8 horas da manhã de segunda-feira. Letícia Rodriguez sobe à escadas de granito da mansão costa, seus passos ecoando pelo hall imenso. Aos 24 anos, cabelos pretos lisos presos num coque simples e vestindo um jeans desbotado com blusa branca básica, ela parece uma formiguinha perdida naquele palácio de cinco andares.
É seu primeiro dia como babá do pequeno Gabriel Costa, de 6 anos, filho do milionário empresário Marcelo Costa. A mansão no Morumbi impressiona com seus lustres de cristal, tapetes importados e obras de arte que custam mais que Letícia ganharia em uma vida inteira. Você deve ser a nova babá. Uma voz seca corta o silêncio.
Letícia se vira e encontra Dolores Mendes, a governanta da casa há 15 anos. é uma mulher de 55 anos, magra, com cabelos grisalhos presos num coque apertado e olhar severo que parece atravessar as pessoas. Sim, senhora. Sou Letícia Rodrigues. Esperava alguém mais apresentável. Letícia sente o rosto queimar. Suas roupas são simples, mas estão limpas e arrumadas.
Tenho experiência com crianças, senhora. Experiência não é tudo. Aqui temos padrões elevados. Espero que saiba se comportar adequadamente. Dolores entrega uma lista datilografada. Regras da casa. Leia com atenção. Qualquer descumprimento resulta em demissão imediata. Letícia lê rapidamente. Não conversar sobre vida pessoal com a criança.
Não dar comida fora dos horários estabelecidos. Não sair da propriedade sem autorização. Manter sempre postura formal. Não demonstrar afeto excessivo. O menino está no quarto dele, terceiro andar, última porta à direita. Letícia sobe as escadas, o coração apertado com as regras rígidas. Que tipo de casa não permite demonstrar carinho por uma criança? Quando abre a porta do quarto, encontra um ambiente que parece saído de uma revista. Tudo perfeitamente organizado.
Brinquedos caros alinhados em prateleiras. cama grande demais para uma criança. No meio de toda aquela perfeição, um menininho está sentado no chão de costas para a porta, mexendo em algo silenciosamente. Gabriel, o menino se vira devagar. Tem cabelos castanhos cacheados, olhos verdes grandes e uma expressão de tristeza que não deveria existir no rosto de uma criança de 6 anos.
Você é a nova tia? Sou sim. Sou a Letícia. Gabriel observa ela com desconfiança. Quanto tempo você vai ficar? A pergunta pega Letícia de surpresa. Como assim? As outras tias sempre vão embora. Papai disse que é porque eu sou difícil. O coração de Letícia se parte. Você não é difícil, Gabriel. Tenho certeza disso.
Sou sim. Por isso, mamãe foi embora também. Letícia se ajoelha na altura do menino. Sua mamãe não foi embora, meu amor. Ela morreu num acidente. Não foi porque você é difícil. Foi sim. Se eu fosse bonzinho, ela não teria ido no carro naquele dia. Gabriel se refere ao acidente que matou sua mãe há dois anos.
Letícia sente uma pontada no peito, vendo tanto sofrimento naqueles olhos pequenos. Gabriel, você quer me mostrar o que estava mexendo? O menino hesita, depois mostra um álbum de fotos velho. São fotos da mamãe. Dolores disse que não posso ver, mas eu gosto de olhar escondido.
Letícia observa as fotos de uma mulher linda sorrindo ao lado de Gabriel bebê. Sua mamãe era muito bonita e parece que te amava muito. Papai guardou todas as fotos dela, disse que ver faz mal. Às vezes faz bem lembrar de quem a gente ama. Gabriel olha para Letícia com interesse pela primeira vez.
Você acha que posso ver as fotos? Acho que podemos dar um jeito. Durante a manhã, Letícia observa Gabriel brincar sozinho. O menino é educado, obediente, mas não demonstra alegria. É como se tivesse medo de fazer barulho ou chamar atenção. Gabriel, quer brincar de alguma coisa comigo? Posso? Claro, para isso que estou aqui.
Mas Dolores disse que tia Nova tem que me ensinar a ficar quieto. Letícia sente raiva. Criança não precisa ficar quieta o tempo todo. Pode brincar, correr, se divertir. Os olhos de Gabriel brilham com uma faísca de esperança. Posso correr no jardim? Vamos lá. No jardim, Gabriel corre pela primeira vez em muito tempo.
Letícia o persegue numa brincadeira de pega pega e finalmente escuta o riso do menino. Mais, tia Letícia, mais. Já chega por hoje. Amanhã brincamos mais. Gabriel a abraça espontaneamente. Você é diferente das outras tias. Diferente como você brinca comigo de verdade.
À tarde, Marcelo Costa volta de uma reunião e encontra Dolores no escritório. Como foi o primeiro dia da nova babá? Questionável, Senr. Marcelo, como assim? Ela deixou o menino correr no jardim, fazer barulho. Não seguiu o cronograma de atividades. Marcelo franze a testa. Aos 32 anos, é um homem bonito, mas carrega o peso da responsabilidade nos ombros.
Depois que perdeu a esposa, dedica-se integralmente ao trabalho para não pensar na dor. Que atividades ela não seguiu? Leitura educativa, exercícios de caligrafia, prática de piano. Dolores, ele tem 6 anos. Idade ideal para começar a disciplina rígida. O senhor quer que ele cresça mimado? Marcelo suspira. Desde que Carolina morreu, ele deixa Dolores tomar todas as decisões sobre Gabriel.
É mais fácil que lidar com a própria dor. Vou conversar com ela. Marcelo sobe para o quarto de Gabriel e encontra Letícia lendo um livro de histórias para o menino. Era uma vez um príncipe que vivia num castelo muito bonito, mas estava sempre triste. Papa. Gabriel interrompe a história e corre para abraçar o pai. Marcelo abraça o filho meio desajeitado.
Desde a morte de Carolina, ele não sabe como demonstrar afeto. Oi, Gabriel, como foi seu dia? Foi muito legal. A tia Letícia brincou comigo no jardim e está contando uma história. Marcelo olha para Letícia, que se levanta respeitosamente. Boa tarde, senor Costa. Boa tarde.
Podemos conversar? No corredor, Marcelo tenta manter um tom profissional. Dolores me disse que você não seguiu o cronograma de atividades. Senhor, com todo respeito, achei as atividades inadequadas para uma criança de 6 anos. Como assim inadequadas? 3 horas de leitura educativa, 2 horas de exercícios de escrita, uma hora de piano. Ele é muito pequeno para essa carga.
Marcelo nunca questionou o método de Dolores. E o que você sugere? Brincadeiras, atividades ao ar livre, histórias, coisas que desenvolvam a criatividade e a alegria. Gabriel precisa de disciplina, precisa de amor também. A resposta pega Marcelo desprevenido. Amor é justamente o que ele não consegue dar. Senhorita Letícia, siga o cronograma estabelecido. Sim, senhor.
Mas quando Marcelo se afasta, Letícia decide que vai proteger Gabriel da rigidez excessiva de qualquer forma. Na primeira semana, Letícia cria uma rotina equilibrada. Cumpre o cronograma oficial quando Dolores está por perto, mas inclui brincadeiras e momentos de carinho quando estão sozinhos. Tia Letícia, posso te contar um segredo? Pode sim, meu amor.
Eu tenho pesadelos toda a noite. Pesadelos com o quê? Com mamãe indo embora de novo. E com papai indo embora também. Letícia abraça Gabriel com carinho. Seu papai não vai embora. Ele quase não conversa comigo. Acho que não gosta de mim. Claro que gosta. Ele só está muito triste também. Por causa da mamãe.
É, às vezes quando os adultos ficam muito tristes, eles se fecham. Como uma tartaruga. Letícia sorri. Igualzinho uma tartaruga. E como fazer a tartaruga sair da casca? Com paciência e carinho. Gabriel pensa por um momento. Tia Letícia, você pode me ensinar a ter paciência? Posso sim.
Nos próximos dias, Letícia ensina Gabriel pequenas formas de se aproximar do pai. Um desenho deixado na mesa de trabalho. Um boa noite, papai, antes de dormir. Pequenos gestos de carinho. Marcelo percebe as tentativas do filho, mas ainda se mantém distante. A dor da perda o impede de se entregar completamente, mas algo começa a incomodá-lo. As mudanças em Gabriel são evidentes.
O menino sorri mais, fala mais, demonstra mais vivacidade. Dolores. Gabriel está diferente. Diferente como, senhor? Mais animado, mais falante. É culpa da babá. Ela está mimando demais. O menino. Mimando como? Deixa ele brincar demais, conta histórias, dá atenção excessiva. Marcelo fica pensativo.
Gabriel, estar mais animado deveria ser bom, não é? Na segunda semana, três mulheres elegantes chegam à mansão para visitar Dolores. São suas amigas de longa data: Beatriz Sena, viúva rica de 60 anos, Silvia Ramos, solteira de 55, e Carmen Teixeira, divorciada de 62. “Dolores querida, soubemos que Marcelo contratou uma babá nova”, diz Beatriz, acomodando-se na sala de visitas. Contratou sim e já está causando problemas. Que tipo de problemas?”, pergunta Silvia.
“Está mudando completamente a educação do menino, deixando ele solto demais.” Carmen balança a cabeça. “Essas babás jovens não sabem educar criança rica. No meu tempo, empregada sabia seu lugar.” “Xato, concorda Beatriz. Criança de família importante, precisa de rigidez desde pequena.” “E outra coisa.” Dolores baixa a voz.
Acho que ela está interessada no patrão. As três se animam com a fofoca. Como assim interessada? Pergunta Silvia. Sempre arruma desculpa para conversar com ele e o menino fala dela o tempo todo para o pai. Essas aproveitadoras são perigosas, Carmen comenta. Usam as crianças para seduzir homens ricos.
Temos que alertar o Marcelo, sugere Beatriz. Vou alertar sim, mas preciso de evidências. As quatro começam a traçar um plano para desmascarar Letícia. Naquela tarde, Beatriz casualmente aparece para visitar Marcelo. Marcelo, querido, como você está? Bem, tia Beatriz, obrigado pela visita. Beatriz era amiga íntima de Carolina e se considera parte da família. Soube que você contratou uma babá nova para o Gabriel. Contratei sim.
Você verificou bem as referências dela? Marcelo fica intrigado. Por quê? Ah, nada demais. É que com homem sozinho em casa tem que ter cuidado com o tipo de pessoa que se contrata. Cuidado como mulher jovem, bonita, pode ter segundas intenções. Marcelo nunca tinha pensado nisso. Letícia parece muito profissional.
Todas parecem, querido, mas você sabe como é, né? Mulher ambiciosa pode usar qualquer meio para subir na vida. A semente da dúvida é plantada na mente de Marcelo. Gabriel está gostando muito dela. É exatamente aí que está o perigo. Ela pode estar manipulando o menino para chegar até você. Marcelo fica incomodado. Acha mesmo, querido? Você é jovem, rico, bonito.
Qualquer mulher gostaria de estar no seu lugar. Quando Beatriz vai embora, Marcelo fica pensativo. Será que Letícia tem mesmo segundas intenções? Na manhã seguinte, ele observa mais atentamente a interação entre Letícia e Gabriel. Tia Letícia, você vai embora quando eu crescer? Gabriel pergunta durante o café da manhã.
Por que você quer saber isso? Porque gosto muito de você, mais que das outras tias. Letícia olha rapidamente para Marcelo e Cora. Vou ficar enquanto você precisar de mim. E se papai se casar de novo, a nova mamãe vai gostar de você? A pergunta deixa todos constrangidos. Letícia não sabe o que responder. Marcelo se sente pressionado. Gabriel, vamos tomar café em silêncio. Dolores intervém.
Mas Marcelo nota como Letícia ficou perturbada com a pergunta sobre ele se casar. Estaria Beatriz certa? Durante o dia, ele observa discretamente. Letícia realmente demonstra muito carinho por Gabriel, mais que as babás anteriores, e Gabriel está claramente apegado a ela. À noite, quando vai dar boa noite ao filho, escuta uma conversa que o deixa ainda mais intrigado.
Tia Letícia, você acha que papai é bonito? Gabriel, que pergunta é essa? É que mamãe sempre dizia que papai era o homem mais bonito do mundo. Seu papai é bonito, sim. Você gostaria de ser minha mamãe. Silêncio longo. Gabriel, eu gosto muito de cuidar de você, mas ser mamãe é diferente.
Por quê? Porque para ser sua mamãe eu teria que casar com seu papai. E você não quer casar com ele? Outro silêncio longo. Seu papai é um homem muito especial, Gabriel. Qualquer mulher teria sorte de casar com ele. Marcelo sente o coração acelerar. Letícia evitou responder diretamente, mas suas palavras sugerem interesse. Na semana seguinte, Dolores intensifica a campanha contra Letícia.
Senr. Marcelo, preciso relatar alguns comportamentos inadequados da babá. Que comportamentos? Ela sempre pergunta sobre sua rotina, sobre quando você vai viajar, sobre seus negócios. Pode ser só interesse profissional. E ontem eu a vi mexendo nas suas fotografias da mesa do escritório. Marcelo fica alerta.
Mexendo como pegou a foto da senora Carolina e ficou olhando por muito tempo. Talvez fosse só curiosidade. Curiosidade suspeita. Mulher interessada sempre quer saber sobre a esposa anterior. As suspeitas de Marcelo crescem. Letícia está mesmo interessada nele. Naquela tarde ele decide testar, chega mais cedo em casa e procura Letícia. Letícia, preciso viajar amanhã.
Vai ser só um dia. Volto à noite. Tudo bem, senhor. Cuidarei bem do Gabriel. Você fica nervosa quando fico fora? Letícia Cora. Nervosa não é a palavra certa. Qual seria? Preocupada com Gabriel. Ele sente sua falta. Só Gabriel. A pergunta pega Letícia desprevenida. Como assim? Nada. Esquece.
Marcelo sai deixando Letícia confusa. O que ele quis dizer com aquela pergunta? Na manhã seguinte, Marcelo viaja para São Paulo para uma reunião. Deveria voltar apenas à noite, mas decide adiantar o retorno para observar melhor a situação em casa. Às 3 da tarde, ele dirige de volta para Ribeirão Preto. O tempo está fechado.
Nuvens carregadas anunciam tempestade. Quando está a 10 minutos de casa, começa a chover forte. Uma chuva torrencial que reduz a visibilidade. Ao se aproximar da mansão, Marcelo vê algo que o deixa em choque. No meio do jardim, debaixo da chuva forte, Gabriel está brincando com Letícia.
Os dois estão completamente encharcados, mas rindo como loucos. Gabriel corre atrás de Letícia, que se deixa pegar. Quando ele a alcança, ela o pega no colo e gira com ele debaixo da chuva. O menino gargalha de felicidade. Marcelo para o carro e observa a cena completamente estupefato. Gabriel nunca demonstrou tanta alegria, nem mesmo quando Carolina estava viva.
Letícia coloca Gabriel no chão e os dois fazem guerra de respingos numa poça que se formou. O menino está radiante, livre, sendo criança de verdade. Tia Letícia, olha como consigo pular longe. Gabriel dá um salto na poça, espalhando água para todos os lados. Nossa, você é um sapinho. Letícia ri e pula também. Você é uma sapo.
Também sou uma sapa, Gabriel. Sapa não existe. Existe sim. Sapa é o feminino de sapo. Os dois caem na gargalhada. Marcelo sente algo estranho no peito observando a cena. É um misto de alegria por ver o filho feliz e ciúmes. Ciúmes de ver Gabriel tão próximo de outra pessoa? Ou seria ciúmes de ver Letícia tão natural, tão livre, tão linda, mesmo encharcada? Nesse momento, Gabriel escorrega na lama e cai.
Letícia corre para ajudá-lo, mas ele não está machucado, pelo contrário, está rindo ainda mais alto. Olha como eu fiquei, tia Letícia. Você virou um porquinho. Gabriel se joga na lama de propósito, fazendo Letícia rir ainda mais. Gabriel, agora você virou um leitãozinho e você vai virar também. Gabriel pega um punhado de lama e joga em Letícia, que finge estar brava. Ah, é assim? É. Então toma. Ela pega a lama e joga de volta.
Os dois começam uma guerra de lama debaixo da chuva. Marcelo nunca viu o filho tão feliz. Gabriel está sendo uma criança normal, livre, suja, bagunceira. E Letícia está permitindo, incentivando, participando. De repente, um raio corta o céu, seguido de um trovão forte. Gabriel se assusta e corre para os braços de Letícia.
Tenho medo de trovão, tia Letícia. Letícia o abraça com força, protegendo-o da chuva com o corpo. Não precisa ter medo. Trovão é só barulho, não machuca, mas é muito alto. Quer que eu te conte um segredo sobre trovão? Quero. Trovão é o barulho que as nuvens fazem quando estão lavando o céu. Lavando o céu? É, elas fazem muito barulho porque são muito caprichadas.
Querem deixar o céu bem limpinho. Gabriel ri igual quando você me dá banho. Igualzinho. E você também faz barulho no banho? Faço mesmo. Marcelo observa o carinho de Letícia consolando Gabriel e sente o coração apertar. Ela demonstra mais amor maternal que qualquer mulher que ele conhece. Outro raio corta o céu mais forte.
Letícia olha ao redor e percebe que estão longe de casa. Gabriel, vamos correr para casa antes que a chuva fique mais forte. Vamos. Letícia pega a mão de Gabriel e os dois correm em direção à casa, rindo e tropeçando na lama. Marcelo sai do carro rapidamente e corre atrás deles. Gabriel, Letícia. Os dois param e se viram surpresos.
Papa, você voltou? Gabriel corre para abraçar o pai todo sujo de lama. O que vocês estavam fazendo debaixo da chuva? Letícia fica vermelha de vergonha. Senhor Marcelo, eu posso explicar, papai? A tia Letícia estava brincando comigo. Foi muito divertido. Marcelo olha para Letícia, que está completamente ensopada e suja, mas com um brilho nos olhos que ele nunca viu antes. Vamos entrar antes que vocês fiquem doentes.
Dentro de casa, Dolores quase desmaia ao ver Gabriel e Letícia completamente sujos. Meu Deus do céu, o que aconteceu? Estávamos brincando na chuva, Dolores. Gabriel responde animado. Brincando na chuva, menino? Você vai ficar doente. Não vou, não. Foi muito legal. Dolores olha para Letícia com desaprovação total.
Senhorita, que irresponsabilidade é essa? Dolores, deixa eu dar banho no Gabriel primeiro, depois conversamos. Marcelo intervém. No banho. Gabriel não para de falar sobre a brincadeira. Papai, foi a coisa mais divertida da minha vida. mesmo. A tia Letícia é muito legal. Ela brinca de verdade comigo. E as outras babás não brincavam? Não. Elas só mandavam eu ficar quieto e estudar.
Marcelo percebe que nunca perguntou ao filho se ele era feliz, apenas assumiu que disciplina era suficiente. “Gabriel, você é feliz? O menino para de brincar com os patinhos do banho. Sou feliz quando a tia Letícia está comigo e quando ela não está? Fico triste como quando você não está. A resposta do filho pega Marcelo desprevenido.
Gabriel sente falta dele também? Papa, posso te fazer uma pergunta? Pode. Por que você quase não brinca comigo? Marcelo sente uma pontada no peito. Por porque papai trabalha muito. Mas você podia brincar um pouquinho, nem que fosse 5 minutos. Você gostaria? Gostaria muito.
A tia Letícia disse que você é igual uma tartaruga. Tartaruga? É que fica escondido na casca porque está triste, mas que com paciência e carinho a tartaruga sai da casca. Marcelo fica emocionado. Letícia realmente entende a situação da família. Depois de colocar Gabriel na cama, Marcelo procura Letícia no quarto dela. Posso entrar? Claro, Sr.
Marcelo. Letícia já tomou banho e está com roupas secas, mas ainda parece constrangida. Sobre hoje, senhor, eu sei que foi irresponsável. Gabriel queria brincar na chuva e eu acabei deixando. Por quê? Porque porque ele nunca tinha brincado na chuva e estava tão animado. Marcelo senta na poltrona do quarto.
Letícia, posso te fazer uma pergunta? Pode. Você gosta do Gabriel? Amo ele como se fosse meu filho. A sinceridade da resposta emociona, Marcelo. E você gosta de mim? Letícia fica vermelha. Como assim? Algumas pessoas insinuaram que você pode ter interesse em mim. Senr. Marcelo. Eu jamais sou uma profissional.
Não estou duvidando da sua profissionalidade. Estou perguntando sobre seus sentimentos. Letícia desvia o olhar. Meus sentimentos não importam. Importam sim. Por quê? Porque porque acho que estou me apaixonando por você. O silêncio que se segue é carregado de tensão. Senr. Marcelo, o senhor está confundindo gratidão com amor. Estou.
Está. Gabriel está mais feliz. Então você se sente grato. E se não for só gratidão? Letícia se levanta nervosa. Não pode ser mais que isso. Por que não? Porque somos de mundos diferentes. O senhor é milionário. Eu sou babá. E daí? As pessoas vão dizer que sou interesseira. Marcelo se aproxima dela.
Me importo com o que as pessoas vão dizer? Deveria se importar. Sua reputação, seus negócios. Letícia, olha para mim. Ela relutantemente olha nos olhos dele. Há dois anos eu morri junto com minha esposa. Parei de viver, parei de sentir. Você trouxe vida de volta para esta casa, para meu filho, para mim. Ah, senhor Marcelo, me chama só de Marcelo. Marcelo, isso é perigoso. Por quê? Porque eu também estou me apaixonando por você.
A confissão fica no ar entre eles. Marcelo se aproxima mais. E isso é ruim? É complicado. Por que tem que ser? Antes que Letícia responda, uma batida na porta interrompe o momento. Senhor Marcelo, é a voz de Dolores. O senhor pode vir aqui? É urgente. Marcelo suspira. Já volto. No corredor, Dolores está com cara de poucos amigos.
Senhor, preciso falar sobre o que aconteceu hoje. O que tem? A babá expôs Gabriel a riscos desnecessários. Chuva, lama. friagem, ele pode ficar doente. Dolores, ele estava se divertindo. Diversão não é mais importante que saúde. E que exemplo ela está dando? Que pode se sujar, se molhar, desobedecer regras. Que regra? Criança não brinca na chuva. Todo mundo sabe disso.
Marcelo nunca questionou as regras de Dolores, mas hoje percebeu que algumas podem ser excessivas. Dolores. Talvez possamos flexibilizar algumas coisas. Flexibilizar, senor Marcelo. Disciplina é fundamental para formar caráter. Gabriel tem 6 anos, pode brincar um pouco. Dolores fica surpresa. Marcelo nunca questionou seus métodos antes. Senhor, essa babá está influenciando o senhor negativamente.
Como assim? Está fazendo o senhor questionar métodos que funcionaram perfeitamente até agora? Funcionaram. Gabriel estava infeliz, Dolores. Estava educado. Estar educado e infeliz é melhor que estar feliz e livre. Dolores não sabe como responder. Para ela, a disciplina sempre foi mais importante que felicidade.
Senhor, vou ter que relatar o comportamento da babá para suas amigas da família. Que amigas? Dona Beatriz, dona Silvia, dona Carmen, elas estão preocupadas com o senhor. Marcelo fica irritado. Preocupadas com quê? Com a influência dessa moça sobre o senhor e Gabriel. Dolores, pare de falar sobre a Letícia com outras pessoas. Senhor, é minha obrigação proteger esta família.
Sua obrigação é cuidar da casa, não da minha vida pessoal. Dolores fica ofendida. Em 15 anos trabalhando ali, nunca foi repreendida. Entendi, senhor. Vou me limitar às tarefas domésticas. Quando Dolores se afasta, Marcelo volta para o quarto de Letícia, mas ela não está mais lá.
Na manhã seguinte, o clima na casa está tenso. Dolores trata Letícia com frieza ainda maior e Letícia evita ficar sozinha com Marcelo. Mas Gabriel está mais feliz que nunca. Durante o café da manhã, ele não para de falar sobre a brincadeira na chuva. Papai, hoje pode chover de novo? Por que você quer chuva? Para brincar com a tia Letícia. Dolores interfere.
Gabriel, criança não brinca na chuva. Ontem foi uma exceção. Por que não pode? Porque pode ficar doente. Mas eu não fiquei doente. Desta vez não. Mas pode ficar. Gabriel fica triste. Letícia percebe e intervém. Gabriel, que tal brincarmos de outra coisa hoje? Do quê? De teatrinho. Podemos criar uma peça.
Os olhos de Gabriel brilham. Sério? Sério? Você pode ser o príncipe e eu posso ser a princesa que ensina ele a rir de novo. Que legal. E o papai pode participar também. Marcelo, que estava ouvindo, se surpreende. Eu? Pode, papai. Você pode ser o rei. Dolores interfere rapidamente.
Gabriel, seu pai tem trabalho importante, não pode ficar brincando. Mas papai, é só um pouquinho. Marcelo olha para o filho, depois para Letícia, depois para Dolores. Pela primeira vez em do anos, decide que o trabalho pode esperar. Está bem, Gabriel. Posso brincar um pouquinho? Gabriel pula de alegria. Viva! Vai ser a melhor peça do mundo. Dolores fica em choque.
Marcelo nunca dispensou o trabalho para brincar. Durante a manhã, os três criam uma pequena peça sobre um rei triste, que aprende a sorrir de novo com ajuda de um príncipe corajoso e uma fada boa. Marcelo se surpreende rindo e se divertindo. Faz muito tempo que não relaxa assim. Papai, você é um ator muito bom. Gabriel elogia. Você também, campeão.
Letícia observa pai e filho interagindo e se emociona. É exatamente isso que Gabriel precisava. Mas a felicidade dura pouco. No fim da tarde, Beatriz, Silvia e Carmen chegam para uma visita surpresa. Marcelo querido, que bom te ver. Beatriz beija o rosto dele. Oi, tia Beatriz. O que traz vocês aqui? Saudade.
E queríamos conhecer a famosa babá nova. As três mulheres observam Letícia com olhares críticos. Então você é a Letícia, Silvia diz com um sorriso falso. Muito nova para tanto responsabilidade, não acha? Tenho experiência com crianças, senhora. Experiência não substitui maturidade. Carmen comenta.
Gabriel, que estava brincando no chão, se aproxima de Letícia instintivamente. Tia Letícia, quem são essas senhoras? São amigas da família, Gabriel. Beatriz se ajoelha na altura do menino. Oi, Gabriel. Você se lembra da tia Beatriz? Gabriel fica tímido um pouquinho. Sua mamãe e eu éramos muito amigas. Ela falava tanto de você. A menção da mãe deixa Gabriel desconfortável.
Ele se aproxima mais de Letícia. Que interessante, Silvia observa. Gabriel parece muito apegado à babá. É normal criança se apegar a quem cuida. Letícia responde. Até certo ponto. Carmen rebate. Apego excessivo pode ser prejudicial. Marcelo percebe a atenção e intervém.
Gabriel, que tal mostrar seus brinquedos novos para as tias? Posso mostrar o teatrinho que fizemos hoje? As três mulheres trocam olhares. Teatrinho, pergunta Beatriz. É, eu, papai e tia Letícia fizemos uma peça. Seu pai participou? Silvia parece surpresa. Participou. Ele foi o rei triste que aprendeu a sorrir. Carmen sussurra para Beatriz.
Muito conveniente essa história do rei que aprende a sorrir. Gabriel vai brincar no seu quarto um pouquinho. As tias querem conversar com papai. Marcelo pede: “A tia Letícia vem comigo?” Ela fica aqui, vai sozinho agora. Gabriel sai relutante. As quatro mulheres se acomodam na sala. Marcelo, Beatriz começa. Estamos preocupadas contigo.
Por quê? Por causa da influência dessa babá sobre você e Gabriel. Que influência? Silvia se inclina para a frente. Marcelo, você é viúvo há apenas do anos. está vulnerável e mulheres como ela sabem se aproveitar da situação. Carmen completa. Letícia se levanta. Com licença, vou ver como está o Gabriel. Não, Beatriz a impede. Fica aqui. Queremos que você escute também. Letícia fica desconfortável, mas obedece.
Dolores nos contou algumas coisas preocupantes. Beatriz continua. Que coisas? Que ela está questionando os métodos educacionais estabelecidos para Gabriel. E que você está defendendo ela, Silvia acrescenta. Marcelo fica irritado. Dolores não deveria estar comentando assuntos domésticos com vocês.
Ela está preocupada, assim como nós, Carmen justifica. Preocupadas com o quê? Com o fato de você estar se envolvendo emocionalmente com uma funcionária. Beatriz diz diretamente. O silêncio fica pesado. Letícia Cora. Marcelo fica tenso. Isso é absurdo. É mesmo, Silvia questiona.
Ontem vocês foram flagrados brincando na chuva como como uma família. E daí, Marcelo? Você tem uma posição social a zelar? Carmen lembra? Negócios importantes. Reputação. Minha reputação é problema meu. E Gabriel? Beatriz baixa o tom. Você vai expor seu filho aos comentários maldosos da sociedade? A jogada é certeira. Marcelo se preocupa com Gabriel acima de tudo. Que comentários.
Todos vão dizer que você perdeu a cabeça por uma aproveitadora. Silvia explica. E Gabriel vai crescer sabendo que a madrasta dele se aproveitou da situação. Carmen completa. Letícia não aguenta mais. Com licença. Preciso ver o Gabriel. Ela sai da sala antes que alguém empeça. Viu? Beatriz comenta. Ela nem se defendeu. Sabe que as acusações são verdadeiras.
Que acusações? Vocês não provaram nada. Marcelo, abra os olhos. Silvia implora. Ela chegou aqui há poucas semanas e já conseguiu te fazer questionar 15 anos de trabalho da Dolores. Conseguiu fazer você abandonar trabalho para brincar. Carmen acrescenta. E o pior, está manipulando Gabriel para chegar até você. Beatriz finaliza.
Marcelo fica em silêncio, processando as palavras. Vocês não conhecem a Letícia. Conhecemos mulheres como ela. Beatriz responde. Carolina era minha melhor amiga. Ela jamais aprovaria uma situação assim. A menção de Carolina dói. Marcelo se sente culpado, como se estivesse traindo a memória da esposa.
O que vocês querem que eu faça? Demita ela antes que seja tarde demais, Carmen sugere. e contrate uma babá mais velha, mais experiente, Silvia completa, uma que saiba separar trabalho de vida pessoal. Beatriz conclui. Depois que as três vão embora, Marcelo fica sozinho na sala, confuso e angustiado.
Será que elas têm razão? Será que está se deixando manipular? Será que Letícia realmente tem segundas intenções? Ele sobe para procurar Gabriel e Letícia. Encontra os dois no quarto. Gabriel contando sobre a conversa das tias. Tia Letícia, por que elas não gostaram do nosso teatrinho? Às vezes os adultos têm ideias diferentes sobre brincadeiras. Elas disseram que você não presta. Letícia fica chocada.
Elas disseram isso para você. Escutei elas falando baixinho. Disseram que você quer roubar papai de mim. Marcelo, que escutava da porta, sente o coração apertar. Gabriel. Letícia abraça o menino. Eu jamais roubaria seu papai de você. Ele sempre vai ser seu papai, só seu. Promete? Prometo. E você vai continuar sendo minha tia? Letícia hesita, olhando para Marcelo na porta.
Vou continuar enquanto for possível. Gabriel percebe a tristeza na voz dela. Você está triste? Um pouquinho por causa das senhoras más, Gabriel. Elas não são más, só estão preocupadas com você e seu papai. Mas elas fizeram você ficar triste. Às vezes as pessoas ficam tristes sem culpa de ninguém. Marcelo entra no quarto. Gabriel vai escovar os dentes.
Está na hora de dormir. Já, papai. Já. A tia Letícia vai te ajudar. Depois que Gabriel sai, Marcelo e Letícia ficam sozinhos. sobre a conversa lá embaixo. Senr. Marcelo, não precisa se explicar. Eu entendo. Entende o quê? Que elas têm razão. Eu não devia ter me envolvido emocionalmente. Letícia, não, deixa eu falar.
Quando aceitei este trabalho, sabia qual era meu lugar. Babá, funcionária, nada mais. E agora? Agora percebo que ultrapassei limites e isso não é profissional. Marcelo se aproxima dela. E se eu disser que também ultrapassei limites, diria que está confundindo gratidão com outra coisa. E se eu disser que tenho certeza dos meus sentimentos? Letícia desvia o olhar.
Diria que isso não importa. Por que não importa? Porque elas têm razão numa coisa. Somos de mundos diferentes. Letícia, olha para mim. Ela relutantemente olha. Você acha que eu me importo com diferença social? Deveria se importar, sua família, seus amigos, seus negócios. E se eu disser que nada disso importa mais que você e Gabriel serem felizes? Letícia sente os olhos marejarem. Não complica, Marcelo.
Já está complicado. Eu me apaixonei por você. E eu me apaixonei por você também. Por isso que tenho que ir embora. Marcelo fica chocado. Como assim ir embora? É a única solução. Se eu ficar, vai ficar cada vez mais difícil manter distância.
E se eu não quiser que você mantenha distância, Gabriel vai sofrer quando as pessoas começarem a falar mal. Que pessoas? Toda a sociedade. Você é milionário. Eu sou babá pobre. Vão dizer que sou interesseira. Marcelo pega as mãos dela. Me importo com o que vão dizer? Deveria se importar. Por quê? Por Gabriel. Ele vai crescer, ouvindo que a madrasta dele é aproveitadora.
E se não for verdade? Não importa se é verdade, as pessoas vão falar mesmo assim. Nesse momento, Gabriel volta do banheiro. Por que vocês estão tristes? Não estamos tristes, meu amor. Letícia se ajoelha para abraçá-lo. Estão sim. Vocês estão se despedindo. A percepção da criança o surpreende.
Por que você acha isso, Marcelo pergunta? Porque é igual quando mamãe se despediu. Vocês têm o mesmo olhar triste. Letícia não consegue segurar as lágrimas. Gabriel, vem cá. Ela o abraça forte. Mesmo se tia Letícia tiver que ir embora um dia, eu sempre vou te amar. Você vai embora? Talvez.
Por quê? Porque às vezes os adultos precisam tomar decisões difíceis, igual papai quando vai viajar a trabalho. Mais ou menos. Gabriel olha para o pai. Papai, você deixa a tia Letícia ir embora? Marcelo fica sem saber o que responder. Gabriel vai dormir. Amanhã conversamos. Promete que conversamos? Prometo. Depois que Gabriel dorme, Marcelo procura Letícia novamente. Você realmente vai embora? Acho que é melhor.
Para quem? Para todo mundo. Para Gabriel também. Letícia hesita. Gabriel vai se acostumar com outra babá. E se ele não se acostumar? Vai se acostumar. Crianças são resilientes. Letícia, meu filho nunca foi tão feliz quanto com você. E nunca foi tão confuso também. Confuso como ele está criando uma fantasia de família. Papai, mamãe, ele? Isso não é saudável. Marcelo percebe que ela tem razão.
Gabriel realmente está vendo os três como uma família. E se não fosse fantasia? Como assim? E se realmente fôssemos uma família? Letícia fica chocada. Marcelo, não fala isso. Por que não? Porque você não está pensando direito. Estou pensando muito direito pela primeira vez em do anos.
Você está emotivo porque Gabriel está feliz, mas isso vai passar. E se não passar? Letícia se afasta. Vai passar. E quando passar, você vai se arrepender. Me arrepender de quê? De ter se envolvido com a babá. Marcelo fica irritado. Você não é a babá. Você tem nome, personalidade, sentimentos. Mas é isso que as pessoas vão ver. A babá que seduziu o patrão.
Quem seduziu quem? A pergunta pega Letícia desprevenida. Não sei. Eu sei. Ninguém seduziu ninguém. Nos apaixonamos. Marcelo, e sabe por nos apaixonamos? Porque você trouxe vida para esta casa. Alegria, amor. E quando a novidade passar, que novidade ter alguém cuidando de Gabriel, ter companhia. Quando você se acostumar, vai perceber que pode encontrar alguém melhor. Marcelo pega o rosto dela entre as mãos.
Melhor que você? Impossível. Marcelo, para. Você está confuso? Não estou confuso. Estou apaixonado. Antes que Letícia responda, eles ouvem um grito vindo do quarto de Gabriel. Papa, tia Letícia. Os dois correm para o quarto e encontram Gabriel sentado na cama chorando. O que foi, meu amor? Tive pesadelo.
Sonhei que vocês foram embora e me deixaram sozinho. Letícia se senta na cama e abraça Gabriel. Foi só um sonho. Estamos aqui. Mas vocês estavam brigando lá fora. Marcelo se surpreende. Você escutou? Escutei vocês falando de ir embora. Letícia e Marcelo se olham sem saber o que dizer. Gabriel. Marcelo se senta do outro lado da cama.
Os adultos às vezes conversam sobre coisas sérias. Não significa que estão brigando. Mas a tia Letícia vai embora. Silêncio. Tia Letícia. Gabriel, eu não sei o que vai acontecer. Você quer ir embora? Não quero. Mas às vezes a gente precisa fazer coisas que não quer. Por quê? Porque às vezes é melhor para todo mundo. Não é melhor para mim.
Gabriel abraça Letícia com força. Se você for embora, eu vou ficar muito triste de novo. Você não vai ficar triste para sempre. Vou sim. Igual quando mamãe foi embora. As palavras de Gabriel fazem Letícia e Marcelo perceberem a gravidade da situação. Gabriel, Marcelo fala suavemente. A mamãe não foi embora por escolha. Ela morreu. Eu sei, mas doeu do mesmo jeito.
E se a tia Letícia for embora, vai doer igual? Vai doer mais. Por quê? Porque ela pode escolher ficar, mas não quer. A lógica da criança é devastadora. Letícia sente o coração quebrar. Gabriel, não é que eu não quero ficar, então fica. Não é tão simples assim. Por que não é? Letícia não sabe como explicar questões sociais para uma criança de 6 anos.
Meu amor, às vezes as pessoas grandes complicam as coisas. Então deixa de ser gente grande. Fica criança igual eu. Marcelo e Letícia riem apesar da tensão. Se fosse tão fácil. Letícia sussurra. É fácil sim. Você só precisa decidir ficar. Gabriel olha para o pai. Papai, você quer que a tia Letícia fique? Quero muito. Então pronto, ela fica. Gabriel, não é tão simples.
Por que não é? Marcelo percebe que não tem uma resposta que faça sentido para uma criança. Vamos dormir agora. Amanhã conversamos mais. Mas vocês prometem que conversam de verdade? Prometemos. Gabriel se deita, mas pega a mão de Letícia e a mão do pai. Não solto enquanto vocês não prometerem que a tia Letícia fica.
Gabriel, promete, papai? Marcelo olha para Letícia. Prometo que vou fazer tudo para ela ficar. Gabriel olha para Letícia. E você promete que tenta ficar? Letícia sente as lágrimas escorrerem. Prometo que vou pensar. Não. Promete que tenta, Gabriel. Por favor, tia Letícia, promete? Prometo que vou tentar.
Gabriel sorri e finalmente solta as mãos dos dois. Agora posso dormir no corredor, Letícia está visivelmente abalada. Não posso fazer isso com ele. Fazer o quê? Criar esperança. E se não fosse só esperança? Marcelo, você viu as reações das suas amigas e isso é só o começo.
E você vai deixar outras pessoas decidir em nossa vida? Vou proteger Gabriel do sofrimento. E se o maior sofrimento dele for você indo embora? Letícia não responde. No fundo, sabe que Marcelo tem razão. Na manhã seguinte, Dolores percebe a tensão no ar. Senr. Marcelo, aconteceu alguma coisa? Nada importante, Dolores. Tem certeza? O senhor está muito pensativo. Dolores, posso te fazer uma pergunta? Claro.
Você acha Gabriel feliz? A pergunta pega Dolores desprevenida. Como assim? Nos últimos meses, ele parece feliz. Está mais agitado. Agitado ou feliz? Dolores pensa, não sei bem a diferença. Criança feliz ri, brinca, demonstra alegria. Criança disciplinada obedece, fica quieta, não incomoda. E qual é melhor? Na sua opinião? Dolores hesita.
Sempre achei que disciplina era mais importante. E agora? Agora confesso que o menino parece mais vivo. Mais vivo? Sim. Antes ele era muito robótico, fazia tudo que mandavam, mas sem alegria. E isso te incomoda? Não sei. Estou acostumada com ordem, rotina, silêncio. Marcelo percebe que Dolores também está questionando métodos que seguiu por 15 anos.
Dolores, você tem filhos? Não, senhor. Sempre quis ter. Quando era jovem? Sim. Mas a vida tomou outro rumo. Se tivesse tido filhos, teria criado como cria Gabriel. Dolores fica em silêncio por um longo tempo. Talvez, talvez não. Por quê? Porque filho da gente é diferente. A gente quer ver feliz, não só educado.
A conversa deixa Marcelo pensativo. Até Dolores percebe que métodos rígidos demais podem ser prejudiciais. Naquela tarde, ele tem uma reunião importante, mas não consegue se concentrar. “Marcelo, você está bem?”, pergunta seu sócio Roberto, só preocupado com algumas questões pessoais. Algo que possamos ajudar, Marcelo hesita. Roberto, posso te fazer uma pergunta sobre sua família? Claro.
Quando você se casou com a Fernanda, o que as pessoas falaram? Por que você quer saber? Curiosidade. Bem, algumas pessoas criticaram porque ela não era da nossa classe social. Marcelo se anima. Sério? É, Fernanda veio de família simples. Alguns amigos nossos acharam que era inadequada.
E como vocês lidaram com isso? Ignoramos. Estamos casados há 15 anos. Temos três filhos lindos. Quem criticou na época hoje admite que estavam errados. Não se arrependeu? Jamais. Fernanda, é a melhor coisa que me aconteceu. A conversa dá esperança a Marcelo. Se Roberto conseguiu superar os preconceitos, talvez ele também consiga.
Roberto, posso te contar uma coisa? Fala. Estou apaixonado pela babá do Gabriel. Roberto ri. Sério? Sério? Mas todo mundo está dizendo que é loucura. Por quê? Diferença social. Gabriel pode sofrer preconceito. Ela pode ser interesseira. E você acredita que ela é interesseira? Não. Ela é a pessoa mais genuína que conheço. E Gabriel gosta dela, ama. Está mais feliz que nunca.
Então, qual é o problema? O que as pessoas vão falar? Roberto balança a cabeça. Marcelo, você aprendeu alguma coisa com a morte da Carolina? Aprendi que a vida é frágil e que tempo perdido não volta também. Então, por que você está perdendo tempo se preocupando com opinião alheia? A pergunta fica ecoando na mente de Marcelo durante o resto do dia.
Quando chega em casa, encontra Gabriel e Letícia no jardim. Eles plantaram uma pequena horta e estão regando as mudas. Papai, olha a nossa horta, ficou linda. A tia Letícia disse que em duas semanas vai ter alface. E tomate cereja em um mês. Letícia completa, sem olhar para Marcelo. Papa, você quer plantar alguma coisa também? Quero sim. O que vocês sugerem? Cenoura.
Gabriel grita. Você gosta de cenoura? Então vamos plantar cenoura. Os três passam à tarde plantando juntos. É a primeira vez que Marcelo relaxa completamente em muito tempo. À noite, depois de colocar Gabriel na cama, ele procura Letícia. Hoje conversei com meu sócio, Roberto. Ah, é.
Ele me contou que se casou com uma mulher de classe social diferente. Letícia para de dobrar as roupas de Gabriel. E daí? No começo, as pessoas criticaram muito. Hoje, 15 anos depois, ele diz que foi a melhor decisão da vida. Marcelo, Letícia, você me ama? A pergunta direta a pega desprevenida. Isso importa? Importa muito. Por quê? Porque se você me ama e eu te amo e Gabriel nos ama, o resto não deveria importar.
Mas importa porque tem que importar. Letícia se vira para ele. Porque eu não quero que Gabriel sofra por nossa causa. E se ele sofrer mais se você for embora? Vai doer no começo, mas vai superar. Tem certeza? Não tenho certeza de nada. Marcelo se aproxima. Então por que não tentamos? Tentar o quê? Ser uma família? Marcelo, Letícia, casa comigo.
O silêncio que se segue é absoluto. Letícia fica em choque. Você não pode estar falando sério. Estou falando muito sério. Marcelo, você me conhece há três semanas. E você acha que três semanas não são suficientes para saber que te amo? Não são suficientes para casamento. Por que não? Porque casamento é para sempre. Você pode se arrepender.
E se eu não me arrepender? E se você se arrepender? Marcelo pega as mãos dela. Letícia, você tem medo de quê? De tudo. De não ser boa suficiente para você? De Gabriel se cansar de mim? De suas amigas me humilharem? E se nada disso acontecer? E se acontecer, aí enfrentamos juntos? Letícia sente as lágrimas escorrerem.
Marcelo, eu te amo muito, mas tenho muito medo. Medo é normal, amor também é. E se não der certo? E se der certo? Antes que Letícia responda, eles ouvem Gabriel chamando do quarto. Tia Letícia, papa. Os dois correm para o quarto. Gabriel está sentado na cama, sorrindo. Gabriel, o que foi? Está passando mal? Não, só queria saber se vocês já conversaram. Conversamos.
E aí, a tia Letícia vai ficar? Marcelo olha para Letícia. Ainda estamos conversando. Posso dar minha opinião? Pode. Gabriel se levanta na cama. Eu acho que vocês deviam casar. Os dois ficam chocados. Gabriel, é sério? Aí a tia Letícia vira minha mãe de verdade e não pode mais ir embora. Gabriel, as coisas não são tão simples assim. São sim. Vocês se gostam.
Eu gosto dos dois. Pronto. A lógica infantil mais uma vez desarma os adultos. Gabriel, e se as pessoas falarem mal? Que pessoas? As amigas do papai, os vizinhos? Eu não ligo para elas, ligo para vocês. Marcelo sente o coração apertar com a sabedoria do filho. Gabriel vai dormir. Amanhã conversamos mais. Só se vocês prometerem que não vão desistir um do outro.
Gabriel, promete, papai? Prometo. E você, tia Letícia? Letícia olha para Gabriel, depois para Marcelo. Prometo que não vou desistir sem lutar. Gabriel sorri satisfeito. Então está combinado. No corredor, Marcelo segura Letícia pelo braço. Você prometeu que não vai desistir sem lutar. Prometi. Então luta comigo.
Letícia o olha nos olhos. E se não conseguirmos ganhar a luta? Pelo menos tentamos. E se machucarmos Gabriel no processo? E se o salvarmos? Letícia respira fundo. Tá bom. Vou lutar. Sério? Sério, mas tem que ser do jeito certo. Como assim? Devagar, deixando as pessoas se acostumarem com a ideia.
E se elas não se acostumarem? Aí decidimos o que fazer. Marcelo a abraça forte. Obrigado por não desistir. Obrigada por me fazer acreditar que é possível. Na semana seguinte, Beatriz, Silvia e Carmen voltam à mansão com uma proposta. Marcelo, conhecemos uma babá excelente, madura, experiente, muito bem recomendada. Não preciso de babaanova. Precisa sim, Silvia insiste.
Esta menina não tem experiência suficiente. Letícia tem experiência suficiente. Carmen se inclina para a frente. Marcelo querido, sabemos que você está emotivamente envolvido com ela. E daí? Isso está nublando o seu julgamento. Beatriz explica. Como assim? Você não está vendo os riscos que está correndo. Que riscos? As três se olham antes de Silvia responder. Riscos financeiros.
Marcelo franze a testa. Como assim financeiros? Marcelo, Beatriz fala suavemente. Se você se envolver com ela e der errado, ela pode processar você por assédio ou exigir indenização por danos morais, Carmen acrescenta, ou ainda reivindicar pensão alimentícia, alegando que vocês tiveram relacionamento. Silvia completa. Marcelo fica em choque.
Nunca havia pensado nisso. Vocês acham que Letícia faria isso? Todas fazem isso quando a oportunidade aparece. Beatriz responde: “Vocês não conhecem ela. Conhecemos o tipo, Carmen rebate. Marcelo, pelo amor de Deus, abre os olhos, Silvia implora. Você tem um patrimônio de milhões. Uma acusação falsa pode destruir tudo. Letícia jamais faria isso.” “Como você pode ter certeza?”, pergunta Beatriz.
Marcelo não sabe como responder. Confia em Letícia, mas as amigas plantaram uma dúvida. E tem outra coisa, Carmen? Continua. Se vocês se envolveram, ela pode alegar que foi coação, patrão rico forçando funcionária pobre. Isso é ridículo? É ridículo, mas pode acontecer. Silvia confirma. E mesmo que não aconteça nada disso, Beatriz finaliza, sua reputação vai ficar manchada para sempre.
Depois que elas vão embora, Marcelo fica pensativo. Será que está sendo ingênuo demais? À noite, ele procura Letícia com as dúvidas fervilhando na cabeça. Letícia, posso te fazer uma pergunta? Claro. Se der errado entre nós, você me processaria? Letícia fica chocada. Como assim processaria? Por assédio, danos morais, essas coisas.
Marcelo, como você pode pensar isso? É que algumas pessoas me alertaram sobre os riscos. Que pessoas? As amigas da Carolina, Letícia entende imediatamente. Elas falaram que eu posso te estorquir. Mais ou menos. Letícia sente uma mistura de tristeza e raiva. E você acreditou? Não acreditei. Mas elas plantaram uma dúvida. Marcelo, olha nos meus olhos.
Ele olha. Eu te amo pelo homem que você é, pelo pai que está se tornando, pela pessoa boa que tem dentro de você. Jamais faria qualquer coisa para te prejudicar. Eu sei. Sabe mesmo? Sei. Então, por que perguntou sobre processo? Porque tenho medo de ser muito ingênuo. E você acha que sou calculista? Não acho. Mas questionou.
Marcelo percebe que magoou Letícia. Me desculpa. Foi insegurança minha. Marcelo, se você tem dúvidas sobre meu caráter, é melhor encerrarmos isso aqui. Não tenho dúvidas. Só, só fiquei confuso com o que ouvi. E você vai ficar confuso toda vez que alguém falar mal de mim? A pergunta é certeira. Marcelo percebe que precisa decidir em quem confiar. Não, não vou mais.
Tem certeza? Tenho. A partir de agora, só importa o que eu sinto e o que você sente. E, Gabriel? E Gabriel. Letícia respira aliviada. Obrigada por confiar em mim. Obrigado por ser confiável. Os dois se beijam pela primeira vez. É um beijo suave, cheio de amor e esperança. Mas no andar de cima, Dolores observa pela janela e fica em choque.
Ela liga imediatamente para Beatriz. Dona Beatriz, aconteceu o que as senhoras temiam. O quê? Flagrei o Sr. Marcelo beijando a babá no jardim. Meu Deus, tem certeza? Certeza absoluta. Eles estão namorando. Dolores, isso é terrível. Temos que agir rapidamente. O que as senhoras sugerem? Vamos expor a situação publicamente.
É a única forma de fazer Marcelo recobrar a razão. No dia seguinte, Beatriz liga para várias amigas da alta sociedade contando sobre o escândalo na casa de Marcelo. Querida, você soube do Marcelo Costa? Não. O que aconteceu? Está namorando a babá do filho? Não, juro. Dolores viu os dois se beijando.
Que absurdo, coitada da Carolina. deve estar se revirando no túmulo. Em poucas horas, a fofoca se espalha por todo o círculo social. O telefone de Marcelo não para de tocar. “Marcelo, é verdade que você está namorando sua babá?”, pergunta um amigo. “Quem te contou isso? Está todo mundo comentando. Marcelo percebe que foi exposto e fica furioso. Liga para Beatriz.
Beatriz, você espalhou minha vida pessoal, Marcelo querido, apenas compartilhei preocupações com pessoas que se importam contigo. Você não tinha direito de fazer isso. Tinha sim, como amiga da Carolina e sua. Você não é minha amiga. Amigas não espalham intimidades. Marcelo, pare de se fazer de vítima.
Você está passando vergonha e nós estamos tentando te ajudar. me ajudar destruindo minha privacidade, destruindo sua reputação foi aquela mulher. Marcelo desliga, furioso. Agora toda a sociedade está comentando sua vida. À tarde, Gabriel chega da escola chorando. Papa, os meninos da escola ficaram falando de você. Marcelo sente o coração apertar.
Falando o quê? Que você namora a empregada e que isso é errado. Gabriel, o que você falou para eles? Falei que a tia Letícia não é empregada, é minha amiga. E o que eles disseram? Que empregada não pode ser amiga. E riram de mim. Marcelo abraça o filho sentindo culpa. Gabriel está sofrendo por causa da decisão dele.
Papa, é verdade que você namora a tia Letícia? É verdade sim. E isso é errado? Não é errado. Mas algumas pessoas acham que é. Por quê? Por quê? Porque elas acham que pessoas diferentes não devem namorar. Mas vocês não são diferentes, vocês são bons. A simplicidade da resposta emociona Marcelo.
Papa, você vai parar de namorar a tia Letícia por causa dos meninos da escola? Você gostaria que eu parasse? Gabriel pensa. Gostaria que você não parasse, mas também não gosto quando riem de mim. Marcelo entende o dilema do filho. Gabriel quer que eles sejam felizes, mas não quer ser humilhado na escola. Gabriel quer mudar de escola? Posso mudar? Pode.
Para uma escola onde ninguém conhece nossa história. Aí posso falar que a tia Letícia é minha mãe se ela aceitar casar comigo. Sim. Os olhos de Gabriel brilham. Você vai pedir ela em casamento? Vou sim. Quando? Em breve. Gabriel abraça o pai animado. Ela vai aceitar? Espero que sim. Naquela noite, Marcelo procura Letícia para contar sobre a exposição.
Letícia, preciso te avisar sobre uma coisa. O quê? As amigas da Carolina espalharam que estamos namorando. Letícia fica pálida. Espalharam como? Ligaram para meio mundo contando. Meu Deus. E agora? Agora todo mundo sabe? E como você está se sentindo? irritado por terem invadido minha privacidade e arrependido, arrependido de estar comigo, de ter causado esse escândalo. Marcelo pega as mãos dela.
Letícia, olha para mim. Ela olha. Não me arrependo de nada. Me arrependo de não ter assumido antes. Mas agora todo mundo está falando. E daí? Deixa falarem. E Gabriel, ele está sofrendo na escola. Marcelo conta sobre o episódio com os colegas, viu? Ele está pagando por nossa escolha e por isso que vou mudar ele de escola.
Marcelo, não pode mudar a vida dele por nossa causa? Posso sim e vou mudar. E se não der certo? Vai dar certo. Como você pode ter certeza? Porque eu amo você. Você me ama. Gabriel nos ama. Isso é mais forte que qualquer preconceito. Letícia sente os olhos marejarem. Você tem certeza? Tenho. E para provar isso, quero te fazer uma pergunta.
Marcelo se ajoelha na frente dela e tira uma caixinha do bolso. Letícia Rodrigues, você aceita casar comigo? Letícia fica em choque total. Marcelo, aceita ser minha esposa e mãe do Gabriel? Marcelo, você tem certeza disso? Nunca tive certeza de nada, como tenho disso. E se as pessoas nunca aceitarem, então vamos viver nossa vida longe dessas pessoas e seus negócios.
Meus negócios vão sobreviver. Minha felicidade pode não sobreviver sem você. Letícia chora de emoção. Sim, Marcelo. Aceito casar com você. Ele coloca o anel no dedo dela e a beija apaixonadamente. Gabriel, Marcelo grita. Vem aqui. Gabriel aparece correndo. O que foi, papa? A tia Letícia aceitou casar comigo. Gabriel pula de alegria.
Sério? Ela vai ser minha mãe? Vou sim, meu amor. Letícia o abraça. Viva! Agora somos uma família de verdade. Os três se abraçam, felizes e emocionados. Seis meses depois, numa cerimônia simples e íntima, Marcelo e Letícia se casam no Jardim da Mansão. Apenas família próxima e amigos verdadeiros estão presentes. Gabriel é o pagem radiante de felicidade. Durante os votos, Letícia olha para ele.
Gabriel, quero prometer que vou te amar como mãe para sempre. E eu prometo que vou te amar como filho para sempre. Todos se emocionam com a pureza do momento. Beatriz, Silvia e Carmen não foram convidadas. Elas observam de longe, amarguradas. Eles vão se arrepender, murmura Beatriz. Vão mesmo, concorda Silvia, mas elas estão erradas.
Dois anos depois, Marcelo, Letícia e Gabriel são uma família feliz e unida. Gabriel está numa escola nova, onde é aceito e querido. Letícia está grávida de 4 meses. Na antiga escola, os meninos que zombaram de Gabriel agora invejam a família unida que ele tem. No trabalho, Marcelo é mais respeitado que nunca. Os clientes perceberam que ele ficou mais humano, mais acessível, mais feliz.
E Letícia virou um exemplo para outras mulheres. Ela prova que amor verdadeiro supera diferenças sociais. A pequena horta que plantaram juntos na primeira semana agora é um jardim lindo, símbolo de como o amor cresce quando é cuidado com carinho. Uma tarde de domingo, os três estão no jardim quando Gabriel faz uma pergunta.
Mamãe Letícia, você se arrepende de ter casado com papai? Jamais, meu amor. Por quê? Porque ontem encontrei a dona Beatriz no shopping. Ela disse que vocês iam se separar logo. Marcelo e Letícia riem. Gabriel de Marcelo fala: “Algumas pessoas nunca vão aceitar nossa felicidade, mas isso não importa”. Por que não importa? Porque quem ama a gente de verdade ficou feliz com o nosso casamento. Letícia explica.
E quem não ficou? Não são pessoas importantes na nossa vida. Marcelo responde. Gabriel pensa por um momento. Então a dona Beatriz não é importante? Não é? Que bom. Ela é muito chata mesmo. Os três caem na gargalhada. Quando a chuva que os uniu começo volta a cair, eles não correm para se abrigar. Em vez disso, dançam debaixo da chuva, celebrando o amor que venceu todos os obstáculos.
Gabriel ri alto, molhado e feliz nos braços de seus pais. Esta é a melhor família do mundo. Ele grita no meio da tempestade. E realmente é o amor verdadeiro sempre encontra um jeito de florescer, mesmo debaixo da chuva mais forte. Porque quando duas pessoas se amam de verdade e uma criança é feliz, nada mais importa.
A chuva que um dia revelou a verdade do coração, agora banha uma família que soube lutar pela felicidade e todos viveram felizes para sempre. Gostou dessa história? Então curta e compartilhe o vídeo com alguém que irá gostar. Deixe nos comentários seu nome e de onde me escuta. Sua companhia é muito importante para mim. Um grande abraço e até a próxima. M.