Finja que está comigo”, sussurrou o estranho a ela, que estava sentada sozinha no casamento. E então, o que aconteceu após aquele momento, mudou tudo na vida deles. Mas me conta nos comentários de onde você está assistindo e não esquece de se inscrever no canal e deixar aquele like para mais histórias que vão mexer com o seu coração.
O salão do hotel Copacabana Palace pulsava com a elegância discreta da alta sociedade carioca. Lustres de cristal refletiam a luz dourada sobre vestidos de alta costura e smoking impecáveis, enquanto o murmúrio de conversas sobre negócios e política pairava como uma sinfonia de poder. Marina Santos ajustou o vestido azul marinho pela décima vez naquela noite, sentindo-se como uma atriz amadora em um palco profissional.
Seus dedos nervosos brincavam com a alça da bolsa vintage da mãe, única herança que possuía, além da determinação que corria em suas veias. Aos 28 anos, a jornalista econômica da Folha de São Paulo nunca havia se sentido tão fora de lugar.
“Por que eu concordei em vir?”, murmurou para si mesma, observando os convidados circularem como peças de um tabuleiro de xadrez milionário. Foi quando ele apareceu. Rafael Costa surgiu como uma sombra elegante, deslizando entre as mesas com a confiança de quem nascia para comandar. Alto, ombros largos envolvidos em um smoking que parecia ter sido costurado diretamente em seu corpo, ele possuía aquela presença magnética que fazia conversas cessarem em um raio de 3 m.
Seus olhos escuros encontraram-os de marina através do salão, e algo indefinível passou entre eles. Uma centelha, um reconhecimento, talvez até um desafio. Posso me sentar? A voz dele era grave, controlada, mas havia uma urgência escondida nas entrelinhas. Marina ergueu uma sobrancelha, notando como ele não aguardou resposta antes de ocupar a cadeira ao lado da dela. “Claro, é uma festa, não é? Preciso de um favor.
” Rafael se inclinou levemente e ela pode sentir o aroma discreto de seu perfume, madeira e especiarias, masculino, sem ser opressor. Finja que está comigo. O pedido foi tão direto, tão desprovido de contexto, que Marina quase riu. Desculpa, aquela mesa ali.
Ele acenou discretamente com a cabeça em direção a um grupo de mulheres mais velhas, todas adornadas com joias que poderiam financiar uma casa. Minha tia organizou um encontro casual com a filha de uma amiga dela. Preciso escapar. Marina seguiu seu olhar e viu uma jovem loira de vestido rosa shocking, claramente ansiosa e verificando o celular a cada poucos segundos. Por um momento, sentiu uma pontada de empatia, tanto pelo desespero dele quanto pela expectativa da moça.
E por que eu faria isso? Rafael a estudou por alguns segundos, como se pudesse ler alma através de seus olhos castanhos. Porque você também está fugindo de alguma coisa. A observação a atingiu como um soco no estômago. Era verdade. Ela estava ali porque Júlia, a noiva e sua melhor amiga da faculdade, havia insistido tanto que Marina não conseguira recusar.
Mas em meio àquela ostentação, sentia-se como uma impostora, usando o único vestido fino que possuía e saltos que a estavam matando. Tudo bem, ela suspirou. Mas você me deve uma explicação. O sorriso que se espalhou pelo rosto de Rafael transformou completamente sua expressão. Por um segundo, ele deixou de ser o executivo imponente e se tornou apenas um homem aliviado. Rafael Costa. Ele estendeu a mão. Marina Santos.
O aperto de mão durou alguns segundos a mais do que o necessário e Marina percebeu que as palmas dele estavam ligeiramente úmidas. Nervoso? Impossível. Homens como ele não ficavam nervosos. Durante a próxima hora, eles representaram o papel de um casal com uma desenvoltura que surpreendeu ambos.
Rafael era um parceiro de conversa estimulante, conhecia arte e literatura e quando mencionou casualmente que havia lido sua última matéria sobre o mercado imobiliário, Marina sentiu uma onda de calor subir pelo pescoço. “Você leu?”, perguntou genuinamente surpresa. Leio tudo sobre economia brasileira. Seu trabalho é impressionante. A sinceridade em sua voz a desarmo completamente.
Quando foi a última vez que alguém havia elogiado seu trabalho sem segundas intenções? Quando a banda começou a tocar e casais se dirigiram à pista de dança, Rafael ofereceu o braço. Quer manter nossa performance? Na pista, ele a guiou com uma habilidade que falava de anos de aulas de dança social obrigatórias. Suas mãos eram firmes, respeitosas, mas havia uma intimidade no modo como seus corpos se moviam em sincronia, que fez o coração de Marina acelerar.
“Obrigado”, ele murmurou próximo ao seu ouvido enquanto dançavam. “Você salvou minha noite.” “Por quê?”, ela perguntou, inclinando a cabeça para olhá-lo. “Por que é tão difícil dizer não para sua família? Algo sombrio passou pelos olhos dele, porque expectativas familiares são como correntes de ouro, bonitas, valiosas, mas ainda assim te prendem.
A música terminou, mas eles permaneceram parados por alguns segundos, olhando um para o outro, como se tentassem decifrar um enigma. Marina. A voz dele estava mais baixa agora, mais íntima. Eu sei que isso vai soar louco, mas você gostaria de jantar comigo?” Sem fingimento, sem representação. Antes que ela pudesse responder, uma mulher elegante na casa dos 50 se aproximou, sorrindo de uma forma que não chegou aos olhos.
“Rafael, querido, estava te procurando por toda parte.” O corpo dele se enrijeceu instantaneamente e Marina pôde ver a máscara profissional deslizar de volta ao lugar. “Tia Helena, e esta deve ser.” A mulher olhou Marina de cima a baixo com o tipo de avaliação que fazia pessoas se sentirem como insetos sob um microscópio. Marina Santos, minha namorada.
A palavra saiu de sua boca com tanta naturalidade que por um momento Marina realmente acreditou. O braço dele se fechou possessivamente ao redor de sua cintura e ela teve que se lembrar de respirar. Que maravilha! Helena, exclamou, mas seu tom sugeria o contrário. E o que você faz, querida? Sou jornalista, trabalho na Folha de São Paulo. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
Marina pôde praticamente ouvir os neurônios de Helena, processando essa informação e não gostando do resultado. Que interessante foi tudo que ela conseguiu dizer antes de se escusar rapidamente. Rafael soltou uma risada baixa. Acho que você acabou de espantar meio da alta sociedade carioca. Desculpa se eu não sou o tipo de mulher que eles esperavam para você”, Marina respondeu mais afiada do que pretendia.
“Não”, ele disse, girando-a para que ficassem frente à frente novamente. “Você é exatamente o tipo de mulher que eu preciso na minha vida.” A intensidade em seus olhos fez o estômago dela dar uma cambalhota. Havia algo ali, uma promessa não dita que fez seu coração bater mais rápido, mas então a realidade a atingiu como uma ducha de água fria.
Este era Rafael Costa, herdeiro de um dos maiores conglomerados do Brasil, homem que provavelmente namorava modelos e socialites. E ela era apenas uma jornalista de classe média que dividia apartamento na Vila Madalena. “Eu preciso ir”, ela disse abruptamente, pegando sua bolsa. Marina, espera. Mas ela já estava se afastando, lutando contra a vontade de olhar para trás, porque sabia que se olhasse, se visse aquela expressão confusa e quase vulnerável em seu rosto, ela seria capaz de qualquer loucura.
Do lado de fora do hotel, enquanto esperava um táxi, Marina não conseguia parar de pensar nos olhos dele. Havia algo ali, uma profundidade que contrastava com a superficialidade de tudo ao seu redor. Seu celular vibrou, uma mensagem de número desconhecido. Obrigado por esta noite. Você tornou a mentira mais real do que qualquer verdade que já vivi.
Rina olhou para a mensagem por longos minutos, o dedo pairando sobre o teclado. Então, tomou uma decisão que mudaria sua vida para sempre. Deletou o número sem responder. Três dias depois, ele apareceria em sua vida novamente e desta vez não seria tão fácil fugir. O café na Vila Madalena fervia com a energia típica de uma tarde de quinta-feira.
Marina ocupava sua mesa favorita próxima à janela, laptop aberto, dedos voando sobre o teclado, enquanto finalizava uma matéria sobre as flutuações do dólar. O aroma de café recém moído misturava-se com as conversas animadas de publicitários, artistas e jovens empreendedores que faziam do bairro seu habitate natural. Ela estava tão concentrada que quase não percebeu a sombra que se projetou sobre sua mesa.
“Posso me sentar?” Marina ergueu os olhos e sentiu o mundo parar. Rafael Costa estava ali impecável em um terno cinza que deveria custar mais que seu salário mensal, mas havia algo diferente em sua postura, menos imperioso, mais humano. “Como você me achou?” As palavras saíram antes que ela pudesse filtrá-las.
“Não foi difícil? Você mencionou que trabalhava na redação da folha e este café fica exatamente entre seu escritório e a estação de metrô.” Ele sorriu e ela notou pequenas rugas ao redor dos olhos que não havia percebido antes. “Posso me sentar ou vai fugir de novo?”, a pergunta direta a pegou desprevenida.
Marina gesticulou para a cadeira à sua frente, fechando o laptop lentamente. Ao redor deles, algumas pessoas haviam começado a olhar discretamente. Rafael Costa não era exatamente uma presença que passava despercebida. Dois cafés, por favor”, ele disse ao garçom, que se aproximou rapidamente, claramente reconhecendo-o. “E talvez alguns daqueles croass que estão na vitrine.” “Não precisa.
” “I preciso sim”. Rafael se inclinou ligeiramente. Primeiro porque te devo pelo menos um café depois de te usar como escudo humano no casamento. Segundo, porque temos que conversar. Marina cruzou os braços uma postura defensiva que ele notou imediatamente.
Sobre o quê? sobre uma proposta que pode parecer maluca, mas que beneficiaria ambos. O café chegou e Rafael esperou que estivessem sozinhos novamente antes de continuar. Seus dedos tamborilavam nervosamente na mesa, o primeiro sinal de vulnerabilidade que ela havia visto nele. “Eu preciso de uma namorada”, ele disse simplesmente. Marina quase se engasgou com o café. “Desculpa. não uma namorada de verdade.
Ele se apressou em esclarecer e ela não conseguiu decidir se ficava aliviada ou ofendida. Uma parceira de negócios, alguém para me acompanhar em eventos sociais, fazer com que eu pareça mais acessível. Acessível? Marina inclinou a cabeça genuinamente confusa. Rafael suspirou, passando a mão pelos cabelos em um gesto que desarranjou perfeitamente sua aparência impecável.
Você sabe quem eu sou? Sei que você se chama Rafael Costa e que sua família tem dinheiro suficiente para comprar metade do Rio de Janeiro. Um sorriso amargo curvou seus lábios. CEO do grupo Costa, o mais jovem da história da empresa, 32 anos, solteiro, sem relacionamentos públicos conhecidos nos últimos 3 anos. Ele recitou como se fosse um currículo.
Para os acionistas e investidores, isso significa que sou instável e responsável. Alguém em quem não se pode confiar com decisões importantes. Marina o estudou por alguns momentos. E você acredita nisso? Não importa o que eu acredito, importa o que eles pensam. Rafael se inclinou para a frente e ela pôde ver a intensidade queimando em seus olhos escuros. Tem uma reunião crucial na próxima semana com investidores japoneses.
Eles são extremamente conservadores, valorizam estabilidade familiar. Um homem solteiro aos 32 anos para eles é sinônimo de falta de compromisso. E você quer que eu seja minha namorada por algumas semanas? Apareça comigo em alguns eventos, jantares de negócios, talvez um ou dois eventos sociais. Ele fez uma pausa. Em troca posso oferecer compensação financeira. E não.
A resposta saiu mais rápida e mais firme do que Marina havia planejado. Rafael pareceu genuinamente surpreso. Você nem ouviu minha oferta. Não preciso ouvir. Não sou uma acompanhante, senhor Costa. Ela começou a guardar o laptop na bolsa, mas a mão dele cobriu a sua. Por favor, me escute. Havia algo em sua voz.
Não súplica, mas uma sinceridade que a fez parar. Seus olhos se encontraram e, por um momento, ela viu além da máscara do executivo poderoso. Viu um homem que estava genuinamente pedindo ajuda. 5 minutos. Ela concedeu. Não é sobre dinheiro. Bem, não só sobre dinheiro. Rafael se recostou na cadeira. Há três anos, meu pai morreu em um acidente de helicóptero.
Eu era vice-presidente, estava sendo preparado para assumir o comando, mas ninguém esperava que acontecesse tão cedo. Marina sentiu algo amolecer em seu peito. Sinto muito. Obrigado. Ele acenou brevemente. O problema é que desde então tenho vivido praticamente só para o trabalho. 16 horas por dia, 7 dias por semana. Não tenho vida pessoal, não tenho relacionamentos, não tenho nada além da empresa.
E isso é problema? É quando os acionistas começam a questionar se você tem capacidade emocional para liderar uma empresa de 50.000 funcionários. Rafael sorriu, mas não havia humor ali. Eles querem alguém estável, equilibrado, alguém que saiba formar vínculos, que tenha responsabilidades pessoais além do trabalho.
Marina processou a informação lentamente. E você achou que contratar uma namorada falsa resolveria isso? Eu achei que fingir ter uma namorada me daria tempo para descobrir como ter uma de verdade”, ele admitiu, e a honestidade crua na confissão a surpreendeu. Eles ficaram em silêncio por alguns momentos, o barulho do café preenchendo o espaço entre eles.
Marina observou Rafael discretamente, a forma como seus ombros carregavam uma tensão constante, como seus olhos examinavam constantemente o ambiente, sempre alerta, sempre no controle. Por que eu? Ela finalmente perguntou. Porque você não quer nada de mim? A resposta foi imediata, sem hesitação. Todas as mulheres que conheço querem alguma coisa. Estatus, dinheiro, conexões.
Você foi a primeira pessoa em anos que fugiu de mim. Marina sentiu calor subir pelo pescoço. Não fugi. Fugiu sim. E foi refrescante. Rafael se inclinou novamente. Além disso, você é inteligente, articulada, interessante, seria uma parceira convincente. Que tipo de eventos estamos falando? Marina não conseguia acreditar que estava considerando aquilo, mas algo na vulnerabilidade dele a tocou.
Talvez fosse o jornalista nela, sempre curiosa sobre as histórias por trás das máscaras públicas, jantares de negócios, principalmente alguns eventos sociais, galas beneficentes, concertos, esse tipo de coisa. Rafael tirou um cartão do bolso. Não estou pedindo para você fingir estar apaixonada por mim. Apenas seja você mesma, inteligente, desafiadora, real.
Marina pegou o cartão, sentindo o peso do papel pesado entre os dedos. E quanto tempo? seis semanas até o acordo com os japoneses ser fechado e depois depois você volta para sua vida e eu descubro como construir uma de verdade. Havia algo profundamente melancólico na forma como ele disse isso, como se reconhecesse que tinha tudo e nada ao mesmo tempo. “Eu preciso pensar”, Marina disse finalmente. “É claro.
” Rafael se levantou, deixando o dinheiro suficiente na mesa para pagar não apenas o café, mas provavelmente metade do estoque do lugar. Meu número está no cartão. Se decidir aceitar ou se simplesmente quiser conversar. Ele começou a se afastar, então parou e se virou. Marina, sim. Obrigado por me escutar. Faz tempo que alguém não faz isso.
Ela o observou sair, notando como outras pessoas no café o seguiam com os olhos, como ele carregava o peso da atenção constante nos ombros. Quando ele desapareceu de vista, Marina olhou para o cartão em suas mãos. Rafael Costa, CEO, Grupo Costa. No verso, escritos à mão em uma caligrafia elegante, estavam dois números de telefone e uma única palavra: “Obrigado”.
Marina guardou o cartão na bolsa, tentando ignorar a voz em sua cabeça, que já estava sussurrando. Sim, porque pela primeira vez em anos alguém a havia visto exatamente como ela era e ainda assim a havia escolhido. Uma semana depois, Marina se encontrava diante do espelho de seu pequeno apartamento na Vila Madalena, questionando todas as decisões que a haviam levado àquele momento.
O vestido preto que havia comprado especialmente para a ocasião, sua primeira aparição pública como namorada de Rafael Costa, parecia simultaneamente muito elegante, e não elegante o suficiente. O telefone tocou, interrompendo seus pensamentos. “Você está pronta?” A voz de Rafael era mais suave que de costume, com uma nota de nervosismo que ela não esperava ouvir.
Tão pronta quanto alguém pode estar para mentir para metade da elite paulistana. Marina respondeu, aplicando uma última camada de batom. Não é mentira, é interpretação teatral. Ela riu, apesar da tensão. Você é terrível com eufemismos. Uma das minhas muitas qualidades encantadoras que você descobrirá”, Rafael disse, e ela pode ouvir o sorriso em sua voz.
Estou subindo. 15 minutos depois, Marina se encontrava no banco de passageiro de um BMW preto, observando as luzes de São Paulo deslizarem pela janela. Rafael dirigia com a mesma precisão controlada, com que parecia fazer tudo na vida. Mas ela notou como seus dedos tamborilavam no volante nos semáforos.
“Nervoso?”, ela perguntou. Cauteloso, ele corrigiu. Esta é a primeira vez que trago alguém para um evento da empresa em três anos. Que tipo de pessoa costumava trazer? Rafael ficou quieto por tanto tempo que Marina pensou que ele não responderia. Quando finalmente falou, sua voz estava mais baixa.
Mulheres que minha família aprovaria, filhas de outros empresários, herdeiras, pessoas que entendiam as regras do jogo. Ele olhou brevemente para ela. Nenhuma delas era real. E eu sou. Você é a pessoa mais real que conheci nos últimos cinco anos. A sinceridade na confissão a deixou sem palavras. Eles dirigiram o resto do caminho em um silêncio confortável, quebrado apenas quando chegaram ao MASP.
O Museu de arte de São Paulo estava transformado para a gala beneficente. Luzes douradas banhavam a fachada de vidro e uma multidão elegante se movimentava pela entrada principal. Fotógrafos se posicionavam estrategicamente, flashes disparando como estrelas cadentes. “Última chance de desistir”, Rafael disse, mas sua mão já estava na maçaneta da porta.
Marina respirou fundo. Vamos fazer isso. O momento em que saíram do carro, a transformação de Rafael foi instantânea. Os ombros se endireitaram, o sorriso se tornou mais político e ele assumiu a postura do CEO confiante que o mundo esperava ver. Mas quando ofereceu o braço para Marina, seus olhos encontraram os dela com uma vulnerabilidade que só ela podia ver.
“Só seja você mesma”, ele murmurou enquanto se aproximavam da entrada. Os primeiros 15 minutos foram um borrão de apresentações e sorrisos educados. Marina foi apresentada como Marina Santos, jornalista, e observou com fascínio como cada pessoa processava essa informação. Alguns pareciam genuinamente interessados, outros claramente confusos sobre como uma jornalista havia entrado naquele círculo. “Que publicação?”, perguntou uma mulher de meia idade, coberta de diamantes, Folha de São Paulo, editoria
de economia. A mulher piscou várias vezes, como se processando uma informação incompreensível. que é interessante. Marina estava começando a entender que interessante era o código da alta sociedade para inadequado. Marina escreveu uma análise brilhante sobre as flutuações do mercado imobiliário na semana passada.
Rafael disse, sua mão encontrando a dela de forma natural, perspicaz e bem fundamentada. O orgulho genuíno em sua voz fez o coração de Marina acelerar. Quando foi a última vez que alguém havia elogiado seu trabalho em uma festa? A noite progrediu suavemente até chegarem à exposição principal.
Marina estava genuinamente absorta, explicando uma peça de Tarcila do Amaral para Rafael, quando uma voz familiar a interrompeu. Rafael, que surpresa agradável. Eles se viraram para encontrar um homem elegante na casa dos 40. Sorriso político perfeito, acompanhado de uma mulher loira que parecia ter saído da capa de uma revista. Eduardo Ribeiro. Rafael cumprimentou com cordialidade profissional. Marina, este é Eduardo, diretor da Ribeiro Investimentos. Eduardo Marina Santos.
Marina estendeu a mão, mas Eduardo mal a cumprimentou antes de voltar sua atenção para Rafael. Ouvi dizer que vocês estão expandindo para energia renovável. Movimento interessante, considerando o cenário atual. Sempre fomos uma empresa voltada para o futuro. Rafael respondeu diplomaticamente. Claro, claro. Eduardo sorriu, mas havia algo predatório em sua expressão.
E você, Marina, como se adapta ao mundo dos negócios? Deve ser bem diferente do jornalismo. Havia condescendência em seu tom que fez o sangue de Marina ferver. Ela sorriu docemente. Na verdade não tanto. Ambos requerem capacidade de enxergar além das aparências, fazer as perguntas certas e identificar quando alguém está tentando vender uma história que não confere com os fatos.
O sorriso de Eduardo vacilou ligeiramente. Que perspectiva única. Marina tem uma perspectiva única sobre muitas coisas, Rafael disse, e ela sentiu sua mão se firmar em suas costas. é uma das qualidades que mais admiro nela. A mulher de Eduardo finalmente falou: “E há quanto tempo vocês estão juntos?” Marina sentiu Rafael se tensionar ao lado dela.
Esta era a primeira pergunta sobre detalhes específicos de seu relacionamento e eles não haviam ensaiado uma história. Algumas semanas. Marina respondeu honestamente. “Nos conhecemos no casamento de uma amiga. No Rio, Rafael acrescentou. Ah, romance de casamento. A mulher suspirou. Que romântico! Foi. Marina olhou para Rafael e, por um momento, esqueceu que estavam fingindo inesperado.
As melhores coisas sempre são Rafael disse suavemente, seus olhos fixos nos dela. Por alguns segundos, o mundo ao redor desapareceu. Havia algo na forma como ele a olhava, que fez seu estômago dar uma cambalhota, como se ele realmente estivesse se lembrando de um momento romântico, ao invés de uma mentira conveniente.
Bem, Eduardo limpou a garganta. Espero que seja duradouro. Havia uma insinuação em suas palavras que Marina não gostou, mas antes que pudesse responder, Rafael havia se movido ligeiramente para a frente, uma postura sutilmente protetora. “Tenho certeza de que será”, ele disse com uma firmeza que não deixava espaço para questionamentos. Depois que Eduardo e sua acompanhante se afastaram, Marina se virou para Rafael.
Ele sempre é tão encantador. Eduardo vê todos os relacionamentos como movimentos estratégicos. Rafael explicou. Ele provavelmente está tentando descobrir se você é uma ameaça aos seus próprios planos de negócios. Uma ameaça? Eu, uma jornalista inteligente com acesso privilegiado ao CEO de uma das maiores empresas do país, Rafael sorriu.
Você é a definição de ameaça para homens como ele. Antes que Marina pudesse responder, a música começou a tocar, sinalizando que o jantar seria servido. Rafael ofereceu o braço novamente, pronta para a próxima parte da performance.
Mas enquanto caminhavam em direção ao salão de jantar, Marina não conseguia se livrar da sensação de que o que estava acontecendo entre eles estava se tornando menos performance e mais realidade a cada minuto que passava, e isso a assustava mais do que qualquer Eduardo Ribeiro do mundo. A sala São Paulo resplandecia sob as luzes douradas, sua arquitetura imponente ecoando com os últimos acordes da nona sinfonia de Beethoven.
Marina fechou os olhos, deixando a música lavá-la, enquanto os aplausos ecoavam ao redor. Quando os abriu, encontrou Rafael, observando-a com uma expressão indefinível. “Você realmente ama a música clássica?”, ele observou enquanto saíam de seus lugares na primeira fileira.
Minha mãe me trouxe aqui quando eu era pequena”, Marina admitiu, ajustando a seda que havia emprestado de Júlia para a ocasião. Ela dizia que música clássica era a única forma de luxo que não dependia de dinheiro, apenas de disposição para sentir. Rafael parou no meio do corredor lotado, forçando as pessoas a se desviarem deles. Sua mãe era sábia. É, era enfermeira. Trabalhou a vida toda em hospital público. Morreu quando eu estava na faculdade.
Marina não sabia porque estava compartilhando isso. Nas três semanas, desde que começaram seu arranjo, eles haviam sido cuidadosos para manter as conversas superficiais, seguras. “Sinto muito,” Rafael disse, e havia uma dor genuína em sua voz que a surpreendeu. “E a sua? Você nunca fala sobre família além dos compromissos profissionais. Por um momento, ela pensou que ele não responderia.
Eles caminharam em silêncio pelo saguão ornamentado, passando por grupos de pessoas discutindo a performance em tons educados. “Minha mãe era pianista”, Rafael finalmente disse quando chegaram ao ar livre da noite paulistana, clássica como esta noite. Ela costumava tocar para mim antes de dormir quando eu era criança.
Marina notou que ele falava no passado. Costumava. Ela morreu quando eu tinha 12 anos. Câncer de mama. Sua voz era controlada, mas Marina percebeu como seus punhos se fecharam. Meu pai, ele nunca se recuperou. Realmente mergulhou no trabalho, se tornou ainda mais exigente e mais distante. Eles pararam próximo ao carro, mas nenhum dos dois se moveu para entrar.
A rua estava relativamente quieta, apenas o murmúrio distante do trânsito de São Paulo, preenchendo o silêncio. “É por isso que você trabalha tanto?”, Marina perguntou suavemente. “Porque é o que ele fazia. Rafael riu, mas não havia humor no som. Provavelmente, ou talvez porque é mais fácil que lidar com, Eleou vagamente, com tudo o mais. Sentimentos. Sentimentos ele confirmou.
Marina o estudou na luz dourada dos postes da rua. Havia uma vulnerabilidade em sua postura que contrastava drasticamente com o homem confiante que havia conhecido no casamento há um mês. Posso te fazer uma pergunta pessoal? Mais pessoal que isso, Rafael sorriu e desta vez chegou aos olhos. Quando foi a última vez que você fez algo só porque queria? Não por estratégia, não por negócios, não por expectativas familiares, só porque te fazia feliz? A pergunta o pegou desprevenido.
Ela viu o momento exato em que ele tentou formular uma resposta e percebeu que não conseguia. Eu Ele começou, então parou. Não consigo me lembrar. A admissão pairou entre eles como uma confissão. Marina sentiu algo apertar em seu peito, uma mistura de tristeza e uma vontade inesperada de consertar algo que estava quebrado nele.
“Quer fazer algo maluco?”, ela ouviu se perguntando. Define maluco, espontâneo, não planejado, possivelmente inadequado para um CEO em um terno de R$ 3.000. Rafael olhou para ela por um longo momento, então sorriu. Não o sorriso político que ela havia se acostumado a ver, mas algo genuíno e ligeiramente selvagem. O que você tem em mente? 20 minutos depois, eles estavam sentados em bancos de plástico de uma lanchonete 24 horas na liberdade, ainda vestidos para o conserto, dividindo um prato de pastel de queijo e bebendo refrigerante de
lata. Não posso acreditar que você nunca comeu em uma lanchonete de rua”, Marina disse, observando Rafael manusear o pastel com a mesma precisão com que provavelmente analisava relatórios financeiros. “Minha educação foi supervisionada”, ele admitiu, dando uma mordida cautelosa. Seus olhos se arregalaram.
“Isso é surpreendentemente bom. Comida de rua é uma das poucas democracias verdadeiras que restaram. Não importa quanto dinheiro você tem, todo mundo espera na mesma fila. Rafael riu. Uma risada real e espontânea que transformou completamente seu rosto. Você tem uma perspectiva interessante sobre tudo. Vem de ter crescido observando o mundo de baixo para cima, ao invés de cima para baixo, Marina disse.
Então se deu conta do que havia implicado. Desculpa, não quis. Não se desculpe, é refrescante. Rafael se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos na mesa de fórmica. A maioria das pessoas me diz o que acham que eu quero ouvir. Você diz o que pensa. E isso não te incomoda? Que eu não venha do seu mundo. A pergunta saiu antes que ela pudesse censurá-la, revelando uma insegurança que estava crescendo com cada evento que frequentavam juntos.
Marina. Sua voz era séria. Agora meu mundo é feito de pessoas que herdaram dinheiro e pensam que isso as torna interessantes. Pessoas que nunca trabalharam um dia nas vidas delas, mas tem opiniões sobre como governar o país. Pessoas que vem relacionamentos como transações comerciais. Ele parou como se ponderando suas próximas palavras. Você construiu sua carreira por mérito próprio.
Escreve sobre economia com uma perspicacia que a maioria dos analistas que conheço não possui. É inteligente, engraçada e genuinamente se importa com coisas além de aparências. Seus olhos encontraram os dela. Por que eu me incomodaria com isso? O coração de Marina acelerou. Havia algo na forma como ele a olhava, que fazia o ar parecer mais espesso, mais carregado.
Rafael, eu sei ele disse suavemente. Eu sei que isso deveria ser só negócios, mas está ficando difícil de fingir que é. A honestidade crua na confissão a atingiu como um soco, porque ela sentia a mesma coisa. A linha entre performance e realidade havia se tornado tão tênue que ela às vezes esquecia onde uma terminava e a outra começava. Não podemos, ela sussurrou.
Por quê? Porque somos de mundos diferentes. Porque isso começou como mentira. Porque quando terminar, eu volto para minha vida normal e você continua sendo Rafael Costa, CEO bilionário. E se eu não quiser continuar sendo só isso? A pergunta a deixou sem palavras. Eles se olharam através da mesa de fórmica, com o barulho da lanchonete ao redor, ainda vestidos como se pertencessem a um mundo completamente diferente daquele.
“Não complique as coisas, Rafael.” Marina finalmente disse, mas sua voz estava fraca. Talvez algumas coisas mereçam ser complicadas. O telefone dele tocou naquele momento, quebrando o encanto. Rafael olhou para a tela e suspirou. Minha irmã provavelmente quer saber como foi o conserto. Ele declinou a ligação.
Posso te levar em casa? O caminho de volta foi silencioso, mas era um silêncio carregado de coisas não ditas. Quando pararam em frente ao prédio de Marina, Rafael desligou o motor e se virou para ela. Marina, sim. Obrigado por esta noite. Pela música, pelo pastel, por me lembrar de como é se sentir normal. Ela colocou a mão na maçaneta da porta, mas não a abriu. Rafael, o que estamos fazendo? Eu não sei ele admitiu, mas não quero parar.
Marina o olhou por um longo momento, memorizando a forma como a luz do poste se refletia em seus olhos, como uma mecha de cabelo havia escapado do penteado perfeito. Boa noite, Rafael. Boa noite, Marina. Ela saiu do carro e caminhou em direção ao prédio, sabendo que ele a observava. Quando chegou à porta, se virou uma vez.
Ele ainda estava lá. E quando seus olhos se encontraram através do vidro, ela viu algo que a fez tremer, esperança. Dentro de seu apartamento, Marina se apoiou contra a porta fechada coração batendo forte, porque sabia que algo havia mudado naquela noite, algo irreversível. E pela primeira vez, desde que havia aceitado a proposta de Rafael, ela não sabia se isso era uma coisa boa ou terrível.
A estrada para Campos do Jordão serpenteava através da montanha, sob um céu de outono que pintava as árvores em tons dourados. Marina observava a paisagem mudar gradualmente da agitação urbana para a serenidade da serra, mas sua mente estava longe de tranquila. “Você está bem?”, Rafael perguntou, notando como ela torcia as mãos no colo.
Estou ótima para alguém que está prestes a conhecer sua família e fingir ser alguém que não sou, ela respondeu, tentando soar casual e falhando miseravelmente. Você não está fingindo ser alguém que não é. Você está sendo exatamente quem é. Rafael diminuiu a velocidade para passar por uma curva mais fechada. É esse o problema? Marina o olhou de relance. Nas últimas duas semanas, desde a noite do conserto, algo havia mudado entre eles.
As conversas eram mais profundas, os silêncios mais confortáveis e os momentos em que ele esquecia de manter distância profissional estavam se tornando mais frequentes. Sua irmã sabe que isso é um arranjo. Camila sabe que você é especial, Rafael disse. E havia algo em seu tom que fez o estômago de Marina dar uma cambalhota. É tudo que ela precisa saber por enquanto.
A casa da família Costa em Campos do Jordão era exatamente o que Marina havia imaginado. Uma propriedade imponente em estilo europeu, com jardins manicurados e uma vista deslumbrante das montanhas. Mas o que ela não esperava era a mulher de 30 anos que saiu correndo da entrada principal assim que o carro parou. Rafa. Camila Costa era uma versão feminina de Rafael.
mesmos olhos escuros, mesma presença marcante, mas com uma energia vibrante que ele havia aprendido a suprimir. Ela o abraçou com força antes de se virar para Marina com um sorriso genuíno. Você deve ser Marina. Eu sou Camila e oficialmente você é a minha nova pessoa favorita por conseguir arrastar meu irmão para fora de São Paulo em um final de semana. A calorosa recepção desarma Marina instantaneamente.
É um prazer te conhecer. O prazer é meu. Vamos. Preciso te mostrar tudo e ouvir cada detalhe de como vocês se conheceram. Camila lincou seu braço no de Marina, praticamente a arrastando em direção à casa. Rafa foi extremamente vago ao telefone, o que significa que tem uma história interessante aí. Por cima do ombro, Marina viu Rafael revirar os olhos, mas havia afeto genuíno em sua expressão.
À tarde passou em um borrão de conversas animadas e risos sinceros. Camila era arquiteta, tinha acabado de voltar de um mestrado em Barcelona e possuía uma paixão contagiante por arte e design que fez Marina se sentir imediatamente à vontade.
“Então, você realmente trabalha com jornalismo econômico?”, Camila perguntou enquanto caminhavam pelos jardins depois do almoço. “Deve ser fascinante analisar todos esses movimentos de mercado. É como resolver quebra-cabeças gigantes, Marina explicou. Cada dado é uma peça e quando você consegue ver o quadro completo é satisfatório e você consegue manter meu irmão interessado falando sobre trabalho. Camila riu.
Isso é impressionante. Normalmente ele fica entediado com qualquer conversa que não envolva planilhas depois de 5 minutos. Marina olhou para Rafael, que estava alguns metros atrás, ao telefone com alguém do escritório. Ele é mais interessante do que vocês dão crédito. Oh, eu sei que ele é, Camila disse, sua voz se tornando mais séria. Só não vejo essa parte dele há muito tempo. Não desde que papai morreu.
Elas pararam próximo a uma fonte de pedra, o som da água criando uma trilha sonora suave para a conversa. Ele mudou muito, Marina perguntou. Curiosidade jornalística e pessoal se misturando completamente. Antes, Rafa era mais leve, ria mais e se preocupava menos. Tinha sonhos próprios, sabe? Camila tocou uma rosa no jardim distraídamente.
Queria ser arquiteto, na verdade. Adorava desenhar quando éramos crianças. A revelação surpreendeu Marina. Era impossível imaginar o Rafael controlado e focado que conhecia sonhando com algo além de negócios. O que aconteceu? Papai morreu e alguém tinha que assumir a empresa. Rafa era o herdeiro. Então Camila deu de ombros, mas havia tristeza em seus olhos. Ele se transformou na pessoa que achou que precisava ser.
E você, por que não assumiu a empresa? Camila riu. Mas não havia amargura no som. Porque sou mulher? Porque escolhi arte ao invés de negócios. Porque sou a filha rebelde que mora na Europa e namora um espanhol que papai nunca aprovaria. Ela olhou diretamente para Marina. É por isso que você é tão importante. Como assim? Porque você o faz lembrar de quem ele era antes de se tornar apenas CEO.
Camila tocou o braço de Marina gentilmente. Não vi meu irmão sorrir genuinamente em anos até esta tarde. Antes que Marina pudesse responder, Rafael se aproximou, guardando o telefone. Desculpem por isso. Situação no escritório sempre tem. Camila suspirou. Lembra quando você conseguia passar um final de semana inteiro sem checar e-mails? Vagamente, Rafael respondeu, mas havia um tom de brincadeira em sua voz, como se fosse uma vida passada. Bem, esta noite nada de trabalho Camila declarou.
Vamos jantar na varanda, beber o vinho que trouxe de Barcelona e Marina vai me contar histórias embaraçosas sobre você. Boa sorte, Rafael disse para Marina. Camila é implacável quando quer informações. O jantar foi exatamente como Camila havia prometido.
A varanda oferecia uma vista espetacular das montanhas iluminadas pela lua e o vinho espanhol soltou línguas e risos. Marina se encontrou genuinamente se divertindo, esquecendo completamente que deveria estar representando um papel. Então, no casamento, ele simplesmente apareceu e pediu para você fingir que estava com ele? Camila perguntou. Os olhos brilhando de diversão.
Mais ou menos, foi bem direto. Marina admitiu olhando para Rafael. Não exatamente o pedido mais romântico do mundo. Definitivamente não. Rafael concordou sorrindo. Mas funcionou. Funcionou porque Marina tem um coração bom demais para deixar alguém em apuros. Camila observou.
E havia uma perspicácia em seu olhar que fez Marina se sentir ligeiramente exposta. Mais tarde, quando Camila se retirou para dormir, Marina e Rafael ficaram sozinhos na varanda. O silêncio noturno da montanha envolvia-os, quebrado apenas pelo som distante de grilos. “Sua irmã é incrível”, Marina disse, envolvendo-se em um chale que Camila havia insistido para ela usar.
“Ela gostou de você muito, Rafael”, respondeu, apoiando-se na varanda. “Não é fácil conseguir a aprovação de Camila. E isso é importante para você, a aprovação dela?” Rafael ficou quieto por um momento, olhando para as montanhas envoltas em neblina. Camila é a única pessoa no mundo que me conhece de verdade, que se lembra de quem eu era antes de me tornar isso.
Ele gesticulou vagamente para si mesmo. E quem você era? Alguém que desenhoava casas ao invés de comprar empresas, que se preocupava mais com a felicidade das pessoas do que com números em planilhas. Rafael se virou para olhá-la. Alguém que acreditava que o amor era mais importante que estratégia.
O peso da confissão pairou entre eles. Marina sentiu algo apertar em seu peito, uma mistura de ternura e algo mais perigoso que ela não queria nomear. “Você ainda pode ser essa pessoa”, ela disse suavemente. Posso? Havia uma vulnerabilidade em sua voz que a fez querer consolá-lo. “Sim, eu vejo flashes dela o tempo todo.
” Rafael se aproximou e de repente o espaço entre eles pareceu carregado eletricamente. “Marina! Não!” Ela sussurrou, mas não se afastou. “Não o quê? Não me olhe assim! Como? Como se isso fosse real!” As palavras saíram como um sussurro, mas atingiram Rafael como um balde de água fria. Ele se afastou, passando as mãos pelos cabelos. E se eu quiser que seja real? A pergunta ficou suspensa no ar entre eles, pesada de possibilidades e medos.
Marina sentiu lágrimas não derramadas queimar em seus olhos. Não podemos querer isso, Rafael. Não podemos. Por que não? Porque quando isso terminar, você vai voltar para seu mundo e eu para o meu. E a diferença entre eles é grande demais para ser superada por alguns jantares e conversas bonitas.
Rafael a estudou por um longo momento, como se pudesse ler algo em sua expressão que ela não estava dizendo. Fazse a diferença não importar, sempre importa. Marina sussurrou, uma lágrima finalmente escapando. Rafael se aproximou novamente, levantando a mão como se fosse tocar seu rosto. Então a deixou cair. Boa noite, Marina. Boa noite, Rafael. Ela o observou entrar na casa antes de se permitir chorar silenciosamente sob as estrelas da montanha, porque sabia que algo fundamental havia mudado naquela noite e não havia como voltar atrás.
A redação da folha fervia com a energia típica de uma segunda-feira, mas Marina mal conseguia se concentrar na movimentação ao seu redor. Havia uma semana desde o final de semana em Campos do Jordão, e suas emoções oscilavam como ações na bolsa de valores, subindo com cada mensagem de Rafael, despencando toda vez que ela se lembrava de que tudo aquilo tinha data de expiração.
Marina, a voz de Carlos, seu editor chefe, cortou através de seus pensamentos. Minha sala agora. O tom seco o alertou imediatamente. Carlos só usava aquela voz quando havia problemas. E na vida de uma jornalista investigativa, problemas geralmente significavam histórias grandes. Feche a porta, ele disse quando ela entrou.
Carlos Mendonça era um homem de 50 anos que havia passado três décadas no jornalismo investigativo e sua mesa estava perpetuamente coberta de papéis, fotografias e copos de café frio. “Aconteceu alguma coisa?”, Marina? Perguntou, sentando-se na cadeira diante da mesa dele. “Você me conta.” Carlos se recostou na cadeira, estudando-a com olhos experientes. Roberto Silva me procurou ontem.
“Você o conhece?” Marina sentiu o estômago apertar. Roberto Silva era um jornalista investigativo freelancer, conhecido por sua agressividade e falta de escrúpulos éticos. Conheço a reputação dele. Ele está investigando o grupo Costa. Movimentações financeiras suspeitas. Possível lavagem de dinheiro através de subsidiárias offshore.
Carlos se inclinou para a frente e mencionou que você anda muito próxima do Rafael Costa ultimamente. O sangue de Marina gelou. Carlos Marina, preciso que você me diga, existe algum conflito de interesse aqui? Porque se existe, precisamos resolver isso antes que vire um escândalo para o jornal. A pergunta ficou suspensa no ar como uma guilhotina prestes a cair. Marina sentiu como se estivesse em queda livre, tentando encontrar palavras que não comprometeriam nem sua integridade profissional, nem Rafael. Meu relacionamento com Rafael Costa é pessoal, ela disse cuidadosamente.
Não interfere no meu trabalho jornalístico, relacionamento pessoal. Carlos arqueou uma sobrancelha. Marina, você está namorando o CEO de uma das maiores empresas do país e não achou relevante mencionar? Não é, não era relevante até agora. Bem, agora é. Roberto tem documentos, Marina. Evidências de transferências suspeitas, contratos com empresas fantasmas nas ilhas Ciman.
Se isso for verdade e você soubesse, eu não sabia. Marina interrompeu. E era verdade. Mas uma parte fria de sua mente estava começando a processar as implicações. Que tipo de evidências? Carlos abriu uma pasta e espalhou fotografias de documentos na mesa, transferências de valores substanciais para contas offshore, contratos assinados por Rafael Costa com empresas que aparentemente não existem.
Movimento de mais de R$ 50 milhões de reais nos últimos dois anos. Marina pegou os documentos com mãos trêmulas. Os papéis mostravam transferências complexas, redes de empresas conectadas e, no centro de tudo, assinaturas que reconhecia. O estômago dela revirou. De onde Roberto conseguiu isso? Ele não disse, mas se for autêntico. Carlos fez uma pausa significativa.
Marina, preciso que você entenda a posição do jornal. Se o grupo Costa está envolvido em lavagem de dinheiro e descobrimos que nossa jornalista responsável pela editoria de economia está romanticamente envolvida com o CEO e não reportou, isso destruiria minha carreira. Ela terminou por ele e a credibilidade do jornal.
Carlos se recostou novamente. Então vou te dar uma escolha. Ou você investiga isso oficialmente, com total transparência sobre seu relacionamento, ou passamos a história para outro jornalista. Marina olhou para os documentos novamente, sua mente jornalística automaticamente analisando as evidências enquanto seu coração se despedaçava. Quanto tempo eu tenho? Roberto quer publicar na semana que vem.
Se vamos fazer isso, precisa ser antes dele. Uma semana. Marina repetiu, sentindo como se o chão estivesse desmoronando sob seus pés. Marina, a voz de Carlos se suavizou ligeiramente. Eu sei que isso é difícil, mas você é uma jornalista antes de tudo. E se há uma história aqui, ela precisa ser contada. Marina saiu da sala de Carlos, se sentindo como uma bomba relógio.
Voltou para sua mesa e olhou para os documentos que havia trazido consigo, spread-los com mãos que não conseguia controlar totalmente. Seu telefone vibrou. Uma mensagem de Rafael: “Jantar hoje? Consegui uma reserva naquele restaurante japonês que você mencionou”. Ela olhou para a mensagem por longos minutos, depois para os documentos, depois para a mensagem novamente.
Como poderia jantar com ele sabendo o que sabia? Como poderia não jantar com ele sem despertar suspeitas? “Claro, que horas?”, ela respondeu, odiando-se por cada letra digitada. O resto do dia passou em um borrão de pesquisas online e telefonemas discretos. Marina usou todos os contatos que havia construído em 5 anos, cobrindo economia para verificar a autenticidade dos documentos. Com cada confirmação, seu coração se partia um pouco mais.
As empresas das ilhas Cayem existiam apenas no papel. As transferências haviam realmente acontecido e as assinaturas, bem, ela precisaria de um perito em grafoscopia para ter certeza, mas pareciam autênticas. Às 7 da noite, Marina se encontrava diante do espelho do banheiro da redação, tentando recompor-se para o jantar.
Seus olhos estavam vermelhos de chorar silenciosamente e ela aplicou mais corretivo do que o normal para disfarçar. O restaurante era íntimo, tradicional, o tipo de lugar onde Rafael se sentia confortável e ela geralmente se sentia acolhida. Mas naquela noite cada detalhe parecia amplificado.
As conversas baixas dos outros comensais, o tinido dos pauzinhos contra a porcelana, o sorriso genuíno de Rafael quando a viu chegar. Você está bem? Foram as primeiras palavras dele depois de beijar sua bochecha. Parece tensa, “Dia longo no trabalho,” ela respondeu. E tecnicamente não era mentira.
Durante a primeira hora do jantar, Marina tentou manter a normalidade. Eles falaram sobre o final de semana, sobre os planos de Camila para uma nova exposição, sobre tudo, exceto a pasta de documentos que queimava em sua mente. “Marina”, Rafael disse eventualmente, colocando os pauzinhos na mesa. “O que está acontecendo? Você mal me olhou nos olhos esta noite. A pergunta direta a forçou a levantar o olhar. Os olhos dele estavam cheios de preocupação genuína.
E, por um momento, ela quase contou tudo. Quase. Rafael, posso te fazer uma pergunta sobre trabalho? Claro. Você conhece empresas chamadas Costa Holdings baseadas nas ilhas Cayman? Ela observou seu rosto cuidadosamente quando fez a pergunta. Houve um flash de algo surpresa, reconhecimento antes da expressão neutra retornar.
São subsidiárias para investimentos internacionais, ele respondeu calmamente. Por quê? Só curiosidade profissional. Estava pesquisando movimentos de capital brasileiro no exterior. Rafael a estudou por alguns segundos. Marina, se você está fazendo uma matéria sobre o grupo Costa, precisa me dizer. A honestidade em sua voz foi como uma faca no coração dela. Por quê? Porque confio em você. E por? Eleitou.
Porque o que temos é importante demais para ser comprometido por mal entendidos. Marina sentiu lágrimas queimar em seus olhos. Rafael, seja qual for a pergunta que você quer fazer, faça. Eu prometo responder honestamente. A sinceridade dele a destruiu completamente, porque ela queria acreditar.
queria desesperadamente que houvesse uma explicação inocente para tudo, mas os documentos eram reais, as transferências eram reais e sua responsabilidade como jornalista era real. Eu preciso ir”, ela disse abruptamente, levantando-se. “Marina, espera.” Mas ela já estava saindo, fugindo para a noite de São Paulo, com o coração partido e uma decisão impossível pela frente, porque sabia que na manhã seguinte teria que escolher entre o homem que estava começando a amar e a profissão que definia quem ela era, e não havia resposta certa. Marina passou a noite em claro, alternando entre analisar os documentos espalhados em sua
mesa de centro e olhar fixamente para o teto. Cada vez que fechava os olhos, via o rosto de Rafael no restaurante. A preocupação genuína, a confiança absoluta que ele havia depositado nela. Às 6 da manhã, desistiu de tentar dormir e ligou para o único especialista em crimes financeiros que conhecia pessoalmente. Dr.
Silveira, é Marina Santos da Folha. Preciso de um favor. Duas horas depois, ela estava no escritório forense, no centro de São Paulo, observando o perito em grafoscopia, examinar as assinaturas dos documentos sob uma lupa especial. “Interessante”, murmurou Dr. Silveira, ajustando os óculos. À primeira vista, as assinaturas parecem autênticas, mas há algumas inconsistências na pressão da caneta.
Vou precisar de mais tempo para uma análise completa. Quanto tempo? 48 horas. Marina saiu do escritório forense com mais perguntas do que respostas, mas uma pequena centelha de esperança. Se as assinaturas fossem falsas, seu telefone tocou. Rafael, bom dia. Sua voz estava cautelosa. Sobre ontem à noite, não podemos conversar agora.
Marina interrompeu, olhando nervosamente ao redor da rua movimentada. Estou investigando uma história e uma história sobre minha empresa. Não era uma pergunta. Marina sentiu o estômago apertar. Como você? Roberto Silva me ligou há uma hora. Queria um comentário oficial sobre as alegações que planeja publicar.
A voz de Rafael estava controlada, mas Marina podia ouvir atenção subjacente, alegações que aparentemente você também está investigando. O silêncio se estendeu entre eles, carregado de acusações não ditas. Marina, preciso que você me diga. Isso começou antes ou depois de aceitarmos nosso acordo. A pergunta a atingiu como um soco. Rafael, antes ou depois? Sua voz estava mais dura. Agora depois. Eu juro que foi depois.
Mas você está investigando. É meu trabalho. E eu sou o quê? Fonte ingênuo útil que te dá acesso privilegiado. A dor em sua voz partiu o coração de Marina. Não é assim. Não? Então me explique como é, Marina. Me explique como você pode jantar comigo ontem à noite, me deixar falar sobre confiança e estar investigando alegações de lavagem de dinheiro contra minha empresa, porque eu preciso saber a verdade. A resposta saiu mais alto do que ela pretendia, fazendo algumas pessoas na rua olharem.
Porque se você está envolvido, eu preciso saber. E se não está, eu preciso provar. E você não podia simplesmente me perguntar? Podia. Podia mesmo? Marina riu amargamente. Quantos criminosos confessam quando confrontados diretamente? O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Quando Rafael falou novamente, sua voz estava gelada. Entendo.
Bem, para sua matéria, Rafael Costa nega qualquer envolvimento em atividades ilegais e está cooperando completamente com todas as investigações relevantes. Rafael, não é? Mas a linha já havia caído. Marina ficou parada na calçada. telefone ainda no ouvido, sentindo como se tivesse acabado de destruir algo precioso com as próprias mãos.
De volta à redação, ela mergulhou na investigação com uma determinação quase desesperada. Se ia perder Rafael, pelo menos descobriria a verdade. Passou os próximos dois dias mergulhada em uma teia complexa de empresas offshore, transferências bancárias e contratos suspeitos. Cada pista levava a outra. Cada descoberta aprofundava o mistério ao invés de resolvê-lo.
Na quinta-feira, Dr. Silveira ligou: “Marina, você precisa ver isso pessoalmente.” Uma hora depois, ela estava novamente em seu escritório, observando o apontar para detalhes microscópicos nas assinaturas. “Estas assinaturas são falsas”, ele disse, sem preâmbulos. “Muito bem feitas, mas falsas”. Observe a formação desta letra R.
A pessoa que falsificou estudou exemplos da assinatura verdadeira, mas há uma hesitação microscópica no movimento que indica reprodução consciente ao invés de movimento natural. Marina sentiu como se pudesse respirar pela primeira vez em dias. Você tem certeza? Absoluta. Mais interessante ainda, foram feitas com a mesma técnica usada em alguns casos de fraude corporativa que analisei recentemente. Quem fez isso é profissional.
Que tipo de profissional? Alguém com acesso a equipamentos especializados e conhecimento técnico avançado, provavelmente alguém de dentro da própria empresa. Marina saiu do escritório forense com um misto de alívio e urgência. Rafael era inocente, mas alguém muito próximo a ele não era.
E se Roberto Silva publicasse primeira, a reputação de Rafael seria destruída antes que a verdade viesse à tona. Ela precisava encontrar o verdadeiro culpado e precisava fazer isso antes que fosse tarde demais. Na redação, Marina se trancou em uma sala de reuniões com todos os documentos e começou a traçar conexões.
Se as assinaturas eram falsas, quem tinha a autoridade para fazer transferências em nome da empresa? Quem tinha acesso aos documentos oficiais de Rafael? Seu telefone vibrou. Uma mensagem de número desconhecido. Pare de procurar ou você vai se arrepender. Marina olhou para a mensagem, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. Alguém estava observando sua investigação. Alguém estava com medo.
Isso significava que ela estava no caminho certo, mas também significava que estava em perigo. O estacionamento subterrâneo da Folha estava quase vazio às 10 da noite, quando Marina finalmente decidiu ir para casa. Três dias haviam passado desde a ameaça por mensagem, e ela havia duplicado seus esforços na investigação, trabalhando até tarde e chegando cedo, determinada a encontrar o verdadeiro culpado antes que Roberto Silva destruísse a reputação de Rafael.
Suas pesquisas haviam se concentrado em Ricardo Ferreira, diretor financeiro do grupo Costa há 10 anos e uma das poucas pessoas com acesso aos documentos e autoridade necessários para as transferências. Mas as evidências ainda eram circunstanciais e ela precisava de mais. Marina estava guardando seu laptop na bolsa quando ouviu passos ecoando no estacionamento vazio.
Levantou a cabeça e viu dois homens de terno se aproximando de seu carro, posicionando-se de forma que bloqueavam sua saída. Marina Santos, o mais alto dos dois, tinha uma voz educada, mas havia algo ameaçador em sua postura. Sim, ela respondeu, tentando manter a voz firme enquanto calculava a distância até o elevador. Precisamos conversar sobre o quê? Sobre sua investigação.
Você está se metendo em assuntos que não são da sua conta. Marina sentiu o coração acelerar, mas forçou-se a manter uma expressão neutra. Sou jornalista. Investigar é literalmente minha conta. O segundo homem mais baixo e com uma cicatriz pequena acima da sobrancelha esquerda deu um passo à frente.
Nem tudo que parece investigação jornalística é, Senrita Santos. Às vezes é apenas curiosidade perigosa. Quem vocês são? Pessoas preocupadas com sua segurança. O homem alto respondeu com um sorriso que não chegou aos olhos. São Paulo pode ser uma cidade perigosa para mulheres jovens que trabalham até tarde.
A ameaça indireta fez o sangue de Marina gelar, mas ela manteve o queixo erguido. Se vocês me dão licença, preciso ir para casa, é claro, mas esperamos que considere nosso conselho. Algumas histórias não valem o risco pessoal. Eles se afastaram lentamente, permitindo que Marina chegasse ao seu carro com pernas trêmulas.
Só quando estava dentro do veículo com as portas trancadas é que permitiu que suas mãos tremessem visivelmente. Ela estava dirigindo para fora do estacionamento quando seu telefone tocou. Rafael, por um segundo, hesitou. Eles não haviam falado desde a discussão terrível três dias antes, mas após o encontro ameaçador que acabara de ter, ouvir sua voz pareceu necessário.
Marina, sua voz estava tensa. Onde você está? Saindo do trabalho. Por quê? Você está bem? Acabei de receber uma ligação. Alguém mencionou que você pode estar em perigo. Marina parou no primeiro semáforo e fechou os olhos. Rafael, não posso falar sobre isso agora.
Onde você está exatamente? Por quê? Porque dois homens acabaram de me visitar no escritório. Disseram que você estava fazendo perguntas perigosas e que eu deveria convencê-la a parar. O sangue de Marina gelou completamente. Que homens? Não se identificaram. Mas, Marina, você precisa parar com essa investigação. Se está certa sobre minha inocência, que diferença faz quem é o culpado? Faz toda a diferença. Marina, exclamou, estacionando em uma rua lateral.
Se Roberto Silva publicar primeiro, sua reputação será destruída, mesmo que você seja inocente. Preciso encontrar o verdadeiro culpado. Não ao custo da sua segurança. A preocupação genuína em sua voz a desarmou. Rafael, Marina, me escute. Vou mandar minha segurança te buscar. Não volte para seu apartamento hoje à noite. Não posso aceitar sua proteção.
Isso compromete ainda mais minha investigação. Que se dane sua investigação. A voz dele explodiu através do telefone. Marina, estas pessoas não estão brincando. Se alguma coisa acontecer com você, ele não terminou a frase, mas a emoção crua em sua voz disse tudo. Eu vou ficar bem, ela disse suavemente. Mas preciso terminar isso. Então, termine rápido e, por favor, tenha cuidado.
Depois que desligou, Marina ficou sentada no carro por vários minutos, tentando processar tudo que havia acontecido. Alguém estava desesperado o suficiente para ameaçá-la diretamente. Isso significava que ela estava perto da verdade, mas também significava que o tempo estava se esgotando.
Ela tomou uma decisão que mudaria tudo. Ao invés de ir para casa, dirigiu para o apartamento de Júlia, sua melhor amiga. Precisava de um lugar seguro para trabalhar e precisava de ajuda. Marina Júlia abriu a porta em pijama, olhos arregalados, de preocupação. Que horas são? O que aconteceu? Três horas depois, elas estavam sentadas no chão da sala de Júlia, documentos espalhados ao redor, laptops abertos, analisando cada detalhe da investigação. “Espera”, Júlia disse, apontando para uma série de transferências. “Você viu isso? Todas
essas transferências suspensas aconteceram quando Rafael estava fora do país. Olha as datas.” Marina verificou as datas contra a agenda pública de Rafael, viagens de negócios, conferências internacionais. Júlia estava certa. Ele não poderia ter autorizado essas transferências pessoalmente, Marina murmurou.
Alguém estava usando sua autorização remotamente ou falsificando documentos sistematicamente. Marina sentiu uma peça do quebra-cabeça se encaixar. Júlia, você é um gênio. Eu sei, mas isso significa o que exatamente? Significa que sei quem está fazendo isso e como provar. Marina olhou para o relógio. 3 da manhã, em 6 horas, Roberto Silva publicaria sua matéria destruindo Rafael.
Ela tinha até lá para salvar a reputação do homem, que percebeu com uma clareza cristalina estava amando, mesmo que ele nunca a perdoasse por ter duvidado dele. Marina acordou no sofá de Júlia às 5 da manhã com o laptop ainda aberto no peito e uma epifania na mente. Durante as poucas horas de sono agitado, seu subconsciente havia processado todas as evidências e chegado a uma conclusão devastadora. Ricardo Ferreira não era apenas o autor das transferências fraudulentas.
Ele era o braço direito de Rafael há uma década, a pessoa em quem ele mais confiava na empresa. A traição seria devastadora em todos os níveis, mas primeiro ela precisava de uma prova definitiva. Júlia, ela sussurrou, sacudindo a amiga gentilmente. Preciso do seu computador. O meu está com vírus.
Que horas são? Júlia gemeu, ainda sonolenta. 5 da manhã. Desculpa, mas é urgente. Com Júlia ainda dormindo, Marina se conectou aos sistemas públicos de registros corporativos. Seu plano era arriscado. Ela iria rastrear todas as transferências suspeitas até seus destinos finais, seguindo uma trilha que deveria levar de volta ao verdadeiro culpado. Três horas depois, ela tinha encontrado o que procurava.
As empresas fantasmas nas ilhas Cayman eram apenas intermediárias. O dinheiro eventualmente chegava a uma conta na Suíça, registrada em nome de uma empresa de consultoria que, após mais investigação, pertencia a Ricardo Ferreira. “Meu Deus!”, ela sussurrou, olhando para a tela. “Ele roubou mais de 60 milhões.” Seu telefone tocou, um número que não conhecia.
“Mina Santos?” A voz era desconhecida, masculina, nervosa. Sim, sou o Dr. Marcos Oliveira, contador da auditoria interna do grupo Costa. Vi que você está investigando irregularidades financeiras. Marina sentou-se mais ereta. Como você soube? Porque eu também estou investigando há meses e encontrei evidências que você precisa ver.
Que tipo de evidências? Documentos originais mostrando como Ricardo Ferreira falsificou autorizações, e-mails internos coordenando as transferências, registros de acesso aos sistemas que provam que ele estava conectado durante cada transferência suspeita. O coração de Marina acelerou.
Onde você quer se encontrar? Café do subsolo do grupo Costa. Em uma hora. E Marina, traga gravador, porque quando Ricardo descobrir que estou falando, minha vida pode correr perigo. Uma hora depois, Marina estava sentada em uma mesa discreta no café corporativo, observando um homem magro de 40 anos, olhar nervosamente ao redor enquanto deslizava uma pasta através da mesa.
Ricardo Ferreira tem usado a posição dele para desviar dinheiro há pelo menos do anos. Dr. Oliveira explicou em voz baixa. Ele falsifica assinaturas do Rafael, cria documentação falsa e usa o acesso privilegiado dele aos sistemas para autorizar transferências quando Rafael está viajando. Por que você não denunciou antes? Porque ele é intocável.
10 anos na empresa Confiança Total do Rafael, responsável por aumentos de lucros substanciais que ninguém questiona. Oliveira abriu a pasta, mas eu documentei tudo. Marina examinou os documentos. e-mails internos, logs de sistema, até fotografias de Ricardo em seu escritório durante horários em que as transferências foram feitas. Era uma evidência devastadora e irrefutável. Dr.
Oliveira, por que está me mostrando isso? Por que não ao Rafael diretamente? Por tentei Ricardo tem acesso ao escritório do Rafael, aos e-mails dele, à agenda dele. Qualquer coisa que eu envie, Ricardo vê primeiro. Oliveira se inclinou para a frente. Mas ele não pode controlar a mídia. Se você publicar isso, Rafael vai ver e tomar providências. Marina terminou. Exatamente.
Marina guardou os documentos na bolsa. Mente já elaborando o artigo que salvaria a reputação de Rafael. Dr. Oliveira, muito obrigada. Você salvou a carreira de muitas pessoas hoje. Só seja cuidadosa. Ricardo Ferreira não é apenas ladrão. Ele é perigoso quando encurralado. Marina estava saindo do café quando recebeu uma mensagem de Carlos. Roberto Silva está publicando em 2 horas.
Precisamos da sua matéria agora. Ela correu para a redação, dedos voando sobre o teclado, enquanto construía a história que mudaria tudo. A manchete estava clara. Diretor financeiro do grupo Costa desvia 60 milhões hilários em esquema sofisticado de fraude. O artigo detalhava metodicamente como Ricardo Ferreira havia usado sua posição de confiança para sistematicamente roubar da empresa, falsificando assinaturas e criando uma rede complexa de empresas fantasmas.
mais importante, deixava Cristalino que Rafael Costa era vítima, não perpetrador. Excelente trabalho, Carlos disse, revisando o artigo. Isso vai virar o mercado de cabeça para baixo e salvar a reputação de um homem inocente. Marina adicionou silenciosamente. O artigo foi ao ar às 11:47, 2 horas antes da publicação planejada de Roberto Silva.
Em 15 minutos, o telefone de Marina estava tocando incessantemente, outros jornalistas, analistas financeiros e advogados querendo comentários, mas a ligação que ela estava esperando não veio. Rafael não ligou. Às 3 da tarde, quando as ações do grupo Costa haviam se recuperado e Ricardo Ferreira estava sendo conduzido em algemas pela Polícia Federal, Marina finalmente recebeu uma mensagem dele.
Obrigado por limpar meu nome, mas não posso esquecer que você duvidou de mim. Precisamos conversar. Marina olhou para a mensagem, sentindo uma mistura de alívio e terror. Ela havia salvado a reputação dele, mas talvez tivesse perdido qualquer chance de um futuro juntos. Porque algumas traições de confiança, mesmo quando justificadas, deixavam cicatrizes que nunca cicatrizavam completamente.
O escritório de Rafael no quatro andar do edifício do grupo Costa oferecia uma vista panorâmica de São Paulo que normalmente Marina acharia impressionante. Mas naquela tarde, apenas 3 horas depois da prisão de Ricardo Ferreira, ela mal conseguia se concentrar em qualquer coisa além do homem sentado atrás da mesa de Mogno.
Rafael estava impecável como sempre, terno escuro, gravata perfeitamente alinhada, mas havia uma tensão em seus ombros que não conseguia esconder. Quando ela entrou, ele não se levantou, apenas gesticulou para a cadeira em frente à sua mesa. Sente-se. O tom formal a atingiu como uma bofetada.
Este não era o Rafael que havia ido com ela na lanchonete de rua ou compartilhado memórias dolorosas sobre sua mãe. Este era o CEO, distante e controlado. Rafael, primeiro e obrigado. Ele a interrompeu. Sua investigação salvou minha reputação e, provavelmente, a empresa. Ricardo estava planejando despejar suas ações quando o escândalo explodisse, causando uma queda ainda maior no valor. Marina assentiu silenciosamente esperando.
Segundo, Rafael continuou, seus olhos finalmente encontrando-os dela. Precisamos falar sobre o que aconteceu entre nós. Eu sei que você está furioso. Furioso? Rafael riu, mas não havia humor no som. Marina, estou devastado. A palavra a atingiu mais forte que qualquer grito. Devastado. Você duvidou de mim.
Ele disse simplesmente, “Durante três dias, você acreditou que eu era capaz de roubar 60 milhões de reais, de arriscar as carreiras de 50.000 funcionários, de destruir o legado da minha família? Eu tinha evidências, você tinha papéis. Eu ofereci honestidade.” Rafael se levantou caminhando até a janela.
Quando perguntei se você estava investigando minha empresa, você mentiu. Não menti. Disse que era depois do nosso acordo. Mentira por omissão ainda é mentira, Marina. Ele se virou para olhá-la. Mas sabe o que mais me mata? É que em nenhum momento você veio até mim e perguntou: “Rafael, você fez isso? Você simplesmente assumiu que eu era culpado e começou a construir um caso.
As palavras dela se despedaçaram uma por uma contra a acusação, porque ele estava certo. Ela havia assumido sua culpa baseada em documentos, nunca na pessoa que havia aprendido a conhecer. “Eu estava tentando proteger você”, ela sussurrou. “Proteger?” Rafael voltou para sua cadeira, apoiando os cotovelos na mesa.
“Como assim? Se eu não investigasse, Roberto Silva publicaria uma matéria destruindo você, sem chance de defesa. Pelo menos investigando, eu podia descobrir a verdade e limpar seu nome. E se eu fosse culpado? Você teria me destruído mesmo assim? A pergunta ficou suspensa no ar entre eles. Marina sentiu lágrimas queimarem seus olhos. “Eu não sei”, ela admitiu honestamente.
“Espero que tivesse coragem de fazer a coisa certa.” “A coisa certa?”, Rafael repetiu: “E qual seria a coisa certa, Marina? Destruir o homem que estava se apaixonando por você em nome da verdade jornalística?” O uso do pretérito perfeito a atingiu como um tiro. Estava se apaixonando. Passado. Rafael, eu não. Ele levantou a mão. Deixe-me terminar porque preciso que você entenda algo.
Ele se recostou na cadeira, olhando para ela com uma intensidade que a fez querer se encolher. Nos últimos três anos desde que meu pai morreu, confiei em exatamente três pessoas: minha irmã, minha assistente e Ricardo Ferreira. Camila vive na Europa. Minha assistente cuida da minha agenda. E Ricardo? Bem, Ricardo estava roubando de mim há dois anos. Rafael fez uma pausa passando a mão pelos cabelos.
Então apareceu você e pela primeira vez em anos eu me permiti confiar em alguém novo. Mais que confiar, eu me permiti sentir algo real. Você ainda pode? Posso? Rafael a interrompeu. Posso mesmo, porque toda vez que eu olhar para você agora, vou me lembrar de que quando as coisas ficaram difíceis, você escolheu seu trabalho ao invés de me perguntar a verdade. As lágrimas finalmente escaparam dos olhos de Marina. Não
foi assim. Não. Então me explique como foi. Me explique como você pôde jantar comigo, me ouvir falar sobre confiança e sair direto dali para investigar se eu era um criminoso. Porque eu estava com medo. A resposta explodiu dela. Porque estava me apaixonando por você e isso me aterrorizava. Porque quando vi aqueles documentos, pensei que era bom demais para ser verdade, que finalmente havia descoberto porque alguém como você estaria com alguém como eu. Rafael piscou claramente não esperando essa confissão. Alguém como eu? Ele repetiu.
Bilionário, poderoso, bonito, inteligente. E eu sou apenas uma jornalista que divide apartamento na Vila Madalena. Marina limpou as lágrimas com as costas da mão. Quando vi aqueles documentos, uma parte de mim pensou: “É claro, é claro que há algo errado. Homens como ele não se interessam por mulheres como eu, a menos que tenham motivos ocultos.
” O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Rafael a olhou por longos momentos, como se vendo-a pela primeira vez. “Marina”, ele disse finalmente, sua voz mais suave. “Você realmente acredita nisso? às vezes. Então você não me conhece de jeito nenhum. A declaração a confundiu. Como assim? Rafael se levantou novamente, mas desta vez caminhou até ela, parando próximo o suficiente para ela sentir seu calor.
Você acha que me interesso por você porque é conveniente? Porque é fácil? Ele se abaixou até ficarem no mesmo nível. Marina, você é a coisa mais difícil que já aconteceu na minha vida. Di, “Obrigada”, ela disse, tentando fazer uma piada através das lágrimas. “Você me desafia. Me faz questionar tudo que achava que sabia sobre mim mesmo. Me faz querer ser melhor. Seus olhos estavam intensos, vulneráveis.
Você acha que quero isso porque é fácil?” Marina o olhou, vendo além da raiva para a dor por baixo. Eu estraguei tudo, não estraguei? Rafael suspirou se afastando novamente. Não sei, Marina. Sinceramente, não sei o que isso significa. Significa que preciso de tempo para processar isso, para descobrir se posso confiar em você novamente.
A palavra novamente implicava possibilidade e Marina se agarrou a ela como uma tábua de salvação. Quanto tempo? Não sei isso também. Rafael voltou para trás de sua mesa, reassumindo a postura profissional. O que sei é que nosso acordo está cumprido. Você não precisa mais fingir ser minha namorada. A frase final foi dita com tanta formalidade que Marina sentiu algo morrer dentro dela.
Então é isso? Ela perguntou, levantando-se. Acabou? Rafael a olhou por um longo momento. Não sei, Marina. Não sei se alguma vez começou de verdade. Marina saiu do escritório dele com o coração despedaçado, mas com uma determinação crescendo dentro dela. Porque uma coisa havia ficado clara durante toda a conversa.
Ela estava perdidamente apaixonada por Rafael Costa. E se havia uma chance, mesmo que mínima, de consertar o que havia quebrado, ela iria lutar por ela, mesmo que isso significasse lutar contra o próprio Rafael. Uma semana havia passado desde a conversa devastadora no escritório de Rafael e Marina sentia como se estivesse vivendo em um mundo paralelo cinzento.
Ela funcionava, ia ao trabalho, escrevia matérias, respondia e-mails, mas era como se uma parte essencial dela tivesse ficado naquele 400 andar. A história sobre Ricardo Ferreira havia rendido elogios profissionais e uma indicação para um prêmio de jornalismo investigativo, mas cada parabéns que recebia soava vazio.
Ela havia salvado a carreira do homem que amava e destruído qualquer chance de futuro com ele no processo. “Você vai comer alguma coisa hoje ou apenas mover a comida pelo prato novamente?” Júlia perguntou durante o almoço de sábado em um café na Vila Madalena. Não estou com fome, Marina. Isso já durou uma semana. Você precisa parar de se martirizar. Não estou me martirizando. Estou processando.
Júlia revirou os olhos. Processando. Você está definindo. Há uma diferença. Marina finalmente olhou para a amiga. Ele disse que não sabia se alguma vez havia começado de verdade. Ju, como você processa isso? processa conversando com ele, não evitando qualquer lugar onde possa encontrá-lo. Era verdade.
Marina havia evitado cuidadosamente todos os eventos sociais onde Rafael poderia aparecer, recusado convites para galas e jantares que normalmente cobriria profissionalmente. Estava sendo covarde e sabia disso. Ele não quer me ver. Você não sabe disso. Seu sim. Ele mudou o número do celular. Júlia parou de mexer seu café. Como você sabe? Marina corou.
Posso ter tentado ligar algumas vezes. Algumas? 15. 15 vezes. Jesus. Marina. Eu sei. Está bem? Eu sei que estou sendo patética. Marina finalmente pegou um pedaço de pão, mais para dar algo para suas mãos fazerem do que por fome.
Mas não consigo parar de pensar que se eu pudesse falar com ele mais uma vez, explicar melhor, explicar o quê? Você fez seu trabalho, descobriu a verdade, salvou a reputação dele e derrubei qualquer confiança que ele tinha em mim no processo. Júlia suspirou. Olha, vou ser honesta contigo. Talvez você tenha feito merda, mas ele também fez. Marina levantou a cabeça, surpresa.
O quê? Ele te colocou em uma posição impossível desde o início. Te pediu para fingir ser namorada dele, te deu acesso a informações privilegiadas e depois ficou ofendido quando sua vida profissional e pessoal se misturaram. Júlia balançou a cabeça. Isso não é justo. Júlia não. Escuta. Você é jornalista. É sua natureza investigar inconsistências. Ele sabia disso quando te contratou para esse teatro todo. Não foi teatro.
Marina disse suavemente: “Pelo menos não para mim, e é exatamente isso que você precisa dizer para ele.” Naquela noite, Marina estava em seu apartamento tentando se concentrar em um livro quando seu telefone tocou. Por um segundo louco, seu coração saltou, pensando que pudesse ser Rafael, mas era um número que não conhecia. “Alô, Marina Santos.
” A voz era feminina, sofisticada, ligeiramente hostil. Sim, sou Helena Costa, tia do Rafael. Acredito que já nos conhecemos. Marina se lembrou imediatamente, a mulher elegante do casamento, que havia olhado para ela como se fosse um inseto. Claro. Em que posso ajudá-la, senora Costa? Na verdade, pensei que poderíamos conversar pessoalmente.
Você tem tempo para um café amanhã? Havia algo no tom que fez Marina desconfiar. Sobre o quê? sobre meu sobrinho e sobre como você quase destruiu nossa família. A acusação brutal a deixou sem palavras por um momento. Eu salvei a reputação dele. Você o expôs a um escândalo que nunca deveria ter se tornado público. Helena a interrompeu e no processo quebrou o coração dele de uma forma que não vejo desde a morte da minha irmã.
A menção à mãe de Rafael a atingiu inesperadamente. Senora Costa, eu nunca quis machucá-lo, mas machucou. E agora ele está mais fechado do que nunca, mais focado no trabalho, mais distante de qualquer possibilidade de felicidade pessoal. Helena fez uma pausa. Então preciso que você entenda algo muito claramente. Você causou dano suficiente.
Mantenha-se longe da minha família. A linha ficou muda, deixando Marina olhando para o telefone em choque. Helena Costa havia basicamente declarado guerra, mas também havia revelado algo crucial. Rafael estava sofrendo tanto quanto ela e isso significava que talvez ainda houvesse esperança.
Na manhã seguinte, Marina acordou com uma resolução que não sentia à semanas. Se Rafael estava sofrendo, se ainda havia sentimentos ali, então ela não poderia desistir. Não sem lutar. Primeiro, ela precisava encontrar uma forma de falar com ele que não envolvesse ligar para números que ele havia trocado ou aparecer em lugares onde seria removida pela segurança. Então se lembrou de Camila.
Marina passou a manhã pesquisando e descobriu que Camila Costa tinha uma exposição de fotografia abrindo naquela semana na galeria Fortes Vilassa. Se havida uma pessoa na família Costa que poderia ajudá-la, seria ela. A galeria Fortes Vilassa pulsava com a energia típica de uma abertura de exposição. Marina observou da calçada através das janelas de vidro, vendo Camila Costa circular entre os convidados, explicando suas fotografias com a paixão que Marina lembrava do final de semana em Campos do Jordão.
Respirando fundo, ela ajustou o blazer preto e entrou. A exposição de Camila era deslumbrante. Fotografias em preto e branco de arquitetura urbana paulistana, capturando a alma melancólica e vibrante da cidade. Marina se perdeu por alguns minutos em uma imagem particular, o reflexo de um arranhacel janelas de um edifício antigo, passado e futuro, coexistindo em uma única moldura.
Impressionante, não é? A voz de Camila a sobressaltou. Marina se virou, encontrando um sorriso cauteloso no rosto da irmã de Rafael. Camila, parabéns pela exposição. Suas fotografias são poderosas. Obrigada. Camila hesitou por um momento. Não esperava te ver aqui. Eu precisava falar com você. Imaginei. Camila olhou ao redor da galeria movimentada. Vamos lá para fora.
Elas se instalaram em um pequeno café na esquina, longe dos olhares curiosos dos frequentadores da galeria. Camila pediu um expresso duplo e estudou Marina com olhos que lembravam dolorosamente os de Rafael. Minha tia te ligou? Não era uma pergunta. Como você sabe? Porque Helena acha que proteger a família significa controlar cada aspecto das nossas vidas? Camila suspirou.
E porque meu irmão está um desastre há duas semanas? O coração de Marina saltou. Ele está, Marina. Ele não sorriu uma única vez desde que vocês brigaram. trabalha 20 horas por dia, recusa todos os convites sociais e ontem eu o encontrei olhando para uma foto de vocês dois no telefone dele. Camila se inclinou para a frente. Então, sim, ele está um desastre.
Uma foto nossa da noite do conserto. Vocês estavam rindo de alguma coisa na lanchonete. Camila sorriu tristemente. Foi a primeira vez que viu irmão realmente feliz em anos. Marina sentiu lágrimas queimar em seus olhos. Camila, eu estraguei tudo, não sei como consertar. Primeiro me conta o que realmente aconteceu. A versão verdadeira, não a que Rafael me deu mastigada.
Durante a próxima hora, Marina contou tudo. O medo, a insegurança, a impossível posição em que havia se encontrado entre amor e dever profissional. Camila ouviu em silêncio, fazendo perguntas ocasionais, seus olhos nunca deixando o rosto de Marina. “Você o ama?”, Camila perguntou quando Marina terminou perdidamente.
E ele sabe disso, Marina hesitou. Não tenho certeza. Disse coisas, mas nunca nunca disse diretamente. Marina, meu irmão passou os últimos três anos se convencendo de que não merece amor pessoal, que sua única função na vida é liderar a empresa e honrar o legado do nosso pai. Camila mexeu seu café pensativamente.
Você foi a primeira pessoa a fazê-lo questionar isso e então eu provei que ele estava certo para desconfiar. Não, você provou que é humana, que comete erros como todo mundo. Camila tocou a mão de Marina, mas também provou que luta pelas pessoas que ama. Ele não vê assim porque está com medo. Rafael sempre foi assim. Quando se sente vulnerável, ele se fecha completamente. Camila fez uma pausa. Mas há uma coisa que você precisa saber.
O quê? Ele terminou o acordo com os investidores japoneses. Oficialmente, não precisa mais de uma namorada para provar estabilidade. Marina sentiu confusão e isso significa significa que se ele quisesse apenas esquecer você e seguir em frente, já teria feito isso. O fato de estar sofrendo significa que os sentimentos são reais.
Então, o que eu faço? Camila sorriu. O primeiro sorriso genuíno da noite. Luta por ele, mas não como jornalista, não como alguém tentando resolver um problema. Luta como mulher apaixonada. Como? Apareça na vida dele. Force uma conversa. Seja teimosa, insistente, inconveniente. Camila riu. Seja tudo que Helena detesta em uma mulher.
Marina sentiu algo acender dentro dela pela primeira vez em semanas. E se ele me mandar embora? Aí você volta e volta de novo até ele perceber que você não vai desistir dele como todo mundo fez. Camila Marina hesitou. Por que está me ajudando? Sua família claramente não me aprova porque em 20 anos como irmã do Rafael nunca ouvi olhar para alguém da forma como olha para você. Camila se levantou, deixando dinheiro na mesa.
E porque todo mundo merece lutar pelo amor verdadeiro. Duas horas depois, Marina estava parada na frente do prédio residencial de Rafael, na Vila Nova Conceição, olhando para as janelas iluminadas do cobertura. Seu coração batia tão forte que tinha certeza de que os seguranças poderiam ouvi-lo.
Ela havia ensaiado um discurso durante todo o caminho de táxi, mas agora, diante da realidade de confrontá-lo, todas as palavras haviam fugido. Posso ajudá-la? O porteiro a observava com curiosidade profissional. Gostaria de falar com Rafael Costa. Ele está esperando a senhora? Não, mas é importante.
O porteiro hesitou, claramente reconhecendo-a das aparições públicas com Rafael, mas incerto sobre o protocolo atual. Vou verificar se ele pode recebê-la. 5 minutos que pareceram 5 horas depois, o porteiro retornou. Desculpe, senhorita. Senhor Costa disse que não pode receber visitas hoje. Marina sentiu algo se despedaçar dentro dela, mas a voz de Camila ecoou em sua mente. Seja teimosa, insistente, inconveniente.
Pode dizer a ele que preciso devolver algo que pertence a ele? O que, senhora? Marina tirou do bolso o cartão de visita que Rafael havia lhe dado no café da Vila Madalena semanas atrás. No verso ainda estava escrito à mão: “Obrigado. Diga que é sobre uma promessa que ele fez.” Outros 5 minutos se passaram.
Desta vez, quando o porteiro retornou, havia um sorriso pequeno em seu rosto. Ele disse para subir. Cobertura. O elevador pareceu subir em câmera lenta. Marina verificou sua aparência no espelho espelhado. Cabelos desarrumados pelo vento da noite, olhos ainda vermelhos de chorar, mas determinação ardendo em cada linha de seu rosto. As portas se abriram diretamente no hall privativo da cobertura.
Rafael estava lá apoiado contra o batente da porta de seu apartamento e Marina precisou se segurar na parede do elevador para não tropeçar. Ele estava descalço, vestindo apenas jeans e uma camisa branca com as mangas arregaçadas. Seus cabelos estavam desarrumados, como se tivesse passado as mãos por eles repetidamente, e havia sombras escuras sob seus olhos que não estavam lá há duas semanas atrás.
Marina. Sua voz estava cuidadosamente neutra. Oi. Eles se olharam através do pequeno espaço, anos de conversas não ditas, preenchendo o silêncio. Que promessa! Ele perguntou. Finalmente. Marina respirou fundo, reunindo toda a coragem que possuía. Você disse que responderia honestamente a qualquer pergunta que eu fizesse disse.
Então, tenho uma pergunta para você. Rafael a estudou por um longo momento, então se afastou da porta, permitindo que ela entrasse. A cobertura era exatamente o que Marina havia imaginado, moderna, minimalista, com uma vista espetacular da cidade. Mas o que a surpreendeu foram os pequenos toques pessoais, fotografias de Camila em vários estágios da vida, livros espalhados e uma mesa de desenho próxima à janela com esboços arquitetônicos.
Você ainda desenha”, ela observou. “Às vezes quando não consigo dormir, Rafael caminhou até a cozinha integrada. Quer beber alguma coisa? Rafael, pare.” Ele parou de costas para ela. “Para de ser educado. Para de fingir que somos estranhos. Para de agir como se nada do que vivemos foi real.” Lentamente, ele se virou. “E o que você quer que eu faça? Quero que você me diga se ainda há alguma chance para nós.
A pergunta ficou suspensa no arre. Rafael a olhou por longos segundos e Marina viu uma batalha silenciosa acontecendo em seus olhos. Marina, não. Ela deu um passo em direção a ele. Não me dê uma resposta política. Me dê uma resposta honesta. A resposta honesta? Rafael passou a mão pelos cabelos, desarrumando-os ainda mais.
A resposta honesta é que não consigo parar de pensar em você, que durmo três horas por noite, porque toda vez que fecho os olhos, vejo você saindo do meu escritório, que mudei meu número porque estava ligando para o seu 15 vezes por dia. O coração de Marina parou. Você estava? Estava pathetically. Ele riu amargamente. Então, sim, ainda há chance. Sempre houve chance. Mas Marina, eu não sei como confiar em você novamente.
Então me deixa mostrar como Marina deu outro passo em direção a ele, depois outro, até estar perto o suficiente para ver as pequenas rugas de cansaço ao redor de seus olhos. Me deixa ficar, me deixa provar todos os dias que você pode confiar em mim, que eu escolho você. Não minha carreira, não minha segurança, não meu medo.
Sua voz estava falhando, mas ela continuou. Me deixa mostrar que te amo. Rafael ficou completamente imóvel. O que você disse? Eu te amo, Rafael. Estou apaixonada por você de uma forma que me assusta e me completa ao mesmo tempo. E sei que estraguei tudo. Sei que quebrei sua confiança, mas se você me der uma chance.
Ela não conseguiu terminar a frase porque de repente Rafael estava beijando-a. Não foi um beijo gentil ou hesitante. Foi desesperado, faminto, como se ele tivesse estado se afogando e ela fosse ar. Suas mãos se enterraram em seus cabelos, puxando-a mais para perto. E Marina sentiu lágrimas escorrerem por seu rosto. Suas ou dele, ela não sabia. Quando finalmente se separaram, ambos estavam respirando como se tivessem corrido uma maratona. Eu também te amo.
Rafael sussurrou contra sua testa. Deus Marina, eu te amo tanto que dói. Então, por que estamos brigando? Porque tenho medo. Ele admitiu. Porque todos que já amei me deixaram ou me traíram. E quando você duvidou de mim? Nunca mais. Marina interrompeu, segurando seu rosto entre as mãos. Nunca mais vou duvidar de você, prometo.
E se houver outra história, outro escândalo, aí eu vou até você primeiro. Te pergunto diretamente e ouço sua versão. E decidimos juntos como lidar com isso. Rafael estudou seu rosto como se procurasse sinais de hesitação ou dúvida. Não encontrou nenhum. Juntos ele repetiu. Juntos.
Ele a beijou novamente, mais suave desta vez, selando uma promessa que ambos pretendiam manter. Mas nenhum dos dois sabia que em menos de 24 horas essa promessa seria testada da forma mais terrível possível. A manhã seguinte, amanheceu cinzenta sobre São Paulo, com nuvens pesadas prometendo chuva. Marina acordou no sofá de Rafael.
Eles haviam passado a noite conversando, reconstruindo pontes, planejando um futuro que finalmente parecia possível. Bom dia, Rafael, murmurou contra seu pescoço, abraçando-a por trás enquanto ela preparava café na cozinha dele. Bom dia. Ela se virou em seus braços, ainda não acreditando completamente que eles haviam se reconciliado.
Dormiu bem? Melhor do que durmo há semanas. Ele beijou sua testa suavemente. Tenho que ir para o escritório cedo hoje. Reunião com advogados sobre o caso do Ricardo. Marina assentiu. A prisão de Ricardo Ferreira havia desencadeado uma série de procedimentos legais que exigiam a atenção constante de Rafael. Vou para a redação também.
Carlos quer que eu escreva um artigo de acompanhamento sobre as ramificações do escândalo. Cuidado com o que escreve, Rafael disse, mas havia carinho em seu tom. Não quero que minha namorada seja muito dura comigo na imprensa. A palavra namorada fez o coração de Marina acelerar. Real desta vez não fingo.
Duas horas depois, Marina estava na redação, mergulhada em pesquisas sobre crimes financeiros corporativos quando seu telefone tocou. Número desconhecido. Marina Santos. Senrita Santos. A voz era masculina, controlada, vagamente familiar. Meu nome é Ricardo Ferreira. O sangue de Marina gelou. Como você está ligando? Você não deveria estar preso? Sim, deveria.
Mas advogados competentes conseguem arranjos temporários interessantes. Havia uma frieza em sua voz que fez os cabelos do braço de Marina se eriçarem. Preciso falar com você. Não temos nada para conversar. Tenho informações que podem interessar a jornalista em você. Sobre transferências que Rafael realmente autorizou.
sobre contas que ele realmente conhecia. Marina sentiu o estômago revirar. Você está mentindo. Estou. Então, por que Rafael está tentando bloquear certas linhas de investigação? Por que certos documentos foram inadvertidamente destruídos na semana passada? Porque você falsificou evidências? Algumas evidências, sim, mas não todas, Marina. Não todas.
A linha ficou muda por alguns segundos e Marina pôde ouvir seu próprio coração batendo. O que você quer? Encontrar com você uma hora sozinha para mostrar o que realmente aconteceu? Nunca. Pense bem, Marina. Se há uma chance, mesmo que pequena, de Rafael estar escondendo algo, você não quer saber? Ou sua paixão por ele finalmente matou sua integridade jornalística. A provocação a atingiu exatamente onde Ricardo pretendia.
Marina fechou os olhos, odiando-se por hesitar, mas incapaz de ignorar completamente a possibilidade. Onde? Ela perguntou contra seu melhor julgamento. Conheça o galpão da rua Coronel Diogo, 847, zona leste, em 2 horas. Esse endereço é isolado. Sim, porque não quero que nossa conversa seja interrompida.
A linha ficou muda, deixando Marina olhando para o telefone com uma sensação de terror crescendo em seu estômago. Ela deveria ligar para Rafael, deveria ligar para a polícia, deveria fazer qualquer coisa, exceto o que estava considerando. Mas a dúvida que Ricardo havia plantado, a terrível possibilidade de que ainda houvesse segredos, a corroía como ácido. 1 hora e meia depois, Marina estava parada diante de um galpão abandonado na periferia de São Paulo, questionando cada decisão que a havia levado até ali.
O local era exatamente como Ricardo havia descrito, isolado, cercado por outros edifícios vazios, sem nenhum sinal de vida. Seu telefone vibrou. Uma mensagem de Rafael: “Como está indo o artigo? Te amo.” A mensagem simples e carinhosa quase a fez dar meia volta e ir embora. Quase. Marina entrou no galpão através de uma porta lateral destrancada.
O interior estava mergulhado em sombras, iluminado apenas por feixes de luz solar que entravam através de janelas quebradas no alto. Pontual. Gosto disso em uma jornalista. Ricardo Ferreira emergiu das sombras e Marina se assustou com sua aparência. O homem elegante e bem vestido que ela conhecia havia sido substituído por alguém com olhos selvagens e roupas amarrotadas.
A prisão, mesmo que breve havia cobrado seu preço. “Onde estão os documentos?”, Marina perguntou, mantendo distância, direto ao ponto. “Também gosto disso.” Ricardo sorriu, mas não havia calor na expressão. “Os documentos estão aqui, sim, mas primeiro quero que você entenda algo. O quê? Que você destruiu minha vida por um homem que não vale suas lágrimas?” Marina deu um passo para trás, instinto de alarme, gritando em sua mente: “Ricardo, 10 anos, Marina, 10 anos trabalhando 80 horas por semana para construir aquela empresa. 10 anos sendo o braço direito leal, o executor
confiável, o homem que fazia o trabalho sujo que Rafael era jovem demais ou privilegiado demais para fazer. Ele começou a andar em círculos ao redor dela como um predador. E qual foi minha recompensa? Wating, um garoto mimado, herdar tudo que eu ajudei a construir. Wating, ele ganhar crédito por minhas ideias, meu trabalho, minha dedicação. Então você roubou dele.
Peguei o que era meu por direito. A voz de Ricardo explodiu através do galpão. Cada real que transferia era pagamento atrasado por anos de trabalho não reconhecido. E os documentos que você disse ter? Ricardo Rio. Um som áspero, sem humor. Não há documentos, Marina.
Assim como não há evidências de que Rafael sabia de alguma coisa, você estava certa na sua investigação. A realização a atingiu como um soco. Então, por quê? Porque você vai retratar tudo. Vai escrever uma nova matéria dizendo que estava errada, que Rafael estava envolvido desde o início, que as evidências foram plantadas para protegê-lo. Nunca farei isso. Fará sim. Ricardo tirou uma arma do bolso do casaco, porque se não fizer, nunca sairá daqui para escrever coisa alguma.
Marina sentiu o mundo girar ao redor dela. Ricardo, isso é loucura. Loucura é perder tudo por causa de uma jornalista idealista que se apaixonou pelo homem errado. Ele apontou a arma diretamente para ela. Sente-se ali naquela cadeira. Com pernas trêmulas, Marina obedeceu, mente correndo atrás de opções de fuga.
O galpão tinha apenas uma saída visível e Ricardo estava posicionado entre ela e a porta. Agora vai ligar para sua redação e dizer que tem novas evidências sobre o caso Costa. Evidências que mudam tudo. Ninguém vai acreditar. Vão sim, porque você é a jornalista que quebrou a história original. Se Marina Santos diz que estava errada, todo mundo vai acreditar.
Ricardo tirou o telefone dela da bolsa e o jogou em seu colo. Faça a ligação, Marina. Agora, com mãos trêmulas, Marina pegou o telefone, mas ao invés de discar para a redação, rapidamente enviou uma mensagem para Rafael Galpão, rua Coronel Diogo, 847. Ricardo me sequestrou. Chame polícia. O que você fez? Ricardo havia visto o movimento. Nada.
Ele arrancou o telefone de sua mão e leu a mensagem. Sua expressão se transformou em fúria pura. Sua idiota, você acabou de assinar nossa sentença de morte. Marina sentiu terror real pela primeira vez. Ricardo, pare com isso. Você pode sair do país, recomeçar em algum outro lugar. Com que dinheiro? Você e sua investigação brilhante congelaram todas as minhas contas.
Ele apontou a arma para ela novamente. Não, Marina. Se vou cair, vou levar vocês dois comigo. O som de carros chegando do lado de fora fez ambos se virarem. Através das janelas quebradas, Marina pôde ver luzes vermelhas e azuis piscando. Polícia. Uma voz amplificada ecoou do lado de fora. Saiam com as mãos para cima.
Seu namorado trabalha rápido”, Ricardo murmurou, “mas não rápido o suficiente.” Ele pegou Marina pelo braço, puxando-a para que ficasse de pé, e pressionou a arma contra suas costelas. “Ricardo, por favor, quiet!” A porta do galpão se abriu violentamente e Rafael entrou como uma tempestade, seguido por policiais armados. Seus olhos encontraram os de Marina através do espaço e ela viu medo puro em sua expressão.
Solte ela, Ricardo! Rafael disse, voz surpreendentemente calma, considerando as circunstâncias. Ah, o príncipe chegou para salvar sua princesa. Ricardo apertou mais a arma contra a Marina. Que touch! O que você quer? Quero minha vida de volta. Quero os últimos 10 anos de volta. Quero que você admita publicamente que tudo que você possui você deve a mim. Rafael deu um pequeno passo para a frente.
Ok, farei isso. Apenas solte Marina. Não, Marina gritou. Rafael, não faça isso. Ela tem razão. Ricardo riu, porque mesmo que você fizesse não mudaria nada. Já é tarde demais para todos nós. Foi então que Marina viu Rafael tomar uma decisão. Ele olhou para os policiais atrás dele, acenou brevemente e então fez algo que a aterrorizou. Deu um passo deliberado em direção a eles.
Rafael, não! Marina! Gritou, mas ele continuou avançando, falando em voz baixa e calmante com Ricardo. Você tem razão sobre uma coisa. Você trabalhou duro para as empresas. Talvez não tenhamos reconhecido isso o suficiente para Ricardo ordenou, mas havia hesitação em sua voz. Você conhece meu pai melhor que eu, Ricardo.
Trabalhou com ele quando eu era apenas uma criança. Conte-me sobre ele. A tática funcionou. Por um segundo, Ricardo relaxou ligeiramente a pegada em Marina, nostálgia passando por sua expressão. Foi o segundo que Rafael precisava. Ele se lançou para a frente, empurrando Marina para o lado e se jogando em direção a Ricardo. O disparo ecoou através do galpão como um trovão e Marina gritou enquanto ambos os homens caíam no chão de concreto. Por um momento terrível, ela não conseguiu ver quem havia sido atingido.
Então, Rafael se levantou lentamente, segurando o braço esquerdo, onde sangue escorria através de sua camisa branca. “Marina”, ele disse, “Vosse rouka, você está bem?” Ela correu para ele, lágrimas escorrendo por seu rosto. Rafael, você foi baleado. É só um arranhão. Ele mentiu, puxando-a para seus braços com o braço não ferido.
Ao redor deles, policiais imobilizavam Ricardo, que gritava ameaças incoerentes. Mas Marina só conseguia se concentrar no homem que havia arriscado tudo para salvá-la. “Por que você fez isso?”, Ela sussurrou contra seu peito. Por que, Rafael, disse simplesmente, algumas pessoas valem qualquer risco.
E naquele momento, com sangue em sua camisa e sirenes eando ao redor deles, Marina soube com absoluta certeza que tinham superado tudo que poderia tentar separá-los. Três meses depois, o hospital sírio libanês havia liberado Rafael após duas semanas. A bala havia apenas arranhado seu braço, mais dramática que perigosa.
Mas as três semanas seguintes de investigações policiais, depoimentos e cobertura da mídia haviam testado sua resistência de formas que nenhum ferimento físico poderia. Marina estava sentada em sua mesa na redação, finalizando o que seria seu último artigo para a Folha. Sua carta de demissão já estava na mesa de Carlos. Ela havia decidido abrir sua própria consultoria em comunicação corporativa especializada em gestão de crises. Uma decisão que havia surpreendido todos, exceto Rafael.
Então, é oficial? Júlia perguntou, apoiando-se na mesa de Marina. Você está deixando o jornalismo? Não, deixando, evoluindo. Marina salvou o documento e fechou o laptop. Ainda vou investigar, ainda vou escrever, mas agora vou ajudar empresas a serem mais transparentes, ao invés de apenas expor quando não são.
E isso não tem nada a ver com o fato de que seu namorado é CEO de uma das maiores empresas do país. Marina sorriu. Tem tudo a ver com o fato de que descobri que gosto mais de construir pontes do que de queimá-las. Seu telefone vibrou. Uma mensagem de Rafael pronta. O carro está esperando. Tenho que ir, Marina, disse, guardando suas coisas. Rafael quer me mostrar algo.
Algo que requer vestido de gala? Júlia perguntou, notando o vestido azul marinho que Marina usava. Algo que requer coragem, Marina respondeu misteriosamente. Uma hora depois, Marina estava de pé na cobertura de Rafael, mas o apartamento havia sido transformado. Velas estavam espalhadas por toda parte. Pétalas de rosa criavam um caminho da porta até a mesa de jantar e música suave tocava no sistema de som. “Rafael”, ela chamou entrando devagar.
Ele apareceu da cozinha vestindo um terno escuro, mas havia algo diferente em sua postura, menos formal, mais feliz. “Oi”, ele disse, sorrindo da forma que ainda fazia o coração dela acelerar. “O que é tudo isso?” “Um jantar para celebrar.” Celebrar o quê? Rafael se aproximou pegando suas mãos. Muitas coisas.
Sua última matéria para a folha. Minha recuperação completa. Ricardo Ferreira, finalmente sendo condenado. Ele fez uma pausa e algo mais. O que mais? A decisão que tomei sobre minha vida. Marina inclinou a cabeça confusa. Que decisão? Rafael a guiou até a mesa de jantar, que estava lindamente posta para dois.
No centro, além das velas e flores, havia uma pequena caixa de veludo. O coração de Marina parou. Rafael, deixe-me falar primeiro. Ele interrompeu pegando a caixa. Nos últimos seis meses, você transformou minha vida de formas que nem posso começar a explicar. Me ensinou que trabalho não é vida, que success que confiança não é algo que se ganha de uma vez, é algo que se constrói todos os dias.
Ele se ajoelhou, abrindo a caixa para revelar um anel de diamante simples, mas deslumbrante. Marina Santos, você quer passar o resto da vida me lembrando de quem eu realmente sou? Por um momento, Marina não conseguiu falar. Lágrimas escorriam por seu rosto, mas ela estava sorrindo mais brilhantemente que jamais havia sorrido. Isso é um pedido de casamento? Ela finalmente conseguiu perguntar. É um pedido de parceria para sempre. Rafael sorriu.
Mas sim, também é um pedido de casamento. Rafael. Marina se ajoelhou também, ficando no mesmo nível que ele. Você tem certeza? Sua família, minha família vai ter que aceitar a mulher que escolhi amar. Sua voz era firme. E se não aceitarem, é problema deles, não nosso. E a diferença entre nossos mundos? Não há diferença entre nossos mundos, Marina.
Há apenas um mundo e nós vamos construí-lo juntos. Marina olhou para o anel, depois para o homem que estava oferecendo não apenas casamento, mas uma vida inteira de possibilidades. “Sim”, ela sussurrou. “Sim, eu aceito.” Rafael deslizou o anel em seu dedo e então eles estavam se beijando, rindo, chorando tudo ao mesmo tempo.
O anel se encaixava perfeitamente, como se tivesse sido feito especificamente para ela. “Há mais uma coisa”, Rafael disse quando finalmente se separaram. Mas não sei se meu coração aguenta mais surpresas. Ele se levantou, puxando-a consigo, e a guiou até a mesa de desenho próxima à janela. Sobre ela estava espalhada uma série de plantas arquitetônicas.
“O que são esses?”, Marina perguntou. “Projetos para uma fundação que quero criar, educação e oportunidades para jovens de comunidades carentes.” Rafael apontou para os detalhes dos desenhos. “E quero que você lidere a parte de comunicação e relações públicas.
Marina estudou os desenhos, reconhecendo o estilo que havia visto em esboços espalhados pelo apartamento dele. Você desenhou isso? Sim, nas últimas noites, quando não conseguia dormir, pensando em como usar o que temos para fazer diferença real. Rafael, isso é incrível. Ela olhou para ele com admiração renovada. Mas por que uma fundação? Porque você me ensinou que poder sem propósito é vazio e porque quero que nossos filhos cresçam, sabendo que seus pais lutaram por algo maior que eles mesmos.
A menção casual de filhos fez o coração de Marina saltar. Nossos filhos. Rafael corou ligeiramente. Bem, eventualmente, se você quiser. Quero ela disse sem hesitação. Quero tudo isso. A fundação, os filhos, a vida que estamos construindo. Eles jantaram na cobertura enquanto São Paulo brilhava através das janelas ao redor deles.
Conversaram sobre planos para o casamento, pequeno íntimo na fazenda da família em Campos do Jordão. sobre a fundação. Começaria com três programas piloto em escolas públicas e sobre o futuro, incerto, mas enfrentado juntos. Posso te perguntar uma coisa? Marina disse while eles dançavam lentamente na sala de estar. Música suave preenchendo o silêncio. Qualquer coisa.
Você ainda lembra daquele primeiro dia no café? Quando propôs nosso acordo? Rafael riu suavemente. Como poderia esquecer? Você quase jogou café em mim. Eu estava certa para suspeitar”, Marina disse, sorrindo. “Você estava tentando me enganar”. “Estava?” “Estava, sim. Disse que precisava de uma namorada falsa, mas what precisava era de alguém para te lembrar de como viver de verdade.” Rafael parou de dançar, olhando para ela com espanto.
“Como você sabe disso?” “Porque sou jornalista. É meu trabalho ler nas entrelinhas.” Marina tocou seu rosto gentilmente. “E porque te amo o suficiente para ver who you really are? E quem sou eu realmente? Um homem que desenha casas porque sonha em construir lares. Um homem que trabalha demais porque se importa demais.
Um homem que fingiu precisar de uma namorada falsa porque estava com muito medo de procurar uma verdadeira. Rafael a beijou profundamente e quando se separaram ambos estavam chorando. Eu te amo, Marina Santos. Eu te amo, Rafael Costa. Para sempre. Seis meses depois, a fazenda da família Costa em Campos do Jordão estava transformada para o casamento.
Luzes de fada penduradas entre as árvores criavam um brilho mágico, enquanto arranjos de flores nativas brasileiras decoravam cada mesa. Marina estava no quarto de hóspedes, que havia se tornado seu vestiário, ajustando o vestido de noiva simples, mas elegante que havia escolhido. obra de um designer brasileiro emergente, como havia insistido.
“Pronta?”, Camila perguntou entrando no quarto, vestida como madrinha, mais pronta do que jamais estive para qualquer coisa na minha vida. “Mesmo sabendo que Helena ainda não aprova totalmente, Marina riu. Helena vai sobreviver e quem sabe talvez eu cresça nela eventualmente. Duvido, mas Rafael te ama e isso é o que importa”.
A música começou do lado de fora, violão clássico tocando uma versão suave de águas de março. Marina respirou fundo e saiu para o jardim. O casamento era pequeno, apenas família próxima e amigos íntimos. Mas quando Marina viu Rafael esperando por ela no altar improvisado, sob uma árvore centenária, vestindo um terno claro e sorrindo como se ela fosse a única pessoa no mundo, ela soube que não precisavam de mais nada. Quando chegou até ele, Rafael pegou suas mãos e sussurrou. Você está linda. Você não está mal também.
Ela sussurrou de volta. A cerimônia foi simples, conduzida por um juiz de paz local. Mas quando chegou a hora dos votos, Rafael tirou um papel do bolso. Marina, ele começou voz firme, mas emocionada. Você me ensinou que amor verdadeiro não é sobre encontrar alguém perfeito. É sobre encontrar alguém que te ajuda a ser a melhor versão de você mesmo.
Prometo passar o resto da minha vida fazendo você se sentir amada, valorizada e ouvida. Prometo Never again let work come before us. Prometo construir uma vida contigo que seja genuíne, imperfeita e absolutamente real. Marina estava chorando quando chegou sua vez. Ela não tinha papel, havia decorado suas palavras. Rafael, você me ensinou que coragem não é não ter medo, é ter medo e escolher amar mesmo assim. Prometo-te escolher todos os dias, nas decisões pequenas e grandes.
Prometo sempre vir até você primeiro, quando estiver confusa ou assustada. E prometo never again let fear make decisions for us. Quando o juízos declarou marido e mulher, Rafael beijou Marina sob uma chuva de pétalas de rosa jogadas pelos convidados e ela soube que havia encontrado o seu final feliz.
Não o tipo dos contos de fada, mas o tipo real construído com esforço, compromisso e amor verdadeiro. A festa durou até tarde da noite, com música ao vivo, culinária regional e dança sob as estrelas da montanha. Mas o momento que Marina guardaria para sempre foi quando Rafael a puxou para dançar uma última música, apenas os dois, no centro da pista vazia.
“Agum arrependimento?”, ele perguntou, girando-a suavemente. “Apenas um, Marina”, respondeu. “Qual?” que levamos tanto tempo para parar de fingir e começar a viver de verdade. Rafael riu, puxando-a mais para perto. Bem, temos o resto das nossas vidas para compensar o tempo perdido. É uma promessa. É uma promessa. E enquanto dançavam sob as estrelas, Marina soube que algumas histórias realmente terminam com felizes para sempre.
Não porque são perfeitas, mas porque as pessoas nelas escolhem todos os dias torná-las verdadeiras. M.