ficado parada na porta. É nossa Ana disse as palavras carregadas de significado.
Eles passaram o primeiro dia organizando, desempacotando, descobrindo juntos onde cada coisa ficaria melhor. À noite, Ana preparou um jantar simples na cozinha nova, enquanto Eduardo montava um pequeno aparelho de som na sala. “Que música você gosta?”, ele perguntou. Bossa Nova, especialmente João Gilberto. Logo os acordes suaves de Corcovado preencheram a casa, criando uma atmosfera de intimidade que fez Ana se sentir corajosa.
Após o jantar, eles se sentaram no sofá da sala, mais próximos do que normalmente se permitiam ficar. Ana estava encostada no ombro de Eduardo, sentindo a respiração dele em seus cabelos. Eduardo? Hum. Tem certeza de que quer dormir na mesma cama que eu, mesmo sabendo que eu ainda não estou pronta para tudo? Eduardo se afastou ligeiramente para poder olhá-la nos olhos.
Ana, estar perto de você, acordar ao seu lado, isso já é mais do que sonhei ter. O resto acontecerá quando for o momento certo para nós dois. Ana estudou o rosto dele, as pequenas rugas ao redor dos olhos, a cicatriz no queixo, a gentileza que agora reconhecia como genuína. Acho ela disse devagar, que gostaria de tentar dormir na mesma cama, quero dizer.
Tem certeza? Ana assentiu, sentindo seu coração acelerar, não de medo, mas de antecipação. Naquela noite, eles se prepararam para dormir com uma formalidade quase cômica. Eduardo no banheiro social, Ana no suí. Quando finalmente se encontraram na cama, ambos vestindo pijamas conservadores, ficaram deitados inicialmente um de cada lado, um espaço respeitoso entre eles.
Ana, sim, posso dar boa noite? Ela se virou para ele e a beijou suavemente nos lábios. Um beijo que falava de promessas futuras, sem pressa alguma. Boa noite”, ela murmurou contra seus lábios. Han adormeceu, ouvindo a respiração de Eduardo ao lado, sentindo-se mais segura e amada do que jamais imaginara ser possível.
Mas será que ela estava preparada para o próximo passo em direção a uma intimidade completa? Três semanas depois de se mudarem para a casa em Higienópolis, Ana acordou antes de Eduardo pela primeira vez. O sol da manhã filtrava pelas cortinas, criando padrões de luz no rosto dele enquanto dormia. Ela o observou discretamente, notando como ele parecia mais jovem no sono, as linhas de tensão do trabalho suavizadas pela paz.
Nos últimos dias, seus momentos de intimidade haviam se aprofundado naturalmente. Pequenos beijos tornaram-se abraços mais longos. Mãos que se encontravam por acaso começaram a se demorar mais. Ana sentia uma mudança em si mesma, uma curiosidade crescente sobre o próprio corpo e sobre o homem que dormia ao seu lado.
Eduardo começou a despertar, piscando lentamente antes de focar nela. “Bom dia”, ele murmurou, a voz ainda rouca de sono. “Bom dia.” Ana não se afastou como fazia anteriormente. Em vez disso, permaneceu de lado, estudando o rosto dele. Dormiu bem? Melhor do que em meses. Eduardo se virou completamente para ela, apoiando a cabeça na mão. E você? Ana a sentiu, mas havia algo diferente em seus olhos.
Uma determinação que Eduardo não havia visto antes. Eduardo ela disse, a voz ligeiramente trêmula, mas firme. Posso te perguntar algo? Sempre. Você você sente falta de intimidade física? A pergunta o pegou desprevenido. Eduardo ficou completamente imóvel por alguns segundos, processando apenas a pergunta, mas o tom dela.
Ana, por que está perguntando? Ela corou, mas não desviou o olhar. Porque eu tenho pensado nisso, em nós, em como me sinto quando você me beija, quando me toca. Eduardo se sentou na cama lentamente, como se quisesse dar a ela espaço para mudar de ideia, se necessário. E como você se sente? Ana também se sentou, puxando os joelhos contra o peito, um gesto que Eduardo reconheceu como seu mecanismo de proteção quando estava sendo vulnerável.
Eu me sinto curiosa e um pouco assustada, mas não como antes. Ela pausou, buscando as palavras certas. Antes eu tinha medo de você, do que você poderia fazer comigo. Agora eu tenho medo de não ser suficiente. Suficiente como para você, um homem experiente, sofisticado. Eu não sei nada sobre sobre como agradar um homem. Eduardo se aproximou devagar, estendendo a mão para tocar gentilmente o rosto dela. Ana, olhe para mim.
Ela ergueu os olhos, encontrando uma ternura que a tranquilizou imediatamente. Você não precisa ser nada além do que é e não há pressa nenhuma. Ana cobriu a mão dele com a sua. E se eu quiser que haja pressa? E se eu estiver pronta? O coração de Eduardo acelerou, mas ele manteve a voz calma.
Você tem certeza? Em vez de responder com palavras, Ana se inclinou para a frente e o beijou. Não foi o beijo casto e delicado que eles haviam compartilhado até então, mas algo mais profundo, mais necessitado. Eduardo respondeu cuidadosamente ao primeiro, deixando que ela determinasse o ritmo.
Quando Ana aprofundou o beijo, envolvendo os braços ao redor do pescoço dele, Eduardo sentiu um arrepio de desejo que lutou para controlar. “Ana”, ele murmurou contra seus lábios. “Tem certeza absoluta?” Ela o olhou diretamente nos olhos. E ele viu uma certeza nova ali, uma confiança que ela havia encontrado não apenas nele, mas em si mesma. Sim, foi uma palavra simples, mas carregada de tanto significado que Eduardo sentiu os olhos marejarem.
Esta mulher extraordinária, que havia começado como uma transação comercial, havia se tornado o centro de seu mundo e agora estava se entregando a ele por escolha própria. Eduardo a beijou novamente, desta vez com mais intensidade, suas mãos encontrando os cabelos dela, seu corpo respondendo à proximidade que haviam negado a si mesmos por tanto tempo. “Vamos devagar”, ele sussurrou. Se quiser parar a qualquer momento, eu sei”, Ana respondeu, mas sua voz estava firme. Confio em você. As três palavras foram como um presente para Eduardo.
Durante todo o seu relacionamento, ele havia trabalhado para merecer essa confiança e agora ela estava oferecendo-a livremente. O que se seguiu foi uma descoberta gentil e cuidadosa. Eduardo guiou Ana através de sensações que ela nunca havia experimentado, atento a cada reação, cada suspiro, cada momento de hesitação ou prazer.
Ana, por sua vez, descobriu não apenas o próprio corpo, mas o poder de tocar alguém que amava. Quando finalmente se uniram completamente, Ana sentiu lágrimas de alegria escorrerem por seu rosto. Não havia dor como havia temido, apenas uma sensação de completude que ela nunca imaginara ser possível. “Você está bem?”, Eduardo? Perguntou, secando delicadamente suas lágrimas.
“Estou perfeita”, ela sussurrou. “Estou em casa. Eles permaneceram abraçados depois, Ana, aninhada contra o peito de Eduardo, ouvindo o coração dele gradualmente voltar ao ritmo normal. Eduardo! Hum, eu te amo.” Foram as primeiras palavras de amor que ela disse conscientemente, sem que escapassem por acidente.
Eduardo se afastou ligeiramente para ver seu rosto. “Eu também te amo, Ana, mais do que pensei ser possível amar alguém. Naquele momento, com a luz do sol enchendo seu quarto na casa que haviam escolhido juntos, Ana soube que havia encontrado não apenas um marido, mas um verdadeiro companheiro de vida.
Mas será que ela estava preparada para descobrir que o amor verdadeiro era apenas o começo de sua jornada juntos? Seis meses depois de se mudarem para Higienópolis, Ana e Eduardo haviam encontrado um ritmo de vida que os fazia genuinamente felizes. Eduardo havia implementado mudanças radicais em sua empresa, criando um programa de responsabilidade social, oferecendo consultoria gratuita para pequenas empresas em dificuldade e estabelecendo um fundo para ajudar funcionários demitidos em aquisições passadas.
Ana havia se formado em literatura e começado a dar aulas particulares para adolescentes, descobrindo uma paixão pelo ensino que não sabia que possuía. Suas manhãs eram dedicadas ao trabalho, as tardes à casa e ao jardim que haviam expandido e as noites a Eduardo. Era uma quinta-feira de manhã quando Ana percebeu que algo estava diferente.
Ela acordou com náusea, uma sensação estranha que persistiu mesmo depois do café da manhã. Você está bem? Eduardo perguntou, notando que ela havia tocado apenas na torrada. Acho que é só cansaço Ana respondeu. Mas algo em sua expressão preocupou Eduardo. Que tal tirar o dia de folga? Cancelar as aulas? Não estou bem. Só preciso de ar fresco.
Mas durante a primeira aula, Ana sentiu uma onda de enjoo tão forte que teve que interromper a explicação sobre Machado de Assis para correr ao banheiro. Quando voltou, pálida e trêmula, a mãe de sua aluna insistiu para que voltasse para casa. No trajeto, Ana foi conectando os sinais que havia ignorado, os seios mais sensíveis, o cansaço excessivo, a falta de apetite pela manhã.
Mas foi apenas quando percebeu que estava atrasada há duas semanas, que a possibilidade finalmente se cristalizou em sua mente. Parou numa farmácia e comprou um teste de gravidez, as mãos tremendo ligeiramente ao entregar o dinheiro para o farmacêutico. Em casa, sentada no banheiro que dividia com Eduardo, Ana encarou o teste por longos minutos antes de abrir a caixa. Eles nunca haviam conversado sobre filhos.
O relacionamento havia evoluído tão naturalmente que questões sobre o futuro sempre pareciam poder esperar. Dois traços rosa apareceram na janela do teste, claros e incontestáveis. Ana se sentou na borda da banheira, o teste ainda nas mãos, tentando processar a magnitude da descoberta. Um bebê. Ela estava grávida do filho de Eduardo.
Medo e alegria se misturavam em seu peito de maneira confusa. Ela amava Eduardo profundamente e sabia que ele a amava. Mas um filho mudava tudo. Responsabilidades, dinâmica do relacionamento, o futuro que haviam começado a construir. “Ana, você está em casa?” A voz de Eduardo, vinda do andar de baixo, a fez guardar rapidamente o teste no bolso do hobby. Ela não estava pronta para contar ainda.
Precisava processar a informação primeiro. Estou aqui em cima, ela respondeu, esperando que a voz saísse normal. Eduardo apareceu na porta do quarto, já afrouxando a gravata. Como foi o dia? Conseguiu se sentir melhor? Ana o observou enquanto ele tirava o palitó e o pendurava no armário. Eduardo, aos 50 anos, ainda era um homem atraente e vital, mas como reagiria à ideia de ser pai pela primeira vez nesta idade? Eduardo, ela começou, depois parou.
Como foi seu dia? Se ele percebeu a mudança de assunto, não comentou. Interessante, na verdade. Lembra da empresa de móveis que meus sócios queriam que eu comprasse no início do ano? Ana assentiu, lembrando-se das discussões tensas sobre mudança de estratégia. Eles me procuraram hoje, não para vender, mas para uma parceria. Querem que nossa consultoria os ajude a se modernizar sem perder a característica familiar.
Isso é maravilhoso. Ana sorriu genuinamente, orgulhosa da transformação dele. É. E sabe o que é mais engraçado? Ao final da reunião, o patriarca da empresa me disse algo que não consigo tirar da cabeça. O que ele disse? Eduardo se sentou na cama ao lado dela, pegando suas mãos como fazia sempre que queria compartilhar algo importante.
Ele disse: “Senhor Santos, o senhor mudou muito desde que se casou. Parece um homem que encontrou seu propósito. E isso me fez pensar. Ana sentiu o coração acelerar. Pensar em quê? Em como você transformou minha vida? Como fez eu querer ser não apenas um homem melhor, mas Eduardo hesitou como se estivesse reunindo coragem.
Mas um homem que poderia ser um bom pai um dia. As palavras dele foram como um presente do universo. Ana sentiu lágrimas começarem a se formar em seus olhos. Eduardo, eu sei que nunca conversamos sobre isso seriamente. Ele continuou. E sei que talvez seja cedo demais, mas ultimamente tenho imaginado como seria ter uma família com você.
Crianças correndo por esta casa, ensinando-as sobre o jardim, lendo para elas antes de dormir. Ana não conseguiu mais conter as lágrimas. Eduardo as interpretou como emoção, não percebendo que havia algo mais. Desculpe se é muito cedo para falar sobre isso”, ele disse, secando delicadamente as lágrimas dela. “Não quero pressionar, Eduardo.
” Ana interrompeu, sabendo que não podia adiar mais. “Não é cedo demais?” “Como assim?” Ana levantou-se e caminhou até o banheiro, voltando com o teste de gravidez nas mãos. Eduardo olhou para o objeto por alguns segundos, depois para ela, depois para o teste novamente. “Ana, isso significa significa que você vai ser pai”, ela sussurrou.
Eduardo ficou completamente imóvel por um momento que pareceu eterno. Então, lentamente, um sorriso começou a se formar em seus lábios. primeiro tentativo, depois crescendo até iluminar todo o seu rosto. “Vai ser pai”, ele repetiu como se testando as palavras. “Nós vamos ter um bebê”. Ana assentiu, observando cada nuance da reação dele. Eduardo se levantou e a envolveu em seus braços, girando-a delicadamente pela sala.
“Ana! Isso é isso é o mais maravilhoso que poderia acontecer. Você tem certeza? Não está assustado? Eduardo a colocou no chão e segurou seu rosto entre as mãos. Estou aterrorizado. Ele admitiu. Vou ser pai aos 50 anos. Não sei nada sobre bebês e tenho medo de estragar tudo.
Então, por que está sorrindo? Por quê? Eduardo a beijou suavemente. Vou descobrir tudo isso com você. E por que nossa criança vai crescer numa casa cheia de amor, não de obrigações? Vai ser diferente de como nós dois crescemos. Ana sentiu o último vestígio de medo se dissolver. Eduardo estava certo. Juntos eles criariam o tipo de família que ambos haviam sonhado ter.
“Quanto tempo?”, ele perguntou, colocando cuidadosamente a mão sobre a barriga ainda lisa de Ana. Umas seis semanas, eu acho. Precisamos confirmar com um médico. Vamos marcar consulta amanhã mesmo, Eduardo disse, depois pausou. Ana, posso te fazer uma pergunta? Qualquer coisa. Você está feliz? Realmente feliz.
Ana olhou para o homem que havia começado como um estranho, depois se tornado seu marido, seu amor, e agora seria o pai de seu filho. Eduardo Santos. Nunca estive mais feliz na minha vida. Mas será que eles estavam preparados para descobrir que formar uma família seria apenas o primeiro passo na maior aventura de suas vidas? 5 anos depois, o jardim da casa em Higienópolis estava irreconhecível comparado à aquele primeiro dia.
O que começara como um quintal com potencial havia se transformado num pequeno paraíso. A horta de vegetais que Ana tanto queria ocupava um canto ensolarado. Árvores frutíferas ofereciam sombra generosa e canteiros de flores criavam explosões de cor em cada estação. Ana observa da janela da cozinha, enquanto Eduardo ensinava o filho João, de 4 anos e meio, a regar os tomates e cereja.
O menino, com os olhos castanhos da mãe e a determinação silenciosa do pai, segurava o regador com seriedade de adulto. “Papai, assim?”, João, perguntou, direcionando a água cuidadosamente para a base das plantas. “Perfeito, meu filho. Viu como elas ficam mais vividas quando recebem água?” Ana sorriu sentindo o coração se apertar de amor. Eduardo havia se tornado exatamente o pai que prometera ser paciente, presente, dedicado.
Ele havia reestruturado completamente seus horários de trabalho depois que João nasceu, priorizando momentos como este. Mãe! Uma voz aguda chamou de dentro da casa. Mãe, cadê minha boneca? Maria, de dois anos e meio, apareceu na cozinha como um furacão de cabelos cacheados e personalidade forte.
Ela havia puxado o temperamento determinado do pai, mas temperade com a gentileza da mãe. Qual boneca, meu amor? Ana se abaixou para ficar na altura da filha. A Clara? Não acho ela. Vamos procurar juntas. Encontraram a boneca no quarto de João, que a havia sequestrado para uma aventura imaginária. Os dois irmãos, apesar da diferença de idade, haviam desenvolvido uma clicidade que fazia Ana e Eduardo se olharem com orgulho.
“Joãozinho, você não pode pegar as coisas da Maria sem pedir”, Ana disse gentilmente. “Desculpa, Maria. Queria que a Clara fosse na minha aventura.” Maria considerou a explicação por alguns segundos, depois estendeu a boneca para o irmão. Tá bom, mas você tem que cuidar bem dela. Momentos como este convenciam Ana de que ela e Eduardo estavam fazendo algo certo na criação das crianças.
A noite, depois que os pequenos estavam dormindo, Ana e Eduardo se sentaram na varanda dos fundos com suas xícaras de chá habituais. Era um ritual que mantinham desde os primeiros dias de casamento, um momento para se conectarem após um dia dedicado à família e ao trabalho. “Sabe o que percebo quando olho para trás?”, Ana disse, aninhando-se no braço de Eduardo. O quê? Como tudo que parecia um fim era na verdade um começo.
Eduardo depositou um beijo em seus cabelos, um gesto tão natural que faziam sem pensar. Explique melhor. Quando meus pais morreram, achei que minha vida havia acabado. Quando os tios me forçaram a casar, achei que estava sendo condenada a uma prisão. Ana ergueu o rosto para olhá-lo.
Mas tudo isso me trouxe até você e me trouxe até uma vida que eu nem sabia que queria. Eduardo completou. Sabe, hoje João me perguntou se eu sempre fui legal. E o que você respondeu? Eduardo riu baixinho, disse que antes de conhecer você e a mamãe, eu não sabia como ser legal, que vocês me ensinaram. Ana se virou completamente para encará-lo.
Aos 55 anos, Eduardo tinha mais alguns fios prateados, algumas rugas mais pronunciadas, mas seus olhos mantinham a mesma ternura que ela havia aprendido a amar. “Eduardo, você tem algum arrependimento sobre como nossa vida mudou?” A pergunta surgiu de uma conversa que ela havia tido com uma amiga na universidade, cujo marido reclamava constantemente sobre como a paternidade havia limitado sua liberdade.
Eduardo pensou cuidadosamente antes de responder, como sempre fazia, com questões importantes. Ana, antes de você, eu tinha tudo que pensava querer: dinheiro, poder, respeito, mas sabia, no fundo, que se morresse amanhã, nada do que construí importaria. não havia deixado nada de verdadeiramente valioso no mundo.
Ele gesticulou em direção à casa, onde suas crianças dormiam tranquilas. Agora, quando olho para João e Maria, sei que deixarei algo muito mais importante que uma empresa. Deixarei dois seres humanos que conhecem o amor, que sabem tratar os outros com gentileza, que entenderão que o verdadeiro sucesso se mede pela felicidade que conseguimos criar e compartilhar. Ana sentiu lágrimas familiares picar em seus olhos.
Mesmo depois de todos esses anos, Eduardo ainda conseguia surpreendê-la com a profundidade de seus sentimentos. E você? Ele perguntou. Algum arrependimento? Ana olhou ao redor do jardim que haviam criado juntos. Pensou nas crianças adormecidas, na vida simples, mas rica que construíram.
“Meu único arrependimento”, ela disse, “É não ter conhecido você antes. Imagine quantos anos de felicidade perdemos”. Eduardo sorriu, aquele sorriso que ainda fazia o coração dela acelerar. Mas talvez não estivéssemos prontos antes. Talvez precisássemos passar por tudo que passamos para chegar aqui. Como sempre, ele estava certo.
Ana não seria a mulher que era hoje, sem os anos difíceis com os tios, sem o medo inicial, sem o processo de aprender a confiar. Eduardo não seria o homem transformado, sem suas próprias batalhas contra a ambição desmedida. Eduardo? Sim, amor. Obrigada. Por quê? por terme mostrado que os finais felizes realmente existem.
Só às vezes eles vêm disfarçados de começos assustadores. Eduardo a puxou mais para perto e eles permaneceram em silêncio confortável, observando as estrelas aparecerem no céu de São Paulo. No silêncio da noite, podiam ouvir os sons suaves da cidade que os abrigava, mas também a respiração tranquila de suas crianças através das janelas abertas. Ana pensou em como a vida pode ser surpreendente.
Ela começara essa jornada como uma jovem órfã, sem escolhas, forçada a casar com um estranho. Agora era uma mulher realizada, mãe de dois filhos maravilhosos, casada com seu melhor amigo e grande amor. “Sabe o que minha mãe costumava dizer?”, Ana murmurou, quase dormindo nos braços de Eduardo. “O quê? Que Deus nunca se atrasa? Às vezes ele demora.
às vezes toma caminhos que não entendemos, mas no final sempre chega na hora certa. Eduardo apertou o abraço ao redor dela. Sua mãe era uma mulher sábia. Era e acho que ela ficaria feliz em saber que tinha razão. Quando finalmente entraram para dormir, Ana fez uma pausa no quarto das crianças.
João dormia abraçado a um livro sobre plantas que Eduardo havia lhe dado enquanto Maria abraçava sua boneca Clara com um sorriso sereno no rosto. No próprio quarto, enquanto Eduardo escovava os dentes, Ana se olhou no espelho da penteadeira. A jovem de 19 anos, que se casara aterrorizada com um estranho, havia se transformado numa mulher de 26 anos, confiante, amada e completa.
“Em que está pensando?”, Eduardo? perguntou saindo do banheiro. Em como somos diferentes das pessoas que éramos quando nos casamos? Para melhor, Ana se virou para ele, este homem que começara como seu maior medo e se tornara seu maior tesouro, infinitamente para melhor. Naquela noite, adormecendo nos braços do homem que amava, cercada pelos filhos que haviam escolhido trazer ao mundo, em uma casa que haviam transformado num verdadeiro lar, Ana soube com absoluta certeza que às vezes os maiores milagres vêm disfarçados das maiores tempestades.
E às vezes, apenas às vezes, os finais felizes são ainda mais belos do que qualquer pessoa ousaria sonhar.