Você já acreditou que o destino pode mudar sua vida em um único dia? Imaginem só, um homem caminha pelas ruas históricas de Salvador, entra em um café pela primeira vez na vida e encontra um diário esquecido que descreve exatamente ele mesmo. Parece impossível, não é? Mas às vezes a realidade supera qualquer ficção.
De onde você está assistindo a este vídeo? Comenta aí sua cidade e não se esqueça de se inscrever no canal e deixar seu like se você acredita no poder do destino. Agora vamos descobrir juntos como um simples diário perdido pode transformar duas vidas para sempre. Amanhã de terça-feira em Salvador despertava com aquela brisa úmida característica da cidade, carregando os aromas de dendê e temperos que emanavam das janelas coloniais do pelourinho.
Rafael Santos Oliveira ajustou os óculos de Sol Hban. enquanto caminhava pela rua Gregório de Matos, suas passadas longas e determinadas ecoando no calçamento de pedras portuguesas. Aos 35 anos, Rafael era o tipo de homem que chamava atenção sem perceber, alto, com umple 80 de altura, ombros largos moldados por anos de natação e uma postura que denunciava sua profissão de arquiteto.
Suas mãos, grandes e hábeis, sempre manchadas de tinta nanquim, contavam a história de alguém que construía sonhos no papel antes de vê-los ganhar vida. Naquela manhã, algo o impulsionou a fazer algo inusitado. Parou diante do café colonial, uma pequena cafeteria que frequentava há anos apenas de passagem, sempre compressa demais para entrar. A fachada azul colonial, com suas janelas de madeira pintada e vasos de plantas pendentes, exalava um charme que ele nunca havia realmente notado.
“Por que não?”, murmurou para si mesmo, empurrando a porta de vidro decorada com arabescos dourados. O interior do café era um abraço caloroso de madeiras escuras, luz dourada e o aroma hipnotizante de café torrado. Paredes decoradas com fotografias antigas de Salvador criavam uma atmosfera nostálgica, enquanto ventiladores de teto giravam preguiçosamente, combatendo o calor matinal que começava a se intensificar.
Rafael escolheu uma mesa próxima à janela que oferecia vista para o Largo do Cruzeiro de São Francisco, onde turistas já começavam a se aglomerar para fotografar a arquitetura barroca. Foi então que seus olhos escuros se fixaram em algo inesperado, um diário de couro vermelho esquecido na cadeira ao lado. Dona Carmen, a garçonete de cabelos grisalhos e sorriso maternal que trabalhava ali há mais de duas décadas, aproximou-se com um café pingado fumegante. “Bom dia, meu filho.
Primeira vez que te vejo por aqui dentro”, disse ela com o sotaque baiano carregado de carinho. “Bom dia, dona Carmen. É, resolvi quebrar a rotina hoje, Rafael respondeu, o olhar ainda fixo no diário. Esse diário alguém esqueceu? A garçonete suspirou, balançando a cabeça. Ah, a pobrezinha da escritora veio aqui desesperada há pouco, procurando por esse diário.
Disse que era muito importante, que tinha todas as ideias dela ali dentro. Saiu correndo para procurar em outros lugares. Escritora. Rafael sentiu uma curiosidade estranha despertar em seu peito. Camila, uma moça linda, cabelos cacheados, vem aqui todo dia às 3 da tarde, sempre com esse diário vermelho. Escreve umas coisas românticas, pelo que entendi.
Rafael pegou o diário com cuidado, como se fosse um objeto sagrado. O couro era macio, desgastado pelo uso, e tinha um pequeno cadeado dourado que estava aberto. Suas mãos tremeram imperceptivelmente enquanto ele o abria na primeira página. A caligrafia era delicada, feminina, com letras que dançavam pela página como pequenas obras de arte. Ele começou a ler inicialmente por simples curiosidade, mas logo se viu completamente absorvido pelas palavras.
15 de agosto. Hoje sonhei novamente com ele, o homem que um dia vai fazer meu coração parar de procurar. Sei que parece toce, mas acredito que o universo conspira para unir as pessoas certas. Rafael virou as páginas, fascinado pela sensibilidade e profundidade dos pensamentos da escritora desconhecida.
Era como se estivesse espiando os segredos mais íntimos de uma alma romântica e isso o fazia sentir-se simultaneamente culpado e encantado. Foi na página 47 que seu mundo virou de cabeça para baixo. Em letras caprichadas estava escrito: “Características do meu homem ideal.
Uma lista que parece impossível, mas que meu coração insiste em acreditar que existe em algum lugar deste mundo. Rafael leu cada item com crescente incredulidade. Altura superior a 1,75, preferencialmente próximo a 1,80. Mãos grandes e hábeis que demonstrem capacidade de construir e criar. Olhos escuros e expressivos que falem sem precisar de palavras.
solteiro, sem bagagens emocionais pesadas, do passado, amante de cinema nacional brasileiro, especialmente os clássicos. Uma pequena cicatriz em algum lugar visível, com uma história interessante por trás. Profissão que envolva criatividade e construção de sonhos. Sotaque brasileiro autêntico, preferencialmente nordestino. O café escorregou de suas mãos, derramando sobre a mesa de madeira.
Dona Carmen veio correndo com um pano, mas Rafael mal notou. Seus dedos tremiam enquanto tocavam inconscientemente a pequena cicatriz em sua testa, lembrança de uma queda de bicicleta aos 8 anos, quando tentava impressionar a vizinha. “Meu Deus!”, sussurrou, sentindo como se o mundo tivesse parado de girar todas as características.
Cada maldita característica descrita no diário correspondia exatamente a ele. Como isso era possível? Era como se aquela mulher o tivesse conhecido durante anos, mapeado cada detalhe de sua aparência e personalidade, quando, na verdade, jamais haviam se encontrado. Seus olhos correram para o final da página, onde havia uma anotação recente.
“Às vezes me pergunto se estou sendo realista demais ou sonhadora demais. Talvez esse homem seja apenas uma fantasia criada por minha mente romântica, mas o coração insiste que ele existe em algum lugar desta cidade que amo tanto. Talvez nossos caminhos se cruzem quando menos esperarmos.
Rafael fechou o diário com força, o coração batendo como um tambor descompassado. O que era aquilo? Coincidência cósmica, destino ou apenas uma brincadeira cruel do universo? Consultou o relógio. 14:30. Se a garçonete estava certa, a misteriosa Camila chegaria em 30 minutos para sua rotina diária de escrita.
Ele tinha uma escolha a fazer, devolver o diário discretamente e sair sem ser visto, mantendo aquele encontro impossível apenas como uma lembrança estranha, ou ficar e descobrir quem era a mulher que havia inexplicavelmente descrito sua alma em páginas de couro vermelho. Rafael olhou pela janela para o movimento do pelourinho, onde a vida seguia seu curso normal, inconsciente da tempestade que se formava em seu peito.
algo dentro dele, uma força que nunca havia sentido antes. Sussurrava que sua vida estava prestes a mudar para sempre. Mas será que estava preparado para descobrir o que o destino havia planejado para ele? Às exatas 15 horas, Rafael a viu. Camila entrou no café colonial como um redemoinho de energia feminina, cabelos cacheados castanhos dançando nos ombros, vestido amarelo que contrastava lindamente com sua pele dourada pelo sol baiano.
Aos 28 anos, ela possuía uma beleza natural que não precisava de artifícios, grandes olhos castanhos expressivos, sorriso espontâneo e uma graça natural nos movimentos que fazia lembrar das heroínas dos filmes clássicos que Rafael tanto amava. Mas naquele momento não havia nada de gracioso em sua expressão. Camila parecia desesperada.
“Dona Carmen”, ela chamou, a voz carregada de angústia. Meu diário, você não viu meu diário vermelho?” Rafael observou fascinado enquanto ela revirava a bolsa de couro marrom, esparramando objetos sobre a mesa habitual, canetas coloridas, blocos de notas, um exemplar amarelado de dona Flor e seus dois maridos, óculos de leitura e dezenas de pequenos papéis com anotações apressadas. Já olhei em casa, na livraria, no mercado modelo.
Dona Carmen, aquele diário é minha vida. São cinco anos de ideias, histórias, sentimentos. A voz de Camila tremeu perigosamente, próxima às lágrimas. Foi nesse momento que Rafael tomou a decisão que mudaria tudo. Levantou-se, o diário vermelho em suas mãos e caminhou até a mesa dela. Camila ergueu os olhos e o mundo pareceu pausar por um instante infinito.
Era como se duas forças magnéticas se reconhecessem após vidas inteiras de busca. Você deve ser Camila”, disse Rafael, sua voz mais rouca que o normal. “Acredito que isso é seu.” Ela olhou para o diário, depois para ele, depois novamente para o diário. Suas mãos tremeram quando ela o pegou, apertando-o contra o peito, como se fosse um tesouro recuperado.
“Meu Deus, obrigada. Você não imagina o que”. Camila parou no meio da frase, estudando o rosto dele com atenção crescente. Algo em seus olhos mudou. uma centelha de reconhecimento impossível. “Espere! Você Eu li.” Rafael interrompeu, decidindo que a honestidade brutal era a única opção.
“E antes que você me considere um completo invasor de privacidade, preciso dizer algo que vai parecer loucura total.” Camila piscou várias vezes, processando a informação. “Você leu meu diário?” A página 47, especificamente, ele puxou a cadeira ao lado dela e se sentou, ignorando completamente as regras de etiqueta social.
A lista, o rosto de Camila passou por uma série de emoções, confusão, indignação, embaraço e, finalmente, espanto absoluto. Ela abriu o diário na página em questão, os olhos voando entre as palavras escritas e o homem à sua frente. “Isso é”, ela sussurrou, sua voz quase inaudível. Impossível? Sim, eu sei. Rafael passou a mão pela cicatriz na testa, um hábito nervoso que tinha desde criança. Mas estou aqui, Camila.
Cada característica dessa lista sou eu. Ela estudou seu rosto com a intensidade de um detetive procurando pistas. Os olhos dela percorreram sua altura, definitivamente mais de 1,75. fixaram-se em suas mãos grandes apoiadas na mesa, se perderam por um momento na profundidade de seus olhos escuros e, finalmente, encontraram a cicatriz em sua testa.
“Como você conseguiu essa cicatriz?”, ela perguntou, a voz tensa, queda de bicicleta aos 8 anos. Estava tentando impressionar a vizinha Ana Paula, fazendo uma manobra impossível. Acabei voando direto para o meio fio. Rafael sorriu com ironia. 15 pontos e uma lição valiosa sobre os perigos de tentar ser herói muito cedo. Camila soltou o ar que estava segurando como se tivesse recebido a confirmação de algo que não ousava acreditar.
“E o cinema brasileiro?”, ela testou novamente. “Cidade de Deus, central do Brasil, o Alto da Compadecida, bye bye Brasil.” Ele enumerou. “Tenho uma coleção completa de Glauber Rocha em casa. Deus e o Diabo na terra do Sol. é meu filme favorito de todos os tempos. As mãos de Camila tremeram tanto que ela precisou apoiá-las na mesa. Isso não pode estar acontecendo. Essas coisas não acontecem na vida real.
Acontece que eu sou arquiteto. Rafael continuou observando a reação dela. Especializado em restauração de patrimônio histórico. Passo os dias construindo sonhos no papel e depois vendo-os ganhar vida. Para, para, para. Camila levantou as mãos, balançando a cabeça vigorosamente. Isso é isso é completamente surreal.
Você está dizendo que, por acaso, por mera coincidência cósmica, você corresponde exatamente à descrição de um homem que eu criei na minha imaginação. Não estou dizendo nada, Rafael respondeu calmamente. Estou aqui. Os fatos falam por si mesmos. Camila abriu e fechou a boca várias vezes, como um peixe fora d’água. Finalmente ela conseguiu articular: “Você é solteiro?” Solteiro há dois anos.
Meu último relacionamento terminou porque ela disse que eu era emocionalmente indisponível para qualquer coisa que não fosse trabalho e filmes antigos. “Meu Deus!”, Camila afundou na cadeira, cobrindo o rosto com as mãos. “Eu me sinto como se estivesse em uma novela mexicana muito mal escrita. Rafael Riu.
Um som genuíno e caloroso que fez algo dentro do peito de Camila se mexer perigosamente. Ou em um filme brasileiro independente com um roteiro impossível, ele sugeriu. Mas aqui estamos nós. Camila o observou por cima das mãos, estudando cada detalhe de seu rosto. Havia algo sobre ele. Talvez a sinceridade em seus olhos ou a forma como ele não tentava impressioná-la apenas existia ali real e tangível, como uma resposta para uma pergunta que ela nem sabia que havia feito. “Você disse que leu meu diário”, ela murmurou.
“O que mais você leu além da lista? O suficiente para entender que você é uma alma romântica em busca de algo real, em um mundo cheio de superficialidades? O suficiente para perceber que você escreve sobre amor com a paixão de quem ainda acredita que ele pode transformar vidas. Camila sentiu as bochechas corarem. Você acha que sou uma sonhadora ingênua? Eu acho que você é corajosa.
Rafael respondeu, inclinando-se ligeiramente em direção a ela. Num mundo onde todos fingem ser cínicos para se proteger, você ainda tem coragem de acreditar na magia. Isso é raro. Por um momento, eles se olharam em silêncio, o café ao redor desaparecendo, como se não existisse mais nada no mundo, além daqueles dois pares de olhos descobrindo algo novo e aterrador.
Foi Camila quem quebrou o encanto. Tudo bem, ela disse, endireitando os ombros com determinação. Digamos que eu aceite essa situação impossível. O que você propõe? que namoremos porque correspondo ao seu tipo físico e você corresponde à minha lista imaginária. Rafael sorriu e dessa vez havia algo travesso em sua expressão.
Eu proponho algo muito mais interessante que isso ele disse apoiando os cotovelos na mesa. Eu proponho uma semana. Uma semana? Sete dias para eu provar que sou melhor que qualquer homem ideal que você possa imaginar. Não porque correspondo à sua lista, mas porque posso fazer você se sentir de formas. que nem suas fantasias mais criativas conseguiram antever. Camila engoliu em seco, sentindo uma onda de calor subir pelo pescoço.
E se você não conseguir, então eu desapareço da sua vida e você pode escrever uma história interessante sobre o dia em que conheceu um impostor de sonhos. E se você conseguir? Os olhos de Rafael brilharam com uma intensidade que fez o coração de Camila acelerar perigosamente.
Aí você descobre que algumas coincidências são, na verdade, destino disfarçado. Camila olhou para o diário em suas mãos, depois para o homem impossível à sua frente, que havia saído literalmente das páginas de seus sonhos para se materializar em sua vida real. Que tipo de escritora ela seria se não tivesse coragem de viver a própria história que o universo havia colocado em suas mãos.
Uma semana, ela repetiu, a voz firme, apesar do coração disparado. Mas o que Camila não sabia era que Rafael havia omitido um detalhe crucial. Ele também tinha lido outras páginas do diário, incluindo seus medos mais profundos sobre relacionamentos e suas experiências traumáticas com homens que prometiam demais e entregavam decepção.
Será que uma semana seria suficiente para provar que nem todos os homens eram iguais? Ou seria apenas o tempo necessário para ela descobrir que até mesmo os sonhos podem se transformar em pesadelos? A primeira manhã do desafio amanheceu com aquele céu azul infinito que só Salvador conhece. Mas Camila acordou com o estômago embrulhado de nervosismo.
Havia dormido mal, revirado na cama, repensando cada segundo do encontro impossível no café. Será que não havia sonhado tudo? A resposta veio quando ela abriu a porta do apartamento para pegar o jornal e encontrou uma pequena caixa dourada no tapete com um cartão manuscrito em uma caligrafia que ela já reconhecia.
Camila, não quero que você pense em mim como o homem da sua lista. Quero que me conheça como Rafael, o homem que está descobrindo que algumas pessoas valem a pena quebrar todas as regras. Nos vemos às 15 rfé. Dentro da caixa havia um pequeno objeto que fez seu coração parar. Uma miniatura perfeita do elevador lacerda esculpida em madeira, com detalhes tão precisos que parecia uma obra de arte. No fundo da caixa, uma segunda nota.
Construí isso pensando em você, porque alguns encontros elevam nossa vida a lugares que nunca imaginamos alcançar. Camila segurou a miniatura contra o peito, sentindo uma mistura perturbadora de encantamento e medo. Como ele conseguia ser poético sem suar piegas? Como sabia exatamente o que dizer para desarmar todas as suas defesas? No café colonial, Rafael já estava esperando quando ela chegou.
Hoje ele usava uma camisa azul claro que realçava seus olhos escuros e havia algo diferente em sua postura, uma confiança tranquila que fazia o ar ao redor dele parecer eletricamente carregado. “A miniatura é linda”, Camila disse, sentando-se à mesa. “Você fez mesmo? Trabalho com madeira nos fins de semana. É uma forma de relaxar depois de uma semana inteira desenhando em papel.
” Ele gesticulou para que ela se sentasse. Café pingado, como sempre. Como você sabe que eu sempre tomo café pingado? Rafael sorriu misteriosamente. Intuição de arquiteto. Prestamos atenção aos detalhes. Na verdade, ele havia perguntado discretamente para dona Carmen, mas achava mais interessante manter o ar de mistério. Então, Camila apoiou o queixo nas mãos.
Como funciona essa semana? Você vai me impressionar com presentes artesanais todos os dias? Os presentes são apenas pontuação”, ele respondeu, pegando uma caneta e começando a desenhar no guardanapo. “O verdadeiro presente é isso”, ela observou fascinada, enquanto as mãos hábeis de Rafael criavam em poucos traços seguros um retrato perfeito do rosto dela.
Não era apenas tecnicamente impecável. Capturava algo em seus olhos, uma profundidade que ela mesma não sabia que possuía. Meu Deus”, ela sussurrou, pegando o guardanapo. “Como você consegue fazer isso?” “Vejo você”, Rafael disse simplesmente. “Realmente vejo. Não apenas seu rosto, mas quem você é por trás dele.” Camila sentiu um arrepio subir pela espinha.
Nenhum homem jamais havia falado com ela daquele jeito, como se ela fosse simultaneamente um mistério fascinante e um livro aberto que ele conseguia ler nas entrelinhas. “Você é muito bom nisso”, ela murmurou. “Em desenhar? em me desarmar. Rafael inclinou-se ligeiramente sobre a mesa, aproximando o rosto do dela.
Camila, posso te fazer uma pergunta pessoal? Depende da pergunta. Por que você fez aquela lista? O que você estava realmente procurando? A pergunta pegou-a de surpresa. Camila ficou em silêncio por um longo momento, brincando nervosamente com a alça da bolsa. Honestidade? Ela finalmente perguntou. Só aceito respostas honestas. Eu estava cansada de me decepcionar com homens reais.
Pensei que se eu criasse uma lista impossível, nunca teria que me arriscar de verdade. Ela o encarou diretamente. Era a minha forma de me proteger. De quê? de ser magoada novamente. Rafael estendeu a mão sobre a mesa, parando a poucos centímetros da dela, próximo o suficiente para ela sentir o calor de sua pele, distante o suficiente para ela escolher o contato. E agora que o impossível está sentado à sua frente, Camila olhou para a mão dele, depois para seus olhos.
Lentamente estendeu os dedos até tocar os dele. A eletricidade do contato foi imediata e perturbadora. Agora estou aterrorizada”, ela admitiu. “Ótimo. O terror é o primeiro sinal de que algo importante está acontecendo.” Eles ficaram assim por alguns segundos, dedos entrelaçados sobre a mesa de madeira gasta, enquanto o café fervia de movimento ao redor deles.
Era como se existisse uma bolha invisível, protegendo aquele momento de toda a realidade externa. Foi quando uma voz feminina cortou o ar como uma lâmina. Rafael, Rafael Santos. Ambos se viraram para ver uma mulher loira se aproximando da mesa, alta e elegante, vestindo um terno cinza que gritava: “Executiva bem-sucedida”.
Havia algo familiar em seus olhos azuis e Rafael imediatamente retirou a mão da mesa. “Fernanda!”, ele disse a voz tensa. “O que você está fazendo aqui?” Camila observou a interação com o crescente desconforto. Havia história ali. E, pelo jeito, não era uma história simples. “Trabalho aqui perto agora”. Nova empresa, nova vida”, Fernanda respondeu, mas seus olhos estavam fixos em Camila, com uma intensidade que beirava a hostilidade.
“Não vai me apresentar a sua amiga? Camila? Esta é Fernanda. Fernanda, Camila. Rafael fez as apresentações com a economia de palavras de quem preferia que aquela situação não estivesse acontecendo. Ah, Fernanda sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos. A nova diversão, Fernanda. Rafael começou, a voz carregada de aviso.
O quê? Estou apenas sendo amigável. Ela se virou para Camila. Rafael não te contou sobre nosso relacionamento? Dois anos juntos. Eu achava que íamos casar, mas descobri que ele tem um probleminha com compromissos duradouros. Camila sentiu o estômago afundar. Rafael parecia estar tentando controlar a raiva, os músculos da mandíbula tensionados.
Nosso relacionamento terminou há dois anos, Fernanda. E você sabe exatamente porquê? Porque você sempre arruma desculpas para fugir quando as coisas ficam sérias demais? Fernanda sorriu para Camila com falsa simpatia. Cuidado, querida. Rafael é expert em fazer mulheres se sentirem especiais até elas descobrirem que são apenas mais um experimento. Chega.
Rafael se levantou, a cadeira rangendo contra o chão. Não vou permitir que você, Rafael. Camila interrompeu suavemente, tocando seu braço. Está tudo bem. Ela se virou para Fernanda e algo em seus olhos mudou. A escritora romântica deu lugar a uma mulher que conhecia bem as táticas de outras mulheres. Fernanda, é? Camila sorriu docemente.
Obrigada pela advertência, mas acredito que mulheres seguras de si mesmas preferem descobrir as pessoas por conta própria, ao invés de depender das experiências frustradas de ex-namoradas amarguradas. O sorriso de Fernanda vacilou. Além disso, Camila continuou levantando-se e entrelaçando o braço no de Rafael.
Se Rafael tem um probleminha com compromissos, imagino que seja porque ainda não encontrou alguém que valesse a pena. o risco. Fernanda ficou boque aberta por um momento, claramente não esperando por aquela reação. Ela olhou de Camila para Rafael, depois de volta para Camila. “Bem”, ela disse finalmente, recompondo a postura. “Boa sorte para vocês dois.
” Quando Fernanda se afastou, Rafael olhou para Camila com uma mistura de admiração e surpresa. “Onde você aprendeu a fazer isso?” “Fazer o quê?” “Dfender território que nem sabe se quer conquistar”. Camila sentiu o rosto esquentar. Ele tinha razão. Ela havia reagido instintivamente, como se Rafael fosse seu.
“Eu não gosto de pessoas que tentam manipular situações com meias verdades”, ela disse, evitando o olhar dele. “E você não quer saber se o que ela disse é verdade?” Camila finalmente o encarou. “Você vai me dizer se for?” Vou. Então eu não preciso das versões de terceiros. Rafael a observou por um longo momento, algo mudando em sua expressão. Era como se ela tivesse passado em um teste que ele nem sabia que estava aplicando.
“Você é surpreendente”, ele disse suavemente. “Ainda são só 3 horas da primeira tarde da sua semana”, Camila respondeu, tentando soar casual, apesar do coração disparado. “Nem começamos direito ainda.” Rafael sorriu. E dessa vez havia algo diferente no sorriso. Não apenas charme ou mistério, mas algo que parecia perigosamente próximo de afeto genuíno.
“Então vamos começar direito”, ele disse, oferecendo o braço. “Que tal conhecer Salvador pelos olhos de quem a constrói todos os dias? Quando eles saíram do café juntos, nenhum dos dois percebeu Fernanda, observando pela janela do escritório de advocacia do outro lado da rua, o celular na mão e uma expressão que prometia que aquela não seria a última vez que cruzaria o caminho deles.
Afinal, algumas pessoas simplesmente não conseguem aceitar que certas histórias continuam sem elas. Mas será que o passado de Rafael seria capaz de destruir um futuro que mal havia começado a se formar? O elevador Lacerda nunca havia parecido tão imponente quanto naquela tarde dourada de quinta-feira.
Rafael e Camila estavam na plataforma superior, observando a baía de todos os santos, se estender como um manto azul esmeralda até o horizonte, enquanto o vento baiano brincava com os cabelos dela. “Meu avô ajudou na última grande reforma deste elevador nos anos 70”, Rafael contou, apoiando-se na grade de proteção.
“Eu tinha 5 anos e ele me trouxe aqui para ver como homens de verdade constróem coisas que duram para sempre”. Camila sorriu observando como os olhos dele se tornavam distantes e carinhosos ao falar da família. Você sempre soube que queria ser arquiteto? Na verdade, eu queria ser diretor de cinema, ele confessou, surpreendendo-a. Passava horas criando storyboards, de filmes que existiam só na minha cabeça, mas a vida tem uma forma interessante de nos levar para onde realmente precisamos estar.
O que te fez mudar de ideia? Rafael ficou em silêncio por um momento, o olhar perdido na linha do horizonte. Quando falou, sua voz carregava um peso que Camila não havia ouvido antes. Meu pai morreu quando eu tinha 17 anos. Ataque cardíaco súbito, sem aviso, sem chance de se despedir. Ele pausou passando a mão pela cicatriz na testa.
De repente, eu precisava ser prático, responsável. Cinema parecia um luxo que eu não podia me dar. Camila sentiu o peito apertar. Rafael, eu sinto muito. Não, ele a interrompeu gentilmente. Não é tristeza, é gratidão, porque foi a arquitetura que me ensinou que podemos construir coisas belas, mesmo quando nossa base está abalada, que é possível criar permanência em um mundo onde tudo parece temporário.
Ela o estudou em silêncio, vendo além da confiança superficial que ele projetava. Havia profundidade ali, cicatrizes emocionais que foram cuidadosamente transformadas em fortaleza. “É por isso que você tem problema com compromissos?”, ela perguntou suavemente.
Como sua ex-namorada disse? Rafael se virou para encará-la completamente, e havia algo vulnerável em seus olhos que fez o coração de Camila acelerar. Fernanda estava certa sobre uma coisa. Eu tenho medo de compromissos, mas não pelos motivos que ela pensa. Ele respirou fundo. Quando você perde alguém importante cedo na vida, você aprende que as pessoas podem simplesmente desaparecer, que por mais que você ame alguém, isso não garante que elas vão ficar. Então você vai embora primeiro. Eu mantenho distância ou mantinha.
Ele tocou o rosto dela delicadamente, até uma escritora teimosa aparecer na minha vida com uma lista impossível e me fazer questionar tudo que eu pensava que sabia sobre mim mesmo. Camila sentiu-se desarmada pela honestidade crua dele. Era exatamente o tipo de vulnerabilidade que ela havia procurado em suas fantasias, mas que a aterrorizava na vida real. Rafael, ela começou, mas foi interrompida pelo toque do celular dele.
Ele olhou a tela e franziu o senho. Desculpa, é do trabalho. Preciso atender, Rafael Santos. Ele atendeu, mas sua expressão mudou drasticamente conforme a conversa avançava. O quê? Quando isso aconteceu? Não, não pode estar falando sério. Tudo bem, estou indo para aí agora. Quando desligou, parecia devastado.
O que aconteceu? Camila perguntou alarmada. O projeto do Solar do Unhão. Alguém vazou os planos para um concorrente. O cliente está considerando cancelar todo o contrato. Ele passou as mãos pelos cabelos, claramente abalado. Camila, eu preciso ir. Isso pode destruir minha empresa. Vai.
Ela disse imediatamente: “Trabalho é importante, mas nossa tarde, trabalho é importante”, ela repetiu firmemente. “Vai resolver isso. Nós temos tempo.” Rafael a olhou com uma expressão que misturava gratidão e algo mais profundo. Impulsivamente, ele se inclinou e beijou a testa dela, um gesto tão natural e íntimo que ambos ficaram surpresos. Obrigado por entender”, ele murmurou contra a pele dela.
Depois que ele saiu apressadamente, Camila ficou sozinha na plataforma, tocando o local onde seus lábios haviam estado. Aquele beijo simples havia sido mais íntimo que qualquer gesto elaborado de outros homens. Mas conforme as horas passaram, sem notícias dele, uma pequena semente de dúvida começou a germinar. “E se Fernanda estivesse certa? E se aquilo fosse apenas outra tática de um homem expert em fazer mulheres se sentirem especiais. Na manhã seguinte, sexta-feira, Camila encontrou outro presente na porta, uma pequena escultura
de madeira, representando duas figuras entrelaçadas em uma dança com um bilhete. Camila, peço desculpas por ontem, não por ter ido resolver o trabalho. Você estava certa sobre isso, mas por não ter conseguido explicar melhor o que você está começando a significar para mim. Algumas danças valem qualquer música. RPS.
Se você estiver livre hoje às 20 horas, gostaria de mostrar algo especial no atelier onde faço essas peças. Camila segurou a escultura, sentindo o trabalho meticuloso nas texturas da madeira. Havia algo hipnotizante na forma como as duas figuras se completavam, como se fossem feitas para existir apenas juntas.
Às 20 horas, ela estava nervosa diante de um sobrado colonial no pelourinho, que havia sido convertido em ateliês de artistas. Rafael a esperava na porta e havia algo diferente nele, menos controlado, mais real. “Como foi com o trabalho?”, ela perguntou enquanto subiam as escadas de madeira que gemiam sob seus pés. Descobrimos quem vazou os planos. Ironicamente, foi uma pessoa que eu confiava há anos.
Ele abriu a porta do atelier, mas conseguimos salvar o projeto e aprendi uma lição valiosa sobre confiar nas pessoas certas. O atelier tirou o fôlego de Camila. Era um espaço amplo com pé direito alto, iluminado por lamparinas que criavam sombras dançantes nas paredes, ferramentas de carpintaria organizadas com precisão militar, desenhos arquitetônicos espalhados por pranchetas e dezenas de esculturas em madeira em vários estágios de finalização.
Meu Deus, Rafael, você fez tudo isso? É onde venho quando preciso processar as coisas. Quando desenho no papel, crio para outros. Quando trabalho com madeira, crio para mim. Camila caminhou pelo espaço, tocando delicadamente as peças. Havia animais fantásticos, reproduções de elementos arquitetônicos baianos e um canto dedicado inteiramente a esculturas de casais. “Por que tantos casais?”, ela perguntou.
Rafael se aproximou, ficando atrás dela, enquanto observavam as peças juntos. Porque acredito que algumas conexões transcendem o físico, que duas pessoas podem se completar de formas que nem elas mesmas entendem. Sua voz estava baixa, íntima. Até três dias atrás, eu achava que isso era romantismo barato.
Agora, Camila se virou para encará-lo, e a proximidade entre eles era eletricamente carregada. Agora, agora estou começando a entender que algumas coisas só fazem sentido quando encontramos a pessoa certa para viver elas. O momento se estendeu entre eles, cheio de possibilidades não ditas. Era Camila quem deveria dar o próximo passo, e ambos sabiam disso. Mas antes que ela pudesse decidir, o som de passos na escada quebrou o encanto.
Uma voz masculina gritou do andar de baixo. Rafael, cara, você está aí. Temos um problema. Rafael suspirou claramente frustrado com mais uma interrupção. É o Marcos, meu sócio. Deve ser sobre o projeto. Vai, Camila disse, ecuando as palavras dele do dia anterior. Trabalho é importante.
Mas quando Rafael desceu para falar com Marcos, Camila não conseguiu evitar ouvir fragmentos da conversa que chegavam do andar de baixo. A loira, que apareceu no escritório hoje, ex-namorada, investigando a vida pessoal. Ela disse que você está envolvido com alguém novo. O sangue de Camila gelou. Fernanda estava investigando a vida de Rafael. E, mais importante, o que exatamente ela estava procurando quando Rafael voltou 15 minutos depois, Camila já havia tomado uma decisão que mudaria o rumo de toda aquela história.
“Rafael”, ela disse, a voz firme. “Preciso te fazer uma pergunta e quero uma resposta completamente honesta. Claro. Por que você realmente terminou com Fernanda? A pergunta pegou o desprevenido e a hesitação em seus olhos foi suficiente para confirmar os piores medos de Camila.
Alguns segredos ela estava descobrindo podem destruir até mesmo os começos mais mágicos. O silêncio no atelier se tornou ensurdecedor. Rafael observava Camila com a expressão de alguém que havia sido pego em uma cilada que ele mesmo havia armado enquanto ela esperava uma resposta que ambos sabiam que mudaria tudo. Por que está perguntando isso agora? Ele finalmente disse, ganhando tempo. Porque ouvi sua conversa com Marcos.
Fernanda está te investigando, Rafael, e você não me contou. Camila cruzou os braços, sua postura defensiva, contrastando com a vulnerabilidade que havia mostrado minutos antes. Então, vou perguntar de novo. Por que vocês terminaram? Rafael passou a mão pelos cabelos, um gesto que ela já estava aprendendo a reconhecer como sinal de nervosismo extremo. É complicado. Descomplique. Você tem uma semana para me impressionar.
Lembra? Mentiras não impressionam. Apontada de sarcasmo na voz dela, o fez encará-la completamente. Havia algo diferente em Camila agora. A escritora romântica havia dado lugar a uma mulher que conhecia bem os jogos que os homens jogavam. Fernanda e eu terminamos porque ela descobriu algo sobre mim que não conseguiu aceitar.
Ele disse finalmente: “O quê?” Rafael caminhou até a janela, olhando para as luzes do pelourinho, que começavam a se acender na escuridão crescente. Quando falou, sua voz carregava um peso que fez o estômago de Camila afundar. Ela descobriu que eu estava apaixonado por outra pessoa. O mundo pareceu inclinar-se ligeiramente ao redor de Camila.
Você estava traindo ela? Não. Rafael se virou rapidamente. Nunca traí Fernanda, mas estar fisicamente fiel e estar emocionalmente disponível são duas coisas completamente diferentes. Quem era ela? uma arquiteta que trabalhou comigo em um projeto em Recife. Nós nos conectamos de uma forma que eu nunca havia experimentado antes.
Era como se nossas mentes funcionassem na mesma frequência, como se cada conversa fosse uma revelação. Camila sentiu uma pontada dolorosa no peito. Você ficou com ela? Ela era casada. Rafael voltou a olhar pela janela. E mesmo se não fosse, eu estava com Fernanda. Não sou o tipo de homem que abandona compromissos por impulsos. Mas você queria. Eu queria.
Ele admitiu a honestidade crua em sua voz. E Fernanda percebeu. Uma mulher sempre sabe quando o homem que ela ama está desejando estar em outro lugar. Camila encostou-se na bancada de trabalho, tentando processar as informações. E agora ela está te investigando.
Por quê? Porque ela acha que você pode ser mais uma distração temporária, que eu estou usando você para fugir de algo real. Rafael se virou para encará-la. E talvez ela tenha razão. A admissão foi como um tapa. Como assim, Camila? Você apareceu na minha vida descrevendo exatamente quem eu sou, como se tivesse sido criada especificamente para mim. Isso é conveniente demais para ser realidade.
E se Fernanda estiver certa? E se eu estou me apaixonando pela ideia de você? Não por quem você realmente é? Camila sentiu a raiva subir como uma onda quente. Então você acha que eu sou uma fantasia? Eu acho que nós dois estamos tão desesperados para acreditar em algo mágico que talvez estejamos ignorando os sinais de alerta.
Que sinais de alerta? Rafael gesticulou entre eles dois. Isso, esta intensidade. Pessoas normais não se conectam assim em cco dias. Pessoas normais levam meses para desenvolver esse tipo de intimidade emocional. Talvez nós não sejamos pessoas normais.
Ou talvez sejamos duas pessoas feridas tentando curar feridas antigas com uma fantasia romântica. O argumento dele era lógico, racional e completamente devastador. Camila sentiu todas as suas defesas desmoronarem simultaneamente. “Então, o que você está dizendo?”, ela perguntou, a voz perigosamente baixa.
“Que essa semana inteira foi um erro? Estou dizendo que talvez devêsemos ser mais cuidadosos, tomar as coisas mais devagar, conhecer um ao outro de verdade. Antes de, antes de quê, Rafael? Antes de admitirmos que sentimos algo real. Antes de cometermos o mesmo erro que cometi com Fernanda. A comparação foi como um golpe físico. Camila recuou como se tivesse sido esbofeteada.
Ah, entendo. Então, eu sou apenas mais uma Fernanda. Mais uma mulher que vai se apaixonar por você enquanto você está mentalmente em outro lugar. Não é isso? É exatamente isso. Camila pegou a bolsa com movimentos bruscos. Você sabe qual é o seu problema, Rafael? Você é viciado na segurança da distância emocional.
Sempre mantém uma saída de emergência aberta para poder fugir quando as coisas ficam reais demais. Camila, para. Vamos conversar sobre isso. Conversar sobre o quê? sobre como você está usando nossa conexão como mais uma forma de evitar intimidade real sobre como transforma até mesmo a honestidade em uma barreira. Ela caminhou em direção à porta, mas Rafael bloqueou o caminho.
Por favor, não vá embora. Não assim. Me dá uma razão para ficar que não seja sua necessidade de estar certo sobre seus próprios medos. Rafael a olhou por um longo momento e Camila viu o momento exato em que ele tomou a decisão que definiria tudo entre eles. “Não posso”, ele disse quietamente. A honestidade dele doeu mais que qualquer mentira.
Camila a sentiu uma vez como se estivesse confirmando algo que já sabia. “Então você tem razão. Isso foi um erro.” Ela passou por ele em direção à porta e Rafael não tentou impedi-la novamente. Camila, ele chamou quando ela estava no topo da escada. Ela se virou e ele viu lágrimas nos olhos dela que não haviam estado lá antes.
Para registro, eu estava me apaixonando por quem você realmente é, não pela fantasia, por quem você é quando está com medo, quando está confuso, quando está sendo honesto demais para seu próprio bem. Ela limpou os olhos com as costas da mão, mas você está tão ocupado, protegendo-se, que nem consegue ver a diferença. Depois que ela saiu, Rafael ficou sozinho no atelier, cercado por suas criações, que de repente pareciam todas vazias e sem sentido.
Ele havia conseguido exatamente o que queria, uma saída limpa, antes que as coisas ficassem complicadas demais. Então, porque sentia como se tivesse acabado de cometer o maior erro de sua vida. Na manhã seguinte, sábado, Camila não foi ao café colonial. Pela primeira vez em c anos, quebrou sua rotina, ficando em casa reescrevendo obsessivamente o mesmo capítulo de seu novo livro, uma história sobre uma mulher que se apaixona por um homem que existe apenas em sua imaginação.
Era irônico demais para não ser proposital. Do outro lado da cidade, Rafael estava sentado no café, olhando para a cadeira vazia onde Camila deveria estar, quando Fernanda apareceu novamente. “Problemas no paraíso?”, ela perguntou, sentando-se sem ser convidada.
“O que você quer, Fernanda?” “Salvar você de repetir os mesmos erros?” Ela se inclinou sobre a mesa. “Rafael, eu te conheço melhor que ninguém. Você está fugindo de novo, não está?” “Não estou fugindo. Estou sendo realista. está sendo covarde. A brutalidade da afirmação o surpreendeu. E sabe de uma coisa? Parte de mim fica feliz porque significa que você ainda não conseguiu superar o que tivemos, mas a outra parte fica triste, porque significa que você vai morrer sozinho. Rafael a encarou, processando as palavras dela.
Eu passei dois anos com raiva de você por não conseguir me amar completamente. Fernanda continuou. Mas hoje percebi que o problema nunca foi eu não ser suficiente. O problema é você ter medo de que qualquer uma seja suficiente. Ela se levantou para sair, mas parou. Aquela garota Camila, vi vocês juntos no primeiro dia.
E sabe o que vi? Vi você olhando para ela do jeito que eu sempre quis que você olhasse para mim, como se ela fosse a resposta para uma pergunta que você nem sabia que estava fazendo. Depois que Fernanda saiu, Rafael ficou sozinho com a verdade mais assustadora de todas. Talvez ele tivesse destruído a coisa mais real que já havia experimentado, porque estava com medo demais para acreditar que merecia tê-la.
Mas será que ainda havia tempo para consertar o estrago que havia feito? Ou algumas palavras? Uma vez ditas, não podem ser desfeitas. Três semanas se passaram sem que Rafael e Camila se falassem. Para o mundo exterior, ambos pareciam estar tocando suas vidas normalmente. Rafael mergulhara de cabeça no projeto do Solar do Unhão, trabalhando 16 horas por dia para evitar pensar em cabelos cacheados e olhos que conseguiam ver através de todas as suas defesas.
Camila havia terminado dois capítulos do novo livro em um ritmo frenético, criando uma protagonista que tomava todas as decisões corajosas que ela própria não conseguia tomar na vida real, mas dona Carmen via a verdade todos os dias. Rafael continuava aparecendo no café colonial às 15 horas, pedindo dois cafés pingados por puro reflexo, percebendo o erro apenas quando a garçonete trazia as duas xícaras e ele ficava encarando a vazia, como se ela pudesse materializar a pessoa que deveria estar bebendo dela.
“Meu filho,” dona Carmen disse em uma tarde particularmente melancólica. Isso não pode continuar assim. Do que a senhora está falando? Você sabe exatamente do que eu estou falando. Ela se sentou na cadeira que havia se tornado permanentemente vazia. Aquela menina linda parou de vir aqui. Você vem todos os dias parecendo um cachorro abandonado e eu estou cansada de jogar café fora.
Rafael suspirou, mexendo distraídamente no açúcar que não havia usado. É complicado, dona Carmen. Amor é sempre complicado, mas desistir dele é que é burrice. Eu não desisti. Eu fui realista. Realista. Dona Carmen soltou uma gargalhada áspera. Meu filho, eu trabalho neste café há 23 anos. Vi centenas de casais se conhecerem, brigarem, se reconciliarem, casarem, se divorciarem.
E você sabe o que aprendi? O quê? Que quando duas pessoas se olham do jeito que vocês se olhavam, isso não acontece todo dia, isso não acontece todo ano. Às vezes isso não acontece nenhuma vez na vida de uma pessoa. Rafael ergueu os olhos para encará-la. E se eu estiver certo? E se for só ilusão? E se você estiver errado? A pergunta ficou pairando no ar como fumaça de café, impossível de ignorar.
Do outro lado da cidade, Camila enfrentava sua própria crise existencial no apartamento, que de repente parecia grande demais para uma pessoa só. Ela estava sentada no chão da sala, cercada por centenas de páginas manuscritas espalhadas, tentando organizar o caos que sua vida havia se tornado quando o interfone tocou. Camila, é a Júlia. Júlia era sua melhor amiga desde a faculdade.
Uma psicóloga perspicaz que tinha o dom irritante de fazer as perguntas certas nos momentos errados. Camila hesitou antes de deixá-la subir, mas sabia que não poderia evitar a conversa para sempre. Meu Deus. Camila. Júlia exclamou ao entrar no apartamento. Que furacão passou aqui? O furacão da inspiração literária Camila respondeu, tentando soar casual. Estou organizando ideias para o próximo livro.
Júlia pegou uma das páginas do chão e leu em voz alta. Marina sabia que havia cometido um erro terrível ao confiar em Alexandre, mas como poderia ter previsto que ele usaria sua própria honestidade contra ela? Ela olhou para Camila com uma sobrancelha erguida. Inspiração literária ou terapia disfarçada. Posso escrever sobre o que quiser.
Claro que pode, mas quando você escreve sobre dor, geralmente é porque está sentindo dor. Júlia se sentou no sofá, afastando alguns papéis. Quer falar sobre o que realmente aconteceu com o arquiteto misterioso? Camila suspirou, desabando ao lado da amiga. Durante os próximos 30 minutos, ela contou tudo: o diário, a lista impossível, a semana mágica e a noite terrível no atelier quando tudo desmoronou.
Então, deixe-me entender Júlia disse quando Camila terminou. Você conhece um homem que corresponde exatamente à sua fantasia romântica. Ele demonstra vulnerabilidade genuína ao contar sobre seus medos. E você foge correndo quando ele expressa as mesmas inseguranças que você tem? Ele me comparou com a ex-namorada dele. Não, ele compartilhou com você seu medo de repetir padrões destrutivos.
que diga-se de passagem, é um sinal de maturidade emocional, não de rejeição. Camila ficou em silêncio, processando a perspectiva diferente. Camila, Júlia continuou suavemente. Você passou 5 anos criando uma lista do homem perfeito como desculpa para não se arriscar com homens reais. Quando um homem real aparece, você cria novos motivos para fugir. Não é bem assim. É exatamente assim.
E sabe por quê? Porque você está tão aterrorizada quanto ele de que isso possa ser real? A verdade doe eu como sempre dói, com precisão cirúrgica. E se ele não me ligar de volta? Camila perguntou a voz pequena. E se ele ligar? Era a mesma pergunta que dona Carmen havia feito para Rafael, reformulada, mas carregando o mesmo peso de possibilidades não exploradas.
Naquela noite, tanto Rafael quanto Camila pegaram seus telefones mais de uma vez, digitaram mensagens que nunca foram enviadas e foram dormir com a sensação de que estavam deixando algo importante escapar entre os dedos. Foi Carlos, o ex-namorado de Camila, quem forçou a situação.
Ele apareceu no apartamento dela na quinta-feira seguinte, três semanas e dois dias após a briga no atelier, carregando flores e uma expressão que misturava arrependimento e esperança. “Camila, precisamos conversar”, ele disse quando ela abriu a porta. Carlos era tudo que Rafael não era. Loiro, extrovertido, bem-sucedido em marketing e completamente incapaz de entender porque algumas pessoas preferiam profundidade ao charme superficial.
Eles haviam namorado por 8 meses e terminado há um ano, quando Camila percebeu que ele havia mais como um troféu intelectual do que como uma parceira emocional. Não temos nada para conversar, Carlos. Temos sim nós, sobre recomeçar. Ele forçou a entrada no apartamento, ignorando a resistência dela. Cam, eu mudei, fiz terapia, repensei minhas prioridades. Carlos, não, só me escuta.
Eu sei que cometi erros, mas agora entendo o que você precisa. Posso te dar estabilidade, segurança financeira, uma vida social ativa. Você ainda não entende. Camila interrompeu uma clareza súbita tomando conta dela. Eu não quero estabilidade pela estabilidade. Eu quero conexão. Eu quero alguém que me veja, não alguém que me encaixe em seus planos.
E aquele arquiteto te oferece isso, porque, pelo que soube, vocês nem estão mais se falando. A observação foi um golpe baixo, mas também um despertar. Camila olhou para Carlos, atraente, confiável, previsível, e percebeu que poderia ter uma vida perfeitamente aceitável com ele, uma vida segura, sem riscos, sem possibilidade de decepções profundas, e percebeu que preferia a possibilidade de ser profundamente magoada por Rafael do que a garantia de felicidade superficial com qualquer outra pessoa. Sabe de uma coisa, Carlos? Você está certo.
Rafael e eu não estamos nos falando. Mas sabe por quê? Porque nós dois estamos com medo de que o que sentimos seja real demais, intenso demais, importante demais. Ela caminhou até a porta, abrindo-a. Você está me oferecendo tudo que qualquer mulher racional deveria querer, mas eu não quero ser racional, quero ser corajosa.
Depois que Carlos saiu visivelmente confuso e rejeitado, Camila ficou sozinha com uma decisão que mudaria tudo. Ela podia continuar segura em sua torre de marfim emocional, escrevendo sobre amor ao invés de vivê-lo, ou podia fazer o que suas próprias heroínas fariam, lutar pelo que realmente importava. Pegou o telefone com mãos trêmulas e digitou uma mensagem que não apagou desta vez.
Rafael, precisamos conversar não sobre nossos medos, mas sobre nossas coragens. Café colonial. Amanhã às 15 horas, se você aparecer. Do outro lado da cidade, Rafael estava no atelier trabalhando em uma nova escultura, duas figuras se afastando uma da outra, as mãos quase se tocando, mas não completamente conectadas quando o celular vibrou.
Ele leu a mensagem três vezes antes de entender que talvez algumas segundas chances só apareçam quando temos coragem suficiente para pedi-las. Agora restava saber se ambos teriam coragem suficiente para aparecer. O café colonial nunca havia parecido tão pequeno e simultaneamente imenso quanto naquela sexta-feira às 15. Camila chegou 5 minutos atrasada.
Não por acaso, mas porque precisava de tempo extra para convencer as pernas trêmulas a carregá-la porta a dentro. Rafael já estava lá. Ele estava sentado na mesa deles porque de alguma forma havia se tornado a mesa deles, mexendo nervosamente em uma xícara de café entocada.
Quando a viu entrar, algo em seus olhos mudou, como se uma luz que havia sido apagada há três semanas e meia de repente voltasse a brilhar. Você veio? Camila disse, parando a alguns metros da mesa. Você duvidou? Honestamente. Sim. Rafael gesticulou para a cadeira à sua frente. Posso começar? Camila se sentou, as mãos fechadas sobre a mesa para esconder o tremor. Por favor, eu passei as últimas três semanas e quatro dias repassando nossa conversa no atelier.
Cada palavra, cada expressão sua, cada momento em que eu poderia ter feito diferente. Ele pausou, encontrando os olhos dela, e cheguei a uma conclusão. Qual? Que eu sou um idiota. Apesar da tensão, Camila não conseguiu reprimir um pequeno sorriso. Continue. Eu estava certo sobre uma coisa. Nós dois estamos feridos. Ambos fomos magoados antes e desenvolvemos mecanismos de defesa sofisticados para evitar ser magoados novamente. Rafael se inclinou ligeiramente sobre a mesa, mas eu estava completamente errado sobre outra coisa.
O quê? Achei que isso nos tornava inadequados um para o outro. Na verdade, é exatamente o que nos torna perfeitos um para o outro. Camila sentiu o coração acelerar, mas forçou-se a manter a voz firme. Como assim? Porque nós dois sabemos como é ser quebrado.
Nós dois sabemos o valor de alguém que te vê completamente, incluindo as partes que você preferia esconder e escolhe ficar mesmo assim. Ele estendeu a mão sobre a mesa, parando a centímetros da dela, como havia feito na primeira tarde juntos. Camila, você me conhece há um mês e consegue ler meus medos melhor que pessoas que convivi por anos. Não porque sou previsível, mas porque você presta atenção nos detalhes que importam. Rafael, deixa eu terminar, por favor.
Ele respirou fundo. Eu te disse que estava com medo de estar me apaixonando pela ideia de você, mas a verdade é que estou me apaixonando por quem você realmente é, pela forma como você enfrenta ex-namoradas maliciosas, com elegância mortal, pela coragem que você teve de me mandar embora quando eu estava sendo covarde.
Pela forma como você escreve sobre amor, como se fosse a coisa mais importante do mundo. Por que é? Camila sentiu os olhos marejarem, mas não desviou o olhar. E, principalmente, Rafael continuou. Me apaixonei pela forma como você me faz querer ser corajoso.
Pela primeira vez na vida adulta, conheci alguém que vale o risco de ser completamente vulnerável. Ele finalmente tocou a mão dela e a eletricidade familiar percorreu ambos. Então, eu tenho uma proposta diferente para você. Não uma semana para te impressionar, mas uma vida inteira para aprendermos a ser corajosos juntos. O silêncio que se seguiu foi carregado de tudo que não havia sido dito nas últimas semanas.
Camila olhou para as mãos entrelaçadas sobre a mesa, depois para o rosto dele, onde via a vulnerabilidade crua e honestidade desarmante. “Você terminou?”, ela perguntou suavemente. “Terminei. Bem, porque agora é minha vez.” Camila endireitou os ombros, transformando-se na mulher determinada que ele havia visto enfrentar Fernanda. Rafael Santos Oliveira, você é mesmo um idiota. Ele piscou surpreso.
Mas não pelos motivos que pensa. Você é idiota porque passou três semanas achando que eu estava brava com você por ter sido honesto sobre seus medos. Não estava? Eu estava brava porque você usou seus medos como desculpa para me afastar. Existe uma diferença entre tenho medo de me machucar e vou embora antes que você possa me machucar.
Rafael processou a distinção, percebendo a sabedoria por trás dela. Mas, principalmente, Camila, continuou. Eu estava brava comigo mesma, porque você estava certo sobre uma coisa. Eu estava fugindo também. Quando você começou a ser vulnerável demais, real demais, eu entrei em pânico. Por quê? Porque é mais fácil se apaixonar por uma fantasia do que por uma pessoa real.
Fantasias não podem te abandonar, te decepcionar ou morrer de ataque cardíaco aos 45 anos. A referência à morte do pai dele foi um golpe emocional que ambos sentiram, Camila. Mas aqui está a verdade que aprendi nas últimas três semanas, escrevendo sobre nós dois disfarçados de personagens fictícios. Mesmo que você me abandone, me decepcione, ou pior, ainda vai ter valido a pena.
Por quê? Porque você me fez sentir viva de uma forma que eu não sabia que era possível. Porque quando estou com você, eu não sou apenas a escritora romântica que escreve sobre amor. Eu sou a mulher que o vive. Ela apertou a mão dele. “E, principalmente porque você me ensinou que algumas conexões valem o risco de ter o coração completamente destruído.
” Rafael sorriu e era o primeiro sorriso genuíno que ele havia dado em quase um mês. “Então, o que você está propondo?” “A mesma coisa que você, uma vida inteira aprendendo a ser corajosos juntos.” Camila pausou, um brilho travesso aparecendo em seus olhos, mas com uma condição. “Qual?” Nada de fugir.
Quando ficarmos com medo e vamos ficar, nós conversamos sobre isso. Quando tivermos dúvidas e vamos ter, nós trabalhamos nelas juntos. E quando antigos amores aparecerem para complicar as coisas, e isso definitivamente vai acontecer, nós lembramos um ao outro de por escolhemos isso. Rafael levantou a mão entrelaçada deles e beijou os dedos dela suavemente.
Eu aceito suas condições, mas tem uma adição. Qual? Quando nossos medos gritarem mais alto que nossa coragem, nós voltamos a este café, sentamos nesta mesa e lembramos do momento em que duas pessoas impossíveis decidiram que algumas coisas valem qualquer risco. Camila sentiu lágrimas de alívio e alegria escorrerem pelo rosto. Eu aceito.
Foi quando dona Carmen apareceu carregando duas fatias de bolo de chocolate que nenhum dos dois havia pedido. Bolo da reconciliação! Ela anunciou colocando os pratos na mesa por conta da casa. Vocês estavam deixando o ambiente muito melancólico para os outros clientes. Eles riram e o som foi como música para os ouvidos da garçonete veterana. Dona Carmen, Rafael perguntou.
A senhora acredita em destino? Meu filho, eu trabalho neste café há 23 anos. Vi de tudo. Pessoas que se conheceram aqui e casaram, pessoas que se reencontraram aqui depois de décadas separadas e pessoas que descobriram que às vezes o universo tem um plano melhor que o nosso. Ela olhou para os dois com um sorriso maternal.
E vocês dois, vocês foram feitos um para o outro. Qualquer pessoa com olhos pode ver isso. Depois que dona Carmen se afastou, Rafael e Camila ficaram se olhando por cima das fatias de bolo entocadas. Então, disse Camila, o que fazemos agora? Agora, Rafael respondeu, nós começamos de novo, não como o arquiteto e a escritora que se conheceram por acaso, mas como Rafael e Camila, que escolheram conscientemente construir algo real juntos, mesmo sabendo que vai ser difícil, especialmente sabendo que vai ser difícil, eles brindaram com xícaras de
café. E dessa vez, quando seus olhos se encontraram, não havia mais medo. Havia expectativa, nervosismo, excitação, mas não medo. Porque algumas decisões, uma vez tomadas com coragem suficiente, eliminam o medo de todas as possibilidades, exceto uma, a possibilidade de ser verdadeiramente feliz.
Mas o que eles não sabiam era que o universo ainda tinha alguns testes reservados para eles. Testes que determinariam se aquela coragem recém-escoberta seria suficiente para sobreviver aos desafios que viriam. E o primeiro desses desafios estava caminhando em direção ao café naquele exato momento. Duas semanas depois da reconciliação, Rafael e Camila haviam estabelecido uma nova rotina que mesclava suas vidas de forma natural e surpreendente. Ela escrevia nas manhãs em seu apartamento enquanto ele trabalhava nos projetos.
se encontravam para almoços longos em restaurantes escondidos do Pelourinho e passavam as tardes explorando o Salvador como se fossem turistas em sua própria cidade. Era uma tarde particularmente dourada de quinta-feira, quando estavam caminhando pelo mercado modelo, Camila escolhendo materiais para um caderno artesanal novo, enquanto Rafael observava como ela negociava com os vendedores locais, com uma mistura de carinho e firmeza que o fazia sorrir. “Você é perigosamente boa nisso”, ele comentou quando ela conseguiu reduzir o preço de um couro
especial pela metade, filha de baiano, criada por avó que vendia a Carajé. Ela respondeu com orgulho. Negociação está no meu DNA. Foi quando o telefone de Rafael tocou. Ele olhou a tela e franziu o senho. Desculpa, é minha mãe. Ela nunca liga essa hora. Vai, atende. Alô, mãe. O quê? Quando? Tá bom, tá bom. Eu vou para aí agora.
Quando desligou, sua expressão havia mudado completamente. O que aconteceu? Camila perguntou alarmada. Meu avô teve um infarto. Está no hospital em Feira de Santana. Eu preciso ir para lá agora. Claro. Quer que eu vá com você? Rafael hesitou por uma fração de segundo, o mesmo tipo de hesitação que havia quase destruído tudo entre eles, mas depois assentiu.
Você faria isso, Rafael? Quando alguém que amamos está em risco, não existe lugar onde eu preferiria estar do que ao seu lado. A palavra paanamos pairou no arre qualquer um deles havia usado essa palavra. mesmo que indiretamente, e ambos sentiram o peso dela. Duas horas depois, estavam na sala de espera do Hospital São Vicente em Feira de Santana.
A família de Rafael estava reunida. Sua mãe, Maria Santos, uma mulher forte de 50 e poucos anos, que obviamente era a fonte da determinação dele, dois tios, uma tia e pelo menos seis primos de várias idades. Rafael fez as apresentações rapidamente, mas Camila percebeu imediatamente que estava sendo avaliada.
Era claro que a família não esperava que ele aparecesse acompanhado, especialmente por uma mulher que eles nunca haviam ouvido falar. Então você é a namorada do Rafael”, disse tia Lourdes, “Uma senhora de cabelos grisalhos e olhos penetrantes. Ele nunca mencionou que estava namorando alguém.” “Mamãe!” A mãe de Rafael interveio gentilmente. “Hoje não é o dia para interrogatórios. Estou apenas sendo educada, Maria. A menina parece simpática.
” Camila sorriu diplomaticamente, mas Rafael pôde ver a tensão em seus ombros. Ele colocou a mão nas costas dela, um gesto protetor que não passou despercebido por nenhum membro da família. “Como está o vovô?”, Rafael perguntou, direcionando a conversação. “Estável? Graças a Deus”, respondeu seu tio Antônio.
“O médico disse que foi um infarto pequeno, mas na idade dele qualquer coisa é preocupante. As próximas 3 horas foram uma mistura de tensão médica e dinâmica familiar complexa.” Camila observou, fascinada, apesar das circunstâncias, como Rafael se transformava quando estava com a família.
Ele se tornava mais protetor, mais tradicionalmente masculino, assumindo automaticamente o papel de homem da família, que claramente havia abraçado desde a morte do pai. Foi quando conseguiram visitação limitada que Camila viu realmente quem Rafael era no fundo. O avô seu João era um homem pequeno e forte de 82 anos, com olhos que ainda brilhavam apesar da situação.
Quando viu Rafael, seu rosto se iluminou. Meu arquiteto ele disse com voz fraca, mas orgulhosa. Veio ver o velho. Sempre vou. Como está se sentindo? Como um carro velho que precisa de revisão, mas ainda anda. Seu João olhou para Camila com curiosidade. E esta moça bonita? Esta é Camila, vô. Ela é ela é especial.
Especial como? Rafael olhou para Camila e ela viu vulnerabilidade crua em seus olhos, especial como a mulher que eu amo. O silêncio no pequeno quarto de hospital foi absoluto. Era a primeira vez que Rafael havia dito essas palavras em voz alta e todas as três pessoas no quarto sabiam da magnitude do momento.
Seu João sorriu, um sorriso que iluminou toda sua face, apesar do cansaço. Ah, então é ela a que vai me dar bisnetos. Vou. Rafael começou envergonhado. Não, não. Tenho 82 anos e quase morri hoje. Tenho direito de falar o que penso. Ele se virou para Camila. Você ama meu neto, min. Camila sentiu todas as defesas desmoronarem sob o olhar direto e honesto do homem idoso. Amo. Sim, senhor.
Mesmo sabendo que ele tem a cabeça dura de todos os homens da nossa família, especialmente por isso. Seu João soltou uma gargalhada que parecia impossível vindo de alguém que havia sofrido um infarto 3 horas antes. Pronto, está decidido. Podem começar a planejar o casamento. Quando saíram do quarto, Rafael e Camila estavam de mãos dadas, mas havia uma tensão nova entre eles.
A declaração de amor havia acontecido em um momento de crise, diante de um estranho, sem a intimidade e o romance que qualquer um deles havia imaginado. “Rafael”, Camila disse quando conseguiram um momento sozinhos no corredor sobre o que você disse lá dentro. Você se arrependeu de ter respondido? Não, mas me preocupa que tenha saído assim, desse jeito, nessa situação. Rafael parou de caminhar e a encarou completamente. Camila, você acha que eu disse aquilo porque estava emocional? Não sei.
Talvez eu disse porque ver você aqui aguentando minha família maluca, sentada em uma sala de espera de hospital porque alguém que você nem conhece está doente me fez perceber que isso é o que o amor realmente é. O quê? Não é sobre momentos perfeitos ou declarações românticas. É sobre escolher estar presente nos momentos difíceis, sem ser pedido, sem esperar algo em troca.
Camila sentiu os olhos marejarem e Rafael continuou. É sobre não conseguir imaginar passar por qualquer coisa importante na vida sem a pessoa que você ama ao seu lado. Mesmo sua família pensando que sou uma intrusa. Minha família vai te amar quando te conhecer de verdade. E se não amarem, problema deles. Camila sorriu através das lágrimas.
Então você realmente me ama? loucamente, completamente, assustadoramente, mesmo sabendo que sou escritora temperamental, que tem conversas sérias com personagens fictícios, especialmente por isso, eles se beijaram ali no corredor do hospital, um beijo salgado de lágrimas e doce de promessas, enquanto a família de Rafael observava discretamente através da janela da sala de espera. “Ela é boa para ele”, murmurou a mãe de Rafael.
“Como você sabe?”, perguntou tia Lourdes. Porque é a primeira vez em dois anos que eu vejo meu filho sorrindo com os olhos. Mas enquanto eles celebravam silenciosamente esse marco no relacionamento, nenhum deles sabia que a próxima semana traria um teste que questionaria tudo que haviam construído até ali.
Porque às vezes o amor não é suficiente. Às vezes é preciso também fé, confiança e a coragem de apostar tudo quando não há garantias. E às vezes, quando a pressão aumenta, descobrimos que nem sempre somos tão corajosos quanto pensávamos. A proposta chegou em uma segunda-feira cinzenta, exatamente uma semana após a declaração de amor no hospital.
Rafael estava no escritório revisando os desenhos finais do solar do Uhão, quando Marcos, seu sócio, entrou com uma expressão que misturava excitação e apreensão. “Rafael, você precisa ver isso”, ele disse, colocando um envelope elegante sobre a mesa. Chegou por correio expresso hoje de manhã. O envelope tinha o timbre da Hendrick and Associates, uma das firmas de arquitetura mais prestigiosas do Brasil, sediada em São Paulo.
Rafael abriu com curiosidade crescente e conforme lia, sua expressão mudou completamente. “Meu Deus”, ele murmurou. “É o que estou pensando. Eles estão oferecendo uma parceria. Querem que eu me mude para São Paulo para liderar o novo departamento de patrimônio histórico deles.” Rafael releu documento como se não conseguisse acreditar. É a oportunidade da minha carreira, Marcos.
E o salário? Três vezes o que ganho aqui. Mais participação nos lucros. Mais um orçamento ilimitado para projetos que sempre sonhei fazer. Marcos assobeou baixinho. Quando eles querem uma resposta, duas semanas. E Camila? A pergunta caiu como uma pedra em água parada, criando ondas que se espalharam por todo o universo emocional de Rafael.
Até aquele momento, ele havia estado tão focado na magnitude profissional da oportunidade que não havia processado completamente as implicações pessoais. “Eu vou conversar com ela”, ele disse, “mas havia incerteza em sua voz. Rafael, você sabe que eu apoio qualquer decisão que você tomar, mas seja honesto comigo.
Você consegue imaginar deixar Salvador agora, deixar ela?” Rafael olhou pela janela para o pelourinho, onde podia ver o topo do café colonial, e sentiu algo apertar no peito. “Não sei”, ele admitiu. Naquela tarde, Camila estava no apartamento dela, terminando um capítulo particularmente emocional do seu novo livro Quando Rafael chegou.
Ela sabia imediatamente que algo estava diferente. Havia uma tensão em seus ombros que ela havia aprendido a reconhecer e ele evitava contato visual. O que aconteceu? Ela perguntou, salvando o arquivo e fechando o laptop. Rafael se sentou no sofá ao lado dela, mas não a puxou para perto como normalmente fazia. Em vez disso, ele colocou o envelope sobre a mesa de centro.
Preciso te contar uma coisa. Camila olhou para o envelope, depois para ele, e sentiu aquela familiar pontada de ansiedade que sempre vinha quando a vida estava prestes a mudar drasticamente. “Conte.” Rafael explicou sobre a proposta, observando como a expressão de Camila mudava conforme ele falava. Ele viu surpresa, depois orgulho, depois algo que parecia perigosamente próximo de pânico.
“Rafael, isso é incrível”, ela disse, mas sua voz soava forçada. “É tudo que você sempre quis. É uma grande oportunidade.” Ele concordou cautelosamente. Grande, é gigantesca. Você sempre falou sobre querer trabalhar em projetos de escala nacional, poder realmente fazer a diferença na preservação do patrimônio brasileiro.
Camila e São Paulo tem tanto patrimônio arquitetônico, tantos projetos importantes. Camila, para, ela parou de falar, mas o silêncio que se seguiu foi carregado de tudo que não estava sendo dito. “O que você está pensando?”, Rafael perguntou suavemente. “Estou pensando que você deveria aceitar.” “É mesmo? Claro, por que não aceitaria? Talvez porque isso significaria deixar Salvador. Deixar nós.
A palavra nós pairou no ar como uma acusação suave. Não necessariamente, Camila disse, levantando-se e caminhando até a janela. Existem opções. Relacionamentos à distância funcionam. Eu posso escrever de qualquer lugar. Você se mudaria para São Paulo? A pergunta a pegou de surpresa. Camila ficou em silêncio por um longo momento, olhando para as ruas de Salvador que havia conhecido toda sua vida.
Eu não sei, talvez eventualmente, mas não agora. Rafael, você está me pedindo para abandonar minha vida aqui, meus amigos, minha família, minha cidade, para seguir você para São Paulo, baseado em um relacionamento de dois meses. Não estou pedindo nada. Estou apenas tentando entender como você se sente sobre isso.
Camila se virou para encará-lo e Rafael viu algo em seus olhos que o fez entender que esta conversa estava prestes a ir para um território muito perigoso. Como eu me sinto? Eu me sinto como se você já tivesse tomado sua decisão e estivesse apenas procurando minha aprovação para se sentir menos culpado. Isso não é verdade, não é? Então me diz honestamente, se eu pedisse para você recusar essa oferta e ficar em Salvador, você faria? A hesitação de Rafael foi imperceptível, mas Camila a captou.
Viu? Ela disse, um sorriso amargo no rosto. Você já decidiu, Camila, isso não é justo. Você não pode me pedir para escolher entre você e minha carreira. Eu não estou pedindo, eu estou aceitando que sua carreira é mais importante. Não é mais importante, é diferente. Uma carreira é algo que construo para o resto da vida. Rafael parou no meio da frase, percebendo o que ele tinha acabado de dar a entender.
E nós não somos. Camila terminou a frase para ele, a voz perigosamente baixa. Não foi isso que eu quis dizer. Foi exatamente isso que você quis dizer. Ela pegou a bolsa. E sabe de uma coisa? Você está certo. Uma carreira é para sempre. Relacionamentos? Aparentemente não. Onde você vai? Preciso de ar. Preciso pensar.
Vamos conversar sobre isso. Conversar sobre o que, Rafael? Sobre como eu deveria ser compreensiva e solidária enquanto você segue seu sonho. Sobre como eu deveria estar grata que você ao menos considerou meus sentimentos antes de tomar uma decisão que afeta nossa vida juntos? Rafael levantou-se tentando se aproximar dela, mas Camila recuou. Não, você estava certo no atelier naquela noite.
Talvez nós dois estejamos tentando forçar algo que simplesmente não estava destinado a funcionar. Você não acredita nisso? Acredito sim, porque se acreditássemos de verdade que isso é real, que isto vale a pena, você não estaria sequer considerando uma oportunidade que nos separa e eu não estaria com medo de pedir para você ficar.
A verdade dói exatamente por ser verdade. Camila, por favor. Não, Rafael, desta vez eu vou embora primeiro. Ela parou na porta. E quando você aceitar essa proposta, porque nós dois sabemos que vai aceitar, quero que lembre que eu te dei permissão, que eu facilitei para você. Por que você está fazendo isso? Porque te amo o suficiente para não querer ser a razão pela qual você recusa a oportunidade da sua vida.
E me amo o suficiente para não ficar em segundo lugar na vida de alguém. Depois que ela saiu, Rafael ficou sozinho no apartamento, que de repente parecia um eco de seus próprios medos. Ele olhou para a proposta sobre a mesa, depois para a janela onde Camila havia estado minutos antes e percebeu que havia conseguido a exata situação que mais temia: estar forçado a escolher entre amor e ambição.
E o pior de tudo era que ele não sabia qual escolha seria a certa. Do outro lado da cidade, Camila estava sentada no pier do dique do Tororó, lágrimas escorrendo livremente pelo rosto enquanto observava o pô do sol pintar Salvador em tons dourados. Ela havia mentido. Havia mentido sobre aceitar a decisão dele, sobre entender, sobre facilitar para ele.
A verdade era que estava absolutamente aterrorizada que ele a deixasse e ainda mais aterrorizada de que se ela pedisse para ele ficar, ele pudesse se ressentir por isso depois. Então, ela havia feito a única coisa que sabia fazer. havia saído antes que ele pudesse deixá-la, mas desta vez ela suspeitava que havia apenas acelerado o inevitável, que agora ambos estavam sozinhos com as consequências de seus próprios medos.
Cinco dias se passaram em um silêncio ensurdecedor. Rafael não apareceu no café colonial e Camila não tentou contatá-lo. Ambos estavam presos em um ciclo destrutivo de orgulho ferido e medo disfarçado de pragmatismo, cada um esperando que o outro fizesse o primeiro movimento enquanto secretamente torciam para que não tivessem que fazer nenhum movimento. Foi Júlia quem finalmente forçou a situação.
Ela apareceu no apartamento de Camila na quarta-feira seguinte, usando uma chave reserva que tinha para emergências, e encontrou a amiga em um estado que só podia ser descrito como devastação criativa. Camila havia escrito obsessivamente por cinco dias seguidos, transformando sua dor em capítulos que eram simultaneamente belos e de partir o coração.
Ok, chega”, Júlia, disse, despejando o café frio que estava sobre a mesa e substituindo por café fresco que havia trazido. “Vamos conversar?” “Não há nada para conversar. Ele tomou sua decisão. Ele tomou porque, pelo que entendi sua narrativa dramática, você saiu antes dele dizer qualquer coisa.
” Camila parou de digitar e olhou para a amiga com irritação. Júlia, eu vi nos olhos dele. Ele já havia decidido aceitar a oferta. Talvez, ou talvez você viu seus próprios medos refletidos nos olhos dele. Não é a mesma coisa. É completamente diferente. Júlia se sentou à mesa, forçando Camila a encará-la. Camila, você passou 5 anos criando listas imaginárias para evitar homens reais.
Quando um homem real aparece, você encontra motivos para sabotá-lo. Quando ele demonstra vulnerabilidade, você foge. E agora, quando ele recebe a oferta da sua carreira, ao invés de lutarem juntos por uma solução, você sai correndo de novo. Ele não me escolheu. Você deu a ele a chance de escolher, porque, pelo que entendi, você presumiu que ele não ia te escolher e agiu baseada nessa suposição.
Camila ficou em silêncio, os dedos parados sobre o teclado. E mais importante, Júlia continuou, porque ele aceitar este emprego significaria automaticamente que vocês terminam. Pessoas fazem relacionamentos à distância funcionar. Pessoas se mudam por amor. Pessoas encontram jeitos quando querem encontrar jeitos. É complicado.
Amor é sempre complicado, mas vocês nem tentaram descomplicar antes de desistirem. Enquanto isso, do outro lado da cidade, Rafael estava enfrentando sua própria intervenção. Marcos havia levado dona Carmen ao escritório, uma aliança improvável que Rafael não viu chegando. “Meu filho”, dona Carmen disse, acomodando-se na cadeira em frente à sua mesa, como se fosse uma consulta.
“Você está sendo um tolo, dona Carmen. Com todo o respeito. Com todo respeito, nada. Você tem uma mulher que te ama, uma vida que faz sentido aqui e está considerando jogar tudo fora por trabalho. Não é só trabalho, é a oportunidade da minha vida. E ela não é. A pergunta simples cortou através de todas as racionalizações que Rafael havia estado construindo nos últimos cinco dias.
Marcos inclinou-se para a frente. Rafael, posso te fazer uma pergunta honesta? Claro, se você aceitar essa oferta e se mudar para São Paulo, o que você ganha que é mais valioso que o que você perde? Rafael abriu a boca para responder, depois a fechou novamente. Dinheiro, Marcos continuou, prestígio, reconhecimento nacional, projetos maiores, todas essas coisas.
E o que você perde? Rafael olhou pela janela na direção do apartamento de Camila, embora ele não pudesse vê-lo de lá. Eu perco ela e isso vale a pena? Eu não sei. Talvez. Eu trabalhei para esse tipo de oportunidade a minha vida inteira. Dona Carmen levantou-se, pegando sua bolsa com os movimentos decisivos de uma mulher que já tinha ouvido o suficiente. Rafael Santos.
Eu sirvo café para pessoas apaixonadas há 23 anos. Eu vi casais que lutam contra tudo. Desaprovação da família, problemas financeiros, doenças. distância e eu vi casais que desistem no primeiro obstáculo real. Ela parou na porta. Os casais que conseguem não são os que não têm problemas. Eles são os que decidem que um ao outro valem a pena a luta pelos problemas.
E agora você não está lutando, você está fugindo. Depois que eles saíram, Rafael ficou sozinho em seu escritório, olhando para a proposta que estava em sua mesa por cinco dias. Cada parte racional de sua mente lhe dizia para aceitá-la. Era tudo pelo que ele havia trabalhado, tudo que validaria sua carreira, tudo que honraria a memória de seu pai de prover estabilidade e sucesso.
Mas cada parte emocional de sua mente continuava voltando a uma única memória. Camila no corredor do hospital dizendo: “Mesmo sabendo que sou escritora temperamental que tem conversas sérias com personagens fictícios”, e sua resposta especialmente por isso. quando ele havia começado a esquecer que algumas coisas valiam mais do que o avanço da carreira.
Naquela noite, tanto Rafael quanto Camila se encontraram no mesmo lugar sem planejar o pier do Dick do Tororó, onde eles haviam falado sobre o pai dele, onde ele tinha mostrado a ela a verdadeira vulnerabilidade. Eles se viram simultaneamente no Pier, dois vultos solitários na penumbra dourada do fim de tarde. Por um momento, nenhum dos dois se moveu, como se qualquer movimento pudesse quebrar a magia frágil do encontro não planejado.
Foi Camila quem falou primeiro. Pensei que você estaria ocupado comemorando sua nova vida em São Paulo. Ela disse, sem conseguir esconder a amargura na voz. Pensei que você estaria ocupada escrevendo sobre como todos os homens são iguais. Rafael respondeu, aproximando-se lentamente.
Eles ficaram lado a lado, olhando para as águas calmas do lago, que refletiam as luzes da cidade, que começavam a se acender. “Eu ainda não aceitei a proposta”, Rafael disse finalmente. Por quê? Porque toda vez que imagino minha vida em São Paulo, a única coisa que vejo é uma vida onde você não está. Camila sentiu o coração acelerar, mas forçou-se a manter a voz firme.
E isso te incomoda? me aterroriza. Ela se virou para encará-lo completamente. Então, por que você não disse isso cinco dias atrás? Porque tive medo de que você me pedisse para ficar e depois se arrependesse. Medo de que me ressentisse por ter influenciado uma decisão tão importante? Rafael passou a mão pelos cabelos e, principalmente, medo de que você não me pedisse para ficar.
Rafael, Camila, preciso te perguntar uma coisa e quero que seja completamente honesta comigo. O quê? Se eu recusar essa proposta e ficar em Salvador, você vai conseguir viver sabendo que talvez tenha sido a razão pela qual recusei a oportunidade da minha carreira. A pergunta era justa e devastadora ao mesmo tempo.
E se eu pedir para você ficar e você aceitar, você vai conseguir viver sem se ressentir comigo no futuro? Ambos ficaram em silêncio, confrontados pela complexidade impossível da situação. Foi então que Rafael fez algo completamente inesperado. Ele tirou o celular do bolso e ligou para alguém. Alô, Dr. Hendrix. Rafael Santos.
Sim, recebi a proposta. Na verdade, quero fazer uma contraproposta. Camila o observou confusa e alarmada. Sim, eu gostaria de aceitar a parceria, mas com uma condição. Quero estabelecer uma filial da empresa aqui em Salvador, especializada em patrimônio histórico do Nordeste. Sim, eu seria responsável por ela.
Posso enviar um plano de negócios completo até segunda-feira. Ótimo, aguardo seu retorno. Quando desligou, Camila estava boqu aberta. O que você acabou de fazer? Criei uma terceira opção que nenhum de nós havia considerado. Rafael. E se eles disserem não, então eu recuso à proposta original e continuo minha vida aqui. Mas pelo menos tentei encontrar uma forma de ter os dois, você e minha carreira.
Camila sentiu lágrimas nos olhos. Por que você fez isso? Porque você estava certa naquela primeira tarde no café. Algumas pessoas valem qualquer risco. Ele tocou o rosto dela delicadamente. E porque percebi que sucesso sem você não é sucesso de verdade, é apenas uma versão muito solitária de realizações profissionais.
E se não der certo? E se você se arrepender, então vamos descobrir isso juntos. Por que, Camila, eu escolho você? Não porque é a escolha fácil, mas porque é a escolha certa. Eles se beijaram ali no pier enquanto o Salvador se acendia ao redor deles. E, pela primeira vez em uma semana, ambos sentiram que talvez houvesse esperança para eles afinal.
Mas, como eles descobririam nos próximos dias, algumas decisões corajosas ainda precisam enfrentar a realidade prática antes de se tornarem felizes para sempre. A resposta de São Paulo chegou na terça-feira seguinte e Rafael nunca havia estado tão nervoso em sua vida. profissional. Ele estava no escritório com Marcos quando o telefone tocou, o nome Dr.
Hendrix, piscando na tela como um veredicto que mudaria tudo. Rafael Santos. Rafael, James Hendrick aqui. Acabei de terminar de revisar sua proposta com o meu conselho de diretores. Rafael fez sinal para Marcos, que imediatamente parou tudo que estava fazendo para ouvir. E é uma ideia brilhante. Francamente, não sei como não pensamos nisso antes.
O Nordeste tem um patrimônio arquitetônico que está sendo criminalmente negligenciado. E ter uma presença local seria um diferencial competitivo enorme. Rafael sentiu o coração parar. Então, não apenas aprovamos sua contraproposta, como decidimos aumentar o orçamento inicial. Queremos que esta filial seja um modelo para futuras expansões regionais. Eu Uau! Obrigado, Dr. Hendrix.
Há apenas uma condição. Rafael sentiu o estômago afundar. Qual? Queremos que você passe três meses em São Paulo primeiro, trabalhando diretamente comigo para entender nossos processos internos. Depois disso, você volta para Salvador para estabelecer a filial. Três meses. Não para sempre, mas três meses. Quando eu precisaria começar, idealmente em duas semanas.
Depois que desligou, Rafael ficou olhando para o telefone como se ele pudesse tocar de novo com uma versão diferente da realidade. Bem, Marcos disse finalmente, isso é complexo, é temporário. Rafael disse mais para si que para o sócio. Três meses em São Paulo, depois volto para sempre. E Camila? Rafael olhou pela janela em direção ao centro da cidade, onde ele sabia que Camila provavelmente estava escrevendo em seu apartamento.
Camila vai ter que confiar em mim. Uma hora depois, ele estava parado na porta do apartamento dela, ensaiando como explicar que sua solução tinha vindo com uma complicação. Camila abriu a porta e ele pôde ver imediatamente que ela tinha estado escrevendo intensivamente.
Havia manchas de tinta em seus dedos e aquela expressão ligeiramente atordoada que ela sempre tinha quando estava imersa em sua zona criativa. “Como foi?”, ela perguntou imediatamente. Eles disseram: “Sim.” O rosto dela se iluminou com pura alegria. Rafael, isso é incrível. Há uma pequena condição. E assim a alegria desvaneceu para a cautela.
Que tipo de condição? Rafael explicou sobre os três meses em São Paulo, observando como sua expressão mudou por múltiplas emoções: compreensão, decepção, medo e, finalmente, resignação. “Então você vai embora de qualquer jeito”, ela disse quietamente. “Por três meses, depois volto. Para sempre, para sempre”. Camila caminhou até a janela, a mesma janela onde ela tinha ficado quando ele primeiro lhe falou sobre a proposta. “Trs meses é muito tempo, Rafael.
É temporário. Relacionamentos à distância são difíceis. Nós podemos fazer funcionar. Ela se virou para encará-lo e havia algo em seus olhos que ele não tinha visto antes. Uma tristeza que ia mais fundo que a decepção. Rafael, posso te fazer uma pergunta honesta? Sempre. Se depois de três meses em São Paulo você perceber que prefere estar lá, que há oportunidades lá, que você não pode ter aqui, o que acontece? Então, a pergunta que ele tinha evitado fazer a si mesmo, isso não vai acontecer.
Mas e se acontecer? Rafael cruzou o quarto até ela, pegando as mãos dela nas suas. Camila, eu prometo a você que em três meses eu estarei de volta em Salvador, não porque eu tenho que, mas porque este é o lugar onde eu quero estar. Como você pode ter tanta certeza? Porque três meses sem você serão os três meses mais longos da minha vida.
Porque cada dia que eu estiver longe, me lembrará que o sucesso não significa nada se eu não posso compartilhá-lo com a pessoa que eu amo. Camila estudou o rosto dele por um longo momento. Ok, ela disse finalmente. Ok, eu confio em você. Nós vamos fazer funcionar. Rafael sentiu o alívio invadi-lo. Eu te amo. Eu te amo também. Mesmo quando você torna as coisas infinitamente mais complicadas do que elas precisam ser. Eles riram.
E por um momento tudo pareceu que ficaria bem, mas nenhum dos dois antecipou o quanto pode acontecer em três meses. Quantas coisas poderiam mudar, quantas tentações poderiam surgir, quantas dúvidas poderiam se insinuar quando a distância torna tudo mais difícil de lembrar claramente.
E nenhum dos dois antecipou que, às vezes, as maiores ameaças ao amor não vêm de grandes crises, mas de pequenos momentos diários, quando você começa a esquecer porque alguém vale a pena lutar. O relógio estava correndo. Rafael tinha duas semanas restantes em Salvador antes de partir para os três meses mais longos da vida de ambos. E enquanto eles passavam essas duas semanas tentando memorizar cada detalhe de cada momento juntos, em algum lugar no fundo da mente de ambos, estava a terrível pergunta: “E se três meses se tornasse mais tempo do que o amor consegue resistir?” A última semana passou como um filme em avanço rápido,
cada momento simultaneamente eterno e fugaz. Rafael e Camila desenvolveram uma intensidade quase desesperada, como se pudessem armazenar amor e conexão suficientes para durar pelos meses de separação. Eles visitaram todos os lugares em Salvador que se tornaram significativos para eles. O café onde se conheceram, o atelier onde ele tinha se aberto para ela pela primeira vez, o pier onde eles tinham brigado e se reconciliado, o hospital onde eles tinham dito: “Eu te amo pela primeira vez”. Era como se estivessem criando um
mapa mental de seu relacionamento, que ambos poderiam consultar quando a saudade se tornasse insuportável. A véspera da partida foi a mais difícil. Eles a passaram no apartamento de Rafael, alternando entre fazer amor apaixonadamente e conversas tranquilas sobre coisas práticas, com que frequência eles ligariam quando ele poderia visitá-la, o que as diferenças di fuso horário significavam para suas rotinas diárias.
Me prometa uma coisa”, Camila disse, deitada contra o peito dele ao amanhecer, observando os primeiros raios de sol filtrarem pelas cortinas. “Qualquer coisa, prometa-me que se você mudar de ideia sobre voltar, você me contará honestamente. Não me deixe esperando aqui, esperando por algo que não vai acontecer”.
Rafael inclinou o queixo dela para encontrar seus olhos. Camila, eu vou voltar, mas se algo mudar, nada vai mudar, Rafael, prometa-me. Ele estudou o rosto dela, vendo o medo real escondido por trás do pedido prático. Eu prometo que sempre serei honesto com você sobre o que estou sentindo e o que eu quero.
Não era exatamente a promessa que ela tinha pedido, mas era a mais honesta que ele podia fazer. O aeroporto foi um tipo especial de tortura. Eles chegaram cedo e sentaram no saguão de embarque, de mãos dadas e fazendo conversa fiada sobre coisas que não importavam, porque a única coisa que importava era grande demais para ser dita em voz alta. Quando o voo dele foi chamado, ambos se levantaram mecanicamente.
É isso, Rafael disse desnecessariamente. É isso. Eles se beijaram. Um beijo longo e desesperado, que tinha gosto de promessas e lágrimas e tudo que eles não podiam dizer em voz alta. Três meses. Ele sussurrou contra os lábios dela. Três meses? Ela sussurrou de volta. Ele se afastou sem olhar para trás, porque ambos sabiam que se ele se virasse, talvez não fosse capaz de entrar no avião.
Camila esperou até que o avião dele desaparecesse nas nuvens antes de se permitir chorar. No voo, Rafael olhou pela janela enquanto o Salvador se tornava menor abaixo dele e sentiu como se estivesse deixando um pedaço de sua alma para trás. Nenhum dos dois sabia que três meses testariam não apenas seu amor, mas tudo que eles pensavam que sabiam sobre si mesmos. O primeiro mês foi o mais difícil.
Eles conversavam todos os dias, às vezes várias vezes por dia. Rafael lhe contava sobre o ritmo avaçalador de São Paulo, a natureza exigente de trabalhar diretamente com o Dr. Hendrix, a solidão de viver em uma cidade onde ele não conhecia ninguém. Camila lhe contava sobre sua escrita, sobre terminar seu livro, sobre como o café colonial parecia vazio sem ele lá, mas já pequenas rachaduras estavam começando a aparecer.
Você parece cansado”, Camila disse durante uma ligação tarde da noite em sua terceira semana. Eu estou cansado. Eles me fazem trabalhar 16 horas por dia. Isso não é sustentável, é temporário. Mas era. Rafael estava descobrindo que ele era bom nesse novo nível de trabalho, que ele prosperava no ambiente de alta pressão, que ele estava sendo oferecido oportunidades que nunca existiriam em Salvador.
E Camila estava descobrindo que três meses pareciam uma eternidade quando cada dia se esticava vazio sem a pessoa que havia se tornado sua âncora. No segundo mês, as ligações deles se tornaram mais curtas, menos frequentes. Não porque eles se amavam menos, mas porque doía demais ser constantemente lembrado do que eles estavam perdendo.
Rafael começou a ficar até mais tarde no trabalho, aceitando convites para jantar com colegas, preenchendo seu tempo com qualquer coisa que o impedisse de pensar em quanta falta ele sentia de Salvador. Camila começou a aceitar convites sociais que ela vinha recusando por meses, tentando reconstruir uma vida que não girava inteiramente em torno de sentir falta de Rafael.
E lentamente, quase imperceptivelmente, ambos começaram a se adaptar suas vidas separadas, o que tornava a pergunta que nenhum dos dois queria fazer cada vez mais aterrorizante. Se eles podiam viver separados, isso significava que eles deveriam. No terceiro mês, Rafael havia sido oferecido uma posição permanente em São Paulo, que o faria um dos mais jovens sócios seniores na história da empresa.
E Camila havia recebido uma oferta de uma editora no Rio para se juntar à equipe editorial deles, um emprego dos sonhos que ela nunca tinha pensado em buscar. De repente, ambos foram confrontados com a realização de que a distância não tinha apenas testado o relacionamento deles, tinha aberto portas para futuros que eles nunca tinham imaginado.
Com uma semana restante antes de Rafael supostamente retornar, eles tiveram sua conversa mais honesta desde que ele havia partido. “Se eu preciso te dizer algo”, ele disse durante a ligação noturna deles. O coração de Camila parou. “O quê? Eles me ofereceram uma posição permanente aqui, sócio sior. Significaria tudo pelo que eu sempre trabalhei. O silêncio se esticou entre eles, preenchido com tudo que ambos tinham medo de dizer.
E Camila perguntou finalmente, e eu não sei o que fazer. Você quer aceitar? Uma parte de mim quer sim. Então aceite, Camila. Não, sério. Se isso é o que você quer, aceite. E nós e nós, Rafael, se esse emprego é o seu sonho, então persiga seu sonho. Mas a voz dela suou oca derrotada. Você está desistindo de nós. Eu estou sendo realista. Distância funcionou por três meses. Não vai funcionar para sempre.
Então é isso? Três meses separados e nós apenas desistimos. Não é isso que você está fazendo? Ligando para me contar sobre essa oferta de emprego? Eu estou ligando porque eu não quero tomar essa decisão sem falar com você sobre isso, mas você já quer aceitar. Eu posso ouvir na sua voz.
Ela estava certa e ambos sabiam disso. Depois que eles desligaram, tanto Rafael quanto Camila se sentaram em suas respectivas cidades, olhando para telefones que tinham acabado de entregar o começo do fim de tudo que eles tinham construído juntos. Às vezes o amor não é suficiente. Às vezes as circunstâncias separam as pessoas, apesar de suas melhores intenções.
E às vezes a coisa mais cruel sobre a vida é que ela te dá exatamente o que você pensou que queria. Só não quando você é capaz de apreciá-lo. Mas às vezes, apenas às vezes, quando tudo parece perdido, o universo tem uma carta final para jogar. E para Rafael e Camila, essa carta estava prestes a ser jogada por alguém que eles menos esperavam. Era quinta-feira de manhã em São Paulo, faltando apenas três dias para o retorno oficial de Rafael a Salvador, quando seu telefone tocou com um número que ele não reconhecia. Rafael Santos.
Rafael é dona Carmen. A voz familiar da garçonete do café colonial, o pegou completamente de surpresa. Em três meses, essa era a primeira vez que alguém de Salvador, além de Camila, entrava em contato com ele. Dona Carmen, como consegui o meu número? Marcos me deu. Meu filho, preciso falar com você sobre algo muito importante. Havia urgência em sua voz que imediatamente deixou Rafael alerta.
O que aconteceu? É sobre Camila? Ela está bem fisicamente? Sim, emocionalmente. Dona Carmen suspirou. Rafael, você precisa saber de uma coisa que aconteceu aqui. Rafael sentou-se na cadeira do seu escritório temporário em São Paulo, o coração já acelerando. O quê? Na semana passada, Camila estava no café escrevendo como sempre faz quando está triste. E apareceu uma mulher loira, bem vestida, perguntando por ela. Fernanda Rafael, murmurou. Exatamente.
Ela se sentou com Camila e, meu Deus, Rafael, foi a conversa mais cruel que já presenciei. O que ela disse? que você havia ligado para ela na semana anterior, que você tinha confessado que estava confuso sobre seus sentimentos, que São Paulo tinha mostrado possibilidades que você não conhecia e que estava considerando terminar com Camila porque tinha conhecido alguém lá. O sangue de Rafael gelou.
Isso é mentira completa. Eu não falei com a Fernanda uma única vez desde que me mudei para cá. Eu sei, meu filho, mas Camila não sabia. Dona Carmen, o que Camila fez? Ela escutou tudo em silêncio, agradeceu a Fernanda por ser honesta e saiu do café. Não voltou desde então. Rafael sentiu o mundo desmoronar ao redor dele. Fernanda inventou tudo isso.
Pior que isso. Ela mostrou para Camila impressões de tela de conversas que pareciam ser suas, dizendo coisas terríveis sobre como você estava aliviado de ter uma desculpa para fugir de Salvador e como você havia dito que relacionamento à distância era conveniente, porque te dava tempo para pensar se realmente queria ficar com ela.
Meu Deus! Rafael passou a mão pelos cabelos desesperado. Dona Carmen, eu preciso falar com a Camila. Ela não vai atender suas ligações, Rafael mudou o número do celular. E há mais uma coisa. O quê? Ela aceitou um trabalho no Rio de Janeiro. Vai se mudar amanhã. O mundo parou. Amanhã, Rafael, você precisa voltar. agora hoje, porque se você não conseguir falar com ela antes dela partir para o Rio, vocês vão perder um ao outro para sempre. Depois que desligou, Rafael ficou olhando para o telefone, tentando processar a magnitude do que havia
acontecido. Fernanda havia orquestrado uma sabotagem tão sofisticada que Camila havia acreditado completamente. Ele olhou para o relógio. 11 horas da manhã, havia um voo para Salvador às 14 horas, mas ele estava no meio de uma apresentação crucial para o Dr. Hendricks, uma apresentação que determinaria se a filial de Salvador seria aprovada ou não.
Rafael tinha uma escolha impossível, pegar o voo e arriscar destruir a oportunidade profissional pela qual havia trabalhado toda sua vida, ou perder o voo e arriscar perder Camila para sempre por um momento terrível. Ele hesitou. Então ele se lembrou de algo que Camila havia dito na primeira semana deles juntos. Algumas coisas valem qualquer risco. Rafael invadiu o escritório do Dr.
Hendrix sem bater. Dr. Hendrix, eu preciso sair agora. Hoje o homem mais velho olhou para cima surpreso. Rafael, nossa apresentação é em duas horas. Eu sei e eu sinto muito, mas eu preciso pegar um voo para Salvador. Se você sair agora, você entende que essa parceria pode não acontecer? Rafael respirou fundo, pensando em tudo que ele estava prestes a arriscar.
Senhor, três meses atrás eu pensei que uma carreira era a coisa mais importante na minha vida, mas eu aprendi que o sucesso sem amor é apenas uma forma muito cara de solidão. Dr. Hendrix o estudou por um longo momento. Isso é sobre uma mulher. Isso é sobre uma mulher que me vê completamente.
Todos os meus defeitos, todos os meus medos, todo o meu potencial e escolhe-me amar de qualquer forma. Uma mulher que me faz querer ser corajoso. E você está disposto a arriscar sua carreira por ela? Eu estou disposto a arriscar qualquer coisa por ela, doutor. Hendrick sorriu, um sorriso que surpreendeu Rafael completamente. Então vá, pegue seu avião. Senhor Rafael, eu sou casado há 43 anos.
Confie em mim quando eu digo que boas parcerias de negócios ou pessoais são construídas por pessoas que entendem o que realmente importa. Mas a apresentação pode ser remarcada. O amor aparentemente não. Tr horas depois, Rafael estava em um avião para Salvador, olhando pela janela e rezando para que não fosse tarde demais.
Exatamente no mesmo momento em Salvador, Camila estava embalando sua última mala, seu apartamento vazio, exceto por caixas etiquetadas Rio, e alguns itens finais. Ela tinha passado uma semana desde a revelação de Fernanda, em uma névoa de dor tão intensa que ela mal conseguia funcionar. Tudo fazia sentido.
Agora, a distância crescente de Rafael, as ligações mais curtas, a forma como ele tinha soado ao lhe contar sobre a oferta de emprego. Ela tinha sido tão tola em acreditar que a distância poderia funcionar, que o amor poderia superar as realidades práticas. Amanhã ela começaria uma nova vida no Rio, escrevendo para uma editora, longe de memórias de olhos azuis e mãos gentis que construíam coisas bonitas.
Nem Rafael, nem Camila sabiam que em menos de 12 horas eles iriam ou se encontrar de novo ou se perder para sempre. E nem eles sabiam que às vezes as maiores histórias de amor são aquelas onde as pessoas se escolhem repetidamente, especialmente quando o mundo conspira para separá-las. Mas primeiro Rafael tinha que encontrá-la e Camila tinha que estar disposta a ouvir.
Em uma cidade como Salvador, cheia de cantos escondidos e espaços secretos, encontrar alguém que não quer ser encontrado pode ser mais difícil do que encontrar alguém que desapareceu completamente. O relógio estava correndo e o amor às vezes se resume a uma questão de horas. Rafael chegou em Salvador às 19:30 de uma quinta-feira que parecia determinada a testar todos os limites de sua resistência emocional.
Ele foi direto do aeroporto para o apartamento de Camila, subindo as escadas de dois em dois degraus, o coração batendo tão forte que parecia ecoar pelas paredes do prédio. Bateu na porta. Silêncio. Bateu novamente, mais forte. Camila, Camila, eu sei que você está aí. A porta se abriu, mas não era Camila, era a vizinha, uma senhora de idade que o observou com curiosidade, misturada com suspeita. Se está procurando a escritora, ela não está mais aqui.
Como assim não está mais aqui? Mudou-se hoje cedo, disse que ia para o Rio de Janeiro. Deixou isto para caso alguém aparecesse procurando por ela. A senhora lhe entregou um envelope lacrado com seu nome escrito na caligrafia delicada que ele conhecia tão bem. Rafael rasgou o envelope com mãos trêmulas e leu. Rafael, se você está lendo isto, significa que voltou de São Paulo. Talvez para buscar coisas que esqueceu, talvez para tentar explicar.
Não precisa. Eu entendo. Fernanda me contou sobre suas dúvidas, sobre a pessoa que você conheceu em São Paulo, sobre como você se sentia aliviado de ter uma desculpa para reconsiderar nosso relacionamento. E sabe de uma coisa? Eu não te culpo. Três meses é muito tempo. Pessoas mudam, sentimentos mudam e talvez seja melhor assim.
Estou indo para o rio começar uma vida nova. Não tente me procurar. Não porque estou brava, mas porque acho que nós dois merecemos a chance de descobrir quem somos quando não estamos tentando forçar algo que talvez não fosse para ser. Obrigada por ter-me amado, mesmo que temporariamente. Você me ensinou que sou capaz de sentir coisas que nem sabia que existiam. Seja feliz em São Paulo. Camila. PS.
O Diário Vermelho está na mesa do café. Se você quiser devolvê-lo à dona Carmen. Todas as nossas histórias estão escritas ali. Rafael sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Ela havia acreditado em cada mentira de Fernanda. E pior, ela havia desistido deles sem nem lhe dar a chance de se explicar. Ele olhou o relógio.
15. Se ela havia saído hoje cedo, provavelmente já estava no Rio. Mas alguma coisa na carta o incomodou. Ela havia mencionado o diário no café. Por que deixaria o diário lá, ao invés de levá-lo para o rio? Rafael correu para o café colonial, chegando 5 minutos antes do fechamento. Dona Carmen estava limpando as mesas quando o viu entrar.
Rafael, meu Deus, você conseguiu voltar, dona Carmen, onde ela está? Camila deixou um bilhete dizendo que foi para o rio, mas Rafael, Dona Carmen interrompeu gentilmente. Ela não foi para o rio. O quê? Ela conseguiu o emprego, sim, mas não aceitou.
Disse que não conseguia fugir de Salvador porque você estava voltando e ela precisava te ver uma última vez. O coração de Rafael parou. Onde ela está? Onde você acha? Rafael não precisou pensar duas vezes. Saiu correndo do café em direção ao pier do Dick do Tororó, o lugar onde eles haviam se encontrado por acaso naquela tarde de discussão, onde tinham feito as pazes, onde tinham conversado sobre seus medos mais profundos.
Ela estava lá sentada na borda do pier, pernas balançando sobre a água, olhando para as luzes da cidade refletidas no lago. Mesmo de costas, ele reconheceria aquela silhueta em qualquer lugar do mundo. “Você mentiu na carta?”, ele disse, aproximando-se devagar. Camila não se virou, mas ele viu seus ombros se tensionarem. “Você deveria estar comemorando sua nova vida em São Paulo. Renunciei ao emprego. Agora ela se virou.
o rosto mostrando uma mistura de confusão e algo que parecia perigosamente próximo de esperança. O quê? Renunciei. Perdi a apresentação mais importante da minha carreira para pegar um avião e vir atrás de você. Por que você faria isso? Rafael se sentou ao lado dela no pier, mantendo uma distância respeitosa, mas próxima o suficiente para ver as lágrimas nos olhos dela. Porque cada palavra que Fernanda te disse era mentira. Rafael, ela me mostrou conversas.
Falsas, todas falsas. Ele tirou o celular do bolso. Quer ver meu histórico de chamadas dos últimos três meses? Quer ver minhas mensagens? Camila. Eu não falei com a Fernanda uma única vez desde que saí de Salvador. Camila estudou o rosto dele, procurando sinais de mentira e não encontrando nenhum.
Mas por que ela faria isso? Porque algumas pessoas não conseguem aceitar que outras pessoas sejam felizes quando elas não são. Rafael se aproximou um pouco mais. Camila, você quer saber a verdade sobre os últimos três meses? A verdade é que cada dia longe de você foi uma tortura. A verdade é que sim.
Eles me ofereceram um emprego incrível em São Paulo e, por um momento terrível, eu considerei aceitar, não porque tinha conhecido outra pessoa, mas porque estava com medo. Medo de quê? Medo de que três meses fossem longos demais. Medo de que você percebesse que podia viver sem mim. medo de voltar para Salvador e descobrir que você havia seguido em frente. Camila limpou as lágrimas com as costas da mão.
E agora? Agora sei que prefiro correr o risco de ter meu coração partido por você mil vezes do que viver uma vida inteira sem você nela. Eles ficaram em silêncio por um momento, o som da água batendo suavemente contra as pedras do Pier, sendo a única trilha sonora para o momento mais importante de suas vidas. Rafael, Camila disse finalmente.
Eu quase aceitei o emprego no Rio. Eu sei, quase fugi de você de novo, mas não fugiu. Não fugi porque ela respirou fundo porque percebi que não importa para onde eu vá, não conseguiria levar minha vida adiante, sabendo que desisti de nós sem lutar. Rafael sentiu algo se soltar em seu peito. Então vamos lutar? Vamos lutar.
Eles se beijaram ali no pier sob as estrelas de Salvador, com o gosto salgado de lágrimas e doce de promessas que dessa vez sabiam que poderiam cumprir. Então Camila disse quando se separaram: “O que fazemos agora? Agora nós reconstruímos não como duas pessoas que se conheceram por acaso e se apaixonaram por uma lista, mas como duas pessoas que escolheram lutar uma pela outra quando o mundo inteiro conspirou para nos separar.
E a empresa em São Paulo, Dr. Hendrix me disse algo antes de eu sair. O amor não pode ser remarcado. Ele estava certo. Camila sorriu. O primeiro sorriso genuíno que Rafael havia visto em seu rosto desde que chegara. Sabe o que isso significa? O quê? Que somos oficialmente o casal mais dramático de Salvador, Rafael Rio.
Aquele som Camila havia sentido tanta falta. Pelo menos somos interessantes. Interessantes é uma forma de dizer. Eles caminharam de volta para a cidade de mãos dadas. dois sobreviventes de uma tempestade emocional que quase os destruiu, mas que no final os ensinou que algumas coisas são fortes o suficiente para sobreviver a qualquer teste.
Seis meses depois, Rafael estabeleceu sua própria firma de arquitetura especializada em patrimônio histórico baiano. Camila publicou seu livro de sucesso sobre uma escritora que se apaixona por um arquiteto que sai literalmente das páginas de seu diário. E toda quinta-feira às 15 eles se encontravam no café colonial para tomar café pingado e relembrar dona Carmen da importância de acreditar em destino.
Porque algumas histórias descobriram eles valem cada lágrima, cada medo, cada momento de dúvida que precisamos enfrentar para chegar ao final feliz. E algumas pessoas simplesmente nasceram para transformar a vida uma da outra. M.
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O grito cortou a madrugada como uma lâmina. Não veio de um adulto, veio de um bebê. Naquele pedaço silencioso…
💥“MILIONÁRIO DESCOBRE QUE BABÁ SALVOU SUA FILHA COM O PRÓPRIO SANGUE — E SE COMOVE!”
6 da manhã, o céu de São Paulo ainda sem cor, só um cinza frio que encosta na pele. O…
💥“Milionário espionou a babá pelas câmeras… e o que viu mudou sua vida para sempre!”
A tela do celular iluminava o rosto de Henrique com um brilho frio, quase fantasmagórico. O relógio digital do escritório…
“Milionário Se Disfarça de Mendigo Para Testar Empregada – A Reação Dela Mudou Tudo!”
Não queria mais traições em sua vida. Não suportava mais olhares interesseiros, sorrisos calculados, abraços que cheiravam a conveniência. Essas…
💥“MILIONÁRIO FLAGROU O QUE A EMPREGADA FAZIA COM SUAS DUAS FILHAS… E FICOU EM CHOQUE!”
A primeira coisa que Ana Luía ouviu foi o estalo seco da música morrendo. Depois o silêncio. Aquele silêncio pesado,…
💥Milionário se escondeu para ver como a namorada tratava seus gêmeos — até a empregada intervir
A chuva caía fina sobre Alfa Vil, desenhando linhas irregulares no para-brisa do carro parado, o motor desligado, as mãos…
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