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O cheiro de hospital ainda impregnava as roupas de Larissa quando ela assinou o documento. Suas mãos tremiam não pelo frio do ar condicionado do escritório de advocacia, mas pelo peso daquilo que estava prestes a fazer, 23 anos. Era jovem demais para carregar o mundo nas costas, mas a vida não havia lhe dado escolha. Seu pai havia partido há apenas 45 dias.
“Um infarto fulminante”, disseram os médicos. “Rápido demais para qualquer despedida. lento demais para que Larissa esquecesse o som do telefone tocando às 3 da manhã. E junto com ele foi-se também qualquer ilusão de estabilidade.
As dívidas apareceram como corvos famintos, empréstimos que seu pai havia escondido, parcelas atrasadas, uma hipoteca impagável sobre a casa onde ela e Lucas haviam crescido. Lucas, seu irmão mais novo, com apenas 21 anos, estava no terceiro ano de medicina em Campinas. o sonho de uma vida inteira, o sonho do pai deles. E agora, sem dinheiro, aquele sonho se despedaçaria como vidro contra o concreto da realidade. Foi quando Rafael Monteiro apareceu.
Larissa nunca havia visto alguém com olhos tão frios. Ele era alto, de ombros largos, com cabelos escuros cortados com precisão militar. O terno que vestia provavelmente custava mais do que tudo que ela possuía. Aos 36 anos, Rafael era o CEO de uma das maiores empresas de tecnologia de São Paulo. Rico, poderoso e completamente inalcançável.
Você entende os termos? A voz dele cortou o silêncio do escritório como uma lâmina. Larissa engoliu em seco e assentiu. Eu assumo todas as dívidas da sua família. Pago a faculdade do seu irmão até ele se formar. Em troca, você será minha esposa pelos próximos dois anos, pública e socialmente. Nada mais.
Nada mais. As palavras ecoaram na mente dela. Um casamento de fachada, uma farça elaborada para satisfazer as exigências de Antônio Ferreira, o sócio e mentor de Rafael, que acreditava que um CEO casado transmitia mais estabilidade e confiança aos investidores. E depois dos dois anos, ela perguntou a voz quase um sussurro: “Divórcio amigável.
Você fica com uma quantia generosa e segue sua vida. Eu sigo a minha. Larissa olhou para a caneta em suas mãos. Pensou em Lucas, nos olhos brilhantes dele quando falava sobre salvar vidas. Pensou na mãe que havia partido quando eles eram crianças, deixando-os apenas com o pai. Pensou em todas as noites em que seu pai trabalhou dobrado para dar a eles uma chance e então assinou.
Rafael não sorriu, não agradeceu, apenas guardou os papéis, levantou-se e disse: “O casamento será em três semanas. Minha assistente entrará em contato com os detalhes. E saiu, deixando Larissa sozinha, com o peso de sua decisão. O casamento aconteceu em uma cerimônia pequena e sem alma.
Larissa usou um vestido branco simples, sem vé, sem flores no cabelo. Rafael vestia um terno cinza escuro e manteve a mesma expressão impassível durante toda a troca de votos. Não houve beijo, apenas um breve toque de lábios frio e mecânico para as câmeras. Na primeira noite, como marido e mulher, Rafael a conduziu até a cobertura no Itaim Bibi.
O apartamento era imenso. Paredes de vidro com vista para a cidade, móveis de design italiano, uma cozinha que parecia nunca ter sido usada. Tudo impecável, tudo estéril. Seu quarto é o segundo à direita, ele disse, apontando para o corredor. O meu é no final. Dona Célia, a governanta, cuida de tudo. Se precisar de algo, fale com ela.
E com isso, ele desapareceu em seu escritório, fechando a porta atrás de si. Larissa ficou parada no meio da sala, abraçando a si mesma. O silêncio era ensurdecedor. Pela janela, as luzes de São Paulo piscavam como estrelas distantes, indiferentes a sua solidão. Naquela noite deitada em uma cama que não era sua, em um quarto que não era seu lar, Larissa chorou pela primeira vez desde o funeral do pai e se perguntou quanto tempo uma pessoa consegue sobreviver sendo invisível.
Os dias se transformaram em semanas, as semanas em meses, e Larissa descobriu que a resposta para sua pergunta era mais dolorosa do que imaginava. Rafael Monteiro era um fantasma em sua própria casa. saía antes do amanhecer e voltava depois da meia-noite.
Quando seus caminhos se cruzavam pelos corredores, ele passava por ela como se atravessasse uma parede transparente, sem olhares, sem palavras, sem qualquer reconhecimento de sua existência. No início, Larissa tentou, deixava bilhetes na cozinha, desejando um bom dia. Perguntava sobre o trabalho dele quando o via, sorria esperançosamente cada vez que ele entrava em um cômodo. Mas Rafael respondia com monossílabos quando respondia.
E aos poucos os bilhetes pararam, as perguntas cessaram, os sorrisos morreram. A única luz naquela escuridão era dona Célia. A governanta tinha 58 anos, cabelos grisalhos presos em um coque frouxo e olhos castanhos que carregavam a sabedoria de quem já havia visto muito da vida.
Ela trabalhava para Rafael há mais de uma década e conhecia cada canto daquela cobertura e cada ferida daquele homem fechado. Ele não foi sempre assim, menina, Célia disse uma tarde, enquanto as duas tomavam café na cozinha. Quando eu conheci o Rafael, ele era diferente, mais leve. Mas a vida, Savida faz coisas com a gente. O que aconteceu com ele? Larissa perguntou. Célia suspirou, os olhos se perdendo em algum ponto distante.
Isso não é história minha para contar, mas posso dizer uma coisa. Por trás daquela frieza toda existe um coração. Só que ele enterrou tão fundo que talvez nem ele mesmo saiba mais onde está. Larissa queria acreditar, mas a cada dia que passava ficava mais difícil. Sua única alegria eram as ligações com Lucas.
Toda quarta-feira às 8 da noite, sem falta, o telefone tocava e a voz animada do irmão enchia o silêncio da cobertura. Lari, adivinha o que aconteceu hoje? Ele começava sempre com alguma história sobre a faculdade, os amigos, os professores.
E Larissa ouvia tudo, rindo nos momentos certos, fazendo perguntas, fingindo que sua vida também era cheia de cores. Nunca contou sobre a solidão, nunca mencionou as noites chorando no chuveiro para que ninguém ouvisse, nunca disse que seu marido a tratava como um móvel decorativo. “Você parece feliz, Lari”, Lucas disse uma noite. Fico aliviado. Tinha medo de que esse casamento fosse, sei lá, estranho.
Larissa fechou os olhos e forçou um sorriso que ele não podia ver. Está tudo bem, Lu, de verdade. A mentira pesava como chumbo em seu peito. Foi em uma noite de quinta-feira que Larissa decidiu tentar uma última vez. Ela passou o dia inteiro na cozinha com dona Célia, preparando um escondidinho de carne seca. Célia havia mencionado semanas antes que era o prato favorito de Rafael na infância.
Algo que a mãe dele costumava fazer antes de bem, antes de tudo mudar. Tem certeza disso, menina? Célia perguntou preocupação em sua voz. Preciso tentar, Larissa respondeu só mais uma vez. Ela arrumou a mesa com cuidado. Velas, guardanapos de tecido, uma garrafa de vinho tinto que encontrou na adega, vestiu um vestido azul marinho que realçava seus olhos e prendeu os cabelos em um coque elegante e esperou. As horas passaram.
da noite, 10 11. As velas derretiam lentamente, a cera escorrendo como lágrimas. Rafael chegou às 11:45. Quando entrou na sala de jantar, parou por um momento, os olhos percorrendo a cena. Larissa se levantou, o coração disparado. “Eu preparei um jantar”, ela disse a voz tremendo levemente, escondidinho de carne seca. Dona Célia disse que era seu favorito. O silêncio que se seguiu foi sufocante.
Rafael olhou para a mesa, para a comida, para ela e então, com uma expressão de completo desinteresse, disse: “Isso é desnecessário. Eu já comi”. Deu meia volta e subiu as escadas em direção ao escritório. Larissa ficou paralisada. O som dos passos dele ecoando no mármore era como cada batida de um martelo contra seu coração.
Quando a porta do escritório se fechou lá em cima, ela finalmente se moveu. Sentou-se à mesa vazia, olhando para a comida que havia preparado com tanto carinho. Uma lágrima escorreu por seu rosto, depois outra. E outra. Dona Célia apareceu na porta, os olhos cheios de compaixão, não disse nada, apenas se aproximou e envolveu Larissa em um abraço silencioso.
Naquela noite, algo dentro de Larissa se quebrou e ela tomou uma decisão. Se Rafael não a queria como esposa, ela não seria mais sua prisioneira emocional. Era hora de parar de implorar migalhas de atenção de um homem que havia como parte da mobília. O pedido veio três dias depois do jantar desastroso.
Eu preciso viajar, Larissa disse, parada na porta do escritório de Rafael. Uma amiga minha, Clara, mora em Florianópolis. Quero passar uma semana com ela. Rafael nem levantou os olhos do computador. Tudo bem, não houve perguntas, não houve preocupação, apenas um alívio quase palpável em sua voz, como se a ausência dela fosse um presente inesperado. Larissa engoliu a dor e foi fazer as malas.
Clara era uma amiga dos tempos de escola, uma das poucas que ainda mantinha contato. Ela trabalhava como fotógrafa em Floripa e vivia em um apartamento pequeno, mas cheio de luz, perto da Lagoa da Conceição. “Meu Deus! Lari!” Clara exclamou quando a viu no aeroporto, correndo para abraçá-la. “Você está tão pálida. O que esse homem está fazendo com você?” Larissa tentou sorrir. “Nada, esse é o problema.
Os primeiros dias foram como renascer.” Clara a arrastou para praias de água cristalina, trilhas com vistas de tirar o fôlego, bares com música ao vivo, onde dançaram até os pés doerem. Pela primeira vez em seis meses, Larissa riu de verdade. Sentiu o sol aquecendo sua pele esquecida.
Bebeu caipirinha, olhando o pô do sol na lagoa da Conceição, e deixou as lágrimas correrem. Não de tristeza, mas de libertação. Você é tão bonita quando sorri assim. Clara disse uma noite, enquanto as duas caminhavam pela areia. Por que você se enterrou naquele casamento? Por Lucas? Larissa respondeu simplesmente: “Eu faria qualquer coisa pelo meu irmão”.
O que ela não contou a Clara, o que não contou a ninguém, foi que Lucas havia decidido fazer uma surpresa. Ele apareceu no terceiro dia sem avisar, batendo na porta do apartamento de Clara com um sorriso que iluminava o mundo. “Lu”, Larissa gritou, pulando nos braços dele. “O que você está fazendo aqui?” Eu precisava te ver”, ele disse, abraçando-a com força. “Faz meses que a gente só se fala por telefone e sei lá, tinha alguma coisa na sua voz nas últimas ligações. Precisava ter certeza de que você está bem”.
Larissa sentiu os olhos arderem. “Seu irmão a conhecia melhor do que ninguém. “Eu estou bem agora”, ela sussurrou. Agora que você está aqui, Lucas ficaria apenas três dias antes de voltar para Campinas e as provas que se aproximavam, mas aqueles três dias seriam suficientes para virar a vida de Larissa completamente de cabeça para baixo.
No segundo dia da visita de Lucas, os dois decidiram ir à praia de Jurerê Internacional. Era um dia perfeito. Céu azul sem nuvens, brisa suave, mar calmo. Clarissa vestiu um biquíni azul turquesa que Clara havia emprestado. Soltou os cabelos e deixou que o vento os levasse.
Lucas a provocava sem parar, como faziam desde crianças. Aposto que você não me pega, ele gritou, saindo correndo pela areia. Larissa riu e correu atrás dele, os pés afundando na areia molhada. Volta aqui, Lucas. O que nenhum dos dois sabia era que, naquele exato momento, a poucos metros dali, um par de olhos escuros os observava. E o que Rafael Monteiro viu fez seu sangue gelar e depois ferver.
Rafael não deveria estar ali. Uma reunião com investidores internacionais havia sido marcada em Florianópolis, algo sobre expandir operações para o sul. Mas o encontro foi cancelado de última hora, deixando-o preso na cidade sem nada para fazer.
Foi quando descobriu, através do rastreamento do cartão corporativo que Larissa usava, que ela estava hospedada em Jurerê Internacional, no mesmo hotel onde ele estava. Ele não sabia explicar o que o moveu até a praia. Curiosidade, talvez, ou algo mais primitivo que ele se recusava a nomear. E então ele a viu. Não era a mesma Larissa que perambulava pela cobertura como um fantasma.
Não era a garota pálida, de olhos tristes, que ele evitava cruzar pelos corredores. A mulher na praia era outra pessoa. Sua pele havia ganhado cor dourada pelo sol. Os cabelos castanhos voavam livres com a brisa, brilhando sob a luz do fim de tarde.
O biquíni azul revelava curvas que ele jamais havia permitido seus olhos notarem. E ela estava rindo, rindo de um jeito que ele nunca tinha ouvido. Solto, genuíno, cheio de vida. Algo se moveu no peito de Rafael, algo que ele havia enterrado há muito tempo. Mas então ele viu o homem alto, atlético, bronzeado, vestindo apenas uma sunga, os músculos definidos brilhando de suor e água do mar. Ele corria atrás de Larissa, os dois gritando e rindo como se fossem os únicos no mundo.
E quando o homem finalmente a alcançou, agarrando-a pela cintura e derrubando os dois na areia molhada, com ela gargalhando nos braços dele, Rafael viu vermelho. Ele não pensou, não raciocinou, não se lembrou de que havia um irmão cujos estudos pagava, um irmão que ele nunca se dera ao trabalho de conhecer pessoalmente.
Nas poucas fotos que vira, Lucas era mais jovem, mais magro, quase um adolescente. O homem na praia era um adulto, um desconhecido, um invasor. Antes que percebesse o que estava fazendo, Rafael já marchava pela areia. Seu terno escuro era completamente absurdo naquele cenário de praia, mas ele não se importava. Cada passo era carregado de uma fúria que ele não conseguia controlar.
Larissa ainda estava rindo quando uma sombra bloqueou o sol. Ela olhou para cima e seu sorriso morreu instantaneamente. Rafael, ele não respondeu, apenas agarrou o braço dela e a puxou para cima com força. O que você pensa que está fazendo? Ele sebilou entre dentes cerrados. Lucas se levantou imediatamente, o rosto passando de confusão para raiva. Ei, quem é você? Solta ela. Eu sou o marido dela.
Rafael rosnou, virando-se para encarar o rapaz. E você, quem diabos é você? As pessoas ao redor começaram a parar e olhar. Sussurros se espalharam como ondas. Larissa tentou se soltar. Rafael, espera. Esperar. Ele a cortou. A voz subindo. Você me trai na minha cara com o dinheiro que eu pago.
É assim que você retribui tudo que eu fiz pela sua família? O rosto de Larissa ficou branco, depois vermelho de humilhação e raiva. Lucas deu um passo à frente, os punhos cerrados. Escuta aqui, seu maluco. Não, Lucas. Larissa gritou e algo na forma como ela disse o nome fez Rafael congelar. Lucas. O nome ecoou em sua mente como um sino. Larissa se soltou com um puxão violento e encarou o marido com olhos que faiscavam de fúria.
Ess é o Lucas! Ela gritou, a voz quebrando. É meu irmão. O irmão cujos estudos você paga e que você nunca se deu ao trabalho de conhecer. O mundo parou. Rafael sentiu o sangue drenar de seu rosto, olhou para o rapaz à sua frente, realmente olhou e viu os mesmos olhos castanhos de Larissa, o mesmo formato do rosto, o mesmo jeito de franzir a testa quando irritado.
Lucas cruzou os braços, a mandíbula tensa. “Praazer, cunhado”, ele disse. A voz carregada de sarcasmo e raiva contida. A gente estava brincando de pega a pega. Sabe o que é isso? Uma brincadeira de irmãos. Talvez você não conheça, já que aparentemente não sabe nada sobre a família da mulher com quem você casou. Rafael abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.
Ao redor deles, dezenas de pessoas observavam a cena. Alguns tiravam fotos, outros filmavam. A humilhação era total, completa, esmagadora. Larissa deu um passo para trás, colocando-se ao lado do irmão. Vai embora, Rafael, ela disse, a voz fria como gelo. Me deixa em paz. Ela pegou a mão de Lucas e os dois se afastaram pela areia, deixando Rafael parado ali sozinho, com o peso esmagador do próprio erro.
O homem que controlava impérios corporativos, que tomava decisões de milhões em segundos, ficou paralisado em uma praia de Florianópolis, sem saber o que fazer a seguir. E enquanto observava Larissa se afastar, algo que ele não conseguia nomear, rasgou seu peito. O voo de volta para São Paulo foi o mais longo da vida de Rafael. Larissa sentou-se na janela, os olhos fixos nas nuvens, recusando-se a olhar para ele.
O silêncio entre eles não era mais o silêncio costumeiro da indiferença. Era um silêncio vivo, pulsante, carregado de palavras não ditas e acusações mudas. Rafael tentou falar várias vezes, abriu a boca, mas as palavras morriam antes de nascer.
O que ele poderia dizer? Desculpe por ter acusado você de trair o nosso casamento com seu próprio irmão na frente de dezenas de pessoas. As palavras pareciam patéticas até em sua própria mente. A verdade era que ele não conhecia Larissa. Não sabia nada sobre ela além do que estava no contrato. Não sabia que ela tinha um irmão que a visitaria.
Não sabia como era a risada dela até vê-la naquela praia. Não sabia que ela podia parecer tão viva. E agora, olhando para seu perfil recortado contra a janela do avião, ele se perguntou quantas outras coisas não sabia sobre a mulher que dormia a poucos metros dele todas as noites.
Quando chegaram à cobertura, Larissa foi direto para seu quarto, sem uma palavra. A porta se fechou com um clique suave que suou mais alto que qualquer batida. Rafael ficou parado corredor, a mala ainda na mão, sentindo-se mais perdido do que jamais se sentira. Dona Célia apareceu na escada, os olhos perspicazes avaliando a situação. “O que aconteceu em Floripa?”, ela perguntou sem rodeios. Rafael passou a mão pelo rosto. Eu estraguei tudo.
Nos dias que se seguiram, a dinâmica da cobertura se inverteu completamente. Antes era Rafael quem ignorava Larissa. Agora ela passava por ele como se ele fosse feito de ar. Quando ele entrava em um cômodo, ela saía. Quando ele tentava falar, ela simplesmente virava as costas e se afastava.
A indiferença que ele havia praticado por se meses voltou para ele multiplicada por 1000 e doía. Deus, como doía. Rafael começou a perceber coisas que nunca notara antes. O perfume suave que ela deixava pelos corredores, o som de seus passos no mármore, a forma como a luz do fim de tarde iluminava os cabelos dela quando passava perto da janela.
Ela estava em todos os lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo. Lucas ligava todos os dias. Agora Rafael podia ouvir a voz irritada dele através da porta do quarto de Larissa. Esse cara é um idiota, Lari. Sai desse casamento. Eu dou um jeito na faculdade. Arranjo bolsa, trabalho. Não, Lu. Larissa respondia, a voz cansada.
Você está tão perto de se formar. Eu não vou deixar você jogar tudo fora por minha causa. Mas e você? Você está infeliz. Eu vi a sua cara na praia, Lari. Antes daquele maluco aparecer, você estava, você estava, você de novo, radiante. E depois eu vou ficar bem. Só faltam 18 meses pro contrato acabar. Eu aguento. Cada palavra era uma faca no peito de Rafael.
Ele havia transformado sua esposa em uma prisioneira. E o pior, ela estava disposta a permanecer na prisão para proteger o irmão. O irmão que Rafael havia confundido com um amante. A vergonha o consumia. Toda vez que fechava os olhos, via a cena na praia se repetindo. Via os olhares das pessoas. Ouvia as risadas e os sussurros.
Sentia o calor subindo pelo pescoço enquanto a verdade o atingia como um soco. Ele havia feito uma cena patética, havia se comportado como um marido ciumento em um casamento que supostamente não significava nada para ele, mas significava, essa era a verdade, que Rafael não conseguia mais negar. Em algum momento, durante aqueles seis meses de silêncio, Larissa havia se tornado mais do que uma assinatura em um contrato. E ele só percebeu isso quando a viu nos braços de outro homem, um homem que acabou sendo seu irmão.
A ironia era cruel demais. Três semanas haviam-se passado desde Florianópolis, quando a campainha tocou. Larissa estava no terraço, olhando para a cidade, sem realmente ver quando dona Célia apareceu. Tem uma mulher aqui para você, menina. diz que se chama Beatriz Campos.
O nome não significava nada para Larissa, mas quando ela desceu e viu a visitante, algo em seu instinto disse que aquela mulher mudaria sua vida. Beatriz Campos tinha 48 anos, cabelos negros cortados em um bob elegante e a postura de alguém que estava acostumada a comandar salas inteiras apenas com sua presença.
Ela usava um vestido de linho branco impecável e brincos de ouro que brilhavam contra sua pele morena. Larissa! Ela disse, estendendo a mão com um sorriso confiante. Finalmente nos conhecemos. Desculpe, eu conheço você?” Beatriz riu suavemente. “Não ainda, mas eu conheço você. Ou melhor, eu vi você”. Ela se sentou no sofá e cruzou as pernas elegantemente.
Eu estava em Jurerê Internacional há três semanas na praia, quando toda aquela confusão aconteceu, Larissa sentiu o rosto queimar de vergonha. Ah, aquilo? Sim, aquilo Beatriz confirmou. Mas não é por isso que estou aqui. Antes de toda aquela cena lamentável, eu já havia notado você.
Estava sentada sob um guarda-sol, observando as pessoas como faço quando procuro novos rostos para minhas campanhas. Campanhas? Eu sou dona da maré alta, Beatriz, explicou. Uma marca de moda praia. Talvez você conheça. Larissa arregalou os olhos. Conhecia sim. A maréalta era uma das marcas mais desejadas do Brasil, conhecida por suas campanhas ousadas e pelo empoderamento feminino que promovia. Quando vi você naquela praia, Beatriz continuou.
Antes de toda a confusão, pensei: “essa mulher tem algo especial, uma luz, uma autenticidade que não se ensina. E depois, quando vi como você enfrentou aquela situação humilhante com dignidade, tive certeza”. Ela se inclinou para a frente, os olhos brilhando. Quero que você seja a nova embaixadora da Maréal Alta. Larissa piscou, sem conseguir processar as palavras.
Como embaixadora, sessões de fotos, campanhas publicitárias, viagens, presença em eventos e, mais importante, um contrato que te daria independência financeira. Independência financeira. As palavras ecoaram na mente de Larissa como uma promessa de liberdade. “Eu eu não sei o que dizer”, ela gaguejou. “Não precisa dizer nada agora.” Beatriz respondeu, levantando-se. “Pense nisso.
Aqui está meu cartão. Me liga quando decidir.” Ela caminhou até a porta e parou, olhando por cima do ombro. “Uma última coisa, Larissa. Eu também vi seu marido naquela praia. Vi como ele olhou para você antes de toda a confusão começar. Aquele homem não é indiferente a você. Ele só ainda não sabe disso.
E com isso ela partiu, deixando Larissa com o coração acelerado e uma decisão que mudaria tudo. Larissa não precisou de muito tempo para decidir. Ligou para Beatriz no dia seguinte e disse duas palavras: “Eu aceito. O contrato foi assinado em uma semana. A primeira sessão de fotos seria em Trancoso em 15 dias.
Rafael descobriu através de dona Célia. Ela vai trabalhar para quem?”, Ele perguntou a voz perigosamente controlada. “Para a Beatriz Campos.” Célia respondeu calmamente. Da marca Maré Alta. Moda praia. Sim, senhor. Rafael sentiu algo apertar em seu peito. Sem pensar, ele foi até o quarto de Larissa e bateu na porta. O que você quer? A voz dela suou fria através da madeira. Precisamos conversar.
A porta se abriu. Larissa estava com os braços cruzados, o rosto impassível. Char, fala. Você não pode aceitar esse trabalho. Uma sobrancelha dela se arqueou. Não posso? Absolutamente não. Rafael disse, a voz subindo. Você acha que eu vou permitir que você se exponha de biquíni para o mundo todo ver? Os olhos de Larissa faiscaram. Engraçado você mencionar isso.
Ela disse a voz cortante como navalha. Porque foi em Floripa que você me confundiu com uma traidora por eu estar brincando com meu irmão, aquele irmão que você nunca conheceu e que você olhou com cara de assassino. Rafael abriu a boca, mas ela não havia terminado. Eu tenho meu próprio contrato agora, Rafael.
Um que não exige que eu peça sua permissão para abraçar minha própria família. um que não me faz sentir como um móvel na casa de um estranho. Ela se aproximou, os olhos fixos nos dele. Você me ignorou por seis meses. Seis meses em que eu tentei ser uma esposa de verdade e você me tratou como se eu fosse invisível.
Agora eu encontrei algo meu, algo que me faz sentir viva. E você não vai me tirar isso. Rafael não tinha resposta porque ela estava certa, sobretudo. Larissa, boa noite, Rafael. A porta se fechou em sua cara e ele ficou ali parado no corredor percebendo que havia criado um monstro muito maior do que imaginava.
Não o monstro da raiva de Larissa, o monstro dos próprios sentimentos que ele não conseguia mais controlar. A vida de Larissa se transformou em algo que ela nunca ousara sonhar. A primeira sessão de fotos em Trancoso foi como entrar em outro universo. A praia de areia branca, o mar de um azul impossível, uma equipe inteira dedicada a fazê-la brilhar e ela brilhou. As fotos eram deslumbrantes.
Larissa descobriu uma versão de si mesma que não conhecia existir. Beatriz estava encantada. Eu sabia. Ela exclamou ao ver as imagens. Você é um diamante, Larissa. E estava enterrada naquela cobertura escura. As oportunidades se multiplicaram. Sessões no Rio, reuniões com designers, convites para eventos. Larissa estava ocupada, realizada, viva.
E Rafael enlouquecia. O homem que passara seis meses ignorando a esposa, agora estava obsecado por sua ausência. Cada vez que ela saía para uma viagem de trabalho, ele ficava andando pela cobertura como um animal enjaulado. Cada vez que ela voltava com um sorriso no rosto, um sorriso que não era para ele, algo se rasgava em seu peito.
Ele começou a prestar atenção em coisas que nunca notara. O jeito como ela prendia o cabelo antes de sair, o perfume que ela usava, algo floral com um toque de baunilha, as pequenas rugas que se formavam ao redor dos olhos dela quando sorria de verdade, o som da risada dela, aquela risada que ele ouvira pela primeira vez em Floripa, a risada que agora pertencia a outras pessoas, a equipe de Beatriz, aos fotógrafos, a qualquer um que não fosse ele. Rafael tentou reconquistá-la. Primeiro vieram as flores. Um buquê de rosas vermelhas
foi entregue no quarto dela com um cartão que dizia apenas: “Desculpe”. Larissa devolveu as flores à florista que as entregou. Depois vieram as joias, um colar de diamantes em uma caixa de veludo azul. Larissa deixou a caixa fechada na mesa do escritório dele.
Por fim vieram os jantares, reservas em restaurantes exclusivos, convites deixados sob sua porta. Larissa ignorou todos. Por que ela não me perdoa? Rafael desabafou com dona Célia uma noite, o copo de whisky esquecido em sua mão. Célia o olhou com aquela sabedoria silenciosa que sempre o desconcertava. Você a ignorou por seis meses, menino. Seis meses de solidão e humilhação. E agora espera que ela aceite flores e joias como se isso apagasse tudo.
Então o que eu faço? Você quer mesmo saber? Rafael a sentiu desesperado. Comece conhecendo ela de verdade, não como uma assinatura em um contrato, como uma pessoa. Descubra quem é Larissa, porque se você não sabe nem o rosto do irmão dela, não sabe nada. As palavras atingiram Rafael como um balde de água fria. Ela estava certa.
Ele não conhecia Larissa. Não sabia suas comidas favoritas, seus medos, seus sonhos. não sabia nada além do óbvio, que ela havia se sacrificado pela família e que ele havia desperdiçado seis meses tratando-a como parte da mobília. Naquela noite, Rafael tomou uma decisão. Se Larissa não falaria com ele, ele aprenderia sobre ela de outras formas.
Começaria do zero, como se estivesse conhecendo uma estranha, porque de certa forma era exatamente isso que ela era. Um mês se passou. Rafael havia se dedicado a descobrir tudo sobre Larissa. Conversou com dona Célia sobre a infância dela, pesquisou sobre a família, sobre a faculdade que ela havia abandonado para cuidar do pai doente, sobre os sonhos que ela havia enterrado e quanto mais descobria, mais se odiava por tê-la ignorado.
Larissa era muito mais do que uma garota bonita que assinara um contrato de conveniência. Ela era força, sacrifício, amor incondicional pelo irmão, coragem para enfrentar um casamento sem amor, para garantir o futuro de outra pessoa. Ela era extraordinária e ele havia sido cego demais para ver. A oportunidade de confrontá-la surgiu no Rio de Janeiro.
Rafael soube, através de contatos, que Larissa teria uma grande sessão de fotos na praia de Ipanema, uma campanha nacional da maré alta. Era sua chance de tentar novamente. Quando chegou ao local, o coração disparado, ele a viu imediatamente. Larissa estava de pé na areia, conversando animadamente com alguém enquanto a equipe montava os equipamentos ao redor.
Ela usava um vestido leve por cima do biquíni, os cabelos soltos voando com a brisa e ao lado dela, rindo de alguma piada, estava Lucas. Rafael congelou. A última vez que vira os dois juntos, havia feito a pior cena de sua vida. Havia humilhado a esposa, insultado o cunhado, comportado-se como um idiota ciumento.
Seus pés pesavam como chumbo enquanto se aproximava. Lucas o viu primeiro. O sorriso desapareceu de seu rosto, substituído por uma expressão cautelosa. “Olha só quem apareceu”, ele murmurou. Larissa se virou. Seus olhos encontraram os de Rafael. E por um momento ele viu algo ali, surpresa, talvez algo mais. Mas então a máscara fria desceu novamente. “O que você está fazendo aqui?”, ela perguntou.
“Eu?” Rafael engoliu em seco. “Eu precisava te ver. Estou trabalhando. Eu sei. Eu só Ele olhou para Lucas. Eu posso falar com você, com os dois?” Lucas cruzou os braços. Espero que não esteja aqui para fazer outra cena. Não, Rafael disse rapidamente. Eu estou aqui para me desculpar. O silêncio que se seguiu foi carregado de tensão.
Desculpar? Lucas repetiu incrédulo. Pelo que aconteceu em Floripa? Rafael continuou, as palavras saindo em uma torrente. O que eu fiz foi imperdoável. Eu acusei você, Larissa, de algo terrível. Eu Ele passou a mão pelo cabelo frustrado. Eu nunca tinha visto o Lucas pessoalmente. Eu não sabia como ele era. Nas fotos antigas ele era mais novo, mais magro.
Então você assumiu que qualquer homem perto da sua esposa era automaticamente um amante. Lucas cortou. Rafael fechou os olhos. Sim, e eu estava errado, completamente errado. Ele se virou para o cunhado, forçando-se a sustentar o olhar furioso. Lucas, eu te devo um pedido de desculpas. Não só pelo que aconteceu na praia, mas por nunca ter me dado ao trabalho de te conhecer.
Você é importante para Larissa. Isso significa que você deveria ter sido importante para mim. E eu falhei. Lucas o estudou por um longo momento. Sabe qual é o problema, cunhado? Ele disse finalmente, você viu a Larissa feliz pela primeira vez em meses, feliz de verdade, rindo, vivendo, e sua reação foi raiva, ciúme, possessividade.
Sobre uma mulher que você tratou como fantasma por meio ano, cada palavra era um soco no estômago. Eu sei. Rafael admitiu a voz baixa. Você não merece ela. Eu sei disso também. Lucas o encarou por mais alguns segundos. Então, para a surpresa de todos, sua expressão suavizou ligeiramente. Pelo menos você admite. Larissa permaneceu em silêncio durante toda a troca. Seus olhos iam de um para o outro, a expressão ilegível.
“Eu preciso voltar ao trabalho”, ela disse. “Finalmente, Larissa”. Rafael começou. “Não aqui, não, agora.” Ela se afastou em direção à equipe, deixando Rafael e Lucas sozinhos. O cunhado suspirou. Olha, eu ainda acho que você é um idiota, mas pelo menos você veio aqui. Isso é mais do que eu esperava. Rafael assentiu sem conseguir falar.
Só uma coisa, Lucas acrescentou a voz séria: “Se você machucar ela de novo, não vai ser uma cena na praia que você vai ter que enfrentar. Vai ser eu.” Entendeu? É entendido. Lucas o estudou por mais um momento. Então deu de ombros e foi se juntar à irmã. Rafael ficou parado na areia, observando Larissa se preparar para as fotos.
Viu o sorriso profissional surgir em seu rosto, a pose confiante, a mulher que ela havia se tornado, apesar dele, ou talvez por causa dele, e soube, com uma certeza que o assustava, que faria qualquer coisa para merecê-la. A oportunidade veio três semanas depois, uma conferência internacional de negócios em Paris. Rafael precisava comparecer e o contrato ainda estipulava que Larissa deveria acompanhá-lo em eventos importantes. Ela não ficou feliz.
“Eu tenho compromissos com a Maré Alta”, ela protestou quando ele informou sobre a viagem. “Eu já falei com Beatriz.” Rafael respondeu calmamente. Ela disse que pode remarcar. Os olhos de Larissa faiscaram. “Você ligou paraa minha chefe? Tecnicamente você não tem chefe. Você é embaixadora, não funcionária. E Beatriz é suacia, não sua superior.
Larissa apertou os lábios sem conseguir rebater. Por que você quer tanto que eu vá? Ela perguntou desconfiada. Parece estar cheia de mulheres que adorariam fingir ser sua esposa por uma semana. Rafael a encarou por um longo momento. Porque eu não quero nenhuma delas. Eu quero você. O silêncio que se seguiu foi carregado de significados não ditos. Tudo bem, Larissa disse finalmente.
Mas só porque o contrato exige claro, Rafael concordou, só por causa do contrato. Mas ambos sabiam que havia algo mais. Paris na primavera era um clichê que se tornava verdade a cada esquina. As flores desabrochando ao longo do cena, os cafés charmosos com mesas na calçada, a torre Eifiel brilhando contra o céu do entardecer. Tudo era romântico, intoxicante, impossível de ignorar.
O hotel era luxuoso. Uma suí no le stou com vista para os jardins. Havia apenas um quarto. Eu durmo no sofá. Rafael disse antes que ela pudesse protestar. Não precisa, precisa sim. Eu não quero que você se sinta desconfortável. Algo na expressão de Larissa mudou. Surpresa, talvez, ou confusão. Você está diferente, ela observou. Eu estou tentando ser, ele admitiu.
Os primeiros dias foram tensos, mas civis. Rafael a levou para conhecer a cidade, sempre mantendo uma distância respeitosa. Visitaram o Luvre, caminharam pelos jardins de Luxemburgo, tomaram café em bistrroso escondidos e, aos poucos, quase imperceptivelmente, o gelo começou a derreter. Larissa se pegou rindo de uma piada dele durante o jantar. notou que ele sempre pedia vinho branco para ela sem precisar perguntar.
Ela nunca havia mencionado sua preferência, mas ele havia descoberto. Percebeu que ele ficava em silêncio quando ela falava, realmente ouvindo, em vez de apenas esperar sua vez de falar. Mas foi na quinta noite que tudo mudou. Antônio Ferreira estava em Paris. O jantar de negócios era inevitável. Antônio era o sócio e mentor de Rafael, o homem cujas exigências haviam dado origem ao casamento de fachada.
E ele fazia questão de demonstrar sua superioridade em cada oportunidade. Então, essa é a famosa Larissa Antônio disse quando os três se sentaram no restaurante exclusivo. Seus olhos a percorreram de um jeito que a fez sentir como mercadoria em exposição. Devo admitir, Rafael, você escolheu bem, bonita, jovem, obediente.
Larissa sentiu o sangue ferver. mas manteve o rosto impassível. “Eu não sou particularmente obediente”, ela disse calmamente. Antônio riu, um som desagradável. “Ah, ela tem fogo, mas imagino que você já tenha domado isso, não é, Rafael?” O maxilar de Rafael se contraiu. “Larissa não é um animal para ser domado.” “Claro, claro.” Antônio descartou com um aceno.
“De qualquer forma, espero que ela esteja cumprindo sua parte do acordo. Afinal, foi para isso que você a comprou?” Não. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Larissa sentiu como se tivesse levado um tapa. Comprou. A palavra ecoava em sua mente, cruel e verdadeira. Antônio a voz de Rafael cortou o ar como aço. Se você falar assim da minha esposa novamente, essa será a última refeição que compartilharemos.
O rosto de Antônio ficou vermelho. Rafael, eu só estava Você estava sendo desrespeitoso e isso acaba agora. Rafael se levantou, estendendo a mão para Larissa. Vamos, perdemos o apetite. Larissa pegou a mão dele ainda em choque e os dois saíram do restaurante, deixando Antônio boque aberto. No carro de volta ao hotel, o silêncio era diferente. Não era o silêncio frio de antes.
Era algo carregado, elétrico. Você não precisava fazer aquilo, Larissa disse. Finalmente. Precisava sim. Rafael respondeu, os olhos fixos na janela. Antônio passou dos limites, mas ele é seu sócio, seu mentor, e você é minha esposa. Larissa sentiu o coração acelerar. Uma esposa de contrato.
Ela lembrou, a voz mais fraca do que pretendia. Rafael se virou para encará-la. Não para mim não mais. Quando chegaram ao hotel, nenhum dos dois queria que a noite terminasse. Quer tomar um drink no bar? Rafael perguntou. Prepeiro o quarto. Larissa respondeu. Podemos abrir aquele vinho que você comprou. Os dois sentaram no sofá da suí, a garrafa entre eles, as luzes da cidade brilhando através das janelas.
E então, finalmente, eles conversaram, não sobre contratos ou obrigações, sobre verdades. Rafael contou sobre sua infância, o pai ausente que só aparecia para criticar. A mãe que partiu quando ele tinha 10 anos, incapaz de suportar a frieza do casamento, o vazio que ele aprendeu a preencher com trabalho, dinheiro, poder.
Eu construí muros ele admitiu, a voz rouca, muros tão altos que nem eu conseguia ver por cima deles. E quando você apareceu, você me colocou do lado de fora. Larissa completou. Eu não sabia fazer diferente. A única forma que eu conhecia de me proteger era não sentir nada, não deixar ninguém entrar. Larissa ficou em silêncio por um momento. E Floripa? Ela perguntou.
O que aconteceu lá? Rafael fechou os olhos, a vergonha queimando. Eu vi você feliz. Pela primeira vez vi você realmente viva. E havia um homem fazendo você rir daquele jeito. Um homem que não era eu. E eu. Você surtou. Eu surtei. Ele confirmou. Foi irracional. Foi patético. Foi, foi a primeira vez que você demonstrou qualquer emoção em relação a mim, Larissa disse suavemente.
Rafael abriu os olhos surpreso. O quê? Seis meses, Rafael. Seis meses em que você me ignorou completamente. E então, em Floripa, você me viu com Lucas e explodiu. Foi horrível, foi humilhante, mas ela hesitou. Foi real. Eu me senti um idiota quando descobri que era seu irmão. Você foi um idiota. Eu sei. Mas ela mordeu o lábio. Você também foi o único a quebrar o silêncio, mesmo que da pior forma possível.
Rafael estendeu a mão hesitante e tocou os dedos dela. Eu sinto muito por tudo. Por te ignorar, por te humilhar, por não ter sido o marido que você merecia. Larissa entrelaçou os dedos nos dele. A cobertura fica silenciosa demais sem você, ele admitiu, a voz quebrando. Você é a única coisa que eu vejo. Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.
Rafael, eu não estou pedindo que você me perdoe. Eu não mereço isso. Mas se você me der uma chance, ela o calou com um beijo. foi suave no início, hesitante, mas então algo se acendeu entre eles, e o beijo se tornou mais profundo, mais urgente, carregado de meses de tensão não resolvida. Quando finalmente se separaram, ambos estavam sem fôlego. Isso não resolve tudo.
Larissa sussurrou. Eu sei. Você ainda tem muito a provar. Eu sei disso também. Mas ela tocou o rosto dele, os olhos brilhando. É um começo. Naquela noite em Paris, pela primeira vez, foram marido e mulher de verdade. As semanas que se seguiram foram como redescobrir o mundo. Rafael era um homem diferente. Cancelava reuniões para almoçar com Larissa.
aparecia em suas sessões de fotos com café e um sorriso. Ligava durante o dia apenas para ouvir a voz dela. Dona Célia observava tudo com um sorriso satisfeito. Eu disse que havia um coração ali. Ela comentou com Larissa uma tarde. Só precisava da pessoa certa para desenterrá-lo. A cobertura que antes era fria e silenciosa, agora estava cheia de risadas, de música, de vida.
Rafael e Larissa cozinhavam juntos, assistiam filmes abraçados no sofá, conversavam até altas horas da noite sobre tudo e nada. E então, seis semanas após Paris, Larissa descobriu. Ela estava no banheiro, as mãos tremendo enquanto segurava o teste de gravidez. Duas linhas rosa, inconfundíveis, grávida. O medo a invadiu primeiro o contrato.
Eles ainda estavam tecnicamente em um casamento de conveniência. E se Rafael pensasse que era uma armadilha, uma forma de prendê-lo, de garantir mais dinheiro, ela passou três dias em silêncio, sem saber como contar. Rafael notou. O que está acontecendo? Ele perguntou uma noite preocupação em seus olhos. Você está distante. Larissa respirou fundo.
Eu preciso te contar uma coisa. O rosto dele ficou sério. O que foi? Ela não conseguia encontrar as palavras. Em vez disso, apenas entregou a ele o teste de gravidez que havia guardado. Rafael olhou para o objeto em suas mãos. Por um momento, seu rosto ficou completamente em branco. E então ele caiu de joelhos.
Literalmente caiu de joelhos no chão da sala, as mãos tremendo enquanto segurava o teste como se fosse feito de ouro. Larissa! A voz dele era um sussurro estrangulado. Isso é sim, ela confirmou, as lágrimas já escorrendo. Eu estou grávida. Para seu completo choque, Rafael começou a chorar.
Não um choro discreto. Lágrimas de verdade escorrendo livremente pelo seu rosto enquanto ele pressionava as mãos contra a barriga ainda plana dela. “Um bebê”, ele murmurou. “Nosso bebê, você não está bravo?” Larissa perguntou a voz tremendo. Rafael ergueu os olhos confuso. Bravo. Por quê? O contrato? As pessoas vão pensar que eu fiz de propósito, que eu quero prender você, Larissa.
Ele se levantou, segurando o rosto dela entre as mãos. Você está me dando a única coisa que eu nunca soube que queria. Uma família. Uma família de verdade. Mas não existe mais contrato? Ele disse firmemente: “Não existe mais casamento de fachada. Existe você, eu e esse bebê. E eu vou passar o resto da minha vida, garantindo que vocês dois saibam o quanto são amados.
” Larissa desabou nos braços dele, soluçando de alívio. A notícia se espalhou rapidamente. Dona Célia chorou de alegria e imediatamente começou a tricotar roupinhas. Beatriz mandou um buquê gigantesco de flores com um cartão que dizia: “Sabia que Paris ia funcionar”, mas a reação mais importante foi a de Lucas. Quando Larissa ligou para contar, houve um silêncio do outro lado da linha.
“Lu”, ela chamou preocupada. E então vou ser tio? O grito foi tão alto que Larissa teve que afastar o telefone do ouvido. Vou ser tio, galera. Vou ser tio. Lucas estava claramente gritando para quem estivesse por perto. Larissa riu, as lágrimas escorrendo novamente. Sim, Lu, você vai ser tio? Eu preciso vir aí. Preciso ver você. Preciso. Lucas.
A voz de Rafael interrompeu. Ele havia se aproximado de Larissa e estava falando no Viva-voz: “Você é bem-vindo quando quiser. Esta casa é sua também.” Houve um silêncio do outro lado. Rafael. Lucas disse desconfiado. Sim. E antes que você pergunte, não, eu não vou fazer nenhuma cena. Aprendi minha lição. Outro silêncio. Então, bom, porque se você fizer, dessa vez eu revido. Justo.
Rafael concordou com um meio sorriso. Trata bem da minha irmã, tá? Ou você vai ter problemas comigo. Pode deixar. Eu aprendi a lição. Lucas desligou, mas não antes de gritar mais uma vez. Vou ser tio. Larissa olhou para Rafael, os olhos brilhando. Acho que ele gostou da notícia. Rafael a puxou para um abraço. Eu também.
A felicidade tinha um preço e Antônio Ferreira estava determinado a cobrá-lo. Desde a noite em Paris, quando Rafael o havia desafiado publicamente, Antônio nutria um rancor profundo. Para ele, Rafael estava se tornando fraco, sentimental, distante dos negócios por causa de uma mulher que, em sua visão, não passava de uma oportunista.
Ele está apaixonado, Antônio disse com desprezo para seu advogado particular, apaixonado pela própria farça. E isso vai destruir a empresa. O que o senhor quer fazer? O advogado perguntou. Destruir a farça e mostrar a todos quem essa mulher realmente é.
Duas semanas depois, a manchete explodiu em todos os portais de fofoca do Brasil. O contrato secreto do CEO. Como Larissa usou o irmão doente para comprar um casamento milionário, a matéria era devastadora, continha detalhes íntimos do contrato original, valores, cláusulas, prazos. Chamava Lucas pelo nome, dizendo que ele era o irmão necessitado, cuja faculdade servira como moeda de troca, e descrevia a gravidez de Larissa como a barriga de ouro, que garanti sua permanência na vida de luxo.
A fonte era anônima, mas Rafael não precisava de provas para saber quem estava por trás. Larissa viu a manchete enquanto tomava café da manhã. A xícara escorregou de suas mãos e se espatifou no chão. Não. Que ela sussurrou a mão tremendo sobre a barriga de quatro meses. Não, não, não. Rafael estava em uma reunião quando seu telefone explodiu com notificações.
Ele saiu no meio de uma apresentação, leu a matéria e sentiu um frio glacial tomar conta de seu corpo. Mas não foi a raiva por si mesmo que o consumiu. Foi o telefone de Larissa tocando e a voz destruída de Lucas do outro lado. Lari. O irmão dela estava chorando. Todo mundo está rindo de mim.
Estão dizendo que minha vaga foi comprada, que eu sou uma fraude. Alguém perguntou quanto custa uma vaga de medicina hoje em dia. Larissa soluçava tão forte que mal conseguia respirar. Lu, me desculpa, eu nunca quis. Você se vendeu por mim? A voz de Lucas era uma lâmina. É isso que estão dizendo? Que você se casou com um estranho para pagar minha faculdade, Lucas? É verdade. O silêncio foi à confissão.
Eu vou largar, Lucas disse, a voz quebrando. Eu não consigo mais ficar aqui, não conseguindo olhar para essas pessoas, sabendo que não. Larissa gritou. Você não vai largar. Você não pode. Eu não vou continuar sendo a razão da sua desgraça, Larissa. A ligação caiu. Larissa desabou no chão da cozinha, abraçando a barriga, soluçando descontroladamente. Foi assim que Rafael a encontrou quando chegou em casa.
Ele se ajoelhou ao lado dela, puxando-a para seus braços. “Eu vou resolver isso”, ele prometeu a voz trêmula de fúria contida. “Eu juro que vou resolver o Lucas.” Ela conseguiu dizer entre soluços. Ele quer largar a faculdade. Ele não vai largar. Ninguém vai destruir o futuro dele, nem o seu, nem o do nosso bebê. Rafael a ajudou a se levantar, levou-a para o quarto e ficou ao seu lado até ela adormecer, exausta de tanto chorar.
Então ele foi para o escritório e fez uma ligação. Eu quero uma reunião extraordinária do conselho. Ele disse a voz cortante como aço. Amanhã e eu quero Antônio Ferreira presente. A sala de reuniões estava em silêncio quando Rafael entrou. Todos os membros do conselho estavam presentes, rostos tensos, claramente cientes de que algo grande estava prestes a acontecer.
Antônio estava sentado em sua cadeira de sempre, um sorriso presunçoso nos lábios, como se tivesse certeza de que sairia vitorioso. Rafael se posicionou à cabeceira da mesa. Sua expressão era ilegível, mas havia algo em seus olhos que fez até os mais antigos membros do conselho se ajeitarem desconfortavelmente em suas cadeiras. “Obrigado a todos por virem”, ele começou, a voz controlada.
Imagino que já tenham visto as manchetes de hoje”, murmúrios circularam pela sala. “O que diz a matéria é parcialmente verdade.” Rafael continuou surpreendendo a todos. Meu casamento com Larissa começou como um arranjo, um contrato de conveniência que beneficiava ambas as partes. Antônio abriu a boca para falar, mas Rafael o silenciou com um olhar.
No entanto, ele prosseguiu. O que a matéria não diz é que esse arranjo evoluiu. Larissa é minha esposa. Ela carrega meu filho e ela é a mulher que eu amo. Mas murmure-os desta vez de surpresa. O que vocês também não sabem. Rafael disse, sua voz ganhando um gume perigoso. É quem vazou essas informações.
Ele tirou um tablet do bolso e o conectou à tela principal da sala. Nas últimas 24 horas, minha equipe de segurança rastreou a origem do vazamento e encontraram isto. A tela se iluminou com uma série de e-mails, registros de ligações telefônicas, transferências bancárias e em cada documento, um nome se repetia: Antônio Ferreira. A cor drenou do rosto de Antônio. Isso é, isso é ridículo ele balbuceou claramente uma armação.
Uma armação? Rafael arqueou uma sobrancelha. Então você não enviou três e-mails ao editor chefe do portal que publicou a matéria? Não fez quatro ligações para o celular pessoal dele na semana passada? Não transferiu R$ 50.000 para uma conta em nome da esposa do mesmo editor há três dias? O silêncio era sepulcral.
Eu eu estava fazendo o que era melhor para a empresa. Antônio tentou se defender. Esse casamento é uma farsa. Ela é uma oportunista que está usando você. Clarissa salvou a família dela de uma ruína financeira. Rafael respondeu friamente. Ela sacrificou seis meses de sua vida, sendo ignorada por um marido que não merecia sua paciência.
E quando finalmente encontrou sua própria fonte de renda e independência, ela continuou ao meu lado. Mesmo sem precisar. Ele deu um passo em direção a Antônio. Quem aqui é o oportunista? A mulher que se sacrificou pela família ou o homem que vazou informações confidenciais para destruir a reputação de uma grávida? Ela está grávida? Alguém exclamou.
Quatro meses. Rafael confirmou. E por causa do vazamento de Antônio, ela passou a noite chorando. O irmão dela, um estudante de medicina exemplar, está considerando abandonar a faculdade por vergonha. Minha família está sendo destruída por esse homem. Ele se virou para o conselho.
Eu peço a destituição imediata de Antônio Ferreira de todas as suas funções nesta empresa. Você não pode fazer isso. Antônio protestou, o rosto vermelho de Fúria. Eu construí essa empresa junto com você e você a destruiria para satisfazer seu ego ferido. Rafael retrucou. A votação agora não foi nem perto de uma disputa. Um a um, os membros do conselho votaram pela destituição.
Antônio tentou argumentar, ameaçar, suplicar, mas o resultado foi unânime. Dois seguranças foram chamados para escoltá-lo para fora do prédio. Você vai se arrepender disso. Antônio sebilou enquanto era conduzido para a porta. Essa mulher vai te destruir. Não respondeu calmamente. Você tentou me destruir. Ela me salvou. A porta se fechou e Antônio Ferreira estava fora de sua vida.
Mas Rafael ainda tinha uma missão. No dia seguinte, ele dirigiu até Campinas. O campus da universidade estava movimentado. Estudantes circulando entre prédios com mochilas e livros. Rafael se destacava completamente. Um homem de terno em meio a jovens de jeans e camiseta. Ele encontrou Lucas na biblioteca. O rapaz estava sentado sozinho em uma mesa de canto, o rosto abatido, os olhos vermelhos de quem chorou a noite toda.
“Lucas!” O cunhado ergueu os olhos, surpresa se transformando em irritação. “O que você está fazendo aqui? Vim conversar. Não tenho nada para falar com você. Então escuta. Rafael sentou-se à frente dele, ignorando os olhares curiosos dos outros estudantes. Eu sei que você está com raiva.
Eu sei que está envergonhado e eu sei que está pensando em desistir. E daí? Lucas desafiou. E daí que você não vai fazer isso? Não por mim, pela sua irmã. A minha irmã se vendeu por minha causa. Lucas cibilou, a voz quebrando. Como eu sou suposto viver com isso? Ela não se vendeu. Rafael disse firmemente. Ela fez um sacrifício por amor por você.
E se você desistir agora, esse sacrifício não terá valido nada. Todo mundo sabe. Estão todos rindo de mim e vão continuar rindo se você fugir. Rafael rebateu. Mas se você ficar, se você se formar, se você se tornar o médico que sempre sonhou ser, aí você vai provar que merecia estar aqui.
Lucas ficou em silêncio, os ombros tremendo. Sua irmã acreditou em você. Rafael continuou a voz mais suave. Ela acreditou tanto que abriu mão da própria felicidade para garantir o seu futuro. Não jogue isso fora. E se eu não conseguir? Lucas sussurrou. Você vai conseguir porque você é forte. Porque você é teimoso e porque você tem uma família inteira torcendo por você. Ele colocou a mão no ombro do cunhado. Você não está sozinho, Lucas nunca esteve.
O rapaz finalmente quebrou. As lágrimas que segurava a dias escorreram livremente e ele desabou para a frente, os ombros sacudindo com soluços silenciosos. Rafael não disse nada, apenas ficou ali uma presença sólida esperando. Quando Lucas finalmente se acalmou, ele ergueu os olhos.
“Por que você está fazendo isso?”, perguntou a voz rouca. “Porque você é minha família?” Rafael respondeu simplesmente: “E eu deveria ter entendido isso muito antes.” Lucas estudou o rosto do cunhado por um longo momento. Então, pela primeira vez desde que se conheceram, estendeu a mão. “Obrigado, cunhado.” Rafael apertou a mão dele com firmeza. Disponha. Os meses seguintes foram de reconstrução. A imprensa eventualmente perdeu o interesse na história.
Novos escândalos surgiram e o contrato secreto do CEO foi esquecido pelo grande público. Mais as cicatrizes permaneciam. Larissa se tornou mais reservada. A gravidez avançava, mas a alegria inicial havia sido manchada pela crueldade de Antônio. Ela sorria menos, dormia mal e às vezes Rafael a encontrava chorando no quarto do bebê, olhando para o berço vazio.
“Eu tenho medo”, ela admitiu uma noite quando ele a confrontou. “Medo de que nosso filho cresça, sabendo que o casamento dos pais começou como uma fraude.” Rafael sentou-se ao lado dela. “Nosso casamento não é uma fraude, não mais.” Mas começou assim e isso está documentado em todos os portais de fofoca da internet. Um dia Helena vai crescer e vai pesquisar nossos nomes e vai encontrar Helena. Rafael interrompeu. Larissa corou.
Eu, se for menina, pensei nesse nome. Era o nome da minha avó. Mas se você não gostar, é perfeito. Ele disse a voz embargada. Helena, nossa filha. Larissa sorriu, mas a sombra em seus olhos permanecia. Eu não sei como explicar para ela, como dizer que a mãe dela se casou por dinheiro. Você não se casou por dinheiro. Rafael disse firmemente.
Você se casou por amor pelo Lucas, pela sua família. E quando ela tiver idade suficiente para entender, eu vou contar toda a verdade. Que verdade? Que eu fui um idiota que não merecia a mãe dela, que eu a ignorei, humilhei e quase perdi. E que por algum milagre ela me deu uma segunda chance e uma terceira e uma quarta. Larissa riu através das lágrimas. Você está ficando bom com as palavras. Estou aprendendo.
Ele disse, acariciando a barriga dela. Helena vai crescer, sabendo que seus pais se amam, que seu tio Lucas é o médico mais dedicado que ela conhecerá, que a família dela foi construída com sacrifício, sim, mas também com amor. Muito amor. Larissa apoiou a cabeça no ombro dele. Você promete? Eu prometo, mas a vida tinha mais uma prova reservada para eles.
Na 32ª semana de gravidez, Larissa acordou no meio da noite com contrações. Algo estava errado. Era cedo demais. A corrida para o hospital foi um borrão de pânico. Rafael segurava a mão dela, prometendo que tudo ficaria bem, enquanto por dentro rezava para qualquer entidade que quisesse ouvir. Os médicos conseguiram parar as contrações, mas Larissa precisou ficar internada em observação.
Repouso absoluto, o obstetra disse. Pelo menos até a 36ª semana. Qualquer estresse pode desencadear outro episódio. Rafael não saiu do lado dela nem por um segundo. Dona Célia assumiu a casa. Beatriz adiou todos os compromissos de trabalho de Larissa. Lucas veio de Campinas e passou três dias no hospital recusando-se a deixar a irmã. Você não devia estar aqui.
Larissa protestou fraca. Você tem provas. As provas podem esperar. Lucas respondeu segurando a mão dela. Você não pode. Rafael e Lucas passaram horas juntos naquele hospital esperando, torcendo, conversando sobre a faculdade, sobre a empresa, sobre a família que estavam construindo juntos.
Em algum momento, sem que nenhum dos dois percebesse, a hostilidade deu lugar a algo diferente, respeito talvez, ou algo próximo de amizade. Sabe, Lucas disse uma noite enquanto Larissa dormia. Eu ainda acho que você foi um idiota em Floripa. Concordo, Rafael, respondeu. Mas você também foi o cara que enfrentou seu sócio por ela, que veio até Campinas para me convencer a não desistir, que está aqui segurando a mão dela enquanto ela luta para manter a filha de vocês segura.
É o mínimo que eu posso fazer? Não. Lucas balançou a cabeça. É mais do que muita gente faria. E eu acho que preciso parar de te odiar. Rafael riu suavemente. Eu agradeço. Mas se você decidir voltar a me odiar, eu entendo. Vou guardar essa opção. Lucas sorriu para emergências. Larissa abriu os olhos, observando os dois. Vocês estão fazendo as pazes? Ela murmurou sonolenta.
Algo assim? Rafael respondeu, acariciando o rosto dela. Bom. Ela fechou os olhos novamente, um sorriso suave nos lábios. Já não era sem tempo. Helena nasceu em uma noite chuvosa de outubro. Larissa conseguiu chegar até a 38ª semana. Duas semanas a mais do que os médicos esperavam.
O parto foi longo e difícil, mas às 3:47 da manhã, um choro agudo preencheu a sala de cirurgia. Rafael chorou antes mesmo de ver a filha. Quando a enfermeira colocou o pequeno embrulho rosa em seus braços, ele sentiu que o mundo parou. Helena era perfeita. Olhos escuros como os dele, nariz pequeno como o da mãe, uma penugem de cabelos castanhos.
“Olá, Helena”, ele sussurrou a voz quebrando. “Eu sou seu pai e eu juro que vou passar cada segundo da minha vida te protegendo.” Larissa, exausta, mas radiante, estendeu os braços. Me deixa ver ela. Rafael se sentou na beira da cama, colocando a bebê entre eles. Ela é perfeita, Larissa murmurou, as lágrimas escorrendo livremente.
Como a mãe Rafael respondeu, beijando a testa da esposa. Lucas chegou na manhã seguinte, quase derrubando a porta do quarto. “Cadê minha sobrinha?”, Ele exclamou, os olhos brilhando. Quando segurou Helena pela primeira vez, o estudante de medicina, que já havia visto centenas de recém-nascidos em estágios, transformou-se em uma pilha de emoção.
“Ela é tão pequena”, ele disse maravilhado. “E tão bonita. Lari, ela tem o seu sorriso. Ela ainda não sorri, Lu.” Larissa riu. “Mas vai ter? Eu sei que vai.” Nas semanas seguintes, a vida dos Monteiros se reorganizou em torno da pequena Helena. Rafael anulou formalmente o contrato original. Nunca mais haveria cláusulas, prazos ou condições entre ele e Larissa.
Criou um fundo educacional incondicional para Lucas, não como pagamento de uma dívida, mas como um presente de cunhado para cunhado. Não existe mais dívida entre nós. Ele disse a Lucas quando lhe entregou os documentos. Você é família e família não se paga. venderam a cobertura no Itaim Bibi.
O apartamento que fora palco de tanta solidão e dor foi substituído por uma casa com jardim em Alto de Pinheiros, um lar de verdade, com quartos para todos e espaço para crescer. Dona Célia foi junto, é claro. Ela ganhou um quarto só seu e se autoproclamou a avó honorária de Helena. Essa criança vai ser mimada demais, ela resmungava enquanto passava horas embalando a bebê. Lucas passou a frequentar a casa nos fins de semana.
A hostilidade inicial com Rafael havia evoluído para uma amizade improvável. Os dois jogavam videogame juntos, discutiam futebol e competiam para ver quem conseguia fazer Helena rir mais. “Você é péssimo em fazer caretas”, Lucas provocava. “Pelo menos eu não faço barulhos de animal”. Rafael rebatia. Helena ama os meus barulhos de animal. Helena temis meses. Ela ama qualquer coisa que se mexa.
Larissa os observava dessas interações com um sorriso que iluminava o mundo. Seu marido e seu irmão finalmente se entendendo. Sua filha crescendo cercada de amor, sua própria carreira florescendo. Ela e Beatriz haviam se tornado sócias em uma marca de moda maternidade chamada Helena, em homenagem à pequena que havia mudado tudo. Era mais do que ela jamais ousara sonhar.
Uma tarde de domingo, com o sol entrando pelas janelas da sala, Larissa encontrou Rafael no jardim. Ele estava sentado na grama com Helena no colo, mostrando a ela as flores como se estivesse explicando física quântica a uma estudante atenta. “E essa aqui é uma rosa”, ele dizia sério. “Vermelha, como o vestido que a mamãe usou em Paris. Você vai gostar de Paris, Helena. Tem muita coisa bonita lá.
Vou te levar quando você for maior. Larissa sentou-se ao lado dele, apoiando a cabeça em seu ombro. T sabe, ela disse suavemente. Se você não tivesse surtado de ciúme em Floripa, achando que eu estava com outro cara. Rafael gemeu. Por favor, não me lembra que era meu irmão. Ela continuou ignorando o protesto.
Larissa, talvez a gente nunca tivesse saído do contrato da indiferença. Ele ficou em silêncio por um momento, processando as palavras. Você está dizendo que meu ataque de ciúme patético foi uma coisa boa? Estou dizendo que foi o catalisador. Ela respondeu pensativa. Seis meses de silêncio, Rafael. Seis meses em que nenhum de nós tinha coragem de quebrar o gelo. E então você viu Lucas me fazendo rir e explodiu.
Explodi de um jeito humilhante e completamente errado. Sim, mas também de um jeito que mostrou que você se importava, mesmo que você não soubesse. Rafael a puxou para mais perto, cuidando para não apertar Helena entre eles. O ciúme em Floripa não destruiu nosso casamento, Larissa ele disse a voz carregada de emoção. foi o que fez ele começar de verdade.
Ela ergueu os olhos para ele, os mesmos olhos castanhos que ele ignorara por seis meses e que agora não conseguia parar de admirar. “Eu te amo”, ela disse simplesmente, “Eu também te amo”, ele respondeu. Você e a Helena, mais do que qualquer contrato poderia exigir, mais do que qualquer cláusula poderia conter.
Helena escolheu esse momento para bocejar dramaticamente, como se estivesse entediada com toda aquela declaração. Os dois riram. Acho que ela quer almoçar, Larissa disse. Ou está cansada de ouvir o pai sendo piegas? Isso também. Eles se levantaram juntos, caminhando de volta para a casa, que agora era um lar. Na porta, Lucas esperava com dona Célia, os dois já discutindo sobre qual seria o almoço de domingo. Finalmente, Lucas exclamou.
A Helena quer ver o tio favorito dela. Ela só tem um tio Rafael observou. Por isso eu sou o favorito. É matemática básica, cunhado. Rafael revirou os olhos, mas sorria. Larissa olhou para a cena à sua frente, seu marido provocando o irmão, sua filha bocejando nos braços do pai, dona Célia já estendendo os braços para pegar a bebê.
Uma família, sua família, construída de formas inesperadas, através de contratos e mal entendidos, de brigas e reconciliações, de lágrimas e risadas. imperfeita, caótica, barulhenta, que absolutamente perfeita. Naquela noite, depois que Helena dormiu e Lucas voltou para Campinas, e dona Célia se recolheu ao seu quarto, Larissa e Rafael ficaram na varanda, olhando as estrelas sobre São Paulo.
“Sabe o que eu penso às vezes?”, ela disse baixinho. “O quê? Que se nada daquilo tivesse acontecido? O contrato, os se meses de silêncio, Floripa, o escândalo. A gente não estaria aqui. Não desse jeito. Rafael assentiu lentamente. Provavelmente teríamos cumprido o contrato, assinado o divórcio e seguido em frente. E eu nunca teria conhecido o homem por trás dos muros. E eu nunca teria aprendido a derrubá-los.
Eles ficaram em silêncio por um momento, absorvendo o peso daquela verdade. Às vezes, Larissa disse finalmente, os piores momentos são os que nos levam aos melhores lugares. Rafael se virou para ela, os olhos brilhando sob a luz das estrelas.
Você é a melhor coisa que já me aconteceu, Larissa Monteiro, e eu vou passar cada dia do resto da minha vida provando que mereço você. Ela sorriu. Aquele sorriso que ele descobrira em Floripa, que quase perdera e que agora era só dele. Então é melhor você começar amanhã, porque hoje eu estou muito cansada para ser impressionada. Rafael riu, puxando-a para um abraço. Acordo aceito.
E enquanto a cidade brilhava abaixo deles e o futuro se estendia à frente cheio de promessas, eles souberam que haviam encontrado algo muito mais valioso do que qualquer contrato poderia garantir. Haviam encontrado um ao outro, e isso, no final das contas, era tudo que importava. O amor verdadeiro não nasce perfeito.
Ele é construído tijolo por tijolo, através das tempestades que ameaçam derrubá-lo. E às vezes é preciso uma explosão de ciúme em uma praia de Florianópolis para perceber que o coração já pertence a outra pessoa, mesmo quando a mente ainda não descobriu. Oh.
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